Coro, 2015

Coro ( Chorus, Canadá, 2015 ) Direção: François Delisle

O luto é um processo demorado, talvez represente a maior injustiça de todas e é um claro aviso do universo sobre a nossa finitude. Essa espera pelo depois, bem como a consciência da morte torna a existência mais bela, mais intensa, – ou deveria – mas ainda assim é complicado essa frase quando ela é inserida em um evento particular.

A família simboliza a segurança existencial, um abrigo diante às inúmeras oportunidades de cair; uma mãe doa tanto de si ao filho que, no fundo, esquece das suas próprias limitações e sonhos, tornando-se mestre de um universo inteiro a ser pintado, mas que, por consequência do tempo, desvincula-se da sua essência e experimenta o mundo dentre suas próprias convicções.

Cores vibrantes dão lugar ao preto e branco em “Coro”, dirigido pelo François Delisle. Acompanhamos Irene (Fanny Mallette) que, após dez anos da morte do seu filho, é obrigada a reviver as conturbações do evento, para isso precisa do apoio do seu ex-marido Christophe (Sébastien Ricard) que, juntos, se sustentam e conversam em silêncio suas dores, culpas e vazio existencial; ambos possuem um espaço em branco que jamais será preenchido.

O luto caminha como uma sombra junto com os dois personagens centrais, modificando suas posturas e escolhas diante à vida e, por consequência, também aflige aqueles que estão envolvidos. É uma dor sendo trabalhada em forma de estudo de personagem, principalmente Irene, e esse sentimento é tão forte que não há formas de escapar, portanto, o espectador sente a presença de uma aflição que não têm esperanças de partir, humanizando a sensibilidade e a transformando na maior realidade possível.

A obra se baseia no silêncio e pequenos movimentos para representar um estado psicológico – geralmente Christophe e Irene estão lado a lado, representando justamente o sufoco por não conseguir compartilhar suas depressões, senão, entre eles mesmos; quando os dois finalmente veem os ossos desenterrados do filho, Irene surta e Christophe vai para o canto da tela, simbolizando a sua consciência de culpa sobre o ocorrido, principalmente em relação às consequências emocionais para a vida da sua ex-mulher que, detalhe, ele ainda ama mas não consegue olhar diretamente nos olhos.

Ainda há uma simetria em cada quadro, vale ressaltar que os personagens geralmente são filmados entre objetos, móveis ou paredes, reforçando a ideia de claustrofobia que envolve a todos. A condição da existência oprime o pai e a mãe, eles passam a ser escravizados pelo próprio espaço.

Irene canta em um coral na igreja, algo que exige muita concentração, organização e, principalmente, mútua cumplicidade e aceitação entre os envolvidos, algo que certamente precisará aplicar em sua vida.

Ao longo do desenvolvimento, há preocupações em estabelecer um elo da situação com pequenas reflexões da protagonista, em um plano detalhe, por exemplo, ela toca a cicatriz da cesária; assim como existe algumas alegorias da repetição, a mais profunda é quando Christophe admira o desenho do filho e passa o dedo justamente em um espiral – a câmera move devagar até vermos a totalidade e percebemos que se trata de um caracol – que representa não só os contornos da situação, como também o seu estado emocional, visto que não têm certeza se continua com sua ex-esposa ou volta para o México; e, depois, Irene passa os dedos em uma camisinha usada, repleta de espermas, como se fizesse carinho em um futuro utópico, onde a criação desse uma segunda chance para o amor e vice-versa.

O filme é uma alegoria sobre o abandono, seja literal ou psicológico, em suma, algumas dores não podem ser compreendidas ou mensuradas, senão, por aqueles que as vivem. “Coro” começa sua jornada com essa certeza, envolvendo muita coragem e respeito de modo a contemplar perfeitamente um fato horroroso. A poesia se encontra na simetria visual e no silêncio provocativo, criando uma verdadeira análise sobre o luto e o recomeço.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Swiss Army Man, 2016

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O cinema é um poço de reinvenções e maravilhas ocultas, criação dos sentimentos mais profundos de um homem que, perdido em seu devaneio, inventa a sua própria imortalidade e sopra-lhe um instante de vida.

