Frequência Fantasma – Indicações Netflix – #1

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Seja bem vindo você, ser vivo (ou não), a mais um episódio da sua rádio quinzenal dedicada a filmes de terror, suspense e derivados. Quem nunca quis ver um filminho na Netflix no fim de semana, ficou um tempão procurando e não achou nada interessante para assistir? No episódio de hoje, Sergio Junior e Pamela, começam uma série de 5 episódios (a princípio) onde indicaremos filmes de terror e seus derivados que estão no catálogo da Netflix. Será um formato diferente e por isso é muito importante que você deixe sua opinião aqui nos comentários nos dizendo se gostou desse serviço de utilidade pública que iremos fazer para os amantes da sétima arte sangrenta.

Envie seu material ou sugestões para o e-mail: frequenciafantasma@cronologiadoacaso.com.br

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Arte de Capa: Raphael Cravo – Site: http://www.cravo.ink

Filmes citados no episódio:

El bar (O Bar) : https://www.youtube.com/watch?v=PTazqyeYg3Y

Invasão Zumbi: https://www.youtube.com/watch?v=7n5zdZCLW1w

Hush – A morte ouve: https://www.youtube.com/watch?v=ozO_1RARiyU

The Babysitter (A Babá): https://www.youtube.com/watch?v=HnEmDdQZ1ow

Sergio Junior

Sergio Junior

Um mero amante do cinema de terror que sonha em compartilhar e trocar experiências relacionadas a esse gênero com todos.

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Não Quero Ser Um Homem, 1918

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Essa é uma obra de comédia, muda, feita na Alemanha e lançado em 1918 e deve ser o primeiro filme feminista da história do cinema – isso levando em conta que quatro anos depois teríamos o ótimo “La Souriante Madame Beudet” que, em muitas listas, é creditado como o primeiro.

A ideia é bem básica e o humor está presente em cada minuto do filme. Gira em torno de uma menina rica que se sente incomodada com a sua vida e, através da rebeldia, expressa o seu desconforto. A menina fuma, bagunça, fala o que pensa, entre outras coisas, até que decide se vestir de homem e viver uma noite como tal.

O filme foi dirigido pelo Ernst Lubitsch, um importante diretor e roteirista dos primórdios do cinema alemão, e aqui ele ousa bastante, levanta algumas reflexões referentes a esteriótipos de gêneros e o faz em plena censura rigorosa. É de se destacar, com isso, a atuação da Ossi Oswalda que precisa, com todas as limitações técnicas da época, se reinventar e interpretar dois papeis, carregando todos os seus dilemas e preocupações.

Em um tom bem despreocupado, somos apresentados a protagonista da melhor forma possível: a menina está fumando, a governanta a repreende achando um absurdo uma mulher fumar e, depois, ela mesma fuma. Se não bastasse, há alguns momentos que existe clara mensagem de que a vida do homem é mais fácil, pois existe um encantamento e respeito muito maior.

Há diversas cenas que envelheceram na sua ideia, principalmente no que diz respeito ao cavalheirismo, mas como o cinema é um reflexo do seu tempo, isso jamais poderia se transformar em algo ruim, pelo contrário, só pontua as diferenças e semelhanças com o nosso tempo. Nesse caso, é triste perceber que existe muitas diferenças de tratamento com homem e mulher, seja no trabalho, faculdade etc, no entanto, é emocionante ver que há quase cem anos um diretor trabalhava o humor como forma de crítica social e para transmitir uma mensagem atemporal: não existe melhor, nem pior; fácil ou mais difícil – e, se existe mais dificuldade, é culpa do nosso egoísmo – somos todos seres humanos, independente se homens ou mulheres.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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It Can Pass Through the Wall, 2014

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★★★

Esse é um curta-metragem romeno, simples, que acompanha alguns minutos da vida de um avô e sua neta. Ele joga gamão com um amigo enquanto conversa sobre um moço no seu apartamento que se suicidou há pouco tempo, enquanto isso tenta colocar a sua neta para dormir mas a garotinha, escutando o assunto dos adultos, fica com muito medo e não consegue ficar sozinha no quarto.

É um filme gracioso, usa a comédia de forma bem direta o que, por sinal, se relaciona bem com a narrativa simplista. A história é básica, porém brilhantemente sustentada pelo carisma da atriz mirim que se encontra com medo das histórias do seu avô – algo extremamente natural, afinal, a despreocupação dos diálogos dos adultos sobre a paranormalidade perto da criança é muito grande.

