CdA #71 – Capitão Fantástico

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No último episódio do podcast Cronologia do Acaso do ano, Emerson Teixeira e Tiago Messias se reúnem para uma conversa sobre consumismo, paternidade, influência e liberdade, através da obra “Capitão Fantástico”, dirigido por Matt Ross.

Devemos agradecer a todos por nos acompanharem nesse ano e desejamos boas festas, com muita paz e sorrisos. Nos vemos em breve!

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Olhos de mamãe ensinam a crueldade e apatia

The Eyes of My Mother ( The Eyes of My Mother, Estados Unidos, 2016 ) Direção: Nicolas Pesce

★★★★★

É impressionante a sensação mágica que acontece – principalmente para os amantes do cinema obscuro – quando uma obra audiovisual consegue adentrar o espaço do incômodo, mas do que isso, estabelece toda a sua estrutura na invasão de privacidade e mostra, através de uma ótica quase imperceptível, os erros, segredos e psicológico doentio que existe em diversas famílias ao redor do mundo.

Ora, seria terrível terminar um filme como “The Eyes of My Mother” acreditando que os eventos registrados, por mais agressivos e insanos que possam parecer, dialogam com diversos casos reais de abuso psicológico por parte dos pais, abusos físicos e atitudes monstruosas relacionadas diretamente com a vingança.

Em dado momento, um homem que acabara de invadir uma casa e matar um ser humano, confessa para uma menina que o fez pois o assassinato provoca uma sensação brilhante. Ironicamente o filme começa com uma mãe explicando detalhes referentes aos olhos de uma vaca para sua filha, a cabeça do animal permanece sobre uma mesa enquanto há o diálogo trivial – mas não sem propósito – e tal abuso de poder não significa absolutamente nada para ambas.

Dirigido pelo estreante Nicolas Pesce com uma segurança exemplar, “The Eyes of My Mother” acompanha a história de uma família que mora em uma fazenda no interior de Portugal e suas reações nada previsíveis e sãs, após o assassinato da mãe/esposa.

A fotografia é brilhante, usa o preto e branco como uma forma de demonstração da alma dos personagens que, propositalmente, são desenvolvidos de forma flexível; é evidente a despreocupação em analisar toda a história dos personagens, essa é uma decisão que possibilita ao espectador preencher as lacunas com possíveis explicações para psicológicos tão corrompidos. Assim como os eventos partem de uma naturalidade que, por conta do contexto, se tornam horrorosos, o roteiro transmite a sensação de perdidão, como se estivéssemos sendo cúmplices do erro ou até mesmo as próximas vítimas, simplesmente por sabermos a verdade.

Por se tratar de um filme de curta duração – 76 minutos – o longa é inteligente em utilizar alguns artifícios técnicos para transmitir a ideia de forma direta, otimizando o tempo e direcionando o olhar para os pontos que realmente demonstram evoluções na narrativa: no primeiro ato a câmera na mão define que os eventos terríveis que acontecem desencadearão uma sequência de atitudes absurdas relacionadas à vingança; no segundo e terceiro ato a fotografia ressalta o isolamento da protagonista Francisca – interpretada maravilhosamente bem pela Kika Magalhaes – como, por exemplo, no momento que existe um plano aberto que preocupa-se nitidamente em reforçar a grandiosidade de uma floresta, em comparação com a personagem que, consumida pelo local, é invisível aos olhos da sociedade.

Kika Magalhaes dá a sua personagem uma carga emocional grande, mesmo que saia por vezes da atmosfera criada pela obra por conta de alguns exageros, volta sempre com muita elegância e se adapta rapidamente por conta da intensidade do seu olhar, sempre fixo e distante, mesmo nos possíveis momentos de afeto.

Ainda sobre a fotografia – que poderia ser dissecada por horas – é válido ressaltar os diversos trabalhos com a luz que, por diversas vezes, criam silhuetas, reforçando a ideia de que os personagens são sombras da normalidade, ocultando segredos e se mantendo à margem da sociedade. Outros momentos a janela é utilizada, em primeiro plano, como uma forma de barreira para com o mundo exterior – não coincidentemente suas divisões formam uma cruz invertida, símbolo que remete, dentre tantas coisas, à maldade.