Assim, defino, o ato de se fazer cinema. Doar-se ao projeto audiovisual que, por consequência, registra os anseios e angústias de um outro alguém. É essa profundidade que os diretores Daniel Kwan e Daniel Scheinert tocaram o meu coração; aquela vontade extrema de cuspir palavras, mesmo quando, no seu interior, você saiba que nada será capaz de definir o que sente.

Swiss Army Man” conta a história de Hank ( Paul Dano ) que está perdido em uma ilha. Sem encontrar maneiras de fugir, ele se encontra extremamente desmotivado, mesmo tendo deixado uma vida monótona e solitária para trás, a sua nova condição o incomoda ao ponto de querer se suicidar. No entanto, ele enxerga, durante a tentativa de suicídio, um corpo na praia. Manny ( Daniel Radcliffe ) é uma pessoa igualmente solitária e, aos poucos, descobriremos ser um reflexo do protagonista, incluindo os seus desejos, medos e arrependimentos.

A linguagem cinematográfica se utiliza de uma série de artifícios para estruturar uma história. Uma delas é a metáfora que, com o passar dos dias, ganha diferentes proporções por conta da aceitação. Aqui temos a escatologia como forma de enganar o público mas, na verdade, nos direciona para a exposição gratuita para, no desenrolar, surpreender com a inteligente narrativa.

Com diálogos excelentes, orgânicos e diretos, envolto de um humor negro e explícito, somos transportados para dentro de um ser solitário. Tomado por uma imaginação sem fim e, milagrosamente, dependente da observação. Os simples movimentos do dia a dia são calculados por Hank, inclusive a sua falta de iniciativa o tira da tranquilidade; ele está sempre julgando a si próprio por não ter coragem.

Hank ensina para Manny os conceitos básicos sobre sentimentos. Por estar isolado, as suas colocações sempre soam nostálgicas, como se o mundo “real” não mais lhe pertencesse. Ele condiciona o seu amigo ao fascínio, no mesmo tempo que a vida que ilustra é leve, os problemas englobam apenas a falta de coragem, principalmente relacionado à não conhecer o interesse platônico no ônibus e ter vergonha de levar a vida do seu jeito, se aceitar.

“[…]eu me masturbarei pensando na sua mãe”.

A cena em que Hank demonstra o que Manny irá sentir quando conhecer a “Sarah” no ônibus é uma das mais lindas desse ano no cinema. Singelo ao extremo, criativo, doce, no entanto, é de tamanha profundidade que chaga a doer. A poesia é obscura, depressiva, oscila tanto no objetivo, quanto na iluminação, nas atuações enigmáticas, enfim, a obra é de uma incoerência surreal, portanto, verdadeiramente completa.

Em dado momento, Manny pergunta o porquê seu novo amigo quer voltar para a cidade se foi ignorado a vida toda e essa é realmente uma dúvida interessante. Pois a única felicidade do personagem é justamente quando ele está completamente desarmado, desprendido de amarras, atingindo ao máximo o seu potencial através do desabafo criativo. Ele manipula a morte, inventa a vida, transgride o normal e mantém essa subversão como forma direta de sobrevivência.

No mesmo tempo que o filme é ácido e eficaz no humor, existe um quê de drama muito delicado e denso. A ideia de filme de sobrevivência na selva é desmistificado e atinge uma outra esfera: a da problematização psicológica do homem moderno que, atarefado, perde a sua identidade na mesma velocidade que o passar dos minutos.

A obra possui uma mensagem atemporal e, através da sua dinâmica montagem, fotografia certeira e imersiva – usada para destacar alguns pontos da consciência ou lembrança do protagonista; as cores vibrantes são usadas em momentos onde a felicidade o rodeia; no mesmo tempo os tons de azul resgatam sempre momentos onde há alusão à solidão – consegue fazer pensar mesmo com as diversas distrações.

