Kagero (Hideo Gosha, 1991)

Uma pequena menina testemunha o seu pai sendo assassinado após um jogo de cartas. Ela segue os passos dele, se torna uma jogadora e encontra a chance ideal para se vingar dos eventos do passado.
Essa obra de Hideo Gosha faz tudo menos seguir a risca essa história principal, acrescenta uma série de camadas e problemas de modo a não se transformar somente em um filme de jogatinas clandestinas. É importante ressaltar a forma que a mulher é representada aqui, tendo um vínculo com o jogo e, mais do que isso, precisando enfrentar um mundo rodeados de homens.

A atriz Kanako Higuchi de filmes como Shara (2003) e O Assassinato No Inferno De Óleo (1992) tem toda a responsabilidade da obra em suas costas, inclusive a carrega com as suas lindas tatuagens que quebram a figura delicada e inocente. Com o visual espetacular, o vermelho é uma cor bem utilizada aqui para ressaltar os perigos e conflitos iminentes do submundo do qual cada vez mais ela se envolve, o filme perde sua força com o roteiro nebuloso, algo aliviado somente com a força do terceiro ato onde a ascensão da ação se faz presente e coreografia da cena é muito boa.

Apesar de ser uma obra cinematograficamente bem executada, o longa apresenta fragilidade na narrativa e aspectos importantes que são desperdiçados conforme o desenvolvimento. Não é das melhores obras do grande Hideo Gosha, no entanto é interessante ao mostrar o mundo da máfia, das jogatinas clandestinas – há poucos filmes com o tema e esse é um bom representante – principalmente quando acrescentamos a mulher como protagonista e pertencente real e poderoso desse meio -, algo de suma importância em relação à representatividade.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebookGoogle PlusFlickrYouTube