Olhos de mamãe ensinam a crueldade e apatia

The Eyes of My Mother ( The Eyes of My Mother, Estados Unidos, 2016 ) Direção: Nicolas Pesce

★★★★★

É impressionante a sensação mágica que acontece – principalmente para os amantes do cinema obscuro – quando uma obra audiovisual consegue adentrar o espaço do incômodo, mas do que isso, estabelece toda a sua estrutura na invasão de privacidade e mostra, através de uma ótica quase imperceptível, os erros, segredos e psicológico doentio que existe em diversas famílias ao redor do mundo.

Ora, seria terrível terminar um filme como “The Eyes of My Mother” acreditando que os eventos registrados, por mais agressivos e insanos que possam parecer, dialogam com diversos casos reais de abuso psicológico por parte dos pais, abusos físicos e atitudes monstruosas relacionadas diretamente com a vingança.

Em dado momento, um homem que acabara de invadir uma casa e matar um ser humano, confessa para uma menina que o fez pois o assassinato provoca uma sensação brilhante. Ironicamente o filme começa com uma mãe explicando detalhes referentes aos olhos de uma vaca para sua filha, a cabeça do animal permanece sobre uma mesa enquanto há o diálogo trivial – mas não sem propósito – e tal abuso de poder não significa absolutamente nada para ambas.

Dirigido pelo estreante Nicolas Pesce com uma segurança exemplar, “The Eyes of My Mother” acompanha a história de uma família que mora em uma fazenda no interior de Portugal e suas reações nada previsíveis e sãs, após o assassinato da mãe/esposa.

A fotografia é brilhante, usa o preto e branco como uma forma de demonstração da alma dos personagens que, propositalmente, são desenvolvidos de forma flexível; é evidente a despreocupação em analisar toda a história dos personagens, essa é uma decisão que possibilita ao espectador preencher as lacunas com possíveis explicações para psicológicos tão corrompidos. Assim como os eventos partem de uma naturalidade que, por conta do contexto, se tornam horrorosos, o roteiro transmite a sensação de perdidão, como se estivéssemos sendo cúmplices do erro ou até mesmo as próximas vítimas, simplesmente por sabermos a verdade.

Por se tratar de um filme de curta duração – 76 minutos – o longa é inteligente em utilizar alguns artifícios técnicos para transmitir a ideia de forma direta, otimizando o tempo e direcionando o olhar para os pontos que realmente demonstram evoluções na narrativa: no primeiro ato a câmera na mão define que os eventos terríveis que acontecem desencadearão uma sequência de atitudes absurdas relacionadas à vingança; no segundo e terceiro ato a fotografia ressalta o isolamento da protagonista Francisca – interpretada maravilhosamente bem pela Kika Magalhaes – como, por exemplo, no momento que existe um plano aberto que preocupa-se nitidamente em reforçar a grandiosidade de uma floresta, em comparação com a personagem que, consumida pelo local, é invisível aos olhos da sociedade.

Kika Magalhaes dá a sua personagem uma carga emocional grande, mesmo que saia por vezes da atmosfera criada pela obra por conta de alguns exageros, volta sempre com muita elegância e se adapta rapidamente por conta da intensidade do seu olhar, sempre fixo e distante, mesmo nos possíveis momentos de afeto.

Ainda sobre a fotografia – que poderia ser dissecada por horas – é válido ressaltar os diversos trabalhos com a luz que, por diversas vezes, criam silhuetas, reforçando a ideia de que os personagens são sombras da normalidade, ocultando segredos e se mantendo à margem da sociedade. Outros momentos a janela é utilizada, em primeiro plano, como uma forma de barreira para com o mundo exterior – não coincidentemente suas divisões formam uma cruz invertida, símbolo que remete, dentre tantas coisas, à maldade.

O longa percorre a crueldade e incomoda com diversas cenas que, por serem tratadas de forma crua, outras vezes com cortes abruptos, instigam à imaginação e, principalmente, provocam o choque com tamanha realidade. Em uma cena, Francisca ainda criança após um ato de violência extrema que impedirá o assassino de sua mãe de falar, retorna aos braços do seu alienado pai e fala: “ele não vai mais falar… Te amo papai”, enquanto ouve como resposta o silêncio. Ou seja, o seu pai também não fala, como se todas as terríveis atitudes mostradas ao longo, remetessem não só as vítimas como aos abusadores, a família sofre da maldição da solidão, sem ternura, sem propósito, os olhos da mamãe ensinam apenas a crueldade e apatia.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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A poesia de ser mulher

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Antes de mais nada, quero compartilhar algo muito emocionante para mim: após mandar duas críticas/textos/desabafos para a página oficial da Petra Costa no Facebook, minhas duas análises sobre os seus filmes anteriores foram publicados no site oficial do filme Elena

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Você pode ler minhas críticas sobre os filmes anteriores da diretora: “Olhos de Ressaca” e “Elena“.