A câmera é, na maioria das vezes, estática, acompanha o quarto escuro que a menina está e, em off, ouvimos o assunto dos adultos, então existe os dois lados, sendo que um é “protegido” e o outro não – isso reflete na própria iluminação.

Apesar de ter apenas dezessete minutos, é trabalhado de forma divertida o medo, posicionando-nos, indiretamente, na imaginação de uma criança.

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Swiss Army Man, 2016

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O cinema é um poço de reinvenções e maravilhas ocultas, criação dos sentimentos mais profundos de um homem que, perdido em seu devaneio, inventa a sua própria imortalidade e sopra-lhe um instante de vida.

Assim, defino, o ato de se fazer cinema. Doar-se ao projeto audiovisual que, por consequência, registra os anseios e angústias de um outro alguém. É essa profundidade que os diretores Daniel Kwan e Daniel Scheinert tocaram o meu coração; aquela vontade extrema de cuspir palavras, mesmo quando, no seu interior, você saiba que nada será capaz de definir o que sente.

Swiss Army Man” conta a história de Hank ( Paul Dano ) que está perdido em uma ilha. Sem encontrar maneiras de fugir, ele se encontra extremamente desmotivado, mesmo tendo deixado uma vida monótona e solitária para trás, a sua nova condição o incomoda ao ponto de querer se suicidar. No entanto, ele enxerga, durante a tentativa de suicídio, um corpo na praia. Manny ( Daniel Radcliffe ) é uma pessoa igualmente solitária e, aos poucos, descobriremos ser um reflexo do protagonista, incluindo os seus desejos, medos e arrependimentos.

A linguagem cinematográfica se utiliza de uma série de artifícios para estruturar uma história. Uma delas é a metáfora que, com o passar dos dias, ganha diferentes proporções por conta da aceitação. Aqui temos a escatologia como forma de enganar o público mas, na verdade, nos direciona para a exposição gratuita para, no desenrolar, surpreender com a inteligente narrativa.

Com diálogos excelentes, orgânicos e diretos, envolto de um humor negro e explícito, somos transportados para dentro de um ser solitário. Tomado por uma imaginação sem fim e, milagrosamente, dependente da observação. Os simples movimentos do dia a dia são calculados por Hank, inclusive a sua falta de iniciativa o tira da tranquilidade; ele está sempre julgando a si próprio por não ter coragem.

Hank ensina para Manny os conceitos básicos sobre sentimentos. Por estar isolado, as suas colocações sempre soam nostálgicas, como se o mundo “real” não mais lhe pertencesse. Ele condiciona o seu amigo ao fascínio, no mesmo tempo que a vida que ilustra é leve, os problemas englobam apenas a falta de coragem, principalmente relacionado à não conhecer o interesse platônico no ônibus e ter vergonha de levar a vida do seu jeito, se aceitar.

“[…]eu me masturbarei pensando na sua mãe”.

A cena em que Hank demonstra o que Manny irá sentir quando conhecer a “Sarah” no ônibus é uma das mais lindas desse ano no cinema. Singelo ao extremo, criativo, doce, no entanto, é de tamanha profundidade que chaga a doer. A poesia é obscura, depressiva, oscila tanto no objetivo, quanto na iluminação, nas atuações enigmáticas, enfim, a obra é de uma incoerência surreal, portanto, verdadeiramente completa.

Em dado momento, Manny pergunta o porquê seu novo amigo quer voltar para a cidade se foi ignorado a vida toda e essa é realmente uma dúvida interessante. Pois a única felicidade do personagem é justamente quando ele está completamente desarmado, desprendido de amarras, atingindo ao máximo o seu potencial através do desabafo criativo. Ele manipula a morte, inventa a vida, transgride o normal e mantém essa subversão como forma direta de sobrevivência.

No mesmo tempo que o filme é ácido e eficaz no humor, existe um quê de drama muito delicado e denso. A ideia de filme de sobrevivência na selva é desmistificado e atinge uma outra esfera: a da problematização psicológica do homem moderno que, atarefado, perde a sua identidade na mesma velocidade que o passar dos minutos.

