A Quinta Estação (2012) de Jessica Hope Woodworth e Peter Brosens

A Quinta Estação (La Cinquième Saison, Bélgica/França/Noruega, 2012) Direção: Jessica Hope Woodworth e Peter Brosens

O ser humano, desde o seu primórdio, se sente o centro da existência, a última estância no que diz respeito à evolução. Com o passar do tempo percebeu suas fraquezas e sobrevive desde então através da consciência e manipulação de ferramentas. O humano acostumou-se com o fácil, preservou-se da luta e acomodou-se com a rotina. Hoje o declínio psicológico comprova justamente a inércia do homem em relação às facilidades do mundo. Nós comemos como reis, poluímos os dias com o a ocupação do tempo, como se os minutos existissem para serem descartados e vivemos pouco o presente. O corpo e mente estão em lugares opostos, enquanto um molda o futuro, o outro move-se lentamente e tenta compreender o hoje. Se não bastasse, o ser humano justificando sua própria fraqueza, se apropria de outros seres vivos e classifica-os como escravos. Imaginamos um mundo de bondade mas permitimos que matem para comermos, comemos mais do que o suficiente e temos mais do que precisamos.

“A Quinta Estação” (2012) reúne diversas facetas de abusos e conformidades humanas e move apenas um detalhe para que possamos perceber o quanto somos mal-acostumados e oportunistas. Basta a natureza rebelar-se contra a humanidade, para a humanidade fingir ser a natureza.

As cenas partem de um trabalho de composição fantástico, onde os personagens e paisagem assumem uma importância enorme na criação surreal dos simbolismos. A direção de Jessica Hope Woodworth e Peter Brosens é inteligente na condução desses momentos aparentemente desconexos mas que representam fielmente a intenção por traz da estranheza. Desde a primeira cena, onde um homem encara um galo em cima da mesa, passando por uma em que temos uma personagem encostada em uma rocha e uma água começa a escorrer lentamente – lágrimas exteriorizadas em forma simbolicamente profunda – e no contraste entre o plongée quando mostrado o abatedouro e o contra-plongée para ressaltar a grandeza das árvores. O irônico é ver o desespero contemplativo de todos da pequena aldeia e, principalmente, a busca pelos porquês. A atitude é de devastação interna que percorre o todo, mas o sentimento sempre reduz qualquer atitude, como se fossemos merecedores da manipulação.

A dança conjunta e totalmente fora de sincronia, em um primeiro momento, bem como a filmagem estática e frontal, aliado com a constante fotografia pura e ao mesmo tempo gélida, os elementos fílmicos falam por si, por isso os diálogos em muitos momentos são desnecessários. A impressão é de que subliminarmente todos se perguntassem quem são os seres humanos? ou o que fizeram até tal momento. O filme é desenvolvido como se os dilemas éticos envolvessem os personagens e partisse, uma transformação ilusória, impulsionada por questões de segundos.

A quinta estação é o segmento psicológico, onde a adaptação acontece por interesse e não por solidariedade. “A Quinta Estação” (2012) não é primoroso como tenciona ser, mas é eficiente na reflexão do egoísmo humano e sua fragilidade diante aquilo que acredita possuir. Nessa trilha de interesses, basta a natureza estalar os dedos para nos amedrontar e exigir-nos uma readaptação.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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