Hot Girls Wanted, 2015

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★★★★

Esse é um documentário, que causou um certo barulho em sundance, dirigido por Jill Bauer, Ronna Gradus, acompanha a vida de algumas atrizes pornográficas, enquanto reflete sobre algumas das principais características da indústria, além do motivo dessas meninas, manipulação e, até mesmo, violação do corpo.

Essas e outras questões importantes não são levados a última potência, pois a preocupação em ser politicamente correto atrapalha. Ou melhor, o maniqueísmo é bem forte e afeta drasticamente o desenvolvimento.

Não que seja ruim, longe disso, só estou questionando o porquê de tamanha cautela, ao mostrar algo que é extremamente recorrente no mundo contemporâneo. Por exemplo, após terminar de assistir, eu simplesmente anotei os nomes de algumas atrizes para procurar os seus vídeos. Só para certificar.

Os vídeos pornôs são de fáceis acessos, a curiosidade do homem, como consequência, se amplia de forma astronômica. Os jovens tem uma facilidade à informação inacreditável, tirando-o, assim, da primeira barreira de “perigo” que existia há algum tempo atrás. Quando eu era criança, pegar uma revista da Playboy era a mesma coisa que matar alguém, meu coração até palpitava de medo de alguém descobrir. Fui descobrir o que, de fato, era o sexo com uns 12 anos, assim acabei percebendo que aqueles eróticos da Band não eram tão reais.

A demanda pelos vídeos de sexo está relacionado ao prazer do voyeur, muitas vezes as atrizes/atores estão níveis acima do nosso potencial físico, acabam, por sua vez, preenchendo as nossas inseguranças. A industria pornô é pautada em bundas arredondadas, peitos grandes, cara de ninfeta, pau gigante, gozo na cara etc.

A gente sabe que a realidade é diferente. Não há violação do corpo humano… ou será que tem[…] melhor ainda, será que teria mais se não existisse os vídeos pornôs? Talvez esse seja o real motivo, admiram o audiovisual, as possibilidades infinitas para, assim, se distanciarem da perigosa impulsão.

O pornô é pura arte. Porém se abstém com facilidade da sua essência. Por personalidade primitiva dos homens, o pornô é a puta, não o registro. Mas reparem, caros punheteiros, que existem pessoas ali, existem atrizes e atores, diretores. E o fato deles todos estarem excitados, não te dá o direito de menosprezar os seus respectivos valores.

O documentário peca, infelizmente, em um único ponto: no abuso do coitadismo, quando se tratando das atrizes. É evidente que há exploração, elas são submetidas a coisas “terríveis” – gozada na cara – etc. Mas há uma observação importante no que diz respeito a própria vontade delas.

Todas estão nesse meio porque querem. Ninguém obrigou, a situação financeira nem estava tão difícil assim. É a desenfreada busca pela fama e dinheiro que todos sabemos que movem montanhas. Então agir como se elas fossem marionetes é, em suma, menosprezar as suas capacidades intelectuais.

Eu tenho uma vontade grande em realizar pornôs, como diretor – que fique claro! – pois admiro a capacidade de alguns em brincar tão lindamente com o tema, como Gaspar Noé, por exemplo. Mas me atenho aos fatos e, por enquanto, sou somente um punheteiro.

Obs: Em dado momento entra em questão o fato de que a maioria das buscas em sites pornográficos correspondem a palavra-chave “adolescência”. É algo a se questionar, essa ânsia pela inocência pode, também, ser um reflexo de vários abusos que acontecem diariamente. A internet é um verdadeiro perigo.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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