Stanislavski e a Preparação do Ator

A palavra teatro (théatron) deriva dos verbos gregos “ver, enxergar” e significa lugar de onde se vê. A grande afirmação para essa questão é: não existe um só lugar que não enxergamos a vida acontecer diante dos nossos olhos. Como tal, o teatro funciona como um reflexo da realidade, movimentos cautelosos ou violentos criados a partir da ânsia do homem em se imortalizar. A expressão corporal e vocal exala uma propriedade mística, por isso desde o começo do teatro – cuja origem segue sem explicação – ele está estritamente ligado com rituais para o divino.

Quem sabe a teatralidade tenha começado na pré-história, talvez com algum homem imitando os animais, brincando, não sei. A única coisa que tenho certeza é que o homem existe e, por isso, modifica o meio e sua própria vida para seguir sobrevivendo; é isso que fazemos, reinterpretamos constantemente tudo e duplicamos nossa própria vida em busca de outras experiências. Não seria exatamente essa a maior dor que existe? as infinitas possibilidades desperdiçadas, os caminhos misteriosos do “e se?”.

Nesse artigo irei analisar alguns aspectos importantes da preparação do ator em base ao livro A Preparação do Ator de Constantin Stanislavski. Clássico literário que serve como essência para a formação de atores e cuja importância histórica é gigantesca. A título de curiosidade, Charles Chaplin citou uma vez o livro e o analisou como excelente não só para os interessados em atuar, como para a vida. Em base a essa frase, pode ter certeza que o livro te ajudará a aplicar alguns conceitos teatrais nos seus projetos, seja eles no audiovisual, teatro ou em qualquer área profissional, artística ou não.

Constantin Stanislavski nasceu na cidade de Moscou em 5 de Janeiro de 1863 e desde cedo teve contato diretos com a arte. Inclusive na sua casa ajudava na manutenção de um pequeno teatro, onde haviam apresentações para algumas pessoas da sua família. O mesmo local era um abrigo eventual para grandes intelectuais da época.

Com 25 anos ele fundou junto com algumas pessoas a Sociedade Literária de Moscou visava discutir sobre a arte performática. Com o passar do tempo, mesmo com o relativo sucesso, ele não consegue mais sustentar esse grupo, pois todos os custos saiam do bolso deles e o negócio se tornou inviável.

Mas o milagre artístico aconteceria mesmo 10 anos depois, quando após diversas correspondências dele com o Vladímir Dântchenco, os dois resolveram se encontrar e desse encontro surge a ideia de criar o Teatro de arte de Moscou. E esse foi o princípio da mudança do teatro mundial, pois os dois mestres intelectuais discutiam e inventavam a cada dia métodos teatrais que resgatavam a visceralidade performática que estava sendo esquecida na época. Essa contribuição foi e é impactante, pois quebrou o conservadorismo e deu um pontapé na liberdade de expressão, cujos movimentos no palco deveriam ser pautados na realidade e não no exagero, ou como o próprio Stanislavski cita bastante… “atuação mecânica”.

Atuação mecânica, resumidamente, seria aquela postura do ator em exagerar os seus movimentos de forma a caracterizar uma interpretação, o ator se exibindo como ator. Em síntese, o teatro busca a realidade na sua mentira, por isso há pluralidade e possibilidades infinitas quando pensamos em escolha de elenco. O diretor deve escolher o ator e ele, por sua vez, deve sentir o seu personagem. Caminhar com ele e entendê-lo – sobre qualquer circunstância – até mesmo no camarim ou nos intervalos de cena.

Sobre isso, há uma passagem interessante no livro:

“Lembrem-se disso: todos os nossos atos, até mesmo os mais simples, que nos são de tal modo familiares na vida cotidiana, tornam-se forçados quando surgimos atrás da ribalta, perante um público de mil pessoas. Por isso é que temos que nos corrigir e aprender a andar novamente, a nos mover de um lugar para o outro, a sentar ou deitar. É essencial nos reeducarmos para olhar e ver no palco, para escutar e ouvir”.