O longa percorre a crueldade e incomoda com diversas cenas que, por serem tratadas de forma crua, outras vezes com cortes abruptos, instigam à imaginação e, principalmente, provocam o choque com tamanha realidade. Em uma cena, Francisca ainda criança após um ato de violência extrema que impedirá o assassino de sua mãe de falar, retorna aos braços do seu alienado pai e fala: “ele não vai mais falar… Te amo papai”, enquanto ouve como resposta o silêncio. Ou seja, o seu pai também não fala, como se todas as terríveis atitudes mostradas ao longo, remetessem não só as vítimas como aos abusadores, a família sofre da maldição da solidão, sem ternura, sem propósito, os olhos da mamãe ensinam apenas a crueldade e apatia.

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CdA #70 – Leve-me ao rio de segredos

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Emerson Teixeira Tiago Messias se reúnem novamente para encontrar os segredos familiares escondidos no rio. Nesse novo episódio do formato [Moscas] analisamos o filme “Take Me to the River” ( 2015 ) dirigido pelo Matt Sobel e que teve a sua estréia em Sundance.

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Capitão Fantástico, 2016

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★★★★★

É raro quando um filme consegue ser poderoso em todos os pequenos detalhes do seu desenvolvimento. Partindo de um núcleo familiar, “Capitão Fantástico” trabalha com a filosofia de modo a criar camadas no que diz respeito à crítica ao consumismo, padrão de vida imposto pela sociedade e relação dos pais para com seus filhos.

O diretor Matt Ross, que assina também o roteiro, parece ter uma ligação profunda com a história, transparecendo carinho com a sua criação e, como consequência, encanta em todos os aspectos. O estilo de vida hippie é visto, por diversas pessoas, como uma forma de protesto ou até mesmo coragem, de fato existe uma ligação direta com o desprendimento.

No filme, acompanhamos a história de uma família. Seis crianças – todas com nomes diferentes, criados por seus pais, de forma a serem únicos nesse mundo – são criados pelo seu pai Ben ( Viggo Mortensen ) em uma floresta. Eles aprendem a caçar, tocam música em volta da fogueira e, se não bastasse, são orientados a ler os mais diversos livros, desde clássicos até teóricos, montando assim uma estrutura organizada e livre, onde a família atinge um patamar elevadíssimo de cumplicidade e vínculo com a terra.

O filme começa com Bodevan ( George MacKay ), o irmão mais velho, caçando um veado. Depois de conseguir tal feito, aparecem os demais personagens que, por sua vez, esperam pelo movimento do pai que destaca que o seu filho acabara de evoluir: menino para homem. Ben mantêm uma relação extremamente dedicada e sensível com os seus filhos, apesar de, no início, soar estranho eles morarem na floresta, aos poucos essa decisão vai sendo desmistificada, até culminar na total identificação com a angústia do pai, que se vê perdido entre as suas próprias crenças e a exposição dos filhos ao perigo.

Ainda sobre a relação de todos, é curioso notar que o pai se preocupa em sempre dizer a verdade para os seus filhos, qualquer pergunta que eles façam. Se mostrando flexível e passional constantemente, sem amarras. É um estilo de vida que, infelizmente, quando associado com a realidade, percebemos que beira o utópico, quando deveria ser o natural. Na família do filme, todos os filhos são preparados para enfrentar a verdade e, por consequência da enorme informação, são proibidos de dar opiniões banais como “interessante“, “legal” etc – em dado momento uma das filhas é pressionada a explicar o porquê do choque ao ler o livro “Lolita”.

É de uma profundidade essa questão, pois é evidente que as pessoas não conseguem atingir um grau de opinião que se desprenda do resumo das coisas, seja um livro ou a sinopse de um filme. A opinião não é basear-se em outrem, mesmo que seja o autor, é utilizar a sua criação como ponto de partida para uma discussão. Contrariar uma escolha não é apenas falar, mas apresentar argumentos. E isso é dito quando, após um dos filhos, comovido pela morte da sua mãe, se revolta com o pai pelo fato de eles não comemorarem o natal como todos.

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Hoje, mais do que nunca, as famílias se isolam. Ninguém se olha, todos no seu canto, fazendo as suas coisas, por isso é emocionante a forma que essa questão é desenvolvida no longa; logo no início, quando ainda estamos acompanhando a rotina da família, percebemos que todos estão olhando para o mesmo ponto, sorrindo pelo mesmo motivo, algo que deveria ser frequente, mas é tão difícil alcançar hoje que é tão irreal quanto um conto de fadas.