Olmo e a Gaivota, 2015

Quantas histórias esse mundo já contou? quantas possibilidades de identificação e quantas frases bem elaboradas. A palavra e a escrita é uma forma real que o homem encontrou, desde o princípio, para enfrentar a sua própria pequenice. Mas, faça esse exercício, quantas dessas milhares de obras exploram a mulher? quais grandes obras falam sobre a gravidez?

Quantas mulheres escreveram e, em algum momento da vida, enfrentaram diversos problemas por serem, como diz mesmo, “mulher”?

“Mulher”. Essa palavra é tão forte, esteve tão presente e, ao mesmo tempo, tão distante que me sinto um monstro, me sinto sujo e incoerente. Na palavra “mulher” não existe plural, pelo menos não nessa análise, pois todas brigam, mesmo que indiretamente, pela mesma causa. Somos “um” na teoria, mas, em sociedade, em conjunto, somos divididos: homens e mulheres; poder e submissão; subversão e regra; pênis e vagina; mundo e casa; desespero e mãe.

Esse devaneio é resultado do trabalho minucioso de uma diretora – aqui, duas, visto que Petra Costa co-dirige “Olmo e a Gaivota” com a dinamarquesa  Lea Glob – que dialoga, com extrema totalidade, com o universo feminino. Esse universo não precisa ser engrandecido, muito menos colocado acima dos outros infinitos, porém, é preciso, somente, falar sobre, tentar entender suas nuances e os seus intervalos.

“Olmo e a Gaivota” percorre a história de dois atores, unidos pelo amor e pela arte, transitando por entre o documentário e a ficção – existe separação entre eles? – que, de repente, descobrem a gravidez. A perplexidade toma conta dos pais, a preocupação, bem como o amor que, de mansinho, vai caminhando por outros lados, de outras formas, como se estivesse constantemente se preparando. A sensação que beira o êxtase, do processo de criar, assim como um deus, dá lugar à insegurança, medo e tristeza. Existe uma vida lá fora, existe um trabalho – afinal, o teatro é uma incontável criação de vidas e histórias – e a mãe, cuja responsabilidade/benção/maldição carrega no ventre, se vê sozinha.

Serge: – A minha presente realidade é diferente da sua.
Olivia: – Minha presente realidade também é a sua. Mas sou eu quem a carrega.

A atriz, acostumada com as luzes do palco, precisa acostumar-se, forçadamente, com a quietude de um apartamento. Onde estaria, então, o seu marido/futuro pai? esse se preocupa, apenas, em sustentar o futuro e, consecutivamente, o seu ego. Ele vive a rua. Deixa em casa uma Rapunzel, presa em uma torre no meio urbano, acompanhada dos seus demônios… uma Rapunzel sem as tranças, sem esperanças.

“Olmo e a Gaivota” é uma inconstância, tudo que se sabe e se acha é a mulher. A mídia trabalha o amor com uma imaginação ingênua; trabalha a gravidez com uma segurança devastadora mas, todos sabemos, é um assunto cercado de questionamentos. Nenhuma mãe se sente totalmente segura desde o início, nenhuma mulher precisa ser forte o tempo todo; mas eles empurram essa ideia, com correntes e sangue: a mulher precisa estar feliz por estar grávida, não pode ter dúvidas e, qualquer problema, há de arcar com a responsabilidade, afinal, foi a sua escolha.

O filme não fala nada diretamente, não julga, muito menos grita à favor do aborto, como muitos dizem, simplesmente analisa a mulher, a gravidez e todas as suas vírgulas. Nunca foi feito algo assim, principalmente com essa narrativa que se assemelha muito com o melhor do cinema iraniano.

Grande parcela da população não está interessada em discutir temas polêmicos com a arte. A maioria prefere apontar o dedo e selecionar o que é certo e o que não é – em base ao seu conservadorismo. As pessoas iludem outras com falsas chamadas de sabedoria, e dizem que analisar com calma, individualmente, não é necessário. Que priorizar os sentimentos é uma forma de alienação.

O mundo nunca pôde ser dividido em dois lados, pelo menos a arte dá a possibilidade de trabalhar uma série de camadas, por isso, é a demonstração perfeita de poder e manipulação da vida, seja aqueles que fazem ou que sentem.

