Dope, 2015

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★★★★★

Dope” é um bom representante de filmes que prendem a atenção desde o seu início.  Com uma narração envolvente, personagens inteligentes e vestidos de forma bem colorida, o diretor Rick Famuyiwa provoca nos espectadores a preocupação com os protagonistas: pois coloca um trio de amigos geeks vivendo em uma cidade repleta de violência e desesperança, no caso é citado The Bottoms, porém esse lugar representa muito mais. Os amigos são extremamente exigentes e corajosos em mostrar constantemente as suas diferenças, visto que são bons alunos, tiram boas notas na escola e querem ir para a universidade, no mesmo tempo que criam, inconscientemente, uma discrepância entre a realidade e as poucas expectativas que todos tem acerca de quem é negro e vive em The Bottoms.

A cidade representa, então, a discrepância. Existem inúmeros casos de preconceitos na própria família que, movidos por um pensamento arcaico, acreditam que o filho de pobre e negro não pode buscar uma vida melhor, buscar estudos etc. A própria sociedade impulsiona esse pensamento quando faz da oportunidade uma área vip.
Contudo, existem muitas histórias mundo afora de heróis que conseguiram se destacar em meio a uma falta de expectativa e apoio, deram tudo de si, e, mesmo caminhando ao lado das drogas, nunca se deixou levar, sempre com foco e equilíbrio.

É fácil perceber que alguns jogam a vida no modo fácil, outros precisam se atrever, superar obstáculos, muitas vezes maior do que nós passaremos um dia. A realidade social, o contexto familiar, as experiências, nada disso proíbe o batalhador de vencer na vida. Usar esses argumentos como motivo para a derrota é, muitas vezes, tentar disfarçar a própria fraqueza.

O interessante é que “Dope“, como escrevi acima, é provocador. Ele transmite toda essa reflexão sobre realidade social de forma sublime, não precisando cair na exposição, muito menos na seriedade. Essa é a sua maior força e, pessoalmente, acredito que fez toda a diferença para se tornar um dos destaques de grandes festivais como Cannes e Sundance.

A narrativa dá um valor gigantesco ao humor, trabalhando temas como o preconceito racial de forma leve e despretensiosa, porém, nunca perdendo a elegância. Hollywood precisa todo ano fazer algum filme que fale sobre os negros, é quase uma obrigação. Quem dera se todo ano aparecesse uma obra respeitosa assim, pois me parece que algumas coisas tentam ser grandiosas mas fracassam, sendo distantes da realidade e morrendo afogado na sua própria pretensão.

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O figurino dos três amigos além de ter uma importância para a compreensão do desprendimento existente entre eles com o meio, ressalta também a ousadia do próprio filme; Em abusar de uma montagem que parece estar sempre em sincronia com o hip hop. 

Em dado momento, há uma inclinação a acreditar que os objetivos serão deixados de lado para seguir um caminho fácil. Algo como “Breaking Bad” que, em uma perfeita mescla de humor e densidade, desenvolve personagens que falham muito e constantemente se envolvem em situações comicamente desastrosas.

Porém, depois de uma correria – sim, o filme tem um ritmo ótimo – somos surpreendidos com um fechamento do ciclo muito fiel ao personagem que aprendemos a admirar: ​Malcolm. Interpretado com uma mescla de inocência e responsabilidade pelo – anotem esse nome – Shameik Moore, que, por sinal, não é difícil creditá-lo como um bom nome para o futuro.

O final é quase um soco no estômago, Malcolm quase sussurra/grita/desabafa, subliminarmente, algo assim: “Tá vendo? Você achou que eu tava perdido, que não ia conseguir?”. Então percebemos, com um sorriso enorme, que todas situações catastróficas eram apenas reflexos dos obstáculos que temos na vida, que a droga significava a estagnação e que fomos presenteados, nesse ano de 2015, com mais um excelente filme sobre o jovem.

“Porque eu quero ir pra Havard? Se eu fosse branco,vocês me fariam essa pergunta?

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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CdA #39 – Entrevista com Sandro Macena

sandro macena

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Depois de 38 episódios filosofando sobre a vida, discutindo sobre vários temas da sociedade… hoje, paramos tudo e falamos de quem nós somos. Nós que produzimos esse podcast com tanto carinho, falando sobre cinema alternativo, ser humano e todos os seus demônios.

Começamos nessa semana com uma entrevista feita pelo Emerson Teixeira com o nerd-sorridente-hipster-alternativo-melancólico-estranho e que mora em um lugar perdido chamado Sepetiba: Sandro Macena.

Vocês que nos escuta há dois anos – mesmo que sem tanta periodicidade – irá descobrir mais sobre os criadores desse projeto [Cronologia do Acaso]. Na próxima semana tem uma entrevista com o Emerson Teixeira, fiquem de olho!

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