A obra possui uma mensagem atemporal e, através da sua dinâmica montagem, fotografia certeira e imersiva – usada para destacar alguns pontos da consciência ou lembrança do protagonista; as cores vibrantes são usadas em momentos onde a felicidade o rodeia; no mesmo tempo os tons de azul resgatam sempre momentos onde há alusão à solidão – consegue fazer pensar mesmo com as diversas distrações.

A atuação de Paul Dano é absurda. Ele é um ator que vêm se destacando há muito tempo no circuito independente, principalmente em filmes indies, e infelizmente é pouco reconhecido. Trabalhou com grandes nomes e nunca esteve na zona do conforto, buscando pequenas expressões, posturas, entonações de voz, enfim, felizmente “Swiss Army Man” é uma obra que beneficia muito o trabalho do ator, lhe dá muita liberdade, pois exige bastante do físico.

Daniel Radcliffe, que tentava desesperadamente sair do seu famoso pepel do bruxo Harry Potter, conseguiu, finalmente, fazer algo épico. Se doando de forma extrema, desenvolvendo as nuances de forma linda em uma curta possibilidade de movimento. É um trabalho de confiança, quando um ator sabe que possui em mãos um bom roteiro e diretores que transformarão, através da sua captação, ângulos e movimentos de câmera, uma história grandiosa em dinâmica.

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Terror nos Bastidores, 2015

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★★★

Eu poderia analisar friamente “The Final Girls”, dirigido por Todd Strauss-Schulson, e classifica-lo como mais um filme bobo, que se propõe unicamente em fazer piadas utilizando o gênero terror como referência. Mas existe todo um saudosismo e, com certeza, a coerência deve ser levado em conta. A pretensão do filme é bem simples, mas dentro dessa simplicidade consegue ser brilhante.

A história é sobre uma garota que estuda no ensino médio chamada Max, – interpretada pela Taissa Farmiga que, assim como a sua irmã Vera Farmiga, vem demonstrando que tem um grande apreço por filmes de terror, visto que depois da primeira temporada de “American Horror Story” fez diversos filmes do gêneros, alguns bem interessantes como “Regressão” de 2013 – ela tem uma mãe que foi atriz em um clássico filme de slasher, esse papel a deixou bem famosa e, no mesmo tempo, sua carreira se tornou bem limitada. Contudo sua mãe Amanda Cartwright não parece se importar com isso, a própria afirma logo no início que: “não é uma atriz e sim uma estrela de cinema“. Amanda sofre um acidente de carro e, três anos depois, Max é convidada para uma sessão especial desse famoso filme. Acontece um acidente na sala de cinema e, misteriosamente, Max e alguns amigos são transportados para dentro do filme que assistiam, literalmente.

O filme se desenvolve em alguns dilemas centrais, todos eles reúnem o grupo de amigos que passam por grandes aventuras, primeiro, para se salvarem e depois para tentar sair do filme. O fato de eles terem assistido inúmeras vezes, faz com que “The Final Girls” ou “Terror nos Bastidores” brinque com diversos clichês que envolvem o subgênero slasher, fatos como os jovens que fazem sexo sempre morrema primeira personagem que morre é sempre a mais liberal e a última que morre é sempre a virgem são explorados com perfeição, esse filme faz algo parecido com o “Pânico”, cujo primeiro filme foi lançado em 1997 e tinha como proposta homenagear e discutir o gênero terror, aqui o diretor e roteiristas optaram por se distanciarem do gênero terror e dialogam muito mais com a comédia, o que é excelente.

Como escrevi na introdução, apesar de poder ser classificado como bobo, existe diversos outros lados que o filme trabalha com inteligência. Primeiro é o clima proporcionado que nos remete diretamente aos anos 80, onde a maioria dos filmes eram pautados em acompanhar as aventuras de um grupo de amigos, ainda há o brinde, para os amantes do terror, de verdadeiras referências, principalmente aos slasher movies que ficaram muito famosos nos anos 70 por conta de uma série de fatores sociais, principalmente as mudanças dos jovens e a liberdade sexual.

Em parte o filme funciona pelo carisma da Taissa Farmiga, sua personagem e o relacionamento com a mãe que, por diversas vezes, se confunde com a personagem do filme, até atingir de algum modo a união entre realidade e ficção. Mesmo que o final do filme destoe bastante do seu desenvolvimento e a protagonista evolua de modo insano, saltando de boa e inocente moça para quase uma lutadora de Kung-Fu, o filme desde o início tem a pretensão de ser simples e, dentro dos seus limites, se desenvolve de maneira bem agradável.