Qualquer pessoa que já atuou sabe o quão impactante e verdadeiro é esse trecho. Um levantar de braços durante uma apresentação parece que dura uma eternidade, como se pequenos detalhes fossem difíceis de realizar. Claro, a insegurança é quebrada conforme as repetições e ensaios, no entanto, no sentido filosófico, nenhuma ação enquanto apresentação é simples. Quando o ser humano se torna o centro das atenções e expectativas, não existe meio termo: ou ele se sente poderoso demais ou de súbito percebe a sua pequenice. Pessoalmente, sinto que o trabalho constante do ator é encontrar o meio termo entre esses dois extremos.

Stanislavski dizia também que o ator deve ser um intelectual, se interessar por áreas diferentes e observar o que acontece diariamente ao seu redor. Isso porque precisa absorver os detalhes do cotidiano de forma a compor as suas personagens. Essa ideia parece óbvia hoje, mas imagina na época? os seus métodos tecnicistas envolvem uma série de conhecimentos, que vão desde a medicina, alongamentos, passando pela psicologia, meditações, enfim, os seus escritos demonstram um alto domínio de tudo que envolve a construção da arte teatral.

A sua escrita é inteligente pois mistura a ficção de modo a estruturar com mais força os seus métodos. A sua proposta é fragmentar o papel do ator e transformá-lo em um equilíbrio ambulante, para que ele consiga buscar em si exatamente os conceitos que unem a atenção, desprendimento e espiritualidade. O ator precisa ser curioso ao ponto de perceber nuances da voz e interrogar aquilo que não compreende; ter coragem para se jogar no palco e não se interessar pelas consequências mas sim pelo sentimento do momento em relação à entrega total, fisica e psicologicamente;

Em um artigo que expliquei como e por onde começar a estudar cinema, enfatizei a importância de estudar separadamente a história e métodos do teatro – inclusive um dos livros que recomendei é justamente A Preparação do Ator.

Analisar a atuação no cinema é mais complicado pois existem centenas de ferramentas artísticas que manipulam a performance, mas aos cinéfilos e estudiosos do cinema, é interessante a leitura do Stanislavski justamente para entender a dificuldade do bom ator em reunir uma série de informações e as carregar consigo enquanto tenta se manter em equilíbrio entre a sua verdade e a criação de uma nova vida que, porque não, será moldada a partir de uma mesma essência.

Stanislavski, assim como outros pensadores, contribuiu para o pensamento crítico da arte mais pura de todas. Ele elaborou uma série de sequências didáticas, popularmente conhecidos como “sistema Stanislavki”, que assumem uma importância histórica enorme pois dialoga com outras áreas do conhecimento humano. As técnicas, nas palavras dele, “não fabricam a inspiração, mas criam um terreno favorável pra ela.”

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Entre o corpo, a tinta e a alma

O documentário “Pina”, dirigido pelo Wim Wenders, se encontra em um grau alto e desconhecido, onde a arte atinge o seu limite, morre e renasce. Provando mais uma vez que a expressão é a única fuga e esperança para todos os males do mundo, incluindo a perda.

pina

Desde quando o 3D virou mania nos grandes cinemas, sempre me provocou muita curiosidade. Demorei bastante para assistir um filme em 3D e, quando assisti, foi encanto imediato. Com o passar do tempo o fascínio foi diminuindo até se tornar um aborrecimento. Por ter consciência de que a maioria dos filmes hoje são convertidos para 3D, sem o mínimo de cuidado, apenas para aumentar o preço dos ingressos, a ferramenta – que pretendia levar mais pessoas ao cinema – se tornou apenas mais uma arma de manipulação do grande cinema-produto.

Contudo, assim como em todos os aspectos da arte e da vida, sempre há exceções e pude perceber isso assistindo “Pina”, o documentário onde o maravilhoso Wim Wenders faz uma carta de amor, junto com os bailarinos, à coreógrafa e dançarina alemã Pina Bausch.

