Creepy, 2016

Creepy (Kurîpî: Itsuwari no rinjin, Japão, 2016) Direção: Kiyoshi Kurosawa

O cinema japonês é sempre lembrado quando falamos sobre bons filmes de suspense. Comumente lidando com personagens dimensionais, com valores ambíguos e passado sombrio. Podemos agregar ainda mais camadas quando citado o trabalho do diretor Kiyoshi Kurosawa que, trazendo todas as características típicas mencionadas acima, ainda se preocupa em trabalhar com elementos contemporâneos nos seus mistérios, algo que pode ser visto em “Kairo” (2001) – o qual explora a internet e o sentimento de novidade em relação à nova ferramenta para dar sustentação à sensação de medo.

É de se lamentar, portanto, que o último filme do diretor, “Creepy” (2016), seja um filme ruim. A novidade, outrora primordial nos filmes do realizador, dá lugar ao comum aqui, o que temos é um filme de mistério que percorre absurdamente os mesmos caminhos de muitos outros e, no que tenta se diferenciar, acaba caindo em uma armadilha, pois as decisões provocam somente um leve cansaço e constrangimento.

A história gira em torno de um jovem policial que se aposenta por causa de um grave acidente e vira professor de psicologia criminal. Ele e sua esposa vão morar em um bairro tranquilo no subúrbio mas, por desconfiança sobre algumas atitudes de um suspeito vizinho e com o convite de um amigo da policia, o protagonista ajuda a policia em mais uma investigação.

O primeiro e começo do segundo ato entregam a promessa de bons eventos e descobertas, personagens complexos vão aparecendo timidamente, momentos em sala de aula onde o protagonista fala sobre serial killers e os classifica de três formas “organizados, desorganizados e mistos” dão a sensação – e deveriam – de que assumiriam uma importância no desenvolvimento, mas isso é plenamente descartado ao longo dos minutos.

Os vizinhos do casal são estranhos, não aceitam os presentes e contrastam com a simpatia dos novos moradores. No entanto essa relação de pouca comunicação também se estende para o próprio casal principal, cuja interação é nula e alguns acontecimentos poderiam ser facilmente superados se houvessem diálogos entre os dois.

A conclusão caminha para o óbvio, o roteiro deixa claro quais serão os desdobramentos mas ainda se vê preocupado em acrescentar, no final, uma série de cenas grotescas e que se perdem em seu sentido dramático. No entanto, há de se destacar a atuação do grande Teruyuki Kagawa que emprega características assustadoras ao seu antagonista e o posicionamento de câmeras dentro das casas de todos os personagens, pois geralmente deixam o objeto na diagonal, representando brilhantemente a confusão e insegurança, sentimentos pelos quais eles estão passando.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Shelley, 2016

Shelley 2016

★★★★

Shelley tem tudo para provocar o espectador, cria um clima soturno desde a primeira cena, a tensão se estende para os olhares, pequenos movimentos, enfim, o clima adentra o espaço da dúvida e a trilha ajuda a alimentar esse contexto sombrio.

Há muita comparação desse filme com o clássico “O Bebê de Rosemary”, de 1968, a influência é óbvia, no entanto nunca se desenvolve da mesma maneira. Aliás, é importante que aja filmes que estão dispostos a seguir o caminho dos clássicos psicológicos, é preciso abordagens diferentes, visto que o cinema de terror é inundado de clichê e sustos gratuitos.

“Shelley” é um filme dinamarquês, dirigido pelo estreante em longas Ali Abbasi – maravilha esses novos diretores do gênero que vêm surgindo ultimamente, todos extremamente corajosos e dispostos a quebrar as regras – e tem como história principal um casal, Louise e Kasper, que desejam ter um filho mas, mesmo com várias tentativas, não conseguem. Eles vivem em uma mansão isolada, aparentemente normal, e com a chegada de uma nova empregada chamada Elena, eles começam a ter uma relação de extrema confiança por conta da sua bondade e sinceridade, passando a vê-la como uma oportunidade de carregar o filho que eles tanto desejam.

O ritmo lento e contemplativo, unido com a trilha ameaçadora, lembra muito o outro ótimo filme lançado esse ano chamado “A Bruxa”; além do mais, outros dois pontos se assemelham bastante: a famosa divergências de opiniões daqueles que assistem e, por se tratar de uma obra diferente, creditam isso à uma pretensão por parte do realizador; E o papel de extrema importância da mulher. É evidente que o mistério se desenrola através da gravidez, algo extremamente sensível e de uma conexão extrema, e por isso é possível observar uma atenção especial para as personagens Louise ( Ellen Dorrit Petersen ) e Elena ( Cosmina Stratan ).

