Frequência Fantasma #5 – Curtas-Metragens de Terror!

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Seja bem-vindo você, ser vivo…ou não, a mais um episódio da sua rádio quinzenal (nem sempre rs) Frequência Fantasma. Nesse episódio, rolou um super bate papo sobre curtas metragens, principalmente do gênero de terror, suspense e seus derivados é claro. Foi discutido o que é um curta metragem de fato e como acontece toda sua produção. Por que os longas metragens atingem mais pessoas? Os curtas-metragens é um material realizado para um nicho específico? O time completo do Frequência Fantasma, Sergio Junior, Pamela, Emerson Teixeira (CdA), Lucas Levino e o convidado super especial Carlos Voltor (Nerdcast, Podcrastinadores) trocam ideias e experiências que tiveram com curtas metragens.

Envie seu material ou sugestões para o e-mail: frequenciafantasma@cronologiadoacaso.com.br

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Arte de Capa: Raphael Cravo – Site: http://www.cravo.ink

Filmes citados no episódio:

  • Vinil Verde (2004)
  • A Menina de Algodão (2002)
  • Doodlebug (1997)
  • Dois mais Dois, (2011)
  • Monster, (2005)
  • Elephant, (1989)
  • Lights Out (2013)
  • Don’t move (2013)
  • Amor só de Mãe (2003)

Canal do Carlos Voltor – Youtube: Voltorama

https://www.youtube.com/channel/UCcmyOXnmwiO3U7N_Tht0G5Q

Curtas produzidos por Carlos Voltor!

https://www.youtube.com/watch?v=QBwqBkmRBWk

https://vimeo.com/232290437

Sergio Junior

Sergio Junior

Um mero amante do cinema de terror que sonha em compartilhar e trocar experiências relacionadas a esse gênero com todos.

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Cadê o Frequência Fantasma??? (Problemas técnicos)

Seja bem vindo você, ser vivo…ou não.

O podcast atrasou mas não deixamos vocês sem explicações!

Problemas técnicos com edição fazem parte da nossa rotina. Estamos tentando adequar o que achamos ser um bom conteúdo para vocês com nossa ideia de edição e com isso, é natural que aconteça esse tipo de problema, principalmente no início de podcasts. Porém, já acertamos essas questões e o 3º episódio será lançado o mais breve possível! O 4º episódio inclusive já está gravado e sendo editado. Tentaremos o máximo respeitar o período quinzenal de postagem

Não gostamos de simplesmente não postar o episódio e deixar vocês sem saberem o que está acontecendo por trás das cortinas.

Mas fica tranquilo… o Terror está apenas começando!

Sérgio Junior,

Sergio Junior

Sergio Junior

Um mero amante do cinema de terror que sonha em compartilhar e trocar experiências relacionadas a esse gênero com todos.

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Os Inocentes – A obra-prima máxima do terror

Os Inocentes

Encontrar críticas ou artigos relacionados com o universo dos filmes de terror é muito fácil aqui no Cronologia do Acaso. Já expliquei centenas de vezes o porquê tenho um fascínio por esse gênero, então no começo desse artigo, deixo a recomendação de outros textos. Segue os links:

Possessão demoníaca: http://cronologiadoacaso.com.br/2016/02/04/possessao-demoniaca-no-cinema/

Madre Joana dos Anjos: http://cronologiadoacaso.com.br/2015/11/02/madre-joana-dos-anjos-1961/

Atividade Paranormal – Quando uma boa ideia se transforma em fracasso: http://cronologiadoacaso.com.br/2016/07/19/atividade-paranormal-quando-uma-boa-ideia-se-transforma-em-fracasso/

Com esses três textos, vocês poderão entender um pouco sobre a minha perspectiva sobre o cinema de terror e, sem dúvida, será interessante para compreender esse artigo sobre “Os Inocentes”, principalmente no que diz ao subtítulo escolhido: “A obra prima máxima do terror”.

É claro que o gênero terror teve uma base muito sólida, tendo sido modificado por inúmeros artistas que, direta ou indiretamente, deixaram muito de si na linguagem desse gênero que se utiliza do terror para analisar lados obscuros e desconhecidos do ser humano. Mas podemos resumir isso com um filme chamado “Os Inocentes”, de 1961, dirigido brilhantemente por Jack Clayton e estrelado pela Deborah Kerr – a ruiva mais linda da história do cinema.

Os Inocentes

O filme conta a história da senhora Giddens ( Deborah Kerr ) que é contratada para cuidar de duas crianças chamadas Flora ( Pamela Franklin ) e Miles ( Martin Stephens ), eles são órfãos e vivem em uma casa gigantesca, sustentados pelo tio e criados por funcionários. Não existe afeto por parte das crianças, no que diz respeito à família, elas vivem com muito luxo mas são abandonadas. A nova governanta passa então a construir um carinho e senso de proteção muito grande, no mesmo tempo que percebe que a mansão guarda segredos envolvendo a paranormalidade.

O filme é um clássico intocável, infelizmente não tão conhecido como merecia, mas além de apresentar alguns conceitos até então inéditos, o diretor e os demais envolvidos sabem como unir todos os artifícios técnicos em função da história. Esse artigo tem como finalidade destacar alguns desses artifícios.