Primeiro que é curioso notar a facilidade que o diretor Wim Wenders tem de se reinventar, transitando por entre linguagens diferentes, ele parece sempre manter intacta a habilidade de agredir visualmente o espectador, confrontar e abusar da capacidade de simbiose que o audiovisual pode atingir; isso fica claro desde o primeiro minuto do documentário que se baseia, basicamente, em mostrar algumas das principais coreografias da Pina enquanto os seus bailarinos falam sobre a sua mestre. É preciso ressaltar que, antes mesmo de começar a filmar a obra, Pina Bausch acabou falecendo, mas o diretor fez questão de continuar, claro, de forma diferente, para fazer uma homenagem a altura da grandiosidade de Bausch.

Pina Bausch é o maior expoente de uma expressão chamada dança-teatro. Como o próprio nome já diz, se baseia na interpretação com o auxílio de conceitos básicos da dança, movimentos e música. É de se destacar que a linha que separa a dança do teatro sempre foi muito tênue, no entanto existe alguns pontos cruciais na dança-teatro que são, por exemplo, a representação de um personagem e a linguagem sendo transmitida com uma sintonia entre o movimento e a palavra. A grosso modo, eu diria que essa expressão se aproxima muito da dança contemporânea, se revelando muito visceral e contemplando o humano na sua condição mais selvagem; afinal, todos nós nós somos cabíveis do movimento e da necessidade de expressão, portanto, um sutil balançar das mãos, se planejado e ensaiado, pode ganhar formas e contexto como dança ou teatro.

O que Pina Bausch fez, ao longo da sua história, foi reorganizar o homem diante a essa verdade absoluta e muito contestada: a arte existe para comunicar aquilo que não se mensura. A palavra, que ouvimos por diversas vezes no documentário, é transmitida através de expressões, olhares, a dança e a conexão dos corpos, no entanto, com a realização maravilhosa do filme e a utilização magistral do 3D, o espectador se sente capaz de perfurar essa separação que existe entre o real e a tela, tornamo-nos um só. O corpo é o movimento, a tinta são os bailarinos ( homens ) e a alma é a conexão que existe entre um indivíduo e aquilo que assiste ou sente.

Wim Wenders desconstrói o trabalho da Pina Bausch e se mantém coerente na contemplação da sua genialidade, pois ele mesmo é genial no seu registro. Esse é um dos casos raros que a arte atravessa o tempo e se refaz, ao chegar no fim. Que fim seria esse? Pina deixou algo tão importante para o mundo, ela demonstrou que é possível existir a linguagem em infinitas oscilações, que podemos encontrar o equilíbrio na instabilidade e que para ser livre, é preciso entregar-se ao caos e à loucura.

Uma das maiores sensações do mundo é apresentar em frente à uma platéia, os olhos atenciosos, contemplando a sua presença, percorrendo o seu corpo como se fosse uma exposição, em uma vitrine que se desloca para o coração de vários. O teatro é uma forma de nos sentirmos tocados, mesmo solitários, nos sentirmos leves, mesmo que tensos, nos sentirmos parede, porta, água ou caixão; parte de um todo e nada; a excitação é breve, no mundo real, como uma droga, mas no universo interior aquele que se apresenta se compreende por uma vida inteira.

E quanto a Pina Bausch? Ela continua dançando e se esquecendo…. dançando e se esquecendo… dançando e se esquec… Quem é Pina Bausch? Uma tinta, uma alma, uma professora mas, principalmente, uma mulher.

emersontlima

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Como e por onde começar a estudar cinema?

Como começar a estudar cinema

– Você estudou cinema na Universidade?
– Não, eu não estudei na Universidade. Eles que me estudaram

( Filme “Memórias”, dirigido por Woody Allen )

É sempre a mesma coisa, com o fascínio adquirido pela sétima arte, basta pouco tempo para adentrarmos nesse mundo e procurar o máximo de informações possíveis. Antes de explicar o porquê dessa postagem, seria interessante esclarecer a minha história com o cinema e como vejo e sinto o “estudo sobre cinema” nesse mundo virtual onde todos são especialistas em todas as coisas.

