( Curta ) Belle Gueule, 2015

Verão de Sarah

★★★★

Sarah é uma jovem de 16 anos que trabalha vendendo rosquinhas na praia. Tendo o seu pai como parceiro, a menina visivelmente realiza o seu trabalho com pouco entusiasmo, ainda assim com um bom grau de responsabilidade.

Em uma noite, no parque, encontra um garoto chamado Baptiste. Um parisiense, aparentemente abastado. Mesmo que os dois estejam vivendo, e enfrentando, mundos completamente diferentes, surge um sentimento. No entanto, a proposta principal do curta é, a partir desse encontro, desenvolver o sentimento de vergonha que Sarah sente pelo seu trabalho.

Dirigido pela Emma Benestan com bastante consciência, o curta é impecável quanto a fotografia e demais elementos técnicos. Em vinte e cinco minutos desenvolve a narrativa com uma maturidade grande e, melhor, sem erros.

A história, felizmente, ultrapassa o clichê do romance repleto de diferenças e aborda uma questão extremamente presente no mundo do jovem: a autoaceitação. Além de desmistificar, sempre de forma respeitosa, a linha tênue que separa o jovem do adulto. Sarah, mesmo se esforçando para trabalhar, se vê inebriada com a oportunidade de ser livre – representado pela figura do Baptiste.

Como contraponto, temos o seu pai, uma figura simples e que, através dele, o espectador consegue transitar entre a empatia com os sentimentos confusos da personagem e o realismo de um adulto, enxergando aquela impulsão adolescente como uma mera fase.

O curta faz com que nos perguntemos o que é, de fato, a humilhação e, ainda por cima, fecha com uma cena – entre filha e pai – que representa nitidamente a compreensão em ambas as partes. “Belle Gueule” ou “O Verão de Sarah” consegue ter qualidade, mesmo em meio à diversas atuações medianas.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebookGoogle PlusFlickrYouTube