Reflexões sobre o machismo

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Antes de mais nada, esse texto terá duas partes: a primeira é um verdadeiro desabafo sobre o machismo e a situação atual das mulheres que, infelizmente, ainda são tratadas com desigualdade. A segunda é uma pequena lista, comparada a infinidade de filmes que existem, de obras que apresentam uma personagem feminina forte, mas que não necessariamente aborda a desigualdade, e merece ser visto.

Por muito tempo eu me considerei uma pessoa pessimista. Com o passar do tempo a gente vai aprendendo que existe uma tenuidade no que diz respeito a definições, principalmente quando são direcionadas a sua própria pessoa. Sendo assim, hoje me entendo mais como realista.

Como realista, percebo que apesar da mulher estar conseguindo ser cada vez mais livre – para fazer o que quer ou lutar por mais igualdade – ela ainda é tratada com inferioridade por muitos homens. Existe uma perigosa separação no trabalho, na escola, em questões de opção sexual ou os próprios gostos.

Há algum tempo saiu uma pesquisa onde 65% dos entrevistados concordavam que a mulher que veste roupas curtas merece uma “punição”. Aterrorizando os próprios pesquisadores. Esse machismo só pode ser consequência da ignorância, o que de forma alguma justifica o resultado. Parece que a cada dia nos tornamos mais primitivos, com a facilidade de dar opinião, atualmente, tem muita gente espalhando o ódio e desigualdade, o que é plenamente normal, o problema é quando tem um ser humano/marionete do outro lado recebendo aquela informação e pendurando na parede.

A mulher sempre foi colocada de lado, na minha família sempre percebi e ainda percebo um machismo descomunal, desde o tratamento até expectativas. Talvez por ser do interior mas, novamente, nada justifica. Cresci com alguns ensinamentos, passado por avós, que era preciso casar e sustentar uma mulher. No mesmo tempo que observei algumas mulheres ao meu redor sendo oprimidas com a ideia do “arrume alguém que te sustente”, o pior disso é que eu tenho consciência que não existe só aqui, é em todo lugar. Eu sempre brinco que nascer mulher é a mesma coisa que pegar o crachá para ser super herói.

Eu, Emerson Teixeira, fico indignado quando alguém tenta privar a mulher de se vestir do jeito que ela quer. Poxa, eu ando como quero, saio com quem quero, por vezes – e são muitas! – falo o que quero, não sou perfeito, passo muitas horas do meu dia errando, mas minha mente está limpa pois desejo igualdade, me sinto igual e trato todos dessa forma.

Eu, Emerson Teixeira, tenho orgulho de mim por conseguir elogiar uma mulher ou um homem, ser sincero, brincar, sem, necessariamente, estar interessado sexualmente por ela. Por isso, homens, sejam cordiais, sejam cavalheiros, tratem bem todos a sua volta – sem querer nada em troca – inclusive as mulheres. Elas podem e devem ser iguais, ter os mesmos direitos, não ouvir piada enquanto dirige, não receber cantadas e insinuações tendenciosas a cada segundo enquanto anda na rua, não ser tratada como objeto.

Homem, se você fosse homem, estaria medindo menos o pênis e mudando as suas atitudes. Não adianta falar, quando na roda de amigos a conversa é machista, não adianta abaixar a cabeça se, quando chega em casa, cobra que tudo esteja perfeito só para descansar o seu bumbum.

O machismo está enraizado, vem do passado, mas estamos caminhando para um mundo que exige cada vez mais compreensão. Aliás, esse mesmo mundo já é tão difícil, já exige tanto: a melhor aparência, melhor emprego, melhor sorriso, melhor amor etc, para ficarmos tornando a desigualdade um ciclo vicioso e preocupar uma mulher por estar a noite, sozinha, andando na rua.

Eu fui criado por mulheres, trabalho os resquícios de machismo que me foi passado todos os dia, repito, não me considero bondoso, não estou expondo a minha opinião para receber nada em troca, já fiz muita coisa errada mas, todas as vezes que envolvia alguém, eu sempre tive a iniciativa de pedir desculpas e não fazer mais. (In)Felizmente eu nasci homem, assisto filmes pornos, transo até gozar – pois tem uma mulher se dedicando a me dar prazer -, dirijo bem – mesmo que ainda não dirija -, ando de short curto e não tenho medo de ser estuprado, as pessoas não se surpreende se eu contar que sou bem sucedido, eu ando sozinho pelas ruas e ninguém me incomoda.

Porém, (In)Felizmente não me contendo por somente nós estarmos bem e enquanto eu puder, buscarei acabar com essa ignorância. No mesmo tempo que sou pessimista/realista e sei que é complicado pensar, em um mundo onde todos falam e poucos, de fato, estão fazendo algo.

Deus é uma mulher.

Lista ( tentei fugir um pouco do óbvio mas, inevitavelmente, recorri a ele )

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Divertida Mente, 2015

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★★★★★

Fui assistir o mais recente da Pixar na última terça-feira ( 16/06/2015 ) em uma sessão especial, quatro dias antes do lançamento e, ainda mais, com uma participação de vinte minuto do diretor Pete Docter e o produtor Jonas Rivera apresentando o estúdio da Pixar e falando um pouco do filme que seria apresentado em seguida e, até mesmo, outros esperados como “O Bom Dinossauro” e “Toy Story 4”.

Então começo afirmando que esse dia foi extremamente especial para mim, me emocionei com os comentários dos realizadores, adorei o curta “Lava” e, não a toa, assisti uma obra genial. O melhor filme da Pixar e uma das maiores animações da história do cinema.