Posso dizer que sou amante do cinema desde cedo. Lembro-me de ter uma infância muito boa, era quieto e criava muitos mundos diferentes com o auxílio do audiovisual. Tinha poucos brinquedos, mas os poucos eram verdadeiras preciosidades e era só pegá-los que eu começava a simular os filmes que eu tinha visto no mesmo dia. Os filmes que eu mais recriei eram os principais do meu ídolo na época: Bruce Lee.

Ainda, com uns cinco anos, eu lembrava de filmes famosos do Van Damme e Sylvester Stallone e fazia uma verdadeira mistura. Então eu imagino, no auge da minha obsessão por cinema, que esses foram os primeiros indícios que eu seria filho do audiovisual, aquilo pertencia a minha alma, eu criava sobre criações.

Muitas coisas aconteceram na minha vida, que fortaleceram o lado da experiência e me distanciaram um pouco do cinema. Só quando tinha treze anos, morando em dois cômodos, que fui aprender a me posicionar diante da vida e compreendi a verdade sobre o meu vazio existencial. Assistindo “Magnólia”, do Paul Thomas Anderson, eu percebi que nunca foi por acaso, a arte é o meu propósito na terra, sentir e doar-me na mesma proporção.

E, assim, dos treze anos aos dezoito eu tinha como meta assistir dez filmes por semana, no mínimo, o que daria uns quinhentos por ano. Mas eu fazia questão de diversificar bastante, foi nesse tempo que conheci basicamente tudo que se tornaria os exemplos perfeitos do real poder do cinema para mim, obras iranianas, suecas, chinesas, sul coreanas, francesas, enfim. Enquanto me perdia na vida, com todos os vícios que ela proporciona, do outro lado me apegava à arte e sentia que aos poucos era salvo.

O que quero dizer contando a minha história, é que eu fui encontrado pelo cinema. Nunca me foi imposto nada, eu simplesmente o amei mais do que tudo e depositei nele todas as minhas expectativas. Com isso, quero criar uma conexão com você, leitor, pois tenho certeza que se ama cinema, com certeza se identificou de alguma forma com o que descrevi acima. Agora tenha certeza que esse artigo é para você, vamos lá:

O que é estudar cinema?

Chaplin

Quando comecei a escrever sobre cinema, ainda no Blogspot, eu o fazia de forma completamente despretensiosa. De forma extremamente subjetiva, eu ia desabafando sobre o que eu sentia e, por muitas vezes, nem escrevia sobre o filme em questão, só sobre sentimentos.

Essa postura foi um professor para mim, pois pude compreender melhor que há uma carência por esse estilo, pois até hoje encontro gente que lê os meus textos desde aquele tempo, ou seja, criou algum tipo de identificação, pois era tudo muito visceral. No mesmo tempo, que surgia em mim a necessidade de entender cinema de forma mais teórica, até porque um ano depois eu conseguiria um emprego onde desenvolvi projetos educacionais que se misturavam com o cinema e fotografia, algo como um “cineclube educacional”.

Então, a partir da minha concepção do estudo de cinema, disponibilizarei a seguir algo como um guia, uma série de indicações para aqueles que, como eu, querem estudar cinema por conta própria, até porque sabemos que o estudo acadêmico é uma realidade distante para muitos.

Primeira Parte: Arte

Tarantino Caricatura

Se nós pegarmos a história da crítica cinematográfica, o mais interessante é justamente quando ela se mistura com a própria arte. A crítica isolada de qualquer sensibilidade é entediante, pois ela acaba desperdiçando uma oportunidade bem significativa de adentrar em um mundo de insanidades, onde o texto se transforma na própria arte.