A atuação de Paul Dano é absurda. Ele é um ator que vêm se destacando há muito tempo no circuito independente, principalmente em filmes indies, e infelizmente é pouco reconhecido. Trabalhou com grandes nomes e nunca esteve na zona do conforto, buscando pequenas expressões, posturas, entonações de voz, enfim, felizmente “Swiss Army Man” é uma obra que beneficia muito o trabalho do ator, lhe dá muita liberdade, pois exige bastante do físico.

Daniel Radcliffe, que tentava desesperadamente sair do seu famoso pepel do bruxo Harry Potter, conseguiu, finalmente, fazer algo épico. Se doando de forma extrema, desenvolvendo as nuances de forma linda em uma curta possibilidade de movimento. É um trabalho de confiança, quando um ator sabe que possui em mãos um bom roteiro e diretores que transformarão, através da sua captação, ângulos e movimentos de câmera, uma história grandiosa em dinâmica.

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Kairo, 2001

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★★★★

O diretor Kiyoshi Kurosawa é muito conhecido pelos amantes de filmes de terror. Já dirigiu obras interessantes como “A Cura” e “Loft”, mas também ótimos dramas como é o caso do “Sonata de Tóquio”. Sua linha de trabalho é ótima, sempre prezando pela construção dramática dos personagens afim de criar uma tensão atmosférica, sem contar que a confusão que envolve os seus personagens acrescenta ainda mais à sensação de estranheza.

“Kairo” é a sua obra mais conhecida, ou pelo menos a que mais revela o perfil do diretor, mesmo que o próprio tenha capacidade o suficiente para fugir dos seus métodos costumários. “Kairo” é a representação fantástica das suas características por conta do envolvimento profundo entre os personagens e a realidade nebulosa que existe entre eles.

A história acompanha um grupo de jovens que têm contato com uma série de desaparecimentos e mortes após o suicídio de um amigo. Esse mesmo amigo aparece como um vulto e toda a trama se relaciona com temas pesados como a tecnologia, isolamento e loucura.

A primeira coisa que se nota é a capacidade do diretor, apesar de suas limitações, em investir na ambientação para criar a tensão perfeita entre os jovens e, mais do que isso, o cenário parece engolir os personagens, fragilizando-os e, consecutivamente, aumentando o sentimento de urgência no espectador.

A casa de um dos jovens aparece, pela primeira vez, de forma muito pequena e apertada, como se o lugar fosse extremamente poderoso, não à toa existe por boa parte do filme a “mancha na parede” que é uma espécie de registro fantasmagórico e, ao mesmo tempo, uma metáfora sobre o quanto os proprietários estão se tornando a sua posse. Em outro filme de terror, as metáforas soariam forçadas, mas nessa obra em específico fica claro que o terror é consequência do bom roteiro investigativo e não o contrário.

Outra observação crucial é sob o elemento “tecnologia” no filme e como as pessoas lidam com ela. Vemos um personagem tentando se ajustar a internet em uma época onde a conexão virtual era algo extremamente inovadora e provocante, com os olhares atuais, se torna, no mínimo, curioso perceber o quanto evoluímos e, por consequência, viramos escravos do computador, dependendo mais da vida e redes sociais do que a própria vida offline. É realmente uma ideia de mestre do Kiyoshi Kurosawa em investir na Internet como ferramenta de debate sobre a questão da solidão, visto que se trata de uma aposta arriscada que acabou prevendo o que viria a acontecer de forma ainda mais extrema.

Como extensão da tecnologia, a solidão é trabalhada como principal chave para o entendimento por completo do filme. O roteiro parece querer empurrar de todas as formas possíveis para entendermos que estar só é algo extremamente perigoso e, infelizmente, real. Mas sempre o faz de forma sutil, mesclando com outros temas como fantasmas, aparições, enfim, o medo aqui é quase uma analogia ao desespero em estar sufocado – lembrando que as cenas são sempre filmadas de modo que o ambiente sufoque os personagens, portanto a claustrofobia auxilia na densidade que o filme teima em transmitir – e o que prende os personagens é justamente a solidão.

