It Can Pass Through the Wall, 2014

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★★★

Esse é um curta-metragem romeno, simples, que acompanha alguns minutos da vida de um avô e sua neta. Ele joga gamão com um amigo enquanto conversa sobre um moço no seu apartamento que se suicidou há pouco tempo, enquanto isso tenta colocar a sua neta para dormir mas a garotinha, escutando o assunto dos adultos, fica com muito medo e não consegue ficar sozinha no quarto.

É um filme gracioso, usa a comédia de forma bem direta o que, por sinal, se relaciona bem com a narrativa simplista. A história é básica, porém brilhantemente sustentada pelo carisma da atriz mirim que se encontra com medo das histórias do seu avô – algo extremamente natural, afinal, a despreocupação dos diálogos dos adultos sobre a paranormalidade perto da criança é muito grande.

A câmera é, na maioria das vezes, estática, acompanha o quarto escuro que a menina está e, em off, ouvimos o assunto dos adultos, então existe os dois lados, sendo que um é “protegido” e o outro não – isso reflete na própria iluminação.

Apesar de ter apenas dezessete minutos, é trabalhado de forma divertida o medo, posicionando-nos, indiretamente, na imaginação de uma criança.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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O Espelho, 2014

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★★★★

Você pode ler as outras críticas sobre os filmes do diretor Mike Flanagan clicando aqui.

Depois de experimentar três trabalhos do diretor, era a hora de reassistir o seu mais conhecido, “O Espelho”, de 2014. No ano do seu lançamento, lembro-me desse filme figurar em muitas listas dos melhores do gênero terror, o que me espantou, pois acreditava se tratar de apenas mais um genérico, com todos os clichês incluindo crianças, cachorro e casa assombrada; mas o fato de haver um “espelho” me chamou a atenção, por se tratar de algo indefinido e repleto de simbolismo, desde muito tempo e em muitas culturas diferentes. 

Como já era de se esperar, o diretor Mike Flanagan sempre se preocupa em trabalhar com elementos incomuns para acrescentar no clima estranho de suas obras, aqui ele aborda dois irmãos que presenciam, na infância, a morte de seus pais, de forma extremamente perturbadora. Eles relacionam os eventos terríveis à um espelho amaldiçoado, e prometem um para o outro que, quando crescerem, destruirão o objeto misterioso para ninguém se machucar novamente e, também, como uma forma de vingança.

A sinopse já revela um ponto interessante da obra: ambos irmãos já têm conhecimento da paranormalidade, restando ao espectador juntar as peças do quebra-cabeça ao longo do primeiro ato para compreender o porquê eles possuem tanto interesse em um espelho velho. É um pequeno detalhe, mas para filmes assim funcionar é preciso algumas alterações, como é o caso dessa inversão. Geralmente temos uma apresentação conjunta, tanto o espectador quanto os personagens vão entendendo e acreditando nos eventos paranormais, aqui ele já está muito bem estabelecido, é como se largasse na frente de forma inteligente e direta.

Quando Tim sai do hospital psiquiátrico – que o força, durante anos, a acreditar que os eventos do passado não têm nenhuma ligação com o sobrenatural – e encontra a sua irmã Kaylie, ela já possui uma série de ferramentas para usar contra o suposto perigo, embora possa cair por vezes na imaturidade de apresentá-los quase como um filme de ação – ela, por vezes, parece ser uma espécie de espiã – o interessante é que essas ferramentas são, na sua maioria, tecnológicas, é como se existisse nela o interesse desenfreado de registrar o oculto através de equipamentos mundanos e suscetível ao erro.

O núcleo é apoiado na relação entre os dois irmãos, como se eles fossem os únicos a compreender as verdades do mundo e incapazes de provarem a sua sanidade e no registro através de filmadoras, quase como um experimento amador. No entanto, o desenrolar só ganha proporções maiores com o trabalho dedicado do diretor em mesclar os eventos do presente com fragmentos do passado, parece que o próprio passado é o demônio que transtorna os irmãos, e a relação que se estabelece entre Tim e  Kaylie ainda crianças e Tim e Kaylie adultos, é extremamente eficaz. Em diversas vezes essa opção confunde, propositalmente, essas duas linhas do tempo acabam se tornando uma só. Aliás, essa mesma estratégia foi usada posteriormente, pelo Mike Flanagan, em Sono da Morte, só que nesse caso era o mundo dos sonhos, que por sinal também tinha relação com o passado.

Quanto aos atores, destaco a Annalise Basso que chama tanto a atenção com a sua qualidade, que a Kaylie Russell criança se torna até mais impactante do que adulta, se mostrando sempre forte e preparada, apesar de transmitir muito medo. A atriz Annalise Basso já havia demonstrado um certo talento em um filme bem divertido chamado “Ilha da Aventura” e, além de fazer parceria com o Mike Flanagan, anda fazendo alguns trabalhos alternativos. Outro destaque é a atriz Katee Sackhoff que faz uma mãe que desmorona após perceber as mudanças psicológicas do marido, sua expressão sempre perdida e apreensiva chama a responsabilidade e até ofusca o Rory Cochrane que, sem dúvida, é o único que não faz jus ao seu papel.

“O Espelho” é mais uma prova que o cinema de terror pode inovar, apesar de ser extremamente complicado, basta pequenas novas ideias e talento, algo que já podemos esperar do jovem Mike Flanagan, sempre nos entregando obras, no mínimo, interessantes.