A “mulher” têm crises e histórias, elas escrevem as suas todos os dias assim como qualquer um, então porque as limitações? somos donos do nosso corpo, no entanto, em massa, criamos uma série de dilemas para a manipulação. Criar uma vida dentro de si é uma escolha artística, um sentimento profundo de auto-compreensão, uma atitude que parte do equilíbrio, do melhor momento; ser mãe é, antes de mais nada, aceitar-se como mãe.

O lado positivo de “Olmo e a Gaivota” é a pronuncia, a coragem para se discutir o início da vida, humanizando esse processo seja qual for a consequência. Histórias felizes e tristes acontecem o tempo todo, mas a nossa arrogância nos tira a possibilidade de empatia. O filme estabelece essa conexão: tema, indivíduo, arte, mulher e Petra Costa, talvez Elena. O trabalho da diretora é transcender à liberdade, fazer pensar com a poesia e mergulhar no existencialismo.

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Ma Ma, 2015

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★★★

“Ma Ma” é o novo filme do diretor Julio Medem, cujo último trabalho de grande destaque havia sido o maravilhoso “Um Quarto em Roma”, e tem uma presença muito marcante e entregue da atriz Penélope Cruz que também assina a produção.

O filme conta a história de uma mulher, Magda, que descobre ter câncer de mama e, através do seu sorriso e simpatia, acompanhamos a sua luta e, principalmente, preocupação em manter uma relação estável com o seu filho.

Até a primeira metade é de se destacar a mensagem feminista que toma cada segundo de projeção, pautando-se na força de sua personagem, bem como no carisma da Penélope Cruz, Magda se revela incrivelmente forte e independente, despertando a atenção por onde passa e, como reflexo da sua irreverência, todos a tratam incrivelmente bem e, principalmente, sem interesses.

A fotografia tende a ser bem clara, principalmente quando o assunto “câncer” entra em voga, o branco é importante para a compreensão da trama – em dado momento, a protagonista entrega um envelope e traça um paralelo com a cor ( branca ) que é a mesma do time do coração de um outro personagem, no caso, o Real Madrid. No final do filme, após uma cena deveras emocionante, também há a inserção de uma imagem bem iluminada, como se despertasse àquilo que marca a personagem no mundo, representando a sua bondade, força e inocência.

Outro ponto importante é a narrativa flexível, diálogos diretos e inserções minimalistas como o coração – vale ressaltar uma cena em que Magda faz amor e em nenhum momento é mostrado o ato sexual, corajosamente somos “transportados” para dentro do corpo dela, onde, guiados pelo ritmo, vemos um coração pulsando, movido pelo prazer, essa cena representa a simplicidade do longa, no mesmo tempo que traça uma diferença gritante com os demais trabalhos do diretor Julio Medem, que sempre tiveram, em sua essência, o sexo como principal elemento de união. A narração, por vezes, lembra “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”, mas não é a toa, nas suas devidas proporções, ambos têm como hino mulheres sonhadoras, a diferença é que uma se deixa levar para outro universo, enquanto a outra tem um filho.

O problema de “Ma Ma” se encontra no segundo ato, pois perde a direção e investe em personagens secundários que não estão à altura dos poucos que foram apresentados até então e a simpatia que a protagonista despertava nas pessoas, passa a ser quase um super poder que transforma qualquer um em “super protetor da Magda”, abdicando as suas vidas para cuidar dela. Então a força e independência, elementos cruciais para a identificação imediata, vão sendo diminuídas.

No final, apela para um desfecho poético e surpreende, mesmo com o deslize, é fácil navegar feliz por essa história. A atuação da Penélope Cruz dá um charme crucial, como sempre, e sustenta essa obra que, caso contrário, seria apenas mais uma.

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Mãe Só Há Uma, 2016

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★★★★

Leia a crítica sobre “Que Horas ela Volta?” clicando aqui.

Mesmo que a sensação, após terminar de assistir “Mãe Só Há Uma”, novo filme da excelente diretora Anna Muylaert, seja um pouco vazia, principalmente se analisarmos a capacidade da diretora e a qualidade de suas outras obras, é questão de tempo para percebermos que o ritmo lento, a narrativa, por vezes, desconectada, é uma simulação das emoções de um jovem que, se não bastasse ter descoberto que a sua mãe o roubara na maternidade, ainda têm que lidar com a transexualidade. A partir dessa releitura sobre o próprio processo, fica evidente o poder da história que a diretora desenvolve, seja pela reflexão sobre o que é ser mãe ou o vazio do jovem diante à um mundo cercado de regras.

Ora, pois o conceito de família é muito simples, não é mesmo? Família é aquela que está junto, o amor é cultivado com o tempo, não parte de uma condição intrínseca. Uma mãe não estabelece uma relação afetuosa com o seu filho apenas por emprestar o seu DNA; existe o mistério de parir e o milagre de criar.

