Frequência Fantasma #3 – Objetos amaldiçoados do Terror

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Seja bem vindo você, ser vivo…ou não…

Demorou mas saiu! No episódio de hoje batemos um papo sobre objetos amaldiçoados que aparecem em filmes de terror. Contamos suas histórias, curiosidades, lendas e falamos um pouco sobre os filmes nos quais eles pertencem.

Disclaimer: Nos perdoe o ruído ao fundo de algumas vozes, mas como comentado no nosso post anterior, a edição desse episódio não foi fácil rs.

Sergio Junior

Sergio Junior

Um mero amante do cinema de terror que sonha em compartilhar e trocar experiências relacionadas a esse gênero com todos.

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Annabelle: Creation (David F. Sandberg, 2017)

Annabelle 2: A Criação do Mal (Annabelle: Creation, EUA, 2017) Direção: David F. Sandberg

O cinema de terror atual se divide claramente em duas esferas completamente diferentes, contudo, as duas vertentes narrativas têm como prioridade a qualidade no que diz respeito à ambientação e o processo de sugestividade. Obras como “No Cair da Noite” (2017), A Bruxa (2016), Sob a Sombra (2016) utilizam a contemplação e os silêncios como forma de incentivar a atenção absoluta do espectador, de modo que o sentimento aja em virtude da curiosidade, reflexão, desconforto ou mesmo o medo; por outro lado, os mais populares, motivados pelo sucesso de novos inteligentes diretores como James Wan, Mike Flanagan, David F. Sandberg etc, compreenderam através da manifestação do público, que o gênero terror moderno precisa caminhar em outra direção afim de não se acomodar no óbvio. É possível perceber, portanto, uma evolução em filmes como “Invocação do Mal 2” (2016), “Quando as Luzes se Apagam” (2016) ou “Ouija 2” (2016), mesmo que alguns citados tenham qualidades finais duvidosas, há de se observar alguns detalhes oportunos em cada um deles, a direção de Wan e habilidade em referências dentro do gênero, a utilização da ausência de luz – medo primitivo – como forma de fragilização psicológica e a competência de Flanagan em trabalhar com o som em seus filmes.

Quando o primeiro “Annabelle” foi lançado, em 2014, a ideia era aproveitar o sucesso do “Invocação do Mal”. E o maior problema do filme é justamente nunca ser pensado por si, mas como extensão de algo maior. O desenvolvimento rápido tirava qualquer possibilidade de mergulho nas sombras que uma boneca amaldiçoada evoca, no fim, um grande potencial fora perdido em prol a um filme exibicionista. Mas na continuação eles acertam, a começar pela escolha de David F. Sandberg para dirigir, um artista que errou em seu primeiro longa-metragem mas que possui diversos curtas-metragens medonhos e, por incrível que pareça, nenhum passa de dois minutos – alás, dois deles são referenciados em momentos oportunos em “Annabelle: Creation”.

O filme começa da maneira mais comum possível, mostrando o passado de uma família onde um acidente fatal com uma menina desencadeia uma série de problemas paranormais em uma mansão de aspecto tenebroso. Fato que se agrava ainda mais a partir do momento onde cinco meninas de um orfanato são convidadas a se hospedarem no local. A apresentação da protagonista Janice (Talitha Bateman) acontece de forma oportuna, pois ao descer do ônibus a câmera se posiciona no degrau ao passo que mostra a dificuldade da menina em descer por conta da sua limitação física em uma das pernas, ponto importante não só pela questão psicológica, a menina se sente a mais fragilizada e vagarosamente vai perdendo as esperanças de ser adotada, como também no desespero causado em diversas cenas de eventos sobrenaturais, onde o fato de não poder correr obriga a personagem a enfrentar o medo ou mesmo fechar os olhos, se esconder, enquanto o espectador enxerga o que está acontecendo em volta, algo que potencia a experiência e exige um bom trabalho com os espaços e objetos da casa.

A maior força do primeiro ato é na exploração dos elementos que futuramente serão importantes para as cenas de sustos, a tetricidade dos objetos fazem desse filme impactante em diversos momentos, inclusive a quantidade de possibilidades que se formam em todos os cômodos da casa são incríveis, parece que cada boneco, sombra ou pano pode se tornar um acessório para provocar o medo. Quando o espectador assimila o espaço, fica constantemente em alerta com o que acontece no segundo plano, e isso é muito oportuno no gênero, mas dificilmente é bem feito.

As atrizes mirins têm ótimas performances, mesmo que o longa dependa da extrema coragem de duas personagens para dar sequência ao roteiro. O diretor David F. Sandberg resgata sua melhor competência – demonstrada nos curtas-metragens sem diálogos, caseiros e com somente uma personagem – em criar cenas assustadoras sem recorrer aos artifícios mais comuns, apesar de tê-los como obrigação, nunca mostra aquilo que esperamos no mesmo tempo ou maneira, sempre tem algum detalhe que nos tira a atenção e surpreende.

O terceiro ato destoa do desenvolvimento mostrado até então, o equilíbrio da exposição e sugestão dá lugar as soluções apressadas e decisões que se retardaram afim de se encaixarem no roteiro. Mas ainda assim, “Annabelle: Creation” segue sendo um ótimo filme desse universo criado pelo “Invocação do Mal” e que continuará nos próximos anos apresentando as mais diversas figuras demoníacas perseguindo as mais inocentes almas.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Invocação do Mal 2, 2016

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★★★★★

Muito antes de assistir “Invocação do Mal 2” eu já conhecia a história real que o filme se baseou. Isso poderia desviar a minha atenção e me motivar a encontrar as diferenças e referências aos supostos acontecimentos reais, ou até mesmo questionar a grande participação de Ed e Lorraine Warren, quando na história real o envolvimento de ambos foi quase nulo. Mas tudo isso não aconteceu e o motivo é muito simples: James Wan.

Não preciso ressaltar novamente a qualidade do diretor pois já fiz isso na minha crítica sobre o primeiro “Invocação do Mal” ( clique aqui para ler ) mas não consigo assistir os seus filmes e ignorar a sua capacidade de criar monstros e, ainda mais, levar a tensão aos limites máximos. Tem uma série de eventos na obra que se aproximam bastante do suposto caso real, mas o excelente é os diversos contornos na narrativa que o diretor cria para a história ser o mais crível possível.

A história acontece após sete anos dos acontecimentos do primeiro filme, Lorraine (Vera Farmiga) e Ed Warren (Patrick Wilson) continuam suas investigações paranormais e são chamados para ajudar uma família na Inglaterra que estão sendo atacadas por um poltergeist.

Baseado no caso “Enfield Poltergeist”, é curioso notar que se trata do evento paranormal mais registrado da história – inclusive os mesmos registros podem sabotar a veracidade dos fatos – e isso é bem interessante pois o filme ainda faz diversas referências à captura, como um momento em que Ed Warren faz uma piada sobre o tamanho e peso de uma câmera.

Vera Farmiga e Patrick Wilson, novamente, ganham a atenção do espectador de forma crucial para o envolvimento dramático, os dois atores possuem uma sintonia maravilhosa e é perceptível o carinho que eles têm pelos seus personagens, sem contar que são grandes atores e conseguem transmitir, através de pequenas expressões, todas as angústias que os cercam apesar de serem muito queridos e vistos como super heróis por muitos.

Como um típico filme de jumpscares, “Invocação do Mal 2” não é comum na construção desses sustos, todos acontecem das formas mais criativas possíveis, isso levando em conta que a história se desenvolve em uma casa assombrada, com sobrado e todos os clichês que têm direito. A fotografia continua maravilhosa e dita o tom melancólico da obra. Essa melancolia é importante pois, talvez, a personagem Janet Hodgson seja uma das crianças que mais sofrem por uma manifestação demoníaca na história do cinema desde “O Exorcista”, de 1973. A carga emocional da menina é tão grande que a empatia pelo seu sofrimento e desespero é inerente, até o espectador mais cético consegue facilmente embarcar no medo da Janet e acreditar que tudo é real.

A maior força do filme é a garota e, sem dúvida, isso se deve a atuação esplêndida da atriz Madison Wolfe. A força e presença dela é imbatível, com um carisma e talento imenso, ela chama toda a responsabilidade do filme para si e se sai surpreendentemente bem.

A fotografia, obscuridade e trilha apavorante passeiam por toda a obra e dão espaço, uma vez ou outra, para cenas belíssimas, como por exemplo Ed Warren cantando “Can’t Help Falling In Love“, simplesmente uma das músicas mais lindas do Elvis Presley. Essa música não tem, aparentemente, nada a ver com o contexto da cena em questão, mas o diretor trabalhou tão bem os seus personagens até esse momento, que é fácil se deixar levar, quase como se fosse uma forma de descarregar toda a tensão e nos fazer sorrir. Se no primeiro “Invocação…” eu citei a quebra do roteiro para fazer piadas, no segundo ato, como um problema muito grande, aqui existe também, mas a forma que é usada é magnífica.

Aliás, as músicas utilizadas são um show à parte. Abre com “London Calling” e toca “I Started a Joke” em um momento extremamente importante, onde a música ajuda ainda mais a entender o arco dramático da protagonista.