Ellen Dorrit Petersen, com sua presença eletrizante, dá a sua personagem uma frieza impressionante, com a expressão sempre serene, distante, parece se importar pouco com a sua empregada – que aqui mais parece um veículo – e o motivo constantemente parece nebuloso. Petersen já havia demonstrado os seus talentos no ótimo “Blind” que, no final de 2014, o coloquei na minha lista dos melhores do ano.

Quanto a Cosmina Stratan, com sua beleza angelical e a progressiva transformação, representa o espectador com todas as dúvidas sobre os acontecimentos, é assustadoramente impactante a transição da doçura, no começo do longa, e a raiva/obsessão do final.

“Shelley” promete e cumpre. É difícil se destacar em um cinema repleto de julgamentos, por isso é louvável a atitude do diretor em desenvolver uma obra que abraça alguns elementos já conhecidos, mas subverte com o silêncio e a incomunicabilidade, chocando pela diferença da narrativa, ambientação e performance das atrizes principais.

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Helpless, 2012

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★★★★

O cinema Sul-Coreano sempre surpreende e não é de hoje que afirmo, com convicção, que se trata de um dos melhores cinemas da atualidade. O motivo é muito simples: Há uma preocupação por parte dos diretores em mesclar um bom roteiro com uma direção extremamente consciente e honesta. Não existe muita preocupação em exibir todos os truques do mundo para contar uma história, apenas o essencial. Essa simplicidade técnica é crucial para o desenvolvimento das tramas que, como é o caso de “Helpless”, depende do seu mistério para prender a atenção.

Essa postura citada dos diretores coreanos parece ser parte de uma fórmula própria do cinema Sul-Coreano, isso porque até mesmo diretores novatos em longas conseguem resgatar essa necessidade e, muitos, o fazem com perfeição. Como é o caso de Young-Joo Byun, diretor de “Helpless” que segue o padrão mas nunca cai no clichê dos filmes de investigação por investir no seu protagonista e em uma série de dramas que o perseguem, principalmente vinculado ao “abandono”.

A história é super simples e direta: Um casal está prestes a se casar e, de repente, a noiva some. O que desencadeia um verdadeiro desespero no noivo e ele parte então para uma investigação junto com um policial para encontrar sua mulher. Mas durante o processo ele começa a perceber que nunca conheceu, de fato, a mulher que ele dividiu momentos felizes e sonhos.

Começo ressaltando a performance dos atores Lee Hee Joon e Kim Min Hee – o noivo e a noiva, respectivamente -, dando um maior destaque para o primeiro. A investigação existe nos filmes da Coréia do Sul, é um tema muito “investigado” por esse cinema. Contudo, o aspecto mais importante de “Helpless” é que, em nenhum momento, o filme se entrega ao suspense ou abraça a tentativa desesperada de criar tensão. Muito pelo contrário, desde o começo, através de algumas decisões técnicas, o diretor parece mais interessado em analisar o sentimento de abandono por parte do noivo, do que criar a dúvida no espectador. Aliás, essa dúvida pode surgir através da empatia pelo sofrimento de Seung-joo. Afinal, quais as consequências psicológicas de uma barreira colocada de forma brusca entre o protagonista e o amor/sonho de se casar?

O casamento na Coréia do Sul é visto de forma diferente, há uma série de pretensões diferentes do mundo ocidental. Até por esse motivo existe algumas cenas que remetem a dor e solidão de forma extremamente impactantes e, no mesmo tempo, inacreditavelmente sutis.

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O casal é apresentado logo no início do filme, em um dia chuvoso a noiva – Kyeong-seon – olha através do vidro e a sua expressão se relaciona subliminarmente com o incomodo. Contrastando com o olhar alegre do noivo – Seung-joo -; Esse olhar por sinal é intimidador, assim como as cenas das lembranças que parecem sempre querer extrair o máximo o desejo de proteção por parte do noivo.

Ainda nas primeiras cenas a noiva desaparece. E a fotografia vai ficando cada vez mais soturna, com muitas sombras e o personagem envolto de cores azuis, desde sua roupa até a própria iluminação no exterior das janelas.

Essa mesma fotografia escura, remetendo-nos a melancolia, dá lugar a luz e claridade das primeiras cenas de flashback, onde vemos o noivo e a noiva conversando sobre o casamento e os impactos dessa união em suas vidas posteriormente. Engraçado é ressaltar que, além da luz, outra coisa que agride emocionalmente o espectador é a forma que o Seung-joo abraça Kyeong-seon, como se estivesse gritando “por favor, não vá embora“.

