CdA #74 – A Casa dos Maus Espíritos e Viy

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Nesse episódio Emerson Teixeira convidou Sergio Junior para uma conversa sobre duas obras do terror clássico: A Casa dos Maus Espíritos (1959) dirigido pelo William Castle e estrelado pelo Vincent Price e o filme russo Viy (1967) onde um seminarista enfrenta uma bruxa demoníaca sozinho.

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emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Os crimes da Rua Morgue, 1932

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★★★

Edgar Allan Poe é certamente um autor que eu preciso procurar ler boa parte de suas obras, me encanta o universo sombrio do qual os seus personagens fazem parte. Personagens, por sua vez, igualmente estranhos e indecifráveis. Bem, estou descrevendo em base aos filmes que são adaptações dos seus livros, os mais famosos são estrelados por dois dos maiores ícones de filmes de terror: Bela Lugosi e Vincent Price.

Apesar de gostar bastante do Lugosi e suas diversas adaptações em parceria com a Universal, assumo que não chega perto da qualidade narrativa, visual e atuações do querido Vincent Price em união com o mestre Roger Corman.

Recomendo que assistam – ou tentem, como eu –  todos esses filmes clássicos de terror. Há uma elegância fora do comum, piadas bem inseridas, mesmo aquelas motivadas com o passar do tempo, e o terror, hoje em dia tão mal abusado, era exposto de forma cautelosa, estava presente nos personagens e os seus respectivos olhares assustados, nos cenários, em tudo, quase como um elemento coadjuvante. O terror era desenvolvido, usado como artifício narrativo, não era explorado como a principal necessidade como temos visto nas telas atualmente.

Pois bem, “The Murders in the Rue Morgue” de 1841 não é um dos contos mais conhecidos do Allan Poe, pelo menos eu só me lembrava dele justamente por causa de uma música do Iron Maiden do mesmo nome. No qual eles fazem uma referência clara a obra, aliás, essas homenagens da banda, tão comum, me fez conhecer várias coisas, isso é realmente muito legal.

O conto, o qual eu fiz questão de ler e pesquisar, tem um personagem, detetive do caso, chamado Pierre Dupin, que serviu como base para criarem, anos depois, o maior detetive de todos os tempos: Sherlock Holmes. Bem, aos leitores e conhecedores de ambas obras, deve ser bem interessante comparar os pontos em comum entre os dois.

É uma pena que Pierre Dupin só aparece em três obras, até mesmo pela morte precoce do seu criador. Enfim, é um personagem provocante da literatura e, no mesmo tempo, bem esquecido.

O que interessa realmente, nesse texto, é o filme. No caso a primeira adaptação, de 1932, com o Bela Lugosi e dirigido por Robert Florey, diretor que começou a trabalhar nos anos 20 e foi parar somente na década de 60, dirigindo algumas séries, entre elas a quinta temporada de “The Twilight Zone”.

A história se passa em Paris, 1845, nas cenas iniciais está acontecendo uma festa, há bastante humor e risadas, depois adentramos em um lado mais obscuro – mesmo que não intensamente – quando um grupo de pessoas partem para assistir a apresentação do bizarro Dr. Mirakle (Bela Lugosi). Ele afirma mostrar um homem/gorila, o que desperta a curiosidade das pessoas. Entram, então, várias pessoas na tenda, algo como um circo mesmo, e Mirakle os incomoda e, no mesmo tempo, amedronta, fazendo um monólogo sobre as semelhanças entre o homem e o macaco. Enfim, evolução, identificação, palavras bonitas que vão dando lugar a uma ligeira preocupação e/ou curiosidade por parte dos espectadores. Ele mostra então um gorila comum, prisioneiro, e ninguém entende nada. Ele então questiona o público “vocês esqueceram esse som?” e traduz os sons do gorila para o público – que, nesse ponto, já estão extremamente irritadas por terem sido enganadas.

Em seguida temos três casos de assassinatos na cidade, todos semelhantes: mulheres, jovens e pequenas. Pierre Dupin, que aqui é apenas um apaixonado e pouco explorado, começa a investigar o caso e, com todo o seu conhecimento de medicina, descobre que há sangue de gorila nas meninas, ou seja, alguém está fazendo experiências.

O problema do filme é ser simples. Nesse caso, a solução parte da forma mais rápida que existe, por motivações igualmente simples e, para piorar, no meio disso tudo existe algumas piadas que, especificamente nessa obra, não encaixam muito bem. Isso se deve ao fato da própria premissa, um gorila correndo pelo telhado com uma mulher nos braços é, por si só, muito engraçado.

Contudo, para aqueles que se interessam pela história original e estão curiosos pelas adaptações, sugiro que comece por esse. A ambientação é maravilhosa e acompanhar o Bela Lugosi em mais um vilão caricato não tem preço. Uma verdadeira preciosidade perdida, recomendado aos amantes do terror para passar o tempo. Mas pode ser ruim para os mais exigentes ou, simplesmente, aqueles que viram os outros filmes da Universal que também são adaptações das obras de Edgar Allan Poe como “O Gato Preto”, 1934 e “O Corvo” 1935.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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