[ Republicação ] – Oshin, 2013

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Há! Como é grande o meu amor pelo cinema. Como é grande o meu amor pela vida, por histórias, como sou feliz por encontrar obras de artes perdidas como “Oshin”, filme japonês – olha, quem diria que iria voltar ao país tão cedo – de 2013, dirigido pelo Shin Togashi e que tem, em seu elenco, uma das atrizes mais bonitas, ao meu ver, Ueto Aya fazendo a mãe da personagem título, interpretada pela adorável e talentosa… pausa, peguem o caderno… pausa… Kokone Hamada! Você caro amigo(a), anote esse nome, estamos falando da menininha que se tornará, em breve, uma das maiores atrizes do Japão. Por que o que ela faz nesse filme é uma das coisas mais profundas que eu já vi, no que diz respeito a atuação de crianças, olha que, como pesquisador do tema que eu sou, já vi muitas atrizes boas, principalmente vindo da Suécia, mas essa menina é de deixar boquiaberto, mesmo com certos exageros costumeiros do cinema Japonês ela realiza algo inacreditável, eu ouso creditar como classificar como a maior performance mirim que eu já vi na história do cinema.

Na postagem anterior, sobre “Paixão Juvenil” eu falei um pouco sobre a visão que a mulher tinha no Japão, bem, claro que o filme que comento hoje é recente, porém ele se passa em um período muito conturbado onde, consecutivamente, a mulher era alvo de muito sofrimento. Em pleno período Meiji, repleto de mudanças políticas, econômicas, assim como o próprio trabalho, o povo buscava encontrar uma forma de viver, em meio as mudanças e, sim, era comum o trabalho de criança, desde muito novos. Até chegar nas mulheres, que serviam a casa de todas formas possíveis. Tá, até ai não tem muita novidade, o fato é que teremos todas essas questões sendo tratada de forma extremamente sutil através de uma garotinha de 7/8 anos. O que, diante a inúmeros eventos catastróficos, digo, tristes, ela vai amadurecendo, até chegar ao ponto de ver sua mãe se prostituindo e, com as sábias palavras da sua patroa, busca o equilíbrio com a verdade de que, a mulher, está fadada a nunca trabalhar para si própria, mas para os filhos, maridos etc. Por fim, em um diálogo esplêndido, a senhora ainda fala para a menina “ame-a – sua mãe – com todas as suas forças” pois ela sofre por estar fazendo o que faz, assim como a menina sofre com a vida que lhe fora imposta.

Um filme extremamente triste, sim, real, é impossível não chorar, mas mesmo com os recorrentes exageros, em nenhum momento senti a obra pedinte, os acontecimentos vão desabrochando naturalmente, de forma que a emoção também seja muito natural, mesmo que quase durante todo o filme. A menina é um poço de coragem e atitude, servindo como exemplo, eu diria, para essa nova geração que tem tudo nas mãos, sim, eu também estou me incluindo. Poxa, ela começa a trabalhar aos sete anos, não conseguimos mais imaginar algo assim, ainda mais surgindo com tamanha naturalidade para a família essa questão, o pai soa como um explorador, mas não deixa de ser igualmente explorado, então estamos limitados a fazer um contexto mesmo, em prol a entrega, sem ficar com tanta raiva das injustiças, o que é bem difícil. Importante a reflexão/experiência adquirida ao assistir “Oshin”, tem como protagonista uma personagem muito madura e fofinha, cujo nome significa confiança, a qual, aliás, aprenderá a adquirir, por mais que seu direito de opinião seja praticamente inexistente, mas, no fundo, ela consegue ler e, sendo assim, é diferente, há muita esperança em seu sorriso simpático.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Indicação de filmes – O olhar das crianças sobre o mundo que as cercam

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We are the world, we are the children/ Nós somos o mundo, nós somos as crianças

Quem são as crianças? Os adultos crescem e, erroneamente, aceitam o fato de que se tornam mais distantes da imaginação. O ser humano é o único animal capaz de sorrir e talvez o mais genuíno sorriso seja o da criança.