Um pouco antes do flashback. Fotografia soturna, protagonista mergulhado na depressão.

Um pouco antes do flashback. Fotografia soturna, protagonista mergulhado na depressão e sentado em frente a um quadro do seu casamento, a sua fuga.

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Super exposição da luz, que transmite a ideia de paz, bem como transforma a noiva em uma deidade, visto que a luz está bem direcionada à ela

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Uma superproteção por parte do noivo. No mesmo tempo que a noiva se “sufoca” com esse amor, como se não fosse merecedora de tal afeto.

Young-Joo Byun não está preocupado com reviravoltas – até porque nesse quesito o filme não surpreende -, mas é possível sentir o quanto está obcecado em levar esse sentimento de perda à quem assiste. É um verdadeiro ensaio sobre o “desprender”. Tanto que durante as investigações o diretor opta por planos que deixam o protagonista sem espaço, aprisionando-o em alguns objetos de cena, o que imediatamente transmite a sensação de claustrofobia.

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Existe também um certo momento, mais ou menos na transição do primeiro para o segundo ato, onde o desespero para encontrar a noiva dá lugar a ansiedade de saber quem ela é. Justamente nesse ponto o filme se torna mais desesperador, de forma sublime vamos desvendando pequenos detalhes sobre a vida da noiva e percebemos que ambos são vítimas de suas próprias expectativas.

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Uma cena que ilustra visualmente toda a proposta do filme é um momento que vemos o protagonista sentado, em frente ao mesmo quadro do seu casamento que aparece logo nos minutos iniciais só que, desta vez, a iluminação exterior é azulada, o quadro ganha as cores azuis ao seu redor e desconstrói aquela iluminação, fruto de uma esperança em outrem que, como mostrado, não passa de uma ingenuidade, talvez todos os indícios estavam presentes desde o início, mas a paixão o tornou ignorante e cego.

Continuando as cenas impactantes é impossível não citar brevemente o final que, diferentemente do óbvio, não se utiliza de uma explosão da trilha sonora, muito menos exageros na atuação e direção, pelo contrário, tudo muito orgânico e natural, mesmo com a situação deveras estranha. É quando o ator Lee Hee Joon atinge o limite da sua performance e nos brinda com um desfecho maravilhoso, digno de uma obra extremamente preocupada com os detalhes e que sabe mesclar a direção e fotografia para criar uma obra extremamente obscura e, no mesmo tempo, melancólica.

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Mother – A Busca pela Verdade, 2009

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★★★★

Joon-ho Bong é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores diretores sul coreano em atividade. O realismo que os seus personagens são apresentados, dialogam de forma bem direta com o onírico, repleto de absurdos e de falhas. A sua facilidade em subverter o gênero policial é outra virtude, como visto nesse seu trabalho lançado em 2009, onde uma mãe assume a função de pessoa que procura desvendar os fatos, afim de procurar o(s) culpados de um assassinato, e, consecutivamente, livrar o próprio filho – doente mental, inclusive – da cadeia.

O fato é que a personagem é uma mãe, Mother em inglês, em nenhum momento revela o seu nome; É, portanto, unicamente uma mãe, nada mais. Já nas cenas iniciais fica evidente o cuidado especial e obsessivo que ela tem pelo seu filho, em singelos momentos essa ideia vai, aos poucos, sendo passada ao espectador. Ainda mais, e talvez mais perigoso, em alguns momentos é mostrado pequenas atitudes que demonstram que a mãe possui uma ansiedade em ocultar os erros. Principalmente do filho mas, no desenvolver da trama, percebemos que o tratamento dado é apenas um reflexo dos erros pessoais desse ser humano misterioso.

O próprio nome da mãe fora tirado dela. O único direito e necessidade que ela tem é cuidar do seu filho, a preocupação é nebulosa, não se sabe muito bem se é por algum tipo de medo, diante da clara doença mental do filho – o que, por sinal, em nenhum momento o impede de viver e entender as coisas ao redor – ou algum tipo de remorso ou insegurança.

A cena inicial temos a mãe, em um campo, solitária, ela começa a dançar, um contraste curioso em relação ao comportamento que será desenvolvido a seguir. Poderia ser apenas uma apresentação, porém serve como porta de entrada e representa um claro indício de que essa mulher é uma marionete de suas escolhas, que sua função é controlar um outro pois, na sua cabeça, a fragilidade está em todos os lugares, menos nela mesma. É um trabalho muito difícil interpretar a relação da mãe e do filho, extremamente ambíguo e obscuro.