Veja o trecho a seguir:

Ontem a noite estive no Reino das Sombras”. Se vocês pudessem imaginar a estranheza desse mundo! Um mundo sem cores, sem som. Tudo aqui – a terra, a água, e o ar, as árvores, as pessoas -, tudo é feito de um cinza monótono. Raios de sol cinzento num céu cinzento, olhos cinzentos num rosto cinzento, folhas de árvores que são cinzentos como a cinza. Não a vida, mas a sombra da vida. Não o movimento da vida, mas uma espécie de espectro mudo. Tenho de procurar me explicar aqui antes que o leitor creia que fiquei louco ou demasiado condescendente com o simbolismo. Eu estava no Café de Aumont e vi o Cinematógrafo Lumière, as fotografias animadas. Esse espetáculo cria uma impressão tão complexa que duvido que se possa descrever todas as suas nuanças. Todavia, vou tentar transmitir o essencial. Quando as luzes se apagaram na sala em que nos mostram a invenção dos irmãos Lumière, uma grande imagem cinzenta – sombra de uma gravura ruim – aparece de repente na tela; é Une rue de Paris.

Essa é considerada a primeira crítica cinematográfica da história, perceba uma diferença crucial no que diz respeito a subjetividade, o autor Maximo Gorky faz questão de descrever a sua experiência diante ao audiovisual, essa experiência por si só o coloca como um homem navegando em um oceano de emoções, essa própria experiência pode ser traduzida como arte e se sustenta sozinha. O papel da crítica é envolver, seja para o conhecimento ou sensibilidade. Agora, quem define quem é o bom crítico é o público.

Pegamos como outro exemplo a revista Cahiers du Cinéma, quem escrevia sobre cinema eram jovens como Éric Rohmer,Jacques Rivette, Jean-Luc Godard, Claude Chabrol e François Truffaut, que, sob a autoridade do maravilhoso André Bazin, revolucionaram o “pensar cinema”, inclusive todos eles virariam grandes diretores, entrando para a história e representando verdadeiras mudanças na linguagem cinematográfica.

A primeira parte dos nossos estudos é, portanto, uma extensão dessa ideia. Que é preciso ser a arte, respirar a arte e conhece-la para, posteriormente, compreender o cinema; Então indico à todos que querem começar, que volte um pouco, com calma, e pesquise sobre a história da arte.

Leia tudo o que puder, frequente cursos, converse com especialistas, enfim, construa o seu conhecimento sobre a arte e essa necessidade do homem em entregar-se ao registro. Na Arte na pré-história, por exemplo, você poderá fazer um diálogo prazeroso entre a história do desenvolvimento humano e as técnicas que ele utilizava para fazer as pinturas rupestres, mais do que isso, você irá perceber que a arte se misturava com o misticismo o que, curiosamente, sempre discuto nas críticas sobre os filmes que analiso.

Ainda na história da arte, no seu desenvolvimento, é questão de tempo compreender que as diversas culturas e crenças redefiniram o modo de pensar arte. Ainda há os problemas sociais e transformações políticas. Por isso a arte no Egito antigo, arte na idade média, arte bizantina, arte grega, arte gótica, arte renascentista e arte surrealista são de extrema importância para compreender o ser humano.

Livros que eu recomendo:

  • A História da Arte ( 1993 ) – Ernst Gombrich 
  • Tudo Sobre a Arte – Stephen Farthing
  • Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos – Carlo Argan
  • Isso é Arte? – Will Gomperty

Obs: Os que estão em negrito, são os que eu considero os mais importantes ou aqueles que julgo serem interessantes para começar os estudos.

Segunda parte – Teatro

Marlon Brando

Não existe um bom diretor que não compreenda o trabalho de um ator. A arte da performance dá um tom elegante ao conhecimento cinematográfico pois esse mergulho na criação, através do corpo, pequenos gestos e expressões, é a forma mais incrível de criar a partir do mais simples possível. Todos nós somos cabíveis da encenação, essa arte é intrínseca no ser, a própria mentira é uma fábrica de brincadeiras e o ator utiliza essa maldição em benefício da arte.

Dê atenção a um teórico do teatro chamado Antonin Artaud. Ele foi um sujeito subversivo que divulgou conceitos interessantes onde misturava o teatro com o caos e, ao meu ver, essa é a ideia que sintetiza a atuação.