No cinema, diversos temas já foram trabalhados sob a perspectiva das crianças e, quando bem explorado, é sempre muito interessante acompanhar essas histórias. É possível transformar coisas simples em mágicas, simplesmente por ser possível utilizar a inocência como forma de desenvolver determinada história, mesmo que seja repleta de medos e dores.

As crianças estão no cinema desde o seu início, quem não se lembra, por exemplo, do menininho do filme “O Garoto”, do Charles Chaplin? Esse é um ótimo exemplo pois se trata de uma transição, Chaplin passou a construir histórias pautadas na drama e comédia e a sua ousadia atingiu o limite, passou a dizer coisas horríveis sorrindo, de forma a amenizar os sofrimentos do mundo e, ainda assim, alertar à todos.

Essa é a primeira parte de uma postagem, onde irei recomendar alguns filmes que são desenvolvidos sob a perspectiva de uma criança. Ela pode ser protagonista ou não, mas certamente terá um papel crucial na história. Dei um maior destaque para obras pouco conhecidas, pois esse é o perfil do Cronologia do Acaso. Obs: As obras não estão em ordem de preferência, isso certamente seria um erro, pois todos atingem uma qualidade incrível.

1- Hugo och Josefin ( 1967 ), Suécia

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A Suécia é o segundo cinema, ao meu ver, que melhor trabalhou/trabalha com as crianças. O primeiro é certamente o cinema iraniano. Mas, enfim, o primeiro filme dessa lista se chama “Hugo och Josefin” que, basicamente, conta a história de Hugo e Josefin, duas crianças solitárias, que decidem virar amigos e andam pelas ruas da vida se divertindo e se conhecendo, de forma muito minimalista somos apresentados há alguns dramas pessoais deles, mas tudo isso é em segundo plano. O que realmente importa é o amor que existe ali.

Sem dúvida é um dos filmes mais carinhosos que eu já vi, me peguei chorando por diversas vezes, principalmente quando eles encontram um adulto e ele, extremamente inocente, ensina para os pequenos amigos alguns valores. Esse filme tem uma das risadas mais lindas da história do cinema, a protagonista dessa cena é Marie Öhman. O diretor captou um momento verdadeiro, onde a menina está comendo e se diverte – de verdade – pois não consegue engolir um ovo. O diretor teve tanta sensibilidade, que continuou filmando e registrou o momento onde todos os atores, incluindo a Marie, dão muitas risadas com a reação da menina. Um verdadeiro momento inesquecível da história do cinema.

2- Oshin ( 2013 ), Japão

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“Oshin”, dirigido pelo Shin Togashi, é um dos filmes que eu mais chorei na minha vida. E ele foi feito para mexer com o psicológico da humanidade. A protagonista, Oshin, é enviada para trabalhar em outra família, pois a sua está passando por sérios problemas financeiros.

O que mais encanta nesse filme é a protagonista, dona de uma maturidade sem fim, ela aceita a sua condição, mas sofre silenciosamente. E só demonstra ser criança em cenas bem singelas, é de uma força esse filme que beira o inacreditável. Recomendado para todas as mulheres, pois é uma verdadeira homenagem à elas, triste é pensar que essa é uma história que foi vivida por inúmeras crianças.

Kokone Hamada é a atriz protagonista e ela é um absurdo. Quando eu escrevi sobre o filme a coloquei como uma das maiores promessas do cinema mundial, tomara que eu esteja certo e apareça outras oportunidades, porque o que ela faz é impressionante.

3 – Corpo Celeste ( 2012 ), Itália

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Dirigido pela queridíssima Alice Rohrwacher, esse filme foi selecionado para a quinzena dos realizadores no festival de Cannes em 2011. A história concentra-se em uma menina chamada Marta, de 13 anos, que se vê sufocada pela religião e passa a questionar a sua liberdade.