A multiplicidade dessa relação é reforçada com a técnica cinematográfica de forma muito consciente, destaque para a fotografia, com tons azulados e cinzas, demonstra com perfeição o psicológico da mãe, estabelecendo desde o começo um interesse involuntário em descobrir mais sobre esse ser humano frio, sem amor próprio. No mesmo tempo que o fato de estar sempre chovendo, ajuda a criar um ambiente perfeito para se estabelecer o mistério.

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O figurino da mãe recorrentemente traz o vermelho ou vinho, remetendo-nos a ideia da paixão, sangue – que será derramado em dado momento de forma literal, mas existe sangues derramados durante quase todo o filme nas entrelinhas – e, se aprofundarmos um pouco mais, a excitação.

Tracei uma relação óbvia entre a relação mãe e filho – que assume diversas outras funções – com o complexo de Édipo. Essa dependência inconsciente do filho, movido, inicialmente, pelas suas próprias limitações, atingem um outro patamar a partir do momento que o garoto começa a ter atitudes impulsivas e grotescas por influência de um amigo. Ele começa a sentir o que é ser independente, no mesmo tempo que não é capaz para tal desprendimento.

Ele precisa de alguém para guiar; Não à toa, mesmo diante a iminente descoberta sexual, ele permanecia “inocente” até o seu amigo preencher sua mente com desejo por mulheres, despertando a necessidade humana de se relacionar com o sexo oposto. O que seria absurdamente normal, se a vida dele não fosse tão conturbada. Em uma provocação o amigo pergunta para ele se já dormiu com uma mulher, ele responde positivamente e, depois de algum mistério, fala: “eu dormi com a minha mãe“.

A relação percorre diversos degraus, pai e filho, filho e mãe e, entre eles, ainda há espaço para o homem e mulher. Ora, ambos personagens só possuem um ao outro, é um contato doentio, baseado em uma necessidade primordial. Existe apenas um personagem: a mãe. O filho é parte dela, os dois são os mesmos, nasceram de um mesmo ponto e caminharão juntos para um mesmo fim.

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Existe uma sombra, a personagem da mãe busca o seu sepulcro. A “busca pela verdade” da tradução permanece como um questionamento durante todo o longa. Que verdade seria essa? O conflito do assassinato, a resposta sobre o que realmente aconteceu parece muito simples diante a complexidade daquela relação provocante. Aliás, quando a mãe descobre quem matou a menina – mistério que move o filme até certo ponto, pois os fatos não são tão difíceis assim de assimilar mas, repito, causar a surpresa não é a preocupação principal do filme – ela permanece com mesma intenção e atitude que tinha no início, nada mudou além de compreender a verdade.

No final, fechando o ciclo que começa na apresentação onde a personagem dança em um campo, metaforicamente temos uma mulher perdida em meio a tantas outras, ela se torna ainda mais prisioneira da culpa e, ainda por cima, começa a entender que o seu destino é cobrir erros para sempre, assim podemos interpretar que a própria é um grande erro do universo e precisa, assim, se esconder constantemente.

O choro ao final, ao ver a conclusão da sua busca, faz-nos pensar que ela não se entristece apenas pelo seu filho, mas por todos os filhos do mundo.

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Horror Hotel, 1960

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★★★★

Dirigido pelo argentino John Llewellyn Moxey, “The City of the Dead” é do mesmo ano de outro clássico do suspense: “Psicose“. Poderia ser loucura da minha parte comparar a qualidade dos dois, no entanto ouso afirmar que ambos mantém o mesmo nível – mesmo que isso possa causar confusão, pois os clássicos geralmente são intocáveis – mas tracei uma comparação óbvia entre a narrativa desses dois filmes.

“The City of the Dead” ou “Horror Hotel” traz a história de uma cidade chamada Whitewood que, em 1692, foi amaldiçoada por uma bruxa enquanto ela queimava em um fogueira. A bruxa e o seu amante serviam a lúcifer, a partir de então, conta a lenda, a cidade permaneceu aos cuidados de satanás.

Centenas de anos depois, acompanhamos um professor sinistro – interpretado pelo sempre magnífico Christopher Lee – de bruxaria. Ele recomenda a uma de suas alunas, aparentemente a mais exemplar e curiosa sobre o tema obscuro, que visite a cidade de Whitewood para fins de pesquisar e sentir o clima de um lugar que permanece até a atualidade amaldiçoada.

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Esse é um exemplo incrível de filme que sabe trabalhar de forma sublime o mistério e a construção da tensão. O professor, até por conta da excelente performance de Lee, parece um porteiro do inferno, mandando a sua alma inocente ao submundo e ela, por sua vez, deixa a curiosidade consumir a razão.