Reflexo da Flora, antes do seu primeiro encontro com a governanta

Reflexo da Flora, antes do seu primeiro encontro com a governanta

O filme começa antes mesmo dos créditos aparecerem. Em uma tela preta, ouvimos uma canção maravilhosa e tétrica chamada “O Willow Waly“, sua letra traz frases como: “Nos deitamos, meu amor e eu[…]”, “[…] Mas agora deito apenas eu […]”, “[…] E choro ao lado da árvore […]”. Essa música será importante durante todo o filme e é engraçado a sua aparição acontecer antes de qualquer outra coisa, inclusive os projecionistas, nas salas de cinema, acharam que era um erro e cortaram, para que o filme começasse com a logo da 20th Century Fox.

As primeiras cenas são para apresentar a protagonista, no começo ela reluta contra a ideia de se tornar governanta e, cabe ao espectador imaginar que é porque se trata de uma profissão que exige uma enorme responsabilidade, é dito que ela não tem experiência o que acaba, também, ressaltando o quanto o tio das crianças não está muito preocupado com o bem estar delas, mas sim em preencher o vazio deixado na mansão após a governanta anterior morrer.

Aceito o trabalho, a senhora Giddens parte para a mansão e a primeira coisa estranha que acontece é que ela ouve uma mulher chamando a Flora, mas é perceptível que a voz emite uma harmonia, como se fosse parte de uma canção.

O primeiro contato visual que a protagonista tem com uma das crianças é com Flora, percebe-se que a imagem da menina aparece, primeiramente, através de um reflexo no riacho, isso é algo que, inclusive, será trabalhado durante toda a obra, assim como as luzes e sombras.

Flora aparecer primeiramente como um reflexo significa que a governanta começa a se confundir entre a realidade e mentira, de um lado está aquilo que ela molda e do outro a realidade sombria – em muitos momentos as crianças parecem ter mais consciência do quanto são abandonadas do que ela.

Os-Inocentes-1961-3

O filme, nesse início, se divide em dois: exterior da mansão e dentro. Isso porque a diferença é gritante, fotograficamente o filme assume uma outra postura, como se estivesse adentrando uma outra dimensão. Se nos minutos iniciais fica evidente uma singela organização dos movimentos das personagens, dentro da mansão ela chega ao limite.

Na mansão só estão os empregados – porém a única que conhecemos é a senhora Grose ( Megs Jenkins ) – Flora e a recém-chegada governanta. O garoto, Miles, está na escola. O momento em que a nova governanta põe os pés na casa é para se acostumar com o seu ritmo, lembrando que por vezes parece pertencer à um universo diferente, e o diretor deixa claro isso impondo um outro tipo de movimento de câmera e transição dos atores. Remetendo-nos diretamente ao teatro, é impressionante a sincronia estabelecida para as posições e a troca de posições das personagens; além do mais, durante todas as cenas internas os objetos são extremamente relevantes, compõem a história e trazem uma beleza estética incrível.

Seria impossível falar sobre esse filme e não citar a sua perfeita mise-en-scène . É tão bem pensado, que só nos cabe imaginar que cada cena demorou muito tempo para ser planejada. É quando o terror começa a ganhar uma outra forma, além de abraçar a sugestividade, clima obscuro, trilha tensa, ainda existe a expressão fotográfica, figurinos e, claro, atuação, todos esses elementos dialogando entre si e construindo algo extremamente grandioso.

Algo que pode ser visto em alguns momentos cruciais é a transição de cenas que teima dar indícios da próxima, além do mais, a sutilidade e transparência cria diversos significados. Observa as imagens abaixo:

Aparicão do Miles no meio das duas - parte 1 Aparicão do Miles no meio das duas - parte 2

Como escrevi acima, o início do filme se divide entre exterior e dentro da mansão – como se estivéssemos, juntos com a protagonista, invadindo um segredo – mas, com o passar dos minutos, ainda no primeiro ato, existe uma série de camadas surgindo de forma completamente orquestrada, uma delas são os personagens. Podemos dividir os quatro principais e, veremos, que cada um representa um aspecto da vida nessa casa:

Governanta: É aquela moça que chegou com receio, mas aos poucos se rendeu ao papel de “mãe” e “protetora” das crianças. No mesmo tempo que desconhece a mansão.

Empregada Grose: Ela representa o “olho que tudo vê”, ou a clássica “sábia”. Percebam que durante quase todo o tempo ela é extremamente imparcial e não se conecta emocionalmente com o abandono das crianças, apenas cumpre uma função.

Flora e Miles: Eles são os abandonados e, por isso, utilizam-se disso como pretexto para se isolarem do mundo e guardar segredos. É como se o “universo da mansão” fosse a razão de suas existências.