O título nos revela que só há uma mãe, qual delas, me pergunto. E é polêmico, imaginem só se, por acaso, a verdadeira mãe é aquela que roubou o seu filho? Então a sua condição provém de um pecado mortal: tirar a possibilidade de uma mulher de amar a sua criação.

Não à toa, a primeira cena que mostra uma mãe – independente de qual seja – é através dos seus movimentos pela casa. Em planos detalhes direcionados à pequenos objetos, conhecemos a ação antes da imagem. Pois, compreenderemos a seguir, que a imagem é uma mentira, a verdade mora apenas no coração do protagonista Pierre.

Pierre, com as suas unhas perfeitamente pintadas, é um observador. Naomi Nero compõe o seu personagem com uma naturalidade assustadora, que, por vezes, transcende a própria atuação. Sempre cabisbaixo, falando arrastado, quase sussurrando, fazendo jus aos diálogos sempre diretos. A intenção é exibir-se como uma marionete da vida, sendo empurrado de todos os lados enquanto ele próprio não têm a oportunidade de dizer o que quer, claro, porque o mundo dos adultos é burocrático.

A fuga de Pierre é ser mulher, colocar vestidos, mudar de personalidade. Essa atitude pode soar repentina e desconectada de toda a trama, porém me vem a cabeça que o próprio personagem é. Como a diretora poderia desenvolver essa sub-trama se ela é pessoal, íntima, de um jovem cuja emoções são ignoradas pelos próprios personagens? Portanto, os espectadores acompanham distantemente essa opção do Pierre, é uma decisão artística consciente e oportuna.

A direção de arte é muito boa, o espaço das casas que Pierre percorre ajuda-nos a compreender a sua opinião. Por exemplo, umas das casas é mais apertada e bagunçada, a outra mãe, aparentemente, tem mais condições e mora em uma casa espaçosa. Pierre, ao entrar no seu novo quarto, não arruma imediatamente as suas coisas, como uma subversão do próprio local, colocando a característica que ele está habituado: uma pequena desordem. O figurino também é muito importante, com usos maravilhosos do vermelho e o posicionamento do protagonista nas cenas sempre é incômodo, apertado ou displicente.

A cena final isenta o Pierre de preocupações. No mesmo tempo que estabelece uma singela conexão com o seu novo irmão, como se fosse uma compreensão mútua. Pois, novamente, as crianças não entendem o porquê de tamanha preocupação. A praticidade toma conta das atitudes. A conclusão é de arrepiar, tamanha profundidade; Anna Muylaert volta aos seus temas recorrentes, mas de forma diferente e, por isso, merece toda a atenção do mundo.

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Do Outro Lado da Porta, 2016

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★★

Johannes Roberts é um jovem diretor que se mostrou, ao longos dos anos, ser um especialista em trabalhar com filmes B. Não vejo nenhum dos seus filmes com animação, muito pelo contrário, a maioria é repleto de clichês absurdos e histórias mal desenvolvidas. É o caso, por exemplo, de “Floresta dos Condenados“, filme de 2005.

No seu mais recente filme, “Do Outro Lado da Porta”, o diretor parece querer fugir do esteriótipo que envolve os seus filmes anteriores e resolveu fazer algo mais sério e, que de algum modo, é mais aceitável pelo grande público. A história é sobre Maria, que vive atormentada pelo fato de ter visto o seu filho morrer, em um acidente de carro. Ela se sente incrivelmente culpada pela fatalidade, pois conseguiu apenas salvar sua filha. Então sua empregada Piki dá uma possibilidade da mãe conversar com o seu filho mais uma vez, fazendo um contato com o mundo dos mortos.

O ponto mais interessante desse filme, que em suma não apresenta nada novo, é, sem dúvida, a abordagem sobrenatural que se diferencia por partir da cultura e crença hindu. Como a história se passa na Índia, toda a estrutura narrativa, muito clichê por sinal, é moldada com uma religião diferente da nossa, portanto, aos nossos olhos, o filme ganha um charme a mais e se transforma em algo curioso.

Os primeiros minutos somos apresentados a família que está passando por sérios problemas, a fotografia azulada transmite toda a melancolia presente ali e visivelmente a mãe dá um tempo na sua depressão quando ouve, de forma abrupta, uma possibilidade de se utilizar do sobrenatural para se desculpar com o filho. O primeiro ato, apesar de trabalhar com algo comum, é bem interessante, mas o filme perde forças quando o mal invade a casa da família.

Dentro de inúmeros filmes do gênero que saem todos os anos, The Other Side of the Door não passa nem longe do pior. É o melhor filme, até agora, do diretor Johannes Roberts – não que isso seja algo grandioso. Mas se analisarmos o contexto interessante, fotografia consciente, enfim, toda a proposta inicial e compararmos com a conclusão, veremos que é um filme que, infelizmente, se sabota no desenvolvimento, tornando-se frágil e forçado.

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Pássaro Branco na Nevasca, 2015

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★★★★

Gregg Araki é um diretor que surgiu nos anos 90, ele é, ao lado de Wes Anderson, Tarantino etc, mais um bom representante do grupo de artistas independentes que reformularam o cinema norte-americano. Sua proposta é muito interessante: falar sobre o jovem e o mundo que o cerca; O diretor, homossexual assumido, também trabalha com frequência o tema, de forma bem sincera e, por vezes, provocante.

“Pássaro Branco na Nevasca” poderia ser apenas mais um filme mediano do diretor – principalmente se analisarmos exclusivamente o roteiro que se torna muito pretensioso no terceiro ato – mas, por alguns motivos que descreverei a seguir, ele mexe com o nosso coração de forma quase imperceptível, despertando uma empatia, seja pelo jovem e sua ânsia de viver ou a mulher de meia-idade repleta de arrependimentos e angústias.

O filme acompanha a vida da jovem Katrina que é filha única de uma família extremamente dentro dos padrões norte-americanos. Ela se vê em meio a um terrível clima de falta de carinho e respeito dos seus pais, que parecem apenas viver dia após dia para manter suas máscaras e gritar para a sociedade que está tudo bem. Então certo dia, sem nenhum tipo de explicação,  Eve Connors ( mãe ) abandona a sua família e nunca mais retorna. A partir desse fato veremos quais as consequências desse fato na vida da Katrina e, ainda mais, procuraremos juntos com ela uma resposta para a atitude da mãe.

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O filme se constrói em vários flashbacks, inclusive eles aparecem de forma abrupta às vezes, como se quisesse simular as angústias tanto da mãe quanto da filha. Essa vida bagunçada e cheio de conflitos invisíveis, parece transcender à realização, transformando o filme em, praticamente, um recorte de momentos. Causa um certo desconforto inicial, mas esse sentimento de confusão vai nos aproximando, cada vez mais, da curiosidade, a vida daquela família comum se torna enigmática e grandiosa.

Se existe uma incomunicabilidade no que diz respeito ao didatismo do roteiro, não podemos dizer o mesmo da inteligência do diretor em usar a fotografia ao seu favor: sempre muito bonita e clara, demonstrando tranquilidade no presente, serve como um verdadeiro contraste nas cenas de flashback onde temos umas misturas mais gritantes, principalmente o uso do amarelo. Em dado momento, quando é mostrado a mãe e o pai formando suas vidas/ comprando a casa, a fotografia é amarela, demonstrando o calor e energias daquela relação, fruto da expectativa. Consecutivamente, com o declínio dessa empolgação inicial, a fotografia vai se tornando cada vez mais fria e sem cor ou com uma iluminação superexposta.

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Não posso escrever sobre esse filme e não citar, com um certo aprofundamento, as excelentes performances da Shailene Woodley e Eva Green. Começamos pela primeira: Shailene pertence a esse novo grupo de grandes atores com menos de 25 anos, é uma verdadeira aposta desde “Os Descendentes” e, a cada dia, vem mostrando a sua perspicácia e versatilidade transitando por entre os filmes populares e alternativos. De todos esses novos nomes de Hollywood, incluindo a própria Jennifer Lawrence, Shailene Woodley me parece ser a mais talentosa.
Sua personagem, Katrina, esteve desde criança em contato com a sexualidade, então ela cresce com essa mentalidade livre, com um certo desprendimento. A atriz resgata esse lado muito bem, até o momento nunca visto na sua carreira, que sempre pendeu para o lado da pureza e inocência.

Do outro lado temos a mãe, Eva Green. Que o talento da Eva é absurdo, todos sabem. A sua qualidade mora na obrigação em exigir de si mesma a cada detalhe, reação e olhar; Todos esses elementos são imprescindíveis para as composições de seus personagens, sempre abusando muito da sensualidade que lhe é inerente – afinal, trata-se de uma das atrizes mais lindas do mundo. Nesse filme sua personagem está afundada em arrependimentos e monotonia, cansada da vida de dona de casa, ela sempre se mostra abatida. A sensualidade da atriz, como descrita acima, consegue ser essencial pois se encontra escondida em expressões de desespero. Isso, inclusive, me faz pensar que o “pássaro” do título faz referência direta a mãe, presa em uma gaiola boa parte do filme.

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Se a construção da história é excelente, muito se deve a discussão filosófica e a pitada da crítica social, principalmente aquela voltada ao “american way of life“, nesse ponto o filme nos lembra bastante o “Beleza Americana”. Por outro lado, na discussão filosófica a obra encontra a sua maior força.

Existe uma mensagem implícita sobre o sentimento de urgência da mãe em viver, não apenas existir. A sua casa, aparentemente perfeita, se torna um ruído em sua vida. A filha, de aspecto jovial e perfeito, se torna aos poucos sua inimiga. A questão da imagem têm uma importância gigantesca na trama, movendo as duas personagens principais para um encontro místico, como se as duas fossem uma só.

Katrina se relaciona com alguém mais velho, enquanto a mãe aparentemente seduz um jovem rapaz – namorado da filha. Então existe um conflito de posições e/ou aceitação da condição, isso é extremamente relevante para a compreensão da obra e os seus significados. Se existe uma maturidade enorme na criação e desenvolvimento dos fatos, o mesmo não se pode dizer da conclusão. Concentrando-se na surpresa, o diretor parece se tornar extremamente pretensioso e preguiçoso nos minutos finais, transformando toda a possível surpresa em uma ferramenta de tragédia, manchando um pouco a atenção minuciosa das cenas anteriores.

Baseado no livro “White Bird in a Blizzard”, da escritora Laura Kasischke, o filme ainda consegue sobressair as más decisões do final e se mantém como um bom estudo de personagens, principalmente referente à mulher e o jovem, bem como a relação de amor/inveja entre mãe e filha.

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Eu Matei Minha Mãe, 2009

Eu matei a minha mae

★★★★★

Xavier Dolan esteve desde muito cedo ligado ao cinema. Parece ter conseguido, anos depois, unir as experiências da atuação com o olhar curioso, afim de desmistificar o papel do diretor em uma obra, ou melhor, o papel de um criador.

Com vinte anos, ele dirigiu o seu primeiro filme. Se não bastasse, Eu Matei Minha Mãe foi aplaudido longos minutos em Cannes. O jovem diretor conseguiu transformar a sua ansiedade em arte, levando as ultimas consequências o fator identificação: jovens do mundo inteiro se identificam com o tema abordado pela obra, sua alma indie e as fortes influências de videoclipes.

Pretendendo navegar por entre uma relação conturbada de um filho – interpretado pelo próprio Xavier – com sua mãe – Anne Dorval em uma performance estarrecedora – o desenvolvimento atinge muitos outros fragmentos familiares do homem moderno como opção sexual, busca pelo inalcançável e, principalmente, amor.  A relação entre filho e mãe desencadeia uma série de reflexões sobre os mais diversos temas, que são propostos de maneira sutil e inteligente.

Vivemos em um mundo que diminui a importância da criança, muito por conta de uma inevitável insegurança; Isso cria uma distância, muitos adultos acabam ignorando as crianças, de forma a proibi-las de dizer o que pensam sobre o mundo e as futilidades que o cercam. O mesmo acontece, infelizmente, com o jovem.

O homem adulto tem a mania de achar que sua juventude é melhor do que a atual, mesmo que não compreenda o que é a atualidade. O processo de empatia surge como uma piada para os desavisados, as relações familiares partem de uma necessidade de estabelecer regras esquecendo, consecutivamente, do carinho.

Xavier Dolan, em Eu Matei Minha Mãe se transforma em uma ferramenta para alcançar algo proibido: a voz. O título faz referência a um sentimento muito pessoal e complexo, podemos matar uma pessoa sem ao menos encostar os dedos nela. O pior tipo de morte é morrer existindo, fruto de uma existência vã ou uma relação extremamente degradante – no filme temos justamente o segundo caso.

Hubert, o jovem protagonista, se mostra insurrecto constantemente, principalmente quando direcionado a sua mãe. No entanto, em um dos diversos momentos onde faz suas confissões perante uma câmera, ele parece compreender a realidade que precisa da figura materna tanto quanto a odeia. Ainda mais, o ódio aqui assume uma definição ambígua, podendo desviar-se com facilidade pelos caminhos da adoração: ele ama a independência da mãe na mesma proporção que odeia a sua falta de preparo em cuidar e ter carinho por ele, no mesmo momento que se identifica com essas falhas, pois também não consegue ser um filho exemplar.