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CdA #50 – Ricki and the Flash

Ricki and the Flash

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Em mais um episódio no formato ímpar do podcast [Cronologia do Acaso], Emerson Teixeira comenta brevemente sobre o filme Ricki and the Flash, dirigido pelo Jonathan Demme e protagonizado pela rainha Meryl Streep. Na verdade se trata de uma comédia sobre uma mãe rockeira revisitando o seu passado e, assim, terá que repensar o seu relacionamento com os filhos.

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Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer, 2015

Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer ( Cronologia do Acaso )

★★★★

“Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer”, premiado em Sundance, caminha em direção oposta a outros filmes feitos para jovens – muitas vezes baseados em livros: ele traz personagens bem identificáveis e naturais.

Apesar de ter gostado de “A Culpa é das Estrelas”, é impossível não perceber que a comunicação que se estabelece entre o casal é de uma maturidade tamanha, isso nem seria absurdo, o problema é quando existe uma relação quase perfeita, no que diz respeito a atitudes e a própria palavra. É tão bem encaixado, tão bem desenvolvido, existe tanta esperança no outro e o outro, por sua vez, nunca decepciona. São exibidos os melhores momentos, as melhores referências, os melhores questionamentos e as melhores escolhas. Parece ser a vitrine do relacionamento “popular” ou “descolado”.

De forma alguma é ruim, muito pelo contrário, é possível os jovens se identificarem, ou até melhor, podem buscar a melhor versão deles mesmos através dos personagens que adquiriram uma intelectualidade e maturidade por estarem a beira da morte. Mas ainda assim me parece forçado. O mesmo acontece com “Crepúsculo”, “Cidade de Papel” etc.

Quando afirmo que “Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer” caminha em direção oposta a essa questão, é possível, dada a explicação, entender como uma real forma de se identificar de forma orgânica com os personagens e não somente tentar desesperadamente ser ou sentir aquilo que os amados bonitinhos são ou sentem. O filme dirigido por Alfonso Gomez-Rejon, que dirige também American Horror Story e Glee, ou seja, entende as expectativas do jovem, começa com a brincadeira do clichê logo em seu título: Me and Earl and the Dying Girl. 

A tradução para o português, ao que parece, resolveu trocar o nome do amigo do protagonista “Earl” por “você”. É uma diferença pequena, nem se compara com outras catástrofes em termos de traduções, mas ainda assim é motivo para refletir. O relacionamento que se estabelece é pano de fundo, um mero detalhe, para evolução de um ser humano e, coincidentemente, esse ser é um jovem. Portanto, existe três elementos chaves para a composição desse rito de passagem: Greg, um jovem que não sabe o que fazer da vida. Earl, seu amigo e extremamente importante para o não isolamento total do protagonista. E, por fim, Rachel, que é uma menina que tem leucemia, que está morrendo e que vai, diferentemente de outros filmes já citados, contribuir com o crescimento de Greg através da própria situação, pessimismo e distância, tudo isso através de uma amizade.

É tão natural ao ponto de nunca tentar deixar a dúvida se existirá um futuro namoro, claro que os mais otimistas pensarão isso, mas o ponto positivo é trabalhar o amor de forma mais abrangente, afinal, a importância de uma pessoa para uma outra nem sempre é traduzida em beijo na boca, abraço e relacionamento em que todos ficam felizes e bem no final. O aprendizado parte justamente do contrário, das experiências, independente da relação que se cria.

Parece, hoje, que temos uma necessidade em achar crucial o relacionamento amoroso. E afirmar em todos os cantos que só assim seremos felizes para sempre. Mas espera! Será mesmo que uma pessoa no final da vida, temendo a morte e pessimista quanto a possibilidade de uma salvação, teria tempo para conhecer um príncipe encantado e se apaixonar? Pode ser, pode acontecer, mas e o outro lado?

estranho na escola Sempre nas escadas ( algo a alcançar )

Somos apresentados ao protagonista como um jovem comum. Na escola ele é mais um, o talento do diretor em lidar com o clichê, mais uma vez, é muito eficiente, visto que explora certas técnicas para dizer o “de sempre”, porém, sem precisar de muita explicação. Nas imagