Qué Tan Lejos (2006)

Se tem uma coisa que me deixa feliz nessa vida é fazer uma viagem, principalmente aquela despretensiosa. Um lugar confortável, pessoas diferentes e vontade de conhecer/desbravar. Ou, talvez, um passeio no meio do mato, acampamento, enfim, eu ainda não fiz nem a metade das coisas que gostaria, se tratando de viagem, porém, me pego as vezes perplexo com as diversas possibilidades que estão ao nosso redor e, por vários motivos, ignoramos muitas vezes. Eu sempre fui uma pessoa muito simples, desapagada de bens materiais – claro, não totalmente – e com o passar do tempo, fui questionando se era preciso “ter” mais do que “ser”, ou melhor, sentir. Cheguei a conclusões que me afastam um pouco dessa amarra de consumismo que vivemos, enquanto muitos amigos me contam, super entusiasmados, os seus planos de carro, moto etc, eu tenho exatamente a mesma reação quando conto sobre meus planos de viagem, por exemplo. As diversas coisas que pretendo ver, ares diferentes para respirar, pessoas para conhecer e me conhecerem.
Uma longa e inesperada viagem começa dentro de nós mesmos, reflexões sobre nossos objetivos, sobre o que colocaremos como prioridade na nossa vida. As vezes eu penso em comprar um celular melhor, por exemplo, mas depois cai a fixa e quero guardar dinheiro para viajar. Tudo acontece em um momento, por enquanto, vou viajando o quanto é possível para mim e, desde sempre, vou transformando o cinema no melhor guia turístico que existe, aquele que não só me mostra as belas paisagens ao redor do mundo, como me apresenta histórias particulares, me aproxima de um universo ainda não conquistado por mim, que está no campo das ideias. Para quem se interessar, eu participei do podcast Cinem(ação) falando sobre cinema e viagem ( Clique aqui ) onde indiquei diversos filmes que abordam o tema, diretamente ou indiretamente, o filme que comento hoje, inclusive, certamente entraria na lista de recomendação, se eu tivesse assistido antes, claro.
“A Que Distância”, de 2006, é um filme do Equador, o primeiro da carreira da diretora Tania Hermida. O filme segue a linha dos famosos “road movies” ou “filme de estradas”, até ai nada novo, aliás, nem o vejo com muitos diferenciais, mas certamente possui alguns detalhes cativante, como o trio de protagonistas-amigos-desconhecidos que, quando juntos, são bem divertidos. Dois personagens tem objetivos prontos, como invadir o casamento de uma paixão e levar as cinzas da vovó, o que, por si só, resulta em diálogos muito engraçados, como também situações. O personagem “Jesus”, um ator, se revela o personagem mais interessante, visto também que funciona como uma espécie de sábio para as garotas. Esperanza é a única personagem que não tem um objetivo caricato, simplesmente quer conhecer as paisagens, o que entra em questão um outro ponto forte: a visão do Equador. Bem, sendo um país um tanto quanto desconhecido – se eu tivesse a oportunidade de viajar para um país da America do Sul, certamente seria Argentina ou Chile, por exemplo – é interessante analisar algumas cidades, o povo e a cultura, sendo sincero, fiquei com vontade de conhecer o Equador depois de assistir, isso deve ser realmente importante, pois “A Que Distância” foi um dos maiores sucessos por lá, principalmente por essa propagação, a diretora através de alguns artifícios como a fotografia, consegue exaltar as estradas pelas quais as personagens passam.
– Não sei porque nunca tenho uma história com final feliz.
– Finais felizes? Depende.
– Como assim “depende”?
– Depende de onde você coloca o ponto final. Se você tivesse colocado o ponto final dessa história no dia que se apaixonou pelo cara na praia, você tinha sua história feliz. Subiam os créditos, a música, aplausos e todo mundo sairia feliz… não agora, créditos, aplausos e ai acaba a história dele. Mas a sua não, pelo contrário, a sua acaba de começar.
Bem, esse diálogo que ocorre no final do filme, uma analogia ao próprio cinema, no que diz respeito a hora de se finalizar um show, mesmo quando esse show é a sua própria infindável tentativa de viver uma história com alguém. É uma ideia simples, por acaso precisava ouvir algo assim, e esse é exatamente o espírito do filme, coisas certinhas que devem ser vistas na hora certa. Bonitos detalhes.
Obs: Texto originalmente publicado em 14 de janeiro de 2015

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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