Across The River, 2014

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★★★★

A história de “Across The River” é muito simples: Gira em torno de um etólogo que trabalha capturando e implantando câmeras nos animais em uma floresta. As gravações acabam o levando para uma aldeia abandonada no centro da floresta. Ele fica preso nessa aldeia por conta de uma forte chuva, e ao longo do filme é explicado que esse lugar é amaldiçoado.

Maravilhoso é continuar percebendo o quão poderoso é o gênero terror e o quanto ele pode mexer com o psicológico do espectador, atraindo a atenção, curiosidade e provocando o medo, empatia ou pavor.

“Across The River” é um pequeno filme Italiano, o tamanho refere-se ao quanto é conhecido, pois a grandiosidade dele é tamanha que pode figurar, sem dúvida, em muitas listas de melhores filmes do recente cinema de terror italiano. O diretor Lorenzo Bianchini – que sabe desenvolver boas histórias em florestas assombradas, vide o curta “Paura dentro” de 1997 – é maravilhoso na criação da tensão, através de elementos naturais como o ambiente, animais, ruídos/silêncios, enfim, diversos outros detalhes.

A inteligência em trabalhar com apenas um personagem durante toda a obra é sublime, ainda é interessante notar que mesmo que a floresta consuma o protagonista, a expressão segura e corajosa que o ator Renzo Gariup imprime em seu personagem conforta o espectador. No mesmo tempo, a mesma coragem que suaviza a tensão provocada pelo silêncio, no início da obra, funciona como uma espécie de barreira, pois quando o protagonista começa a temer e ter expressões de medo, o espectador automaticamente já se sente muito apavorado.

Como não há diálogos, o filme é quase todo construído com pequenos movimentos – seja da câmera ou do personagem – e expressões, auxiliados pela densa trilha e efeitos pontuais. A fotografia prioriza e dá um grande destaque para a paisagem, como se ela fosse um palco de eventos paranormais e que os animais conhecem muito bem. O fato do protagonista ser um caçador é curioso, visto que ele desde o começo enxerga a floresta “através dos olhos dos animais” e, no final do filme, a câmera subjetiva dá o sentido de inversão, como se ele tivesse se transformado no animal, o caçador vira a caça.

A arma também está sempre presente, todas as vezes que o personagem está intrigado com algum barulho ele persegue os ruídos com uma arma, cautelosamente. A única vez que ele a perde, no final do filme, é também a primeira vez que ele corre, a mensagem de fragilidade é clara.

Para quem está acostumado com provocações fáceis de pequenos e inúteis sustos, através de efeitos sonoros, pode estranhar muito “Across The River”. O filme nos convida a ter uma experiência catártica, nos entregaremos por completo e o serviço será feito. Uma história simples e muito bem explorada, todos os elementos e truques voltados para o mesmo objetivo e com pouco, muito pouco, Lorenzo Bianchini consegue fazer um milagre. Ele acredita e confia na sua obra e em como está sendo desenvolvido. Resta-nos contemplar e agradecer uma obra de arte tão consciente e obscura.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Curta-Metragem – Paura Dentro, 1997

"Paura dentro", Lorenzo Bianchini

“Paura dentro” é um curta-metragem de 12 minutos dirigido pelo Lorenzo Bianchini – o mesmo diretor de “Across the River”. É de se notar que ambos se passam em uma floresta e a utilização do som é muito importante para criar o clima de tensão.

“Paura dentro” começa com uma mulher desenhando uma moça em uma floresta, de forma quase automática ela começa a desenhar, também, uma sombra nesse desenho, como se fosse uma extensão ou um monstro. Depois a protagonista vai dormir e, da forma mais onírica e brilhante possível, percebemos que o seu sonho é o quadro que desenhou. O medo e clima obscuro é trabalhado de forma cautelosa, principalmente com a utilização do som que, por vezes, fica distorcido e estranho.

Os aparecimentos da sombra, ou monstro, são sempre sutis e, apesar de caricato, o impacto é sempre poderoso, visto que estamos diante a um verdadeiro pesadelo e a forma como o diretor trabalha esse tema é realmente muito bom para um curta metragem feito de forma visivelmente simples.

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