O filme é tão sincero e trabalha tão bem tudo o que se propõe, que é impossível não se envolver. O único problema, ao meu ver, é quando, no final, os acontecimentos se resolvem bem depressa e a tensão muda de objetivo e se sustenta em uma preocupação, mas isso não importa. James Wan confia no seu trabalho e o espectador sente isso, quando, no final do filme, Janet Hodgson cita Ed e Lorraine Warren como sendo os seus anjos da guarda, nós sentimos a mesma coisa e queremos mais aventuras desses dois personagens tão interessantes.

emersontlima

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Invocação do Mal, 2013

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★★★★

Colocar o diretor James Wan como um dos grandes nomes do gênero terror atual é recorrente. Ele parece ter entrado para o cinema com uma fonte inesgotável de ideias, reuniu diversos clichês e seguiu uma linha de trabalho onde consegue abusar de todos os elementos já vistos no cinema, mas ainda assim consegue extrair algo novo, de fato ele é um verdadeiro oportunista, conseguiu construir uma fórmula para provocar o medo e o faz com tamanha naturalidade que nem ao menos parece um truque.

A sua maior força está na maturidade e direcionamento, Wan sabe lidar maravilhosamente bem com a sugestão. Em um das principais cenas de “Invocação do Mal”, uma das irmãs olha assustada para a porta do seu quarto, no escuro, a menina afirma que tem alguém olhando para ela, mas o espectador, assim como uma personagem que está no quarto, não vê absolutamente nada. Existe, nessa cena, o ápice da sugestão, o diretor parece sorrir e gozar do seu artifício e a forma que utiliza com maestria. Isso não é inédito no cinema, mas por incrível que pareça o gênero terror parece que se esqueceu, com o tempo, que mostrar os monstros toda hora nem sempre é a melhor maneira de provocar a tensão.

É só pensar em filmes como “O Bebê de Rosemary”, dirigido por Roman Polanski e “O Exorcista” do William Friedkin, os realizadores tem em comum a inteligência em mostrar pouco e, quando o faz, é em doses extremamente inteligentes. Existe um equilíbrio, pois o ser humano precisa disso. Em um quarto escuro pode existir qualquer coisa, até que se acenda a luz.

“Invocação do Mal” foi baseado em uma das histórias do casal Ed e Lorraine Warren que são investigadores de casos paranormais. Nessa história, em específico, um casal (Ron Livinston e Lili Taylor) se muda para uma casa antiga e grande com as suas cinco filhas. Pequenos eventos vão acontecendo, até que chega um momento onde todos definitivamente acreditam que algo sobrenatural está acontecendo, eles então recorrem à ajuda dos Warren.

Logo no início do filme somos apresentados à Ed e Lorraine Warren, eles estão dando uma palestra que inclui uma história sobre a boneca Annabelle – mais um evento verdadeiro e que, através do filme, atingiu um patamar muito grande de popularidade, tendo sido feito, inclusive, um filme somente sobre ela – e com a ajuda da trilha sonora, é um excelente convite ao espectador.

A partir daí temos a apresentação comum da casa antiga e enorme, um casal feliz com a mudança e crianças brincando e pulando sobre as mudanças. O incrível é a forma que é conduzido, os eventos acontecem rápido, mas são bem orquestrados, é mostrado o suficiente para provocar o medo mas não o bastante para enjoar. Existe um poder grande de utilizar algumas atitudes cotidianas, por exemplo as brincadeiras das meninas, como forma de demonstrar o quão fragilizados se encontram os personagens, assim como o fato de ter muitas meninas também soa interessante, pois quando começa a acontecer os eventos sobrenaturais cada uma sente de uma forma diferente, uma é sonâmbula, a outra é puxada pelo pé constantemente, a menor brinca com uma caixinha cujo espelho reflete um espírito, enfim, é uma forma eficaz de exigir uma atenção maior em quem assiste.

Fotograficamente o filme é muito poderoso, ambienta-nos no estranho e com a ajuda da trilha sonora agressiva, nos conduz ainda mais em direção ao medo. Se a sugestão até a metade do filme foi trabalhado exaustivamente, do segundo para o terceiro ato não se pode dizer o mesmo. Visivelmente a inserção de piadas e os aparelhos eletrônicos para a captação de fantasmas tiram um pouco o foco do realismo, o clima sombrio passa a ser colorido e perde temporariamente a força, – apesar que é normal, pois seria impossível sustentar uma hora e cinquenta minutos de sustos – recuperando somente nos minutos finais.

“Invocação do Mal” chegou aos cinemas para assustar e, apesar de não figurar na lista dos “melhores filmes de terror de todos os tempos” – algo que nunca pretendeu, inclusive – consegue se sair muito bem e faz jus a sua proposta. Agora é esperar pelas continuações para vermos quais outras aventuras Ed e Lorraine Warren se meteram na vida.

emersontlima

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