Esse é o típico filme poderoso, pois aborda tanto a liberdade da mulher, como também um desprendimento religioso, imposto pela família. Em uma cena crucial, Marta está fazendo crisma e tem os seus olhos vedados, representando a sua situação, cega diante a uma infinidade de possibilidades. Interessante é que depois que ela corta o cabelo, a sua postura muda completamente. Ela passa a se enxergar como uma mulher livre e vai de encontro com um amadurecimento provindo do incomodo e ousadia para livrar-se do comum.

4 – Garoto-Estilingue ( 1960 ), Tchecoslováquia

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Esse é dirigido por um dos melhores diretores tchecos de todos os tempos, chamado Karel Kachyna. “Garoto-Estilingue” é um dos seus primeiros longas, anos depois viria a fazer outra preciosidade chamada “The High Wall”. Inclusive escrevi uma crítica sobre esse filme e é uma das que eu mais me orgulho de ter feito, você pode conferir clicando aqui.

Garoto-Estilingue” conta a história de um garoto que é salvo de um campo de concentração e levado pelo exército tcheco. Lá ele se torna uma espécie de mascote, todos o tratam com muito carinho, e o garoto começa a se sentir como parte de uma grande família. No mesmo tempo tenta mostrar a sua força e se diz pronto para entrar na guerra com os amigos. O garoto-estilingue da tradução ou prace no original faz referência aos garotos tchecos que lutavam com estilingues na guerra.

Esse é super esquecido e é um dos melhores que eu já assisti na minha vida. É difícil encontrar bons filmes sobre a guerra e esse sem dúvida é um dos melhores. O menino protagonista é muito carismático e o espectador sente todos os seus dramas. Outro ponto interessante é acompanhar o exército que, mesmo em meio a guerra, encontra no menino uma fuga para a inocência, eles o tratam como filho, como se fosse uma possibilidade real de voltar para a casa.

5 – Doro no Kawa ( 1981 ), Japão

Mais um filme japonês, esse é o primeiro do diretor Kôhei Oguri. É um filme super sensível sobre a amizade de dois garotos pós-guerra.

É mais um que usa bem a guerra para contextualizar os dramas dos seus personagens, com destaque para todo o elenco infantil que interpretam com o coração, doam tudo o que sabem e constroem algo lindo e emocionante de se ver.

Alguns temas como abandono e dificuldades financeiras são trabalhados de forma muito minimalista, chega a doer tamanho carinho e dedicação. Esse é um outro tesouro perdido que, sem dúvida, emocionará muitos com a sua profundidade e simplicidade.

6 – Uma Vida Nova em Folha ( 2009 ), Coréia do Sul

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Particularmente eu tenho um carinho muito grande com esse filme. Foi o primeiro do cinema sul coreano que eu assisti na vida. Lembro-me que era apenas um adolescente e conheci esse cinema maravilhoso, repleto de sensibilidade. A diretora Ounie Lecomte simplesmente marcou a minha vida, eu assisti esse filme há muito tempo e ainda me lembro de todas as cenas como se tivesse assistido ontem.

A história é sobre uma menina chamada Jin-hee, de 9 anos, que é levada pelo pai à um orfanato, então passamos a acompanhar a menina e a sua dificuldade em aceitar a nova vida, talvez a palavra “aceitação” é a mais trabalhada durante toda a obra.

Destaque para a atuação da Sae-ron Kim que, hoje, tem quinze anos e é muito popular na Coréia do Sul. Ela é um verdadeiro talento e merece todas as coisas boas nesse mundo, a acompanho desde novinha e é sempre um prazer perceber o quanto é talentosa.

Destaque para uma cena onde a protagonista, cansada da sua “nova vida”, cava um buraco e joga terra por cima. Como se estivesse gritando para o mundo que não quer mais pertencer a ele. O filme é extremamente silencioso mas, através do silêncio, machuca muito.

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Bem, essa é a primeira parte, eu vou retomar a lista na semana que vem. Espero que tenham gostado e convido à todos a deixarem nos comentários as suas recomendações. Abraço amigos!

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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