Pessoalmente eu me dedico muito a ouvir as pessoas, no ambiente de trabalho, seja nas escolas nas quais dou aula, ou até mesmo trabalho com fotografia, sempre me dedico a nunca ficar preso na minha própria opinião. Poderia estar passando uma falta de confiança em mim mesmo, mas é muito pelo contrário.

Sou daqueles que acredita que, para algo acontecer, é preciso sentir opiniões diferentes da sua. Uma empresa que se fecha na produção rápida, seja de ideias ou produtos, está fadada a chatice. Portanto, me pego pensando o quão importante é dar valor a sensibilidade para uma obra ser criada, independente do que a pessoa faça. Seja construir uma casa, fazer café, trabalhar em escritório ou criar um filme, é muito confortável saber que há várias pessoas dialogando com respeito e carinho em prol à um único objetivo.

Mas qual será o motivo que estou escrevendo isso? Respondo, simples: Pixar. Eu daria tudo para trabalhar na Pixar, pois ela dá voz à todos. Um dos “chefes”, hoje, é o querido e carinhoso John Lasseter que, com toda simplicidade, dá continuidade a essência dessa fábrica de sonhos. O coração que existe ali, a cumplicidade entre todos os empregados, ou melhor, artistas – e não estou falando apenas daqueles que trabalham diretamente com o audiovisual, mas sim de todos, inclusive os guardas, pessoas que cuidam da limpeza etc – parece que tudo é uma orquestra de dedicação as emoções de cada um. Valorizando a alegria de outrem para, enfim, contribuírem, juntos, para formação de infinitos sorrisos de eternas crianças nas salas de cinema de todo o mundo.

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“Divertida Mente” é mais complexo que “A Origem” e, no mesmo tempo, incrivelmente simples. A simplicidade se encontra na mensagem. Nunca em outra animação da empresa, que com o tempo se tornou especialista em lidar com o inimaginável e, ainda assim, extrair o amor, eles tiveram tanta facilidade em falar sobre o ser humano, no seu mais particular estado de confusão.

Podemos analisar essa diferença de forma bem prévia, enquanto muitos filmes anteriores do estúdio tem como protagonistas insetos, brinquedos, robôs, idosos etc, em “Divertida Mente” só há uma menina. Ela é o âmago dos conflitos familiares que existe e, sem sombra de dúvidas, faz parte de toda a estrutura genial, composta com muito talento e cuidado por Pete Docter, diretor que fez roteiros diferentes, começando com “Monstros S.A.”, “Up – Altas Aventuras” e, no mais recente, parece que chega ao seu ápice, pois já se revela distante das crianças. O que de forma alguma é prejudicial, mas há apenas uma camada divertida, as demais são extremamente profundas e filosóficas.

O filme é um registro de uma metamorfose, mais precisamente, acompanha a adorável Riley, desde o seu nascimento, até a fase da pré-adolescência. O fato é que somos apresentados a ela e suas emoções – que aqui são personagens -, ou seja, a alegria, o medo, a raiva, nojo e tristeza são os “diretores” ou “maestros” que regem a garota, isso porque os vemos dentro do seu cérebro. Além disso, o espectador – por entre sorrisos e choros copiosos – percorrem o labirinto indecifrável da mente humana, com respostas maravilhosas e carinhosas sobre a criação de sonhos, amigos imaginários, esquecimento etc.

Na minha adolescência eu me mudei bastante de cidade, parece que me fixar em um lugar era um luxo impossível para mim. Demorou muito tempo, muitos conflitos, para eu entender que nem tudo é como a gente quer. Aliás, demorou mais ainda para perceber que, por mais que nosso passado e lugar pareça incrível, mesmo que voltemos mais tarde, nunca será como foi, porque nunca continuamos os mesmos. Tem que haver uma separação entre a saudade de um tempo e de um lugar, são duas coisas diferentes que andam muito próximas.

A mudança representa aqui um baldrame para toda uma estrutura de reflexão; principalmente acerca da composição da nossa personalidade. Cada momento vivido, cada etapa, nos deixa mais fortes para, enfim, continuarmos, independente de como e onde.

Dificilmente uma animação mexeu de forma tão particular com algo que estava guardado em meu coração. Uma linguagem complicada, decifrando, talvez, o maior enigma de todos. Mas mesmo assim, como é delicioso acompanhar esses e outros dilemas com personagens tão fofos, que remetem a nossa infância, a nossa inocência. O “era uma vez” nunca esteve tão vivo, é com orgulho imenso que pude assistir, enfim, a realidade sendo transformada em uma animação. De fato, estamos diante de uma obra poderosa, que faz pensar, organizar, respirar fundo, chorar[…]

Eu, que tanto teimo louvar a tristeza, me identifiquei de imediato com a personagem meiga que a representa, ainda mais, pude observar a contemplação da mesma. Seria incômodo para muitos, talvez, o isolamento da alegria, como comandante das emoções ou líder, sem nem ao menos uma interferência da tristeza que soa, durante todo o filme, como realista. No final temos uma oportuna mensagem, de que, às vezes, a luz acende nos piores momentos.

Ledo engano, as emoções, em “Divertida Mente” operam/trabalham como os seus realizadores, como a Pixar, cada um contribui com o seu melhor, com a sua maior verdade. Com carinho e dedicação a gente chega longe, pode demorar, mas chega.

E, assim, a Pixar retorna com tudo, vai ganhar o Oscar e pode competir como melhor filme. Eu fico ainda mais encantado e perdido com a hipótese de ser criança eternamente e me deixar levar pela empolgação. No final da sessão, depois de chorar durante quase todo o filme, pude ainda em uma sala vazia, ser o único a bater palmas. Talvez seja uma das minhas emoções me dizendo que deveria expressar-me com o mínimo do mínimo: um sorriso.

Beijo no coração!

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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