“A tragédia em cena já não me basta. Quero transportá-la para minha vida. Eu represento totalmente a minha vida. Onde as pessoas procuram criar obras de arte, eu pretendo mostrar o meu espírito. Não concebo uma obra de arte dissociada da vida.” – Antonin Artaud

Livros que eu recomendo:

  • O Teatro e seu Duplo – Antonin Artaud
  • História mundial do teatro – Margot Berthold
  • A Preparação do Ator – Constantin Stanislavski
  • A Construção da Personagem – Constantin Stanislavski
  • Um Ator Invisível – Yoshi Oida
  • A Arte do ator – Jean Jacques Roubine

Terceira parte – Fotografia

Kubrick

Antes de começar os livros especificamente sobre cinema, seria interessante embarcar na história da fotografia e conceitos básicos dessa arte moderna do registro. Mas diferentemente dos anteriores, ainda que eu ache bem interessante a prática do teatro – eu mesmo escrevi duas peças e atuei em uma, como parte dos estudos – no estudo da fotografia o mais importante é não ficar preso somente nas leituras. Pegue a câmera que você tem e saia fotografando freneticamente tudo ao seu redor, depois sente e veja vídeos, procure em sites, assista filmes sobre fotografia, enfim, eu recomendaria também um curso de fotografia, mesmo que seja online, só para você conseguir uma direção em algumas regras básicas.

Mas hoje em dia está muito fácil a informação e existem sites que proporcionam a hospedagem de fotos, portanto, analise com cuidado as composições dos melhores fotógrafos e não se limite a eles, procure em todas fotos os pontos positivos e negativos e, após tudo isso, as suas fotografias ganharão uma nova forma, pois o seu olhar estará treinado.

Recomendação de livros:

  • Tudo Sobre Fotografia – Juliet Hacking e David Campany
  • A Mente do Fotógrafo – Michael Freeman

Filmes relacionados com fotografia:

  • Nascidos em Bordéis – Zana Briski, Ross Kauffman
  • Documentário: The Genius of Photography – David Byrne 

Fotógrafos conceituados que eu recomendo para pesquisas:

  • Henri Cartier-Bresson
  • Sebastião Salgado

Sites e Canais no youtube para aprender mais sobre fotografia:

Quarta parte: Cinema

Steven Spielberg

Chegamos, finalmente, nos estudos específicos sobre cinema. Aqui será diferente pois tem uma infinidade de assuntos e técnicas, existem diversos detalhes que compõe a linguagem cinematográfica e, ainda mais, cada autor introduz temas, às vezes o mesmo, de forma diferente, portanto é preciso ler o máximo possível e, claro, colocar em prática os ensinamentos assistindo os filmes indicados ou simplesmente analisando friamente e relacionando com a pesquisa.

Livros que recomendo sobre teoria de cinema:

  • O Que é Cinema – Jean-Claude Bernadet
  • O Discurso Cinematografico – Ismail Xavier
  • Teorias do Cinema – Andrew Tudor
  • O Cinema ( Ensaios ) – André Bazin
  • O Significante Imaginário – Christian Metz
  • O sentido do filme – Sergei Eisenstein
  • O poder do cinema – Eduardo Geada
  • Num Piscar de Olhos – Walter Murch
  • Meu Último Suspiro – Luis Bunuel
  • Estética do Filme – Jacques Aumont
  • Espelho Partido – Silvio Da-Rin
  • Compreender o cinema – Antonio Costa
  • Como Ver um Filme – Ana Maria Bahiana
  • Como Assistir um Filme – Nildo Viana
  • Como a Geração Sexo-Drogas-e-Rock’n’Roll Salvou Hollywood – Peter Biskind
  • As Teorias dos Cineastas – Jacques Aumont
  • As Principais Teorias do Cinema – J. Dudley Andrew
  • A Linguagem Secreta do Cinema – Jean-Claude Carriere
  • A Hipótese Cinema – Alain Bergala
  • A forma do filme – Sergei Eisenstein
  • A Experiencia do Cinema – Ismail Xavier
  • Fazendo Filmes – Fazendo Filmes
  • A Linguagem Cinematográfica – Marcel Martin