A filosofia está presente, ideias de grandes pensadores – há a citação de Platão, por exemplo – mas tudo de forma sutil, os dilemas e consequências desse estilo de vida acontecem de forma equilibrada, sem nunca cair no exagero. Como a relação deles é movido pelo toque, organização e olhar, por diversas vezes existem diálogos que são construídos através de reflexos, principalmente do pai olhando o retrovisor e vendo os seus filhos nos bancos do ônibus – inclusive as crianças sentam no banco conforme as suas responsabilidades, seja intelectual ou sobrevivência.

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Uma cena que destaco é quando eles vão para a cidade e, as crianças, ao perceberem que a maioria das pessoas são obesas, ficam surpresas, comparando-os com hipopótamos, de novo, uma crítica ao consumismo. Mas o maior contraste parece, mesmo, acontecer quando eles ficam na casa de uma outra família – tento aqui me conter para não dar nenhum spoiler – pois há um choque de realidade, enquanto uma família proíbe que Ben fale a verdade e dê vinhos aos filhos, como se fosse algo monstruoso, eles mesmos deixam seus filhos horas e mais horas no tablet com jogos violentos e vídeo games. Qual é a maneira mais correta de educar os filhos? A mentira e apoio à alienação, ou o desprendimento e toque? Mesmo que seja possível educar da segunda forma, a sociedade só aceita a primeira como normal, rastejando-se bem atrás da ignorância.

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Há críticas à religião, todas elas muito simples, partindo de uma ideia básica de manipulação e é por isso, principalmente, que “Capitão Fantástico” é maravilhoso, pois consegue alinhar uma série de questionamentos com a necessidade de se violar. Os personagens são fortes e diferentes, com traços particulares que fascinam, guiados por uma presença paterna poderosa e humilde, dono de um conhecimento grandioso, mas que sempre está disposto a ouvir os seus filhos, Viggo Mortensen realiza, aqui, o seu melhor trabalho. É o personagem que conecta todos os outros, estabelecendo uma relação direta, chegando a provocar sensações ocultas nos filhos, como raiva e fascínio.

Apresentando uma realidade que poderia, facilmente, ser transcrita como a fiel representação de uma sensação de insatisfação. “Capitão Fantástico” têm como mérito essa manipulação, a critica contra o sistema e a ousadia em destacar, com muita sofisticação, algo que está errado, é uma mensagem direta ao sistema, faz refletir sobre a nossa condição e comodismo perante as diversas facilidades da vida moderna que, aos poucos, vão nos matando.

Existe tantas vírgulas entre o monótono do passar dos minutos, existe tanta vida que desperdiçamos por não olhar para o lado, existe um mundo a ser percorrido e experiências a serem sentidas. No entanto, como prisioneiros de uma condição inerte na avidez, nós tornamo-nos, em doses homeopáticas, sementes de uma árvore tóxica. Direcionados à uma existência medíocre e mesquinha, petrificando o intelecto com uma mídia medíocre, assim os homens de cima nos mandam viver;  “Capitão Fantástico” reduz a evolução do homem em arrogância, perversão à sinceridade e prega que somos, senão apenas tentamos, capitães de um navio infinito de possibilidades, amor e compreensão, transformando-nos em entidades que, constantemente, vão sendo fragmentadas e, em última estância, se transformam em esperança. 

#pazamoreempatia

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The Children, 2008

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★★

Só o fato de um filme usar crianças como vilãs é interessante, existe uma inconfundível certeza de que, se bem trabalhado, a obra poderá provocar o espectador com a sensação de desconforto, afinal, se trata de uma figura inocente e, talvez, uma das últimas que relacionamos quando o assunto é medo, morte, frieza, etc.

Tom Shankland dirige “The Children” com segurança, começando as primeiras cenas com aquelas clássicas reuniões de famílias para a comemoração do natal e, junto com toda essa felicidade, existe uma jovem – no auge da sua independência – reclamando por estar distante dos amigos. Por outro lado não há, na direção e roteiro, ousadia o suficiente para tentar algo diferente, a apresentação e o desenvolvimento só soam interessantes pela própria trama: as crianças dessa família vão, ao longo do tempo, mudando de personalidade até se transformarem em pequenos assassinos e sádicos.

