CdA #65 – Os Inocentes – Por entre a proteção e o desejo

Os Inocentes

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Em mais um episódio [Moscas]Emerson Teixeira e Tiago Messias analisam o filme clássico “Os Inocentes”. Criam significados e interpretam as diversas mensagens ocultas dessa obra imortalizada como uma das melhores obras do terror, perfeito exemplo da mudança que acontecia no gênero em plena década de 60!

Edição feita pelo Tiago Messias

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Invocação do Mal, 2013

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★★★★

Colocar o diretor James Wan como um dos grandes nomes do gênero terror atual é recorrente. Ele parece ter entrado para o cinema com uma fonte inesgotável de ideias, reuniu diversos clichês e seguiu uma linha de trabalho onde consegue abusar de todos os elementos já vistos no cinema, mas ainda assim consegue extrair algo novo, de fato ele é um verdadeiro oportunista, conseguiu construir uma fórmula para provocar o medo e o faz com tamanha naturalidade que nem ao menos parece um truque.

A sua maior força está na maturidade e direcionamento, Wan sabe lidar maravilhosamente bem com a sugestão. Em um das principais cenas de “Invocação do Mal”, uma das irmãs olha assustada para a porta do seu quarto, no escuro, a menina afirma que tem alguém olhando para ela, mas o espectador, assim como uma personagem que está no quarto, não vê absolutamente nada. Existe, nessa cena, o ápice da sugestão, o diretor parece sorrir e gozar do seu artifício e a forma que utiliza com maestria. Isso não é inédito no cinema, mas por incrível que pareça o gênero terror parece que se esqueceu, com o tempo, que mostrar os monstros toda hora nem sempre é a melhor maneira de provocar a tensão.

É só pensar em filmes como “O Bebê de Rosemary”, dirigido por Roman Polanski e “O Exorcista” do William Friedkin, os realizadores tem em comum a inteligência em mostrar pouco e, quando o faz, é em doses extremamente inteligentes. Existe um equilíbrio, pois o ser humano precisa disso. Em um quarto escuro pode existir qualquer coisa, até que se acenda a luz.

“Invocação do Mal” foi baseado em uma das histórias do casal Ed e Lorraine Warren que são investigadores de casos paranormais. Nessa história, em específico, um casal (Ron Livinston e Lili Taylor) se muda para uma casa antiga e grande com as suas cinco filhas. Pequenos eventos vão acontecendo, até que chega um momento onde todos definitivamente acreditam que algo sobrenatural está acontecendo, eles então recorrem à ajuda dos Warren.

Logo no início do filme somos apresentados à Ed e Lorraine Warren, eles estão dando uma palestra que inclui uma história sobre a boneca Annabelle – mais um evento verdadeiro e que, através do filme, atingiu um patamar muito grande de popularidade, tendo sido feito, inclusive, um filme somente sobre ela – e com a ajuda da trilha sonora, é um excelente convite ao espectador.

A partir daí temos a apresentação comum da casa antiga e enorme, um casal feliz com a mudança e crianças brincando e pulando sobre as mudanças. O incrível é a forma que é conduzido, os eventos acontecem rápido, mas são bem orquestrados, é mostrado o suficiente para provocar o medo mas não o bastante para enjoar. Existe um poder grande de utilizar algumas atitudes cotidianas, por exemplo as brincadeiras das meninas, como forma de demonstrar o quão fragilizados se encontram os personagens, assim como o fato de ter muitas meninas também soa interessante, pois quando começa a acontecer os eventos sobrenaturais cada uma sente de uma forma diferente, uma é sonâmbula, a outra é puxada pelo pé constantemente, a menor brinca com uma caixinha cujo espelho reflete um espírito, enfim, é uma forma eficaz de exigir uma atenção maior em quem assiste.

Fotograficamente o filme é muito poderoso, ambienta-nos no estranho e com a ajuda da trilha sonora agressiva, nos conduz ainda mais em direção ao medo. Se a sugestão até a metade do filme foi trabalhado exaustivamente, do segundo para o terceiro ato não se pode dizer o mesmo. Visivelmente a inserção de piadas e os aparelhos eletrônicos para a captação de fantasmas tiram um pouco o foco do realismo, o clima sombrio passa a ser colorido e perde temporariamente a força, – apesar que é normal, pois seria impossível sustentar uma hora e cinquenta minutos de sustos – recuperando somente nos minutos finais.

“Invocação do Mal” chegou aos cinemas para assustar e, apesar de não figurar na lista dos “melhores filmes de terror de todos os tempos” – algo que nunca pretendeu, inclusive – consegue se sair muito bem e faz jus a sua proposta. Agora é esperar pelas continuações para vermos quais outras aventuras Ed e Lorraine Warren se meteram na vida.

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Do Outro Lado da Porta, 2016

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★★

Johannes Roberts é um jovem diretor que se mostrou, ao longos dos anos, ser um especialista em trabalhar com filmes B. Não vejo nenhum dos seus filmes com animação, muito pelo contrário, a maioria é repleto de clichês absurdos e histórias mal desenvolvidas. É o caso, por exemplo, de “Floresta dos Condenados“, filme de 2005.

No seu mais recente filme, “Do Outro Lado da Porta”, o diretor parece querer fugir do esteriótipo que envolve os seus filmes anteriores e resolveu fazer algo mais sério e, que de algum modo, é mais aceitável pelo grande público. A história é sobre Maria, que vive atormentada pelo fato de ter visto o seu filho morrer, em um acidente de carro. Ela se sente incrivelmente culpada pela fatalidade, pois conseguiu apenas salvar sua filha. Então sua empregada Piki dá uma possibilidade da mãe conversar com o seu filho mais uma vez, fazendo um contato com o mundo dos mortos.

O ponto mais interessante desse filme, que em suma não apresenta nada novo, é, sem dúvida, a abordagem sobrenatural que se diferencia por partir da cultura e crença hindu. Como a história se passa na Índia, toda a estrutura narrativa, muito clichê por sinal, é moldada com uma religião diferente da nossa, portanto, aos nossos olhos, o filme ganha um charme a mais e se transforma em algo curioso.

Os primeiros minutos somos apresentados a família que está passando por sérios problemas, a fotografia azulada transmite toda a melancolia presente ali e visivelmente a mãe dá um tempo na sua depressão quando ouve, de forma abrupta, uma possibilidade de se utilizar do sobrenatural para se desculpar com o filho. O primeiro ato, apesar de trabalhar com algo comum, é bem interessante, mas o filme perde forças quando o mal invade a casa da família.

Dentro de inúmeros filmes do gênero que saem todos os anos, The Other Side of the Door não passa nem longe do pior. É o melhor filme, até agora, do diretor Johannes Roberts – não que isso seja algo grandioso. Mas se analisarmos o contexto interessante, fotografia consciente, enfim, toda a proposta inicial e compararmos com a conclusão, veremos que é um filme que, infelizmente, se sabota no desenvolvimento, tornando-se frágil e forçado.

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The Nightmare, 2015

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★★★

Rodney Ascher fez em 2012 uma análise, em forma de documentário, do filme “O Iluminado” do Stanley Kubrick, ou seja, é necessário uma alta dose de paixão para fazer algo assim, ainda mais como em “Room 237” que traz diversas teorias interessantes, outras nem tanto, sobre o clássico do terror de 1980.

Rodney ainda se aventurou com um pequeno curta no “O ABC da Morte 2” e, enfim, chegamos ao seu esperado documentário “The Nightmare”, lançado no Festival de Sundance desse mesmo ano ( 2015 ).

A ansiedade em assistir era enorme, principalmente por causa do assunto que soa tão natural, enquanto analisado psicologicamente e, no mesmo tempo, extremamente misterioso pois, como escreverei a seguir, o tema é cercado e criado a partir das crenças, ou seja, a ideia do mal ou desconhecido ainda está muito atrelado ao demônio, mesmo com todos os avanços tecnológicos, esse medo primitivo ainda se revela muito  presente na vida do homem moderno, ainda que, por vezes, seja preciso um impulso do seu subconsciente, como é o caso da “paralisia do sono”.

Coloco “paralisia do sono” entre aspas, justamente pelo entendimento e crenças diferentes, a “paralisia do sono” remete-nos a uma maravilha/acontecimento bizarro da psicologia no qual o ser humano desperta durante o sonho REM e é nesse estágio do sono que o seu corpo fica imóvel para, assim, ter uma maior segurança diante aos possíveis reflexos que traduzem o mundo dos sonhos, ou seja, a pessoa acorda durante a noite e não consegue mexer o corpo. Estando praticamente em uma posição de “intruso” pois, de fato, era para estar sonhando, o sujeito começa a ter alucinações e visões dentro do seu próprio quarto ou onde quer que esteja, geralmente essas visões – mediante a crença de cada um – são relacionadas com demônios, sombras, enfim, criaturas pouco amigáveis, afinal, estamos falando, literalmente, de um pesadelo acordado.

O que acontece em seguida é o seguinte: a pessoa tenta mexer o corpo e pelo fato de estar imóvel, começa a sentir uma pressão no peito, é por esse motivo que existem várias culturas que atribuem esse evento a um demônio que fica em cima da barriga da pessoa ou até mesmo há quem diga que demônios transaram com eles na cama.

O documentário explora a história de algumas pessoas que passam/passaram por isso, cada um narra as suas histórias e, enquanto isso, é nos mostrado através de uma simulação, extremamente eficiente no que diz respeito ao uso das cores e dos sons, aproximando os espectadores das sensações que a paralisia traz ao indivíduo.

Existem algumas séries de terror com esse formato, aliás, se engana quem pensa que “The Nightmare” é um documentário que explicará cientificamente a paralisia do sono, o objetivo é, claramente, provocar o medo, abusando dessa ideia de vulnerabilidade que temos enquanto estamos dormindo.

A hipótese de que realmente exista algo sobrenatural nessas experiências é bem explícita ao longo dos 90 minutos, o que pode acabar causando um cansaço, repete várias vezes o mesmo formato, até chegar no real interesse que é compreender ou tentar a alucinação que cada um teve. Portanto, é curioso questionar o quanto a ciência pode nos explicar esses acontecimentos, no mesmo tempo que se existisse apenas um psicólogo no documentário já enriqueceria a discussão, por vezes eu acredito que a mente humana é mais assustadora do que inúmeros filmes de terror e provocar o medo com essa afirmação seria, ao menos para mim, muito mais interessante.

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