Roteiro:

  • Syd Field – Manual do Roteiro
  • Roteiro de Cinema e Televisao – Flavio de Campos

Cinema digital:

  • Cinema Digital – Luiz Gonzaga Assis de Luca

Som:

  • O Som e o Sentido – Jose Miguel Wisnik

 

Produção:

  • O Cinema e a Produção – Chris Rodrigues
  •  Nos Bastidores da Pixar – Bill Capodagli

 

Montagem:

Cinema e montagem – Eduardo Leone

História do cinema:

História do Cinema Mundial – Fernando Mascarello

O cinema no século – Paulo Emilio Sales Gomes

Fotografia:

Antropologia e Imagem – Andrea Barbosa

50 anos luz, câmera e ação – Edgar Moura

Cinema Nacional:

O Cinema Brasileiro Moderno – Ismail Xavier

Historiografia clássica do cinema brasileiro – Jean-Claude Bernardet

Nada disso funcionaria sem o principal: assistir muitos filmes. Estudar cinema é uma jornada sem fim, é preciso dedicar-se as pesquisas e não ficar parado apenas em um país ou uma forma de se pensar cinema.

Há muitos sites de cinema no Brasil, mas poucos que realmente é possível aprender alguma coisa. É muito fácil ficar estagnado apenas em filmes de super-heróis e se auto-intitular como especialista, é preciso sempre ir além e tratar o assunto com muita seriedade pois, sem dúvida alguma, o audiovisual é instrumento para a evolução individual.

É óbvio que é possível atingir um conhecimento extremamente elevado apenas assistindo filmes, mas esse artigo é direcionado aqueles que desejam embasamento para esse vício/amor.

Para finalizar, escolhi alguns países e selecionei três diretores de cada um. Usei critérios diversos, principalmente ligado com o meu gosto pessoal. Porém tentei sempre mesclar uns nomes recentes com os mais antigos. Sugiro que você procure a filmografia desses diretores e, após concluir os seus estudos, me diga se não enriqueceu o seu olhar cinematográfico aqui nos comentários, por e-mail, enfim.

Brasil:

  • Walter Hugo Khouri
  • Mario Peixoto
  • Eduardo Coutinho

Irã:

  • Abbas Kiarostami
  • Majid Majidi
  • Mohsen Makhmalbaf

Japão:

  • Akira Kurosawa
  • Nagisa Ōshima
  • Shunji Iwai

Coréia do Sul:

  • Kim Ki-duk
  • Park Chan-wook
  • Joon-Ho Bong

China:

  • Zhang Yimou
  • Kar Wai Wong
  • Lou Ye

Polônia:

  • Dorota Kedzierzawska
  • Jerzy Kawalerowicz
  • Krzysztof Kieślowski

Estados Unidos:

  • Paul Thomas Anderson
  • Woody Allen
  • John Cassavetes

Suécia:

  • Ingmar Bergman
  • Lukas Moodysson
  • Victor Sjöström

Itália:

  • Vittorio De Sica
  • Dario Argento
  • Lucio Fulci

Grécia:

  • Yorgos Lanthimos
  • Theo Angelopoulos
  • Michael Cacoyannis

Espanha:

  • Pedro Almodóvar
  • Luis Buñuel
  • Fernando Arrabal

França:

  • François Truffaut
  • Éric Rohmer
  • Gaspar Noé

Bônus: Podcasts e blogs para quem quer aprender mais sobre cinema:

Podcasts:

Blogs de cinema:

E, claro, recomendo fortemente o podcast e site [Cronologia do Acaso], voltado exclusivamente para o cinema alternativo!

É isso, aproveitem esse artigo e ajude com a sua opinião nos comentários. Sugere um livro? Diretor? Mande-nos e, juntos, ajudaremos muitas pessoas que querem estudar cinema por conta própria!

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