A estrutura da narrativa é bem clichê, mas existe um desconforto real pelas modificações tão bruscas no comportamento das crianças, apesar de que, se por um lado as crianças chamam a atenção e se destacam – Eva Sayer, Raffiella Brooks e William Howes merecem boa parte dos créditos pela verossimilhança no que diz respeito as transformações. Aliás, vou além e afirmo com propriedade que eles merecem, também, os créditos por boa parte da qualidade do longa – os adultos de “The Children” são tão mal resolvidos que chega ao cúmulo de serem infantis. Não adianta trabalhar tanto os vilões ou o mal, quando não existe empatia de quem assiste por aqueles que deveriam sobreviver. O desejo aqui é que os adultos/fantoches morram o mais depressa possível e que as crianças malvadas reinem. Isso poderia até ser interessante, mas visivelmente a proposta era completamente diferente.

Não há nenhuma explicação sobre o porquê dos eventos, isso desencadeia uma série de erros como a velocidade das mortes e os dilemas frágeis que surgem ao longo dos 84 minutos. Ainda que exista duas ou três boas cenas – uma em específico é aterrorizante, mas em nenhum momento inédita -, o filme não possui aquele charme comum em filmes com criancinhas do mal e acaba não conseguindo sustentar a premissa poderosa que cria nas primeiras cenas.

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Olhos de Ressaca – primeiro curta de Petra Costa

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No final desse lindo filme – o primeiro da diretora Petra Costa – acompanhamos com um sorriso no rosto e algumas lágrimas pedindo licença, os créditos finais. Percebemos que o nome da diretora aparece em vários setores como produção, roteiro e montagem; isso provaria, em outra análise, o quanto é difícil fazer cinema independente no Brasil, restando ao artista abraçar todos os pequenos detalhes da sua obra. Mas após “Olhos de Ressaca” essa afirmação é contraditória; a onipresença por parte da realizadora é quase uma devoção exagerada, uma mãe que abraça a sua arte e, por descuido, a devora.

Petra Costa é uma preciosidade que transita por entre a sensibilidade humana, dialogando direta ou indiretamente com a perda e, na maioria das vezes, consegue achar o brilho na ausência pela sua postura crítica e revoltada diante da normalidade. Ela inverte o normal e agride o tempo, consultando-o como um oráculo mas se desviando constantemente das suas obrigações.

Como documentarista, destaco a sua humanidade que, ligado com a sua visão fotográfica, consegue registrar o eterno de pequenos movimentos; o colorido do preto e branco e a vida da morte. Ela ultrapassa a barreira da vida e cria poesia com a sugestão, faz sorrir com a sua montagem e, por fim, nos relembra da importância do equilíbrio.

Esse documentário percorre a vida de dois seres humanos, casados há 60 anos: Gabriel e Vera. Eles falam como se conheceram, a intensidade, passando pela aceitação até culminar no carinho. Talvez o amor seja esse sentimento profundo de querer bem, simplesmente. Quando o fato de ser casado não atinge mais a obrigação e o “dois” se transforma em “um”.

O título do filme faz referência à um trecho do livro “Dom Casmurro“, onde há uma descrição dos olhos de Capitu como sendo “olhos de ressaca”. Àquele olhar que trás tudo para si, contempla o mundo e o devora. O amor é improvável demais, parte de um desencontro, por isso, é uma sincronia perfeita de ilusões.

Em uma cena, Vera está na piscina e começa a tocar “Valsa para a Lua“, do Vítor Araújo. Exatamente no momento em que ela começa a falar da sua mãe, que falecera. Então é questão de segundos para percebemos que Petra não veio ao mundo por acaso, ela tinha que deixar suas emoções e esperar que outros pudessem entender tanto quanto ela. A brevidade da vida não tira a emoção de viver, mas nos dá humildade para o fazer com calma.

Se alguém apontar o dedo para você e te julgar por conhecer pouco da vida, por ser criança… diga, com todo orgulho do mundo: “eu vi a alma de Petra Costa“.

“olhos de cigana oblíqua e dissimulada.” Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas.”

  • Texto sobre o documentário “Elena”: clique aqui.

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Sing Street – entre a descoberta do amor e uma nota musical

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A vida é cheia de alegrias, decepções, reflexões… enfim, um eterno dilema. Complicamos demais as coisas, demoramos demais, quando se possui pouco tempo. Eu cresci, mas ainda me lembro daquele Emerson que deixei em um passado recente, extremamente ansioso, que matava dias de aulas para ficar na rua, conversando, brincando e vivendo.

