Dabbe: Bir cin vakasi e o cinema de terror turco

Dabbe: Bir cin vakasi

★★★

Depois do sucesso de “Atividade Paranormal”, bastou pouco tempo para o formato de gravações em diversas casas ao redor do mundo se tornasse uma ferramenta exaustivamente utilizada. Teve filme desse formato no Japão, Espanha e outros diversos países, mesmo que por algumas cenas. É o caso de “Dabbe: Bir cin vakasi”, um filme da Turquia, dirigido pelo Hasan Karacadag, que é um dos grandes nomes do terror por lá.

Se pegarmos a história do cinema turco, veremos que nas décadas de 70-80-90 houveram muitas adaptações clássicas de filmes hollywoodianos, como por exemplo uma versão horrível de Rambo, chamada “Korkusuz”.

Korkusuz, 1986

Korkusuz, 1986

Mas o gênero terror foi muito pouco explorado, talvez por uma questão meramente social e de interesse econômico. No entanto, as coisas começaram a mudar com o aparecimento de um diretor chamado Hasan Karacadag. Ele estudou cinema no Japão, se aprimorou no que diz respeito a linguagem cinematográfica e lançou, em 2005, com apenas 28 anos, um filme chamado “Dabbe”. Esse filme revolucionou a Turquia, as pessoas começaram a acreditar no seu cinema de horror. A obra, mesmo sendo fortemente influenciada pelo cinema americano e, principalmente, o japonês, apresentava conceitos interessantes e contextualizava o medo com a cultura da Turquia. Por exemplo, a demonologia islâmica sendo trabalhada para provocar o medo, foi um atrativo importante para o mundo.

“Dabbe” mescla o paranormal, com ondas de suicídios sem explicações. É muito interessante para quem gosta de adentrar em culturas diferentes, principalmente quando o medo é a porta de entrada para esse estranhamento.

Hasan Karacadag, sendo inspirado fortemente pelo Stephen King, se interessando pelo misticismo desde criança e apaixonado pela forma que o cinema de terror japonês conduz o medo, realizou diversos outros trabalhos na Turquia e ganhou fama por lá. Sendo sinônimo de sucesso, quando falamos de cinema de terror turco.

Bebendo da fonte do cinema americano, novamente, chegamos em 2012 com o filme “Dabbe: Bir cin vakasi”, onde o diretor utiliza ao seu favor o famoso mockumentary, ou documentários falsos. Onde um ou vários personagens registram os seus passos afim de se protegerem ou buscar explicações para algum fato estranho.

O filme começa com uma suposta gravação real, de um caso de uma mulher que sofria com o sonambulismo mas que, aos poucos, foi-se descobrindo que o problema era muito mais do que isso. Somos apresentado à uma família e o estilo de filmagem já está preparado, a apresentação é feita de forma direta e até agressiva, pois coisas estranhas já estão acontecendo.

Passado alguns clichês como coisas caindo, luzes apagando, pessoas levitando etc. Há uma segunda parte onde o motivo dos casos sobrenaturais vão sendo explicados, é nesse momento que o filme parece funcionar realmente: pois sabemos que se trata de um caso de magia negra, que envolve demônios e alguns conceitos bem diferentes, como uma cena em que um dos personagens invade uma casa abandonada, e se depara com inúmeros objetos amaldiçoados, como espelhos e bonecos de vodoo.

Apesar dos efeitos bem simples e de algumas atuações forçadas, “Dabbe: Bir cin vakasi” é um filme com uma estrutura bem diferenciada e, apesar de beber da fonte do “Atividade Paranormal”, consegue ser melhor que todos os filmes da série ao redor do mundo.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Lake Mungo, 2008

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★★★★

Causar o medo é algo extremamente complicado hoje em dia. A informação, tão importante para a venda do filme, acaba prejudicando na experiência daqueles que entram nas salas de cinema a par da história, ciente de algumas cenas chaves porque assistiram o trailer, enfim, cada vez mais a surpresa vai desaparecendo.

No entanto, posso colocar que algumas obras se sobressaem a essa questão e o motivo é muito simples: qualidade. Uma boa ideia, uma boa execução pode ultrapassar qualquer informação prévia ou familiaridade com alguns clichês, isso poque se torna empolgante acompanhar o desenvolvimento, sem se preocupar, necessariamente, com o resultado.

Isso acontece perfeitamente com o terror australiano “Lake Mungo” dirigido pelo estreante, em longas, Joel Anderson, que realiza uma obra madura e que se difere em muitos sentidos das recentes produções de terror, principalmente por não utilizar efeitos sonoros e outros artifícios recorrentes para provocar o medo, pelo contrário, lida com a realidade de um fato desastroso que, por sinal, desencadeia uma série de dúvidas.

Lake Mungo

“Lake Mungo” é um documentário que investiga a vida da Alice Palmer, uma jovem que morre em um lago. Depois do corpo ser reconhecido, os familiares começam a sentir manifestações sobrenaturais em casa, então há diversas tentativas de registro por meio de filmadoras ou até mesmo de fotos, por parte do irmão, bem como ajuda de especialistas para tentar entender o que está acontecendo e encontrar os motivos das aparições fantasmagóricas.

É preciso acrescentar que se trata de um mockumentary ou um documentário falso, cuja intenção principal é utilizar atores para interpretarem, dar depoimentos de modo que simule um documentário real. Na verdade, é uma brincadeira com o “fato”, pois é extremamente relativo essa questão em um filme de terror. Se a pessoa que assiste acredita na paranormalidade, parte do pressuposto que todo filme que aborda inteligentemente a questão é baseado em casos reais, portanto, não deixa de ser um documento sobre a verdade.

Há um contexto para esse devaneio, aqui tento explicar, pois “Lake Mungo” é diferente, existe uma tensão que ultrapassa a curiosidade sobre o paranormal e percorre caminhos do próprio ocorrido, então ficamos com dúvida o tempo todo, no que diz respeito aos motivos da morte, como aconteceu, e o porquê de estar acontecendo as manifestações. É tanto mistério que se torna inevitável não ficar, no mínimo, intrigado com aquela situação.

No caso das aparições, muitas vezes em filmagens de filmadoras instaladas pela casa, afim de registrar os eventos sobrenaturais, o filme é feliz em nunca ter uma explosão sonora para fortalecer o óbvio, não necessita do susto, isso se torna bem interessante porque a qualquer momento pode aparecer algo, não existe a expectativa quanto a isso. Talvez “Lake Mungo” cause o medo visceral, é uma verdadeira experiência.

Outro ponto positivo é usar a tecnologia de forma positiva, contribuindo com a narrativa de forma elegante, então veremos filmagens feitas pelo celular, fotografias, enfim, ajudando a estruturar essa atmosfera obscura que ultrapassa o sobrenatural e vai de encontro com a sensação do luto, afinal, a família está vivendo um.

Infelizmente a conclusão deixa a desejar, apesar de curioso, é muito pouco se comparado com o desenvolvimento. Mas o processo não deixa de ser interessante.

Obs: A cena pós-créditos me deu um arrepio.

emersontlima

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