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Curta-Metragem – Paura Dentro, 1997

"Paura dentro", Lorenzo Bianchini

“Paura dentro” é um curta-metragem de 12 minutos dirigido pelo Lorenzo Bianchini – o mesmo diretor de “Across the River”. É de se notar que ambos se passam em uma floresta e a utilização do som é muito importante para criar o clima de tensão.

“Paura dentro” começa com uma mulher desenhando uma moça em uma floresta, de forma quase automática ela começa a desenhar, também, uma sombra nesse desenho, como se fosse uma extensão ou um monstro. Depois a protagonista vai dormir e, da forma mais onírica e brilhante possível, percebemos que o seu sonho é o quadro que desenhou. O medo e clima obscuro é trabalhado de forma cautelosa, principalmente com a utilização do som que, por vezes, fica distorcido e estranho.

Os aparecimentos da sombra, ou monstro, são sempre sutis e, apesar de caricato, o impacto é sempre poderoso, visto que estamos diante a um verdadeiro pesadelo e a forma como o diretor trabalha esse tema é realmente muito bom para um curta metragem feito de forma visivelmente simples.

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Kairo, 2001

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★★★★

O diretor Kiyoshi Kurosawa é muito conhecido pelos amantes de filmes de terror. Já dirigiu obras interessantes como “A Cura” e “Loft”, mas também ótimos dramas como é o caso do “Sonata de Tóquio”. Sua linha de trabalho é ótima, sempre prezando pela construção dramática dos personagens afim de criar uma tensão atmosférica, sem contar que a confusão que envolve os seus personagens acrescenta ainda mais à sensação de estranheza.

“Kairo” é a sua obra mais conhecida, ou pelo menos a que mais revela o perfil do diretor, mesmo que o próprio tenha capacidade o suficiente para fugir dos seus métodos costumários. “Kairo” é a representação fantástica das suas características por conta do envolvimento profundo entre os personagens e a realidade nebulosa que existe entre eles.

A história acompanha um grupo de jovens que têm contato com uma série de desaparecimentos e mortes após o suicídio de um amigo. Esse mesmo amigo aparece como um vulto e toda a trama se relaciona com temas pesados como a tecnologia, isolamento e loucura.

A primeira coisa que se nota é a capacidade do diretor, apesar de suas limitações, em investir na ambientação para criar a tensão perfeita entre os jovens e, mais do que isso, o cenário parece engolir os personagens, fragilizando-os e, consecutivamente, aumentando o sentimento de urgência no espectador.

A casa de um dos jovens aparece, pela primeira vez, de forma muito pequena e apertada, como se o lugar fosse extremamente poderoso, não à toa existe por boa parte do filme a “mancha na parede” que é uma espécie de registro fantasmagórico e, ao mesmo tempo, uma metáfora sobre o quanto os proprietários estão se tornando a sua posse. Em outro filme de terror, as metáforas soariam forçadas, mas nessa obra em específico fica claro que o terror é consequência do bom roteiro investigativo e não o contrário.

Outra observação crucial é sob o elemento “tecnologia” no filme e como as pessoas lidam com ela. Vemos um personagem tentando se ajustar a internet em uma época onde a conexão virtual era algo extremamente inovadora e provocante, com os olhares atuais, se torna, no mínimo, curioso perceber o quanto evoluímos e, por consequência, viramos escravos do computador, dependendo mais da vida e redes sociais do que a própria vida offline. É realmente uma ideia de mestre do Kiyoshi Kurosawa em investir na Internet como ferramenta de debate sobre a questão da solidão, visto que se trata de uma aposta arriscada que acabou prevendo o que viria a acontecer de forma ainda mais extrema.

Como extensão da tecnologia, a solidão é trabalhada como principal chave para o entendimento por completo do filme. O roteiro parece querer empurrar de todas as formas possíveis para entendermos que estar só é algo extremamente perigoso e, infelizmente, real. Mas sempre o faz de forma sutil, mesclando com outros temas como fantasmas, aparições, enfim, o medo aqui é quase uma analogia ao desespero em estar sufocado – lembrando que as cenas são sempre filmadas de modo que o ambiente sufoque os personagens, portanto a claustrofobia auxilia na densidade que o filme teima em transmitir – e o que prende os personagens é justamente a solidão.

Essa é uma obra profunda e que cria, diante uma imensidão de importantes dilemas, cenas aterrorizantes com o uso de muita consciência, seja no roteiro e trilha sonora, tudo apoiando na evolução da atmosfera obscura, que tira quem assiste do natural ou comum e o convida para uma viagem em um mundo onírico repleto de medos.

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CdA #038 – Quatro curtas – Terror

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Senhoras e senhores, sejam todos bem vindos ao décimo episódio do podcast Cronologia do Acaso. Nesse episódio Emerson Teixeira, Sandro Macena, Cliff Rodrigo e Tiago Messias assumem a missão de falar sobre temas pesados, envoltos de muita polêmica, terror, gore, satanismo, obscuridade, necrofilia, abuso sexual etc.

Escolhemos quatro curtas-metragens que tem, em comum, seus respectivos temas sombrios. São eles:
  • Ninjas, 2010
  • Amor só de Mãe, 2003
  • A Ira de um Anjo – A História de um Abuso, 1990
  • Aftermath, 1994

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