Espaço Além – Marina Abramović e o Brasil, 2016

Espaço Além – Marina Abramović e o Brasil ( The Space In Between, Brasil, 2016 ) Direção: Marco Aurélio del Fiol

Marina Abramović adentra uma caverna encantada, repleta de incertezas incomunicáveis. Ela resiste à fraqueza da carne, sua mente transcende a dor, redimensionando a sua existência e, através do seu corpo, um veículo, explora a arte simples do cotidiano e motiva o público a fazer o mesmo.

Ela cria uma ponte entre o ser e o mundo espiritual e eterno, eternizando sua arte através de tatuagens feitas por todos aqueles que passaram por sua vida. Seria injusto separá-la da coragem; seria ingenuo não usar a sua imagem como uma forma segura de afirmação de que a arte é único caminho válido para se encontrar Deus.

O que nos liga é o sentimento de descoberta, descobrir-se como entregue, disposto à enfrentar os mistérios da crença, respeitando a diferença, lugar e história. Marina Abramović pratica a empatia e se suicida a cada segundo, desprendendo-se constantemente da vida e exaltando seus movimentos como uma forma divina de contemplação sobre o absurdo do acordar.

Assistir esse documentário proporciona uma experiência tão esmagadora e maravilhosa como a que Marina vivência com o chá de ayahuasca; uma verdadeira catarse, evacuação dos medos, uma jornada à cegueira total.

Há diversas cenas onde a espiritualidade atinge a imagética, o objeto se torna uma corrente que aprisiona o convencional. Acompanhamos os passos de um ser em busca de compreensão, de forma simples percebemos o quão grandioso é a liberdade total da consciência, a fé absoluta em coisas inimagináveis e perigosas – como uma imagem onde uma baiana “levita” ou o tratamento espiritual nada convencional onde é colocado uma faca nos olhos daqueles que creem, um momento altamente grotesco, se analisado exclusivamente com a razão.

A arte é entregar-se as emoções mais profundas, confiando na natureza como fonte primária de inspiração e reflexão. Marina Abramović deixa claro a sua posição sobre a  diferença entre instituição religiosa e espiritualidade, é importante para a compreensão dessa jornada onde a “andarilha moderna” encontra a si em cada personagem que sente, em cada passo lento à caminho da ciência, em cada arte e em cada cebola e alho que devora.

Na última vez que estive no Brasil, visitei uma xamã chamada Denise. Ela trabalhou com pedras de meteorito para determinar as minhas origens. Ela disse: “Sabe, você nunca se sente em casa em lugar nenhum.” Isso é verdade. “Você nunca se sente em casa em lugar nenhum. Porque você não é deste planeta. Seu DNA é galáctico, você vem de estrelas distantes. E você veio ao planeta Terra com um propósito”. Eu perguntei a ela: “Qual é o meu propósito?” “Seu propósito é ensinar os humanos a transcender a dor.”

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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