Deep Water, 2016

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Um jovem corre por uma rua, encontra um grupo de jovens e, em seguida, é espancado por eles. Inesperadamente eles descobriram que ele era gay, então ouve-se piadas, principalmente uma mulher pedindo para enfiar um pau no seu ânus pois “ele iria gostar”.

“Bicha!” – diziam, enquanto o espancavam.

O jovem consegue fugir e pede ajuda para um homem que caminhava em um parque. Então ouve como resposta:

– Eu não ajudo viados.

E com esse depoimento devastador, começamos o documentário triste “Deep Water” que aborda a violência contra os homossexuais. Essa sequência inicial, narrada pelo jovem citado acima, nos dá a possibilidade de sentir repulsa da sociedade. Parece não haver escapatória, em cada canto existe o preconceito, como se estivéssemos afundando em um mar de merda.

Dirigido pela Amanda Blue, esse documentário foi lançado com uma série do mesmo nome e tem como maior mérito a seriedade que o assunto é abordado, sem nunca cair nos fáceis julgamentos, muito pelo contrário, os relatos, as situações e informações são passadas de forma bem verdadeira, chocando o espectador com tamanha crueldade.

Existe a intenção de desvendar um caso, criticar o sistema e desmistificar o descaso da lei na década de 80 – inclusive fica claro que a indiferença parte da despreocupação da sociedade para com os próprios homossexuais -, porém, o mais impactante é acompanhar o desespero da família e amigos.

Que mundo é esse em que existem pessoas que tentam desesperadamente decifrar o que é normal e o que não é?

É repulsivo imaginar que alguém assassina o outro por ser gay, qual o limite para tal atitude impensável? Qual foi o momento em que nos imaginamos como reis da existência e protetores do “correto”? aliás, o que é correto nesse mundo devastado pelo ódio e egoísmo?

A comunidade LGBT fez mais pela sociedade do que muitos de nós, brigando pelo direito de serem ouvidos, gritando a diferença e alertando o mundo que ela existe. Esse movimento salva vidas, protege os jovens que temem se assumir e esbanja coragem. Após assistir o documentário, me sinto feliz que tivemos algum progresso e triste, ao mesmo tempo, por ainda vivermos em um mundo tomado por imbecis.

Seria tão simples se todos respeitássemos o amor, independente do caminho que ele se aplica. Seria tão maravilhoso poder sentir as coisas no seu limite, respeitar e ser respeitado na mesma proporção.

A homossexualidade é tratada como tabu, diversos políticos e pastores opinam sobre e, por incrível que pareça, o jovem que teme fica calado. O homem e mulher que ama, sofre sozinho e ninguém pergunta a sua opinião. Mas o que se esconde atrás da sua máscara… esse tem a oportunidade, esse contribui com a sua parcela inútil de julgamento, esse ajuda na propagação do ódio.

Os homossexuais não são ouvidos pelo poder, porque o próprio povo ignora as suas angústias. Os conservadores observam com atenção, apontam o dedo e deduzem que tudo é “baixaria”. Baixaria é não rever conceitos, não aplicar a empatia todas as manhãs quando acorda e não aceitar que escolha é a coisa mais sagrada que existe nessa vida.

Os jovens assassinaram um jovem, jogando-o em um penhasco. Fizeram sem pensar que mudariam o rumo de uma história, sem imaginar o impacto na vida de uma família, sem acreditar no sofrimento que aquilo provocaria. Fizeram, sem perceber que estamos todos de passagem e que a nossa única obrigação é entender a nossa própria jornada. O homem não consegue viver junto, sem se entender só; não consegue amar, sem compreender as diversas formas de carinho; não consegue acordar, sem compartilhar o espaço; não consegue respirar, sem ter empatia.

Eu precisei me despir de uma série de preconceitos ao longo da minha breve caminhada, mas nunca precisei superar o ódio. Quem acompanha o Cronologia do Acaso, vez ou outra, se depara com ideias e palavras repetidas, mas nenhuma é tão forte e presente quanto “empatia”, “amor” e “respeito”. São três palavras que podem mudar o mundo; três personagens de qualquer história; três vidas.

Como um menino pobre que sou, tento ajudar dentro do meu limite e humildemente escrevo para divulgar essas três palavras através da arte. “Deep Water” nos mostra uma triste história e comove pela sua visceralidade, basta usarmos o seu conteúdo de forma inteligente nas nossas vidas, traduzindo a maldade em esperança.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Reflexões sobre o machismo

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Antes de mais nada, esse texto terá duas partes: a primeira é um verdadeiro desabafo sobre o machismo e a situação atual das mulheres que, infelizmente, ainda são tratadas com desigualdade. A segunda é uma pequena lista, comparada a infinidade de filmes que existem, de obras que apresentam uma personagem feminina forte, mas que não necessariamente aborda a desigualdade, e merece ser visto.