Desde o início o tema “bruxaria” é trabalhado com cautela, é evidente uma preocupação em questionar a veracidade dos fatos, inclusive, apresentando personagens ao longo da trama que desconhecem ou simplesmente não acreditam em nada do que está sendo dito. Esse é um dos pontos chaves para o começo de uma viagem através do medo, transformando esse filme em uma pequena obra-prima clássica do terror. Inclusive, a utilização da protagonista se aproxima muito do, já citado, “Psicose”; É muito curioso a decisão do diretor em utilizar apenas uma personagem para ir na cidade, uma jornada solitária, o que acaba resultando em uma ótima performance e eleva o clima de tensão.

Nesse ponto, a atuação da belíssima Venetia Stevenson é muito importante, construindo uma personagem ( Nan Barlow ) que está preparada para embarcar nas emoções que, até então, só havia tido contato através de aulas e livros. O destaque fica mesmo com Patricia Jessel, sua atuação é tão excelente que consome todos os demais – não classifico como algo ruim, apenas uma constatação – que, aliado com a fotografia em preto e branco, uso inteligente das sombras, névoa e hotel com aspecto assombrado, surge desde o início como uma personagem ameaçadora, misteriosa, quase a representação fiel das intenções do longa.

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Com direito a um cenário impecável, no que diz respeito a provocação do medo – como um cemitério que não é usado há 200 anos – e frases como “essa cidade é do diabo”, esse filme é um dos melhores da história sobre bruxaria. Tem uma estrutura interessante e sabe utilizar-se de pequenos elementos para compor o suspense, sem contar que o desenvolvimento dos personagens, mesmo que a duração seja bem curta, é muito eficiente.

Um verdadeiro clássico, deveria servir de inspiração para os novos filmes de terror que esquecem todo o processo e se utilizam de artifícios fáceis para provocar o susto. Aqui temos mais um belo exemplo de que, mais do que susto, o pavor é provocado, antes de mais nada, pelo clima e, para se alcançar isso, é preciso uma boa história, ambientação macabra e boas atuações.

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The Silenced, 2015

The Silenced 2015 ( Cronologia do Acaso )

Esse filme, cujo título original é impronunciável, “Gyeongseonghakyoo: Sarajin Sonyeodeul” é sul coreano, tendo sido lançado no país em junho de 2015. Mescla fantasia, terror com pequenas doses de dramas, aliás, existem várias doses nesse filme, que vão desde “Carrie” até “X-men” e outras referências inacreditáveis para aqueles que, como eu, esperavam algo completamente diferente diante as cenas iniciais. Nesse caso em específico as surpresas não são um ponto forte, apenas resultado de uma indecisão monstruosa no que diz respeito a narrativa. Sempre solta, inexplicável, fazendo com que o espectador fique com um pouco de dor de cabeça de tanto pensar e, na sua conclusão, não chegar a lugar nenhum.

Enfim, o filme conta a história de uma garota chamada Joo-Ran que está doente e chega em um internato para recuperar a saúde. Nesse internato tem uma diretora incrivelmente caricata, como se o diretor Lee Hae-Young quisesse esfregar na cara de quem assiste que se trata de uma vilã, apesar de em filmes como “Expresso do Amanhã” isso ter dado certo, aqui temos, novamente, o mal desenvolvimento de elementos simples, como a própria maquiagem.

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Pois bem, Joo-Ran percebe que está em meio a uma confusão crescente, um verdadeiro mistério. Suas amigas desaparecem, ela começa a se sentir diferente, com mudanças anormais pelo corpo, e passa a suspeitar que a escola esteja por trás desses fatos.

Começamos as cenas iniciais com uma bela paisagem, destaque para a fotografia que faz das filmagens exteriores um absurdo de lindeza, a personagem principal está sendo levada para o internato, inclusive sua roupa vermelha se sobressai as cores do cenário, evidencia a sua diferença ou os acontecimentos que virão a seguir, até mesmo contraria o uniforme que passará a usar.

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O que funciona na obra é a fotografia, designer de produção que se preocupa com cada detalhe do internato, criando um lugar que, praticamente, consome todos os personagens pouco desenvolvidos, e a tensão que é mantida até a metade. Ou seja, todos os aspectos relevante se tornam frágeis com um objetivo pouco funcional, resultando em observações muito desprendidas, a técnica não pode ser maior que o roteiro, nada está encaixado como deveria, transformando-o em um produto belíssimo, visualmente, e sem conteúdo algum.

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