Essa é uma obra profunda e que cria, diante uma imensidão de importantes dilemas, cenas aterrorizantes com o uso de muita consciência, seja no roteiro e trilha sonora, tudo apoiando na evolução da atmosfera obscura, que tira quem assiste do natural ou comum e o convida para uma viagem em um mundo onírico repleto de medos.

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Entre a solidão e o suicídio

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Sala do Suicídio, 2011

A depressão é, hoje mais do que nunca, a maldição que rege, indiretamente, o homem. Sempre existiu o existencialismo, as dúvidas sobre o porquê das coisas e até mesmo o suicídio. Mas o mundo se transformou de tal maneira que é impossível, em algum momento da vida, não perceber a prisão invisível que construímos em nossa volta. Estamos enclausurados na expectativa, nas regras sociais, no conhecimento e sistema, isso sem contar a rotina.

Houve um tempo onde havia protestos e boa parte dessa rebeldia consistia em ser livre, estar por aí, caminhando pelas ruas e conhecendo o maior número de pessoas possíveis, doando-se e aprendendo. Atualmente o nosso meio de desabafo é algo ainda mais perigoso do que a realidade: a internet.

É louco pensar que existem milhares de pessoas nesse mundo que poderíamos nos identificar de forma monstruosa. Poderiam contribuir com o nosso crescimento ou morte mas, de todo modo, afetariam drasticamente a nossa existência. Porém isso não acontece por um motivo: distância.

Existe distância entre todos nós e, de certa forma, ao longo do tempo, ela sempre nos manteve seguros. Claro, com o advento da tecnologia essa barreira foi quebrada e bastou poucos anos para a Internet funcionar como uma grande família, onde todos têm voz e, principalmente, podem ser quem quiser. De fato, o mundo virtual se trata de uma grande máscara, onde as pessoas conseguem se livrar da sua própria imagem mentirosa do dia a dia e passa, com muita facilidade, a pertencer à um grupo.

Chegamos ao jovem que, em pleno desenvolvimento, se vê cercado de expectativas ou falta delas, seja por oportunidade ou força de vontade. Então é questão de tempo para enxergar na Internet uma possibilidade real de ser aceito ou até mesmo buscar exemplos que, por sua vez, conseguiram sucesso nesse outro mundo e parecem levar uma vida perfeita no Instagram.

A máscara que existe no mundo virtual é tão bonita e tentadora que poucos percebem esse problema invisível que temos hoje e que, infelizmente, a tendência é crescer.

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“Sala do Suicídio” ou “Sala Samobójców” é um filme polonês dirigido pelo jovem diretor Jan Komasa e, antes de mais nada, é preciso louvar a atitude do artista em realizar uma obra tão impactante e visceral sobre toda essa discussão dos impactos do mundo virtual no jovem. O diretor parece querer buscar a essência da dor e sentimentos mais obscuros do jovem quando traz temas atuais como o próprio cyberbullying e homossexualidade, esse segundo, inclusive, é abordado na obra de forma extremamente sútil.

Ainda mais, ele se preocupa em unir a parte estética – a fotografia, por exemplo, na maioria das vezes permanece em um tom azulado, demonstrando a frieza do protagonista com ele mesmo e para com o mundo que o cerca – com uma proposta imersiva, onde há uma mistura de jogos que permite ao espectador adentrar literalmente na cabeça do protagonista, visto que ele passa a pensar através de um monitor e com amigos virtuais.