Na imagem acima, a primeira, a governanta recebeu um comunicado da escola de Miles sobre o seu mal comportamento e começa a questionar a postura do menino. Ela é o oposto da empregada que, por sua vez, o inocenta e parece querer ocultar tudo da moça. A primeira fotografia traz uma estátua separando-as – o que acontecerá constantemente – e, mais do que isso, imediatamente depois dessa pequena discussão, tem uma transição onde temos o pequeno Miles chegando de trem. Ele está no meio de ambas, como se elas representassem algo como peças de xadrez nesse universo, simplificando-as à simples figurantes nesse conto de fadas.

Tres elementos principais - crianças, cuidadora e empregada

Essa cena representa a divisão dos personagens. As crianças estão no nível de cima, governanta no meio e a empregada abaixo deles.

A mansão é grande e espaçosa, no mesmo tempo que os já citados objetos parecem diminuir a protagonista a todo instante, como se ela guardasse sentimentos proibidos, o próprio carinho e senso de proteção desenfreado poderia ser considerado proibido, visto que se trata de um trabalho, mas que, infelizmente, ela nunca terá o poder de mudar as condições das crianças.

Por mais que a senhora Giddens tente, a mansão a separa dos demais que aceitam as suas condições. Em um momento, no final, ela mesma confessa que o seu pai a ensinou a ajudar as pessoas. Podemos concluir, então, que a senhora Giddens representa o exterior da casa e as crianças e empregada o interior. É impressionante quando ligamos essa metáfora à uma cena em que as crianças perguntam para a sua governanta se a sua casa era pequena, Miles então fala algo como “pequena demais para guardar segredos“.

Aparição do fantasma na janela

Até então escrevi bastante sobre as metáforas e pouco sobre o terror. Isso porque de forma bem provocante e intensa, é possível afirmar que o terror mora no significado oculto dessa obra. Existem aparições, a primeira é sensacional, inclusive,  a governanta vê uma silhueta em cima do telhado e, na segunda aparição, já podemos notar que esse mesmo homem aparece no quintal da mansão, em frente a uma estátua – aliás, lembrem-se que a primeira vez que Miles aparece ele também está posicionado no quadro exatamente onde está uma estátua.

Além do mais, existe medo escondido em todos os momentos. Desde as cenas iniciais é citado a sensação de medo por parte da protagonista, talvez oriunda da própria insegurança. Destaque para a atuação da maravilhosa da Deborah Kerr que já disse inúmeras vezes se tratar da melhor atuação da sua vida, e é realmente complicado discordar, mesmo que ela tenha uma carreira tão sólida.

A sua expressão delicada vai dando lugar à uma instabilidade, o olhar começa a ficar explosivo e a performance passa a se misturar com as sombras. As sombras foram tão importantes que o fotógrafo Freddie Francis usou grandes refletores e geradores de luz para criar os efeitos.

Não poderia deixar de citar o Martin Stephens – excelente ator mirim que, infelizmente, deixou a carreira de lado após sucessos como “A Aldeia dos Amaldiçoados” e o próprio “Os Inocentes” – e a atriz japonesa Pamela Franklin. As crianças chamam muito a atenção, irritam, alegram e intimidam na mesma proporção, algo extremamente complexo e raro de se ver.

Fotografia entre grades

O filme evolui de forma impecável e atinge outros significados no final. Em uma cena absolutamente agressiva e polêmica, o espectador sente que a governanta é que fora corrompida durante todo o tempo. Há muitos espaços para dúvidas e seria até possível imaginar um amor platônico por parte da moça pelo garoto Miles, mas tudo é tratado com sutileza e se encaixa na perfeita simetria visual.

A imagem acima coloca a personagem no centro, do lado de colunas e isso acontece em diversos momentos, além de ser sufocada pelos objetos ela também é prisioneira dos seus próprios desejos. Percebemos ainda uma mudança de figurino drástica, observa as imagens:

Roupa da personagem no meio

Ela começa a se vestir com cores claras quando se habitua à mansão e as crianças logo nas cenas iniciais.

Roupa da personagem final - parte 1

Depois começa a mesclar cores mais escuras, com pequenos detalhes mais claros. Simultaneamente ela desconfia que as crianças estão vendo os mesmos “fantasmas” que ela – incluindo uma mulher de preto.

Roupa da personagem final - parte 2

E no final do filme ela sempre está vestida de preto e se torna aquilo que outrora temia.

A ironia mora no fato de quê, nesse filme, o medo da protagonista se esvai e ela se transforma nele. A mulher de preto que fica observando a Flora na beira do rio, é uma das aparições mais perturbadoras do longa, no mesmo tempo que a própria protagonista se “a mulher de preto”, aos poucos. Essa transformação acontece de forma simbólica, através do seu figurino, não espere uma explicação literal porque em “Os Inocentes” não existe o óbvio.

Justificando então o subtítulo “A obra prima máxima do terror”: “Os Inocentes” pertence à um grupo seleto de filmes que contribuíram muito para o terror e o seu desenvolvimento. Pergunte para qualquer realizador do gênero quais os seus filmes favoritos, certamente esse sempre será lembrado, tamanho é a sua importância para o cinema em geral. Maduro ao extremo e fiel a sua proposta até o ultimo segundo, é a reunião de diversos elementos brilhantes sendo transmitidos através da sincronia de movimentos perfeita, direção magnífica e fotografia intocável.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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