As “falhas” dos personagens são analisados de forma pertinente, o diretor faz questão de expor isso freneticamente, por esse mesmo motivo pode soar forçado para muitos, mas pelo fato de se tratar de um jovem realizador, o personagem que vemos na obra é o alter ego do seu criador, podemos traduzir como uma metalinguagem o próprio processo criativo, visto que se trata de um jovem querendo desabafar para o mundo tudo aquilo que tem a dizer, mesmo que o “tudo” seja muito grande para ser feito depressa.

Um fator crucial para o entendimento do filme, na sua essência, é analisar a composição dos cenários, bem como a iluminação. Pautando-se em uma fotografia aparentemente comum, visivelmente temos as curvas dramáticas dos personagens sendo retratadas através de um destaque na iluminação dos cenários – quando Hubert está na casa do seu namorado, no quarto, a iluminação da casa é extremamente clara, ressaltando a pureza e limpeza existente na relação do seu namorado e amigo com a mãe extremamente liberal. Um verdadeiro contraste se comparado as diversas cenas em que Hubert está sentado na cozinha com sua mãe, onde o cenário teima engolir ambos personagens, principalmente com a ajuda da iluminação vermelha e o posicionamento alto da câmera, que destaca a pequenice da mãe e filho, bem como o afeto inexistente ali.

A importância do cenário e objetos ganha uma nova proporção quando nos deparamos com diversas inserções ao longo de imagens aparentemente desconectadas da história. Logo no começo temos, por exemplo, imagens de miniaturas de borboletas – borboletas, como todos sabem, significam a transformação – essas borboletas, veremos a seguir, são enfeites na parede do quarto da Chantale ( mãe ), portanto, metaforicamente ela guarda a transformação do filho na parede pois não consegue lidar diretamente com o seu desenvolvimento e independência.

A casa e sua decoração representa a alma da mãe, sua personalidade e expectativas, por isso Hubert nunca parece estar a vontade naquele local. No entanto, é curioso notar, em determinada cena, que o garoto passa a ajudar a cuidar da limpeza, da arrumação da casa e, imediatamente, a iluminação – voltemos a ela – se torna mais clara, ou seja, o filho ao cuidar da casa e dos objetos, está cuidando da própria mãe.

Outro elemento que compõe as cenas iniciais e se estende durante quase todo o filme, é os planos detalhes. Olhar, dedos, xícaras, enfim, aproximam o espectador da rotina. Há ainda uma preocupação em posicionar os personagens sempre em lugares desproporcionais no quadro, ora no canto esquerdo, ora em baixo, poucas vezes eles estão centralizados.

Paradoxo é tentar entender a angústia de não ser aceito. Hubert é um ser em formação, cheio de falhas e passando por momentos difíceis e confusos, de forma minimalista a sua relação homoafetiva vai sendo trabalhada, junto com a sua insegurança em confiar na mãe, porém a mesma não parece agir de forma a extrair tal iniciativa do filho. Essa barreira vai moldando formas obscuras e a raiva vai dando lugar à rebeldia. Um jovem genuinamente ansioso, à espera de uma oportunidade para fugir.

E, quando o menino/criança, entra no ônibus para voltar ao seu lugar nenhum, a estabilidade dá lugar ao desequilíbrio, sendo mostrado através da câmera que treme constantemente enquanto, ao fundo, temos a cidade desfocada. O mundo particular de um jovem inocente a espera de crescer e, principalmente, ser aceito.

“Você é um peixe de águas profundas, cego e luminoso. Nada em águas turbulentas, com a raiva da era moderna, mas com a frágil poesia de um outro tempo.”

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Mother – A Busca pela Verdade, 2009

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★★★★

Joon-ho Bong é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores diretores sul coreano em atividade. O realismo que os seus personagens são apresentados, dialogam de forma bem direta com o onírico, repleto de absurdos e de falhas. A sua facilidade em subverter o gênero policial é outra virtude, como visto nesse seu trabalho lançado em 2009, onde uma mãe assume a função de pessoa que procura desvendar os fatos, afim de procurar o(s) culpados de um assassinato, e, consecutivamente, livrar o próprio filho – doente mental, inclusive – da cadeia.

O fato é que a personagem é uma mãe, Mother em inglês, em nenhum momento revela o seu nome; É, portanto, unicamente uma mãe, nada mais. Já nas cenas iniciais fica evidente o cuidado especial e obsessivo que ela tem pelo seu filho, em singelos momentos essa ideia vai, aos poucos, sendo passada ao espectador. Ainda mais, e talvez mais perigoso, em alguns momentos é mostrado pequenas atitudes que demonstram que a mãe possui uma ansiedade em ocultar os erros. Principalmente do filho mas, no desenvolver da trama, percebemos que o tratamento dado é apenas um reflexo dos erros pessoais desse ser humano misterioso.