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A história é sobre um garoto chamado Dominik que anda solitário na escola, porém esse detalhe não o afeta. Vive em um mundo próprio e não se intimida, inclusive, com o seu visual alternativo. As coisas começam a mudar quando, em uma festa da formatura, ele é desafiado pelos amigos a beijar um colega da sala dele, esse desafio é aceito em meio a muitos risos e diversão mas tudo isso está sendo filmado. Começa então nas redes sociais – após o vídeo ser publicado – uma série de gozações e discriminação que só se agravam quando, em uma aula de judô, Dominik se excita com o mesmo menino que beijará alguns dias antes.

A partir desse ponto o protagonista começa a refletir sobre sua vida e observar, também, os pais que lhe dão de tudo, menos atenção e carinho, ele resolve se refugiar no seu quarto em um jogo de simulação da realidade, onde participa de um grupo ou mundo conhecido como: sala do suicídio. Aparentemente composto por pessoas incompletas na realidade que se sentem completos modificando os seus avatares no mundo virtual.

Existe diversas inserções desse jogo ao longo do filme que, nas maioria das vezes, serve como uma boa ferramenta para compreender o protagonista que, do segundo ao terceiro ato, se desenvolve através de conflitos internos, ou seja, é difícil o acesso que o espectador tem com eles no mesmo tempo que essa barreira faz jus ao sentimento de incapacidade que os pais de Dominik sentem em não conseguir ajudar o filho e perceberem a sua carência muito tarde.

A cor quente só aparece no filme no começo, quando Dominik visita o trabalho da mãe – ironicamente o garoto não consegue conversar com ela pois está ocupada, ou seja, como se a cor representasse um outro universo cujo protagonista é apenas um intruso. Nessa mesma cena ele se conforta assistindo vídeos de auto-mutilação.

“Mundo fechado, feridas abertas”

Dominik por diversas vezes pede silêncio, seja no carro do seu pai ou até mesmo em um ônibus, como se qualquer som produzido por aqueles que existem o incomodasse. O personagem se arrasta com uma corrente amarrada nos pés, um escravo do seu tempo. E os seus pais são sempre apresentados de forma rápida e superficial, como se estivessem atarefados constantemente e, uma prova dessa diferença do filho, é o figurino, eles estão sempre muito elegantes, independente da situação, a mãe na maioria das vezes está com um cachecol enorme, como se estivesse sufocada com aquele casamento ou com o fato de ser mãe.

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“Sala Samobójców” começa leve e vai se tornando cada vez mais desgastante, isso porque o sentimento do protagonista invade a história, como um vírus. A densidade e sensações são tamanhas que, sem dúvida, pode ser um perigo para quem passou ou passa por depressão, até mesmo o suicídio aqui é tratado de forma muito crua e realista.

Impossível não elogiar o trabalho do ator Jakub Gierszal que se esforça muito para transmitir todo tipo de dor da personagem e, para isso, trabalha de forma impactante com todo o corpo. O choro muitas vezes confunde, o olhar sob o brilho da tela do notebook, enfim, é uma linda organização dos detalhes e a entrega do jovem ator só aumenta o drama. Sem contar a beleza de Jakub que, nesse filme, funciona como uma outra demonstração da quebra do personagem que, ao final, se mostra extremamente debilitado fisicamente.

Outra personagem que chama muito atenção é a Sylwia, com seu cabelo rosa e uma máscara – representando visualmente a Internet e sua “função social” – ela é o “outro lado do mundo”, o ser humano que só pode ser encontrado por causa da Internet, ela impulsiona Dominik para o fim, no mesmo tempo que o ajuda a encontrar uma explicação, tudo isso de forma indireta pois Sylwia é tão vazia quanto o protagonista. Ambos vivendo em seus quartos, suas prisões, sendo monstros de sua própria existência.

As cenas finais é de arrepiar, a conclusão do jovem e suas infinitas ilusões, a vida adulta que parece confusa e interminável, o amor desperdiçado, enfim, viver é realmente muito complicado, principalmente para os mais sensíveis.

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“-Por que você usa uma máscara?
– Me protege de pessoas perigosas, de substâncias.”

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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