Por muito tempo eu me considerei uma pessoa pessimista. Com o passar do tempo a gente vai aprendendo que existe uma tenuidade no que diz respeito a definições, principalmente quando são direcionadas a sua própria pessoa. Sendo assim, hoje me entendo mais como realista.

Como realista, percebo que apesar da mulher estar conseguindo ser cada vez mais livre – para fazer o que quer ou lutar por mais igualdade – ela ainda é tratada com inferioridade por muitos homens. Existe uma perigosa separação no trabalho, na escola, em questões de opção sexual ou os próprios gostos.

Há algum tempo saiu uma pesquisa onde 65% dos entrevistados concordavam que a mulher que veste roupas curtas merece uma “punição”. Aterrorizando os próprios pesquisadores. Esse machismo só pode ser consequência da ignorância, o que de forma alguma justifica o resultado. Parece que a cada dia nos tornamos mais primitivos, com a facilidade de dar opinião, atualmente, tem muita gente espalhando o ódio e desigualdade, o que é plenamente normal, o problema é quando tem um ser humano/marionete do outro lado recebendo aquela informação e pendurando na parede.

A mulher sempre foi colocada de lado, na minha família sempre percebi e ainda percebo um machismo descomunal, desde o tratamento até expectativas. Talvez por ser do interior mas, novamente, nada justifica. Cresci com alguns ensinamentos, passado por avós, que era preciso casar e sustentar uma mulher. No mesmo tempo que observei algumas mulheres ao meu redor sendo oprimidas com a ideia do “arrume alguém que te sustente”, o pior disso é que eu tenho consciência que não existe só aqui, é em todo lugar. Eu sempre brinco que nascer mulher é a mesma coisa que pegar o crachá para ser super herói.

Eu, Emerson Teixeira, fico indignado quando alguém tenta privar a mulher de se vestir do jeito que ela quer. Poxa, eu ando como quero, saio com quem quero, por vezes – e são muitas! – falo o que quero, não sou perfeito, passo muitas horas do meu dia errando, mas minha mente está limpa pois desejo igualdade, me sinto igual e trato todos dessa forma.

Eu, Emerson Teixeira, tenho orgulho de mim por conseguir elogiar uma mulher ou um homem, ser sincero, brincar, sem, necessariamente, estar interessado sexualmente por ela. Por isso, homens, sejam cordiais, sejam cavalheiros, tratem bem todos a sua volta – sem querer nada em troca – inclusive as mulheres. Elas podem e devem ser iguais, ter os mesmos direitos, não ouvir piada enquanto dirige, não receber cantadas e insinuações tendenciosas a cada segundo enquanto anda na rua, não ser tratada como objeto.

Homem, se você fosse homem, estaria medindo menos o pênis e mudando as suas atitudes. Não adianta falar, quando na roda de amigos a conversa é machista, não adianta abaixar a cabeça se, quando chega em casa, cobra que tudo esteja perfeito só para descansar o seu bumbum.

O machismo está enraizado, vem do passado, mas estamos caminhando para um mundo que exige cada vez mais compreensão. Aliás, esse mesmo mundo já é tão difícil, já exige tanto: a melhor aparência, melhor emprego, melhor sorriso, melhor amor etc, para ficarmos tornando a desigualdade um ciclo vicioso e preocupar uma mulher por estar a noite, sozinha, andando na rua.

Eu fui criado por mulheres, trabalho os resquícios de machismo que me foi passado todos os dia, repito, não me considero bondoso, não estou expondo a minha opinião para receber nada em troca, já fiz muita coisa errada mas, todas as vezes que envolvia alguém, eu sempre tive a iniciativa de pedir desculpas e não fazer mais. (In)Felizmente eu nasci homem, assisto filmes pornos, transo até gozar – pois tem uma mulher se dedicando a me dar prazer -, dirijo bem – mesmo que ainda não dirija -, ando de short curto e não tenho medo de ser estuprado, as pessoas não se surpreende se eu contar que sou bem sucedido, eu ando sozinho pelas ruas e ninguém me incomoda.

Porém, (In)Felizmente não me contendo por somente nós estarmos bem e enquanto eu puder, buscarei acabar com essa ignorância. No mesmo tempo que sou pessimista/realista e sei que é complicado pensar, em um mundo onde todos falam e poucos, de fato, estão fazendo algo.

Deus é uma mulher.

Lista ( tentei fugir um pouco do óbvio mas, inevitavelmente, recorri a ele )

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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