Eu cresci com a música, o rock’n’roll funcionou como um símbolo de coragem na minha vida, ousei ser eterno através da rebeldia e, como consequência, acredito que a revolta é a única maneira de se conquistar uma evolução, seja pessoal ou social. Uma mudança depende do caos, por isso somos perigosos e frágeis: a linha que separa o homem da sua sanidade e total loucura é muito tênue.

Já ousei fazer, experimentar a vida e os seus prazeres, no mesmo tempo que crescia sendo treinado a ser apático, me envolvi com os sentimentos. Utilizava as palavras para contornar uma dor profunda, queria fugir e pensei em fazê-lo por diversas vezes, o que sempre me impedia era a coragem dos meus ídolos. A arte me deu tudo, mas me tirou tudo por enxergar algo grande demais, tendo conquistado pouco demais.

E, então, me pego pensando, vez ou outra, que me tornei um pouco aquilo que odiava. Mas de todas as dúvidas que me cercam, talvez, a que mais me dói é a pergunta: “por que escrevo?” Então o Emerson dentro do Emerson que está dentro do Emerson responde: “por que essa é a sua maldição“.

Lembro-me que morava em uma cidade e estudava em outra; nesse trajeto escutava todos os álbuns possíveis do Johnny Cash, então eu via na sua imagem, voz e no seu comportamento rebelde, uma porta para a identificação. A música funcionou para mim como uma ilusão, contextualizando-me na simplicidade de que as coisas são. Por algum motivo sempre rejeitei essa hipótese, criava muito em cima de pouco e transformava o simples em algo impenetrável, descomedido.

Se eu posso citar algo terrível de mim, é justamente a minha mania de ser, sentir, fazer e observar o meu redor de maneira muito intensa. Mas volto a pergunta: por que estou escrevendo tudo isso para abordar, a seguir, um filme? Talvez não aja explicação, mas sigo buscando de todas as formas me encontrar em cada palavra, em cada filme e em cada música. Como uma forma de enxergar algo que, no momento, não alcanço, conhecer um lugar improvável, amores e momentos.

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Eu poderia ser tradicional e classificar “Sing Street” como um filme excelente, com uma direção segura – por conta da maravilhosa utilização das músicas, de forma a obrigar ao roteiro uma evolução a cada minuto – mas não estou seguro de que seja isso que o diretor John Carney queria que avaliássemos com a sua mais recente obra. Não! Fico pensando que ele é como eu, um menino que cresceu ouvido música dos anos 80 e sem medo de se propagar como um apaixonado, portanto, peço licença pois sei que a sua intenção é fazer-nos enxergar as possibilidades da nossa vida, através da inocência de uma banda jovem, uma musa inspiradora, um líder apelidado, pelo seu amor, de “cosmo” e um irmão mais velho que, assim como eu, tentou de todas maneiras mas cansou, então dedica-se em observar e compartilhar.

O protagonista, Connor, pensa em montar uma banda para conquistar uma menina. Com o passar do tempo ela lhe sugere o nome artístico “Cosmo”, ou seja, o universo em sua totalidade.

Connor começa o filme cantando e, ao ouvir a discussão dos seus pais, mescla a letra da canção com o que ele ouve dos dois adultos. Depois a sua vida começa a ser inundada por regras e, só então, a partir de um romance platônico, ele resolve enfrentar a revolução e mudar. Influências musicais são constantes, para os amantes da boa música, o filme é um deleite. Parece que a própria montagem se intercala com as canções e citações, no mesmo tempo que a recriação dos anos 80 é simplesmente fantástica, dialogando com a nostalgia, podemos classificar “Sing Street” como um milagre audiovisual que têm, como maior pretensão, provocar o espectador com a sua despreocupação.

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O irmão Brendan – interpretado brilhantemente pelo Jack Reynor – é o personagem que mais me chama a atenção, pois ele transita por entre o passado, presente e futuro, é o motivo do meu desabafo no início desse artigo. Me identifico com ele, abro o meu coração, pois tenho uma irmã menor e nossa relação também é construída através da arte, sinceridade e despretensiosidade.

Em uma cena de confissão, Connor desabafa para o seu irmão sobre o seu interesse romântico. Ele afirma, docemente, que “às vezes gostaria de olhar para ela e chorar“. É de uma preciosidade quando um artista consegue, em uma frase, captar a tal da ansiedade proposta acima, consegue captar tamanha verdade a ponto de assustar.

Então, quando me pergunto por que escrevo, sempre me surgem oportunidades como essa, em que eu posso relembrar o quanto é importante, para mim, a arte e como me sinto completo estende-la.

Com carinho,
Emerson T.

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Quando Todd Haynes decide falar sobre a anorexia

Superstar: The Karen Carpenter Story, 1988

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★★★★★

Os mais jovens conheceram o diretor Todd Haynes apenas esse ano, com o sucesso de “Carol”. Mas o que poucos sabem é que ele tem uma carreira repleta de polêmicas, filmes que tendem a chocar o público comum. Como é o caso de “Superstar: The Karen Carpenter Story” – o único filme do diretor que não pode ser comercializado.

Muito bem, Haynes decidiu fazer uma cinebiografia de uma cantora chamada Karen Carpenter ( abre parenteses ) que fez muito sucesso nos anos 70 ao lado do seu irmão, Richard, onde formavam uma dupla conhecida como Carpenters. O que é preciso dizer sobre a dupla é que é excelente. Indico procurarem no Spotify, principalmente um álbum chamado “Close to You“.

O fim dos anos 60 e 70, como todos sabem, foi um momento de revolução por parte do jovem que se via muito representado por grandes nomes do rock. O lema “paz e amor” nunca foi tão grandioso e isso afetou, de diversas maneiras, o governo norte-americano que se via diante de um monstro extremamente poderoso. Os Carpenters, então, com suas músicas doces e românticas, representavam o outro lado dos jovens, calmos e comportadinhos. Isso foi muito importante na década de 70, como um sinônimo de representatividade não só das pessoas como do país – não à toa a dupla foi convidada para cantar na casa branca, no qual Nixon chegou a dizer que eles “simbolizavam o melhor dos jovens norte-americanos”.

Mas essa responsabilidade de “bom moço” era muito pesada, principalmente para a Karen que, depois de algumas críticas sobre o seu peso, começou a sofrer distúrbios alimentares, culminando em uma anorexia. Ela fica viciada em remédios e veio a falecer precocemente, com apenas 32 anos de idade. ( fecha parenteses ).

Todd Haynes contou a história de Karen em um média-metragem, analisando as possíveis causas da sua morte, que estavam diretamente relacionadas a pressão da mídia e dos familiares pela sua imagem perfeita.

Mas não paramos as curiosidades por ai: o que mais chama a atenção no primeiro filme de Haynes é que ele não utilizou imagens reais da cantora ou família, mas sim bonequinhas Barbies e Kens. Ele se utilizou dessas bonecas que são mundialmente conhecidas como símbolos de “perfeição física”, para discutir sobre a anorexia e o papel maléfico da mídia em impor um padrão de beleza, principalmente para as mulheres.

Com o sucesso do média-metragem em pequenos festivais de cinema, a família da cantora processou o diretor, obrigando-o a retirar qualquer cópia de circuito. Restando-nos conhecer essa maravilhosa obra através do download. Portanto, ao assistir, caros leitores, saibam que a qualidade é bem baixa, por ser derivado de cópias sobreviventes, mas isso de forma alguma atrapalha a experiência estarrecedora.

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A filmagem amadora afasta muitas pessoas, mas também hipnotiza os ousados por conta da identificação. A ideia de utilizar bonequinhos como atores de uma história catastrófica é profundamente mórbido, o que começa como inovador vai se tornando assustador.

O tema abordado é cruel e atemporal, o média-metragem foi lançado em 1988 e a discussão/perigos continuam o mesmo. Se pegarmos como exemplo o cinema, percebemos uma diferença gritante no que se refere o processo de envelhecimento das atrizes e atores: percebemos que os atores podem envelhecer e continuarão recendo papeis, enquanto as atrizes precisam fazer inúmeras plásticas para não entrarem em um redoma onde todos os papeis que farão, a seguir, será relacionado com dona de casa ou alguma vovó.

O homem envelhecendo é sinônimo de charme, a mulher, por outro lado, é sinônimo de derrota. Pessoalmente, não vejo outra forma de criticar essa postura sem creditar boa parte da culpa na mídia, que explora o corpo da mulher, transformando-a em produto e ignorando as suas capacidades. Mulher não é fantoche para se colocar em uma vitrine.

Karen Carpenter fora usada pelo irmão e ignorada pela família que, inconscientemente ou não, se preocupavam apenas com a parte física da cantora e não com o psicológico. De fato, Todd Haynes consegue estabelecer essas reflexões de forma densa e inteligente, criando uma mise-en-scène dar inveja em muitos diretores que, com todo o recurso do mundo, não conseguem levar qualidade para as boas ideias.

Esse filme é importante não apenas pela sua realização ousada, mas pelos temas que aborda de forma tão impactante. O diretor, para retratar o emagrecimento extremo da cantora com a sua Barbie, fatiou a boneca com uma faca, isso traz uma sensação cruel e verdadeira; milhares de jovens passam por esse problema diariamente e, se podemos tirar algo bom da triste história da Karen Carpenter, é essa alerta à família: é preciso dar atenção aos jovens, eles se sentem muito pressionados, principalmente as meninas e essa atenção, de maneira nenhuma, é limitar a sua ânsia por experiências ou liberdade, mas guiar indiretamente e ouvir, apenas ouvir.

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Mãe Só Há Uma, 2016

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★★★★

Leia a crítica sobre “Que Horas ela Volta?” clicando aqui.

Mesmo que a sensação, após terminar de assistir “Mãe Só Há Uma”, novo filme da excelente diretora Anna Muylaert, seja um pouco vazia, principalmente se analisarmos a capacidade da diretora e a qualidade de suas outras obras, é questão de tempo para percebermos que o ritmo lento, a narrativa, por vezes, desconectada, é uma simulação das emoções de um jovem que, se não bastasse ter descoberto que a sua mãe o roubara na maternidade, ainda têm que lidar com a transexualidade. A partir dessa releitura sobre o próprio processo, fica evidente o poder da história que a diretora desenvolve, seja pela reflexão sobre o que é ser mãe ou o vazio do jovem diante à um mundo cercado de regras.

Ora, pois o conceito de família é muito simples, não é mesmo? Família é aquela que está junto, o amor é cultivado com o tempo, não parte de uma condição intrínseca. Uma mãe não estabelece uma relação afetuosa com o seu filho apenas por emprestar o seu DNA; existe o mistério de parir e o milagre de criar.

O título nos revela que só há uma mãe, qual delas, me pergunto. E é polêmico, imaginem só se, por acaso, a verdadeira mãe é aquela que roubou o seu filho? Então a sua condição provém de um pecado mortal: tirar a possibilidade de uma mulher de amar a sua criação.

Não à toa, a primeira cena que mostra uma mãe – independente de qual seja – é através dos seus movimentos pela casa. Em planos detalhes direcionados à pequenos objetos, conhecemos a ação antes da imagem. Pois, compreenderemos a seguir, que a imagem é uma mentira, a verdade mora apenas no coração do protagonista Pierre.

Pierre, com as suas unhas perfeitamente pintadas, é um observador. Naomi Nero compõe o seu personagem com uma naturalidade assustadora, que, por vezes, transcende a própria atuação. Sempre cabisbaixo, falando arrastado, quase sussurrando, fazendo jus aos diálogos sempre diretos. A intenção é exibir-se como uma marionete da vida, sendo empurrado de todos os lados enquanto ele próprio não têm a oportunidade de dizer o que quer, claro, porque o mundo dos adultos é burocrático.

A fuga de Pierre é ser mulher, colocar vestidos, mudar de personalidade. Essa atitude pode soar repentina e desconectada de toda a trama, porém me vem a cabeça que o próprio personagem é. Como a diretora poderia desenvolver essa sub-trama se ela é pessoal, íntima, de um jovem cuja emoções são ignoradas pelos próprios personagens? Portanto, os espectadores acompanham distantemente essa opção do Pierre, é uma decisão artística consciente e oportuna.

A direção de arte é muito boa, o espaço das casas que Pierre percorre ajuda-nos a compreender a sua opinião. Por exemplo, umas das casas é mais apertada e bagunçada, a outra mãe, aparentemente, tem mais condições e mora em uma casa espaçosa. Pierre, ao entrar no seu novo quarto, não arruma imediatamente as suas coisas, como uma subversão do próprio local, colocando a característica que ele está habituado: uma pequena desordem. O figurino também é muito importante, com usos maravilhosos do vermelho e o posicionamento do protagonista nas cenas sempre é incômodo, apertado ou displicente.

A cena final isenta o Pierre de preocupações. No mesmo tempo que estabelece uma singela conexão com o seu novo irmão, como se fosse uma compreensão mútua. Pois, novamente, as crianças não entendem o porquê de tamanha preocupação. A praticidade toma conta das atitudes. A conclusão é de arrepiar, tamanha profundidade; Anna Muylaert volta aos seus temas recorrentes, mas de forma diferente e, por isso, merece toda a atenção do mundo.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Dabbe: Bir cin vakasi e o cinema de terror turco

Dabbe: Bir cin vakasi

★★★

Depois do sucesso de “Atividade Paranormal”, bastou pouco tempo para o formato de gravações em diversas casas ao redor do mundo se tornasse uma ferramenta exaustivamente utilizada. Teve filme desse formato no Japão, Espanha e outros diversos países, mesmo que por algumas cenas. É o caso de “Dabbe: Bir cin vakasi”, um filme da Turquia, dirigido pelo Hasan Karacadag, que é um dos grandes nomes do terror por lá.

Se pegarmos a história do cinema turco, veremos que nas décadas de 70-80-90 houveram muitas adaptações clássicas de filmes hollywoodianos, como por exemplo uma versão horrível de Rambo, chamada “Korkusuz”.

Korkusuz, 1986

Korkusuz, 1986

Mas o gênero terror foi muito pouco explorado, talvez por uma questão meramente social e de interesse econômico. No entanto, as coisas começaram a mudar com o aparecimento de um diretor chamado Hasan Karacadag. Ele estudou cinema no Japão, se aprimorou no que diz respeito a linguagem cinematográfica e lançou, em 2005, com apenas 28 anos, um filme chamado “Dabbe”. Esse filme revolucionou a Turquia, as pessoas começaram a acreditar no seu cinema de horror. A obra, mesmo sendo fortemente influenciada pelo cinema americano e, principalmente, o japonês, apresentava conceitos interessantes e contextualizava o medo com a cultura da Turquia. Por exemplo, a demonologia islâmica sendo trabalhada para provocar o medo, foi um atrativo importante para o mundo.

“Dabbe” mescla o paranormal, com ondas de suicídios sem explicações. É muito interessante para quem gosta de adentrar em culturas diferentes, principalmente quando o medo é a porta de entrada para esse estranhamento.

Hasan Karacadag, sendo inspirado fortemente pelo Stephen King, se interessando pelo misticismo desde criança e apaixonado pela forma que o cinema de terror japonês conduz o medo, realizou diversos outros trabalhos na Turquia e ganhou fama por lá. Sendo sinônimo de sucesso, quando falamos de cinema de terror turco.

Bebendo da fonte do cinema americano, novamente, chegamos em 2012 com o filme “Dabbe: Bir cin vakasi”, onde o diretor utiliza ao seu favor o famoso mockumentary, ou documentários falsos. Onde um ou vários personagens registram os seus passos afim de se protegerem ou buscar explicações para algum fato estranho.

O filme começa com uma suposta gravação real, de um caso de uma mulher que sofria com o sonambulismo mas que, aos poucos, foi-se descobrindo que o problema era muito mais do que isso. Somos apresentado à uma família e o estilo de filmagem já está preparado, a apresentação é feita de forma direta e até agressiva, pois coisas estranhas já estão acontecendo.

Passado alguns clichês como coisas caindo, luzes apagando, pessoas levitando etc. Há uma segunda parte onde o motivo dos casos sobrenaturais vão sendo explicados, é nesse momento que o filme parece funcionar realmente: pois sabemos que se trata de um caso de magia negra, que envolve demônios e alguns conceitos bem diferentes, como uma cena em que um dos personagens invade uma casa abandonada, e se depara com inúmeros objetos amaldiçoados, como espelhos e bonecos de vodoo.

Apesar dos efeitos bem simples e de algumas atuações forçadas, “Dabbe: Bir cin vakasi” é um filme com uma estrutura bem diferenciada e, apesar de beber da fonte do “Atividade Paranormal”, consegue ser melhor que todos os filmes da série ao redor do mundo.

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