O próprio nome da mãe fora tirado dela. O único direito e necessidade que ela tem é cuidar do seu filho, a preocupação é nebulosa, não se sabe muito bem se é por algum tipo de medo, diante da clara doença mental do filho – o que, por sinal, em nenhum momento o impede de viver e entender as coisas ao redor – ou algum tipo de remorso ou insegurança.

A cena inicial temos a mãe, em um campo, solitária, ela começa a dançar, um contraste curioso em relação ao comportamento que será desenvolvido a seguir. Poderia ser apenas uma apresentação, porém serve como porta de entrada e representa um claro indício de que essa mulher é uma marionete de suas escolhas, que sua função é controlar um outro pois, na sua cabeça, a fragilidade está em todos os lugares, menos nela mesma. É um trabalho muito difícil interpretar a relação da mãe e do filho, extremamente ambíguo e obscuro.

A multiplicidade dessa relação é reforçada com a técnica cinematográfica de forma muito consciente, destaque para a fotografia, com tons azulados e cinzas, demonstra com perfeição o psicológico da mãe, estabelecendo desde o começo um interesse involuntário em descobrir mais sobre esse ser humano frio, sem amor próprio. No mesmo tempo que o fato de estar sempre chovendo, ajuda a criar um ambiente perfeito para se estabelecer o mistério.

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O figurino da mãe recorrentemente traz o vermelho ou vinho, remetendo-nos a ideia da paixão, sangue – que será derramado em dado momento de forma literal, mas existe sangues derramados durante quase todo o filme nas entrelinhas – e, se aprofundarmos um pouco mais, a excitação.

Tracei uma relação óbvia entre a relação mãe e filho – que assume diversas outras funções – com o complexo de Édipo. Essa dependência inconsciente do filho, movido, inicialmente, pelas suas próprias limitações, atingem um outro patamar a partir do momento que o garoto começa a ter atitudes impulsivas e grotescas por influência de um amigo. Ele começa a sentir o que é ser independente, no mesmo tempo que não é capaz para tal desprendimento.

Ele precisa de alguém para guiar; Não à toa, mesmo diante a iminente descoberta sexual, ele permanecia “inocente” até o seu amigo preencher sua mente com desejo por mulheres, despertando a necessidade humana de se relacionar com o sexo oposto. O que seria absurdamente normal, se a vida dele não fosse tão conturbada. Em uma provocação o amigo pergunta para ele se já dormiu com uma mulher, ele responde positivamente e, depois de algum mistério, fala: “eu dormi com a minha mãe“.

A relação percorre diversos degraus, pai e filho, filho e mãe e, entre eles, ainda há espaço para o homem e mulher. Ora, ambos personagens só possuem um ao outro, é um contato doentio, baseado em uma necessidade primordial. Existe apenas um personagem: a mãe. O filho é parte dela, os dois são os mesmos, nasceram de um mesmo ponto e caminharão juntos para um mesmo fim.

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Existe uma sombra, a personagem da mãe busca o seu sepulcro. A “busca pela verdade” da tradução permanece como um questionamento durante todo o longa. Que verdade seria essa? O conflito do assassinato, a resposta sobre o que realmente aconteceu parece muito simples diante a complexidade daquela relação provocante. Aliás, quando a mãe descobre quem matou a menina – mistério que move o filme até certo ponto, pois os fatos não são tão difíceis assim de assimilar mas, repito, causar a surpresa não é a preocupação principal do filme – ela permanece com mesma intenção e atitude que tinha no início, nada mudou além de compreender a verdade.

No final, fechando o ciclo que começa na apresentação onde a personagem dança em um campo, metaforicamente temos uma mulher perdida em meio a tantas outras, ela se torna ainda mais prisioneira da culpa e, ainda por cima, começa a entender que o seu destino é cobrir erros para sempre, assim podemos interpretar que a própria é um grande erro do universo e precisa, assim, se esconder constantemente.

O choro ao final, ao ver a conclusão da sua busca, faz-nos pensar que ela não se entristece apenas pelo seu filho, mas por todos os filhos do mundo.

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CdA #40 – Entrevista com Emerson Teixeira

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Sim! Você não está maluco! Dois episódios em dois dias! Um super especial do Cronologia ^__^

No segundo episódio especial entrevistando os criadores do projeto [Cronologia do Acaso] Sandro Macena formula cinco perguntas para o Emerson Teixeira responder. Um verdadeiro questionamento sobre a vida e, consecutivamente, desabafo bem pessoal e emocionado.

Descubra um pouco mais sobre esse louco-excêntrico-com tendências hipsters-pervertido-perdido-apaixonado-sarcástico e cidadão do interior chamado: Emerson Teixeira.

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