Destino, 2003

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Destino é um curta-metragem que resultou da parceria entre Walt Disney e Salvador Dalí. Foi idealizado no ano de 1945, mas o projeto ficou abandonado por problemas de verba e só foi retomado novamente em 2003 por Roy Edward Disney (sobrinho de Walt Disney).

Algumas questões se mostraram proeminentes no roteiro, seriam elas:
Quanto tempo dura um amor?
É possível resistir ao tempo?
É possível resistir a distância?
É possível resistir a dor?
Seriam essas mazelas parte do destino?

Cabe a cada um de nós buscar a resposta, mas antes de partirmos nessa jornada permita-me contar minhas impressões sobre o curta.

O mundo surrealista de Salvador Dali é uma investigação imagética da psique humana. As figuras, por vezes, disformes ou de aspecto líquido tentam traduzir sentimentos profundos, sentimentos suplantados pelo peso de existir.

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A animação trata de maneira surreal a passagem do tempo e o peso de amar. Acompanhamos a trajetória de uma mulher que busca e sente o amor de uma forma muito particular, amor este que não se realiza de uma forma física e por esse motivo deixa uma sensação de incompletude. Conforme o tempo passa o amor mantém-se vivo, e a busca continua incessante, mas será que só isso basta para enfim esse sentimento atingir sua plenitude? 

E se o acaso, ou melhor, o destino interferir no processo? 

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Vemos o homem se libertar da prisão temporal e a partir dai segue-se sua busca pela amada, nasce a expectativa do encontro, do final feliz que aprendemos com as histórias contadas pelo estúdio de Walt Disney. Dizem que a esperança é última que morre e que o amor é imortal, dentro desse padrão, essa história parece encaminhada para o final perfeito, mas não é bem assim na realidade (ou na surrealidade, se preferir). 

Há um desencontro. E é desesperador, ver aquelas duas almas lutando por um mesmo objetivo (um ao outro) sofrer nas mãos do Destino. É desesperador pensar que é tão mais simples o amor ser soterrado pela vastidão do deserto. É um sofrer pelo outro e por si próprio que cala como uma noite escura no âmago.

            destino,

            traga-a de volta para mim,

            para o meu lado,

            eu tanto chorei

            por este amor ingrato.

Esse trecho da canção ecoa após o término e nos persegue como quem persegue a pessoa amada.

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Júlio Belisário

Quando eu cheguei já estava assim. ¯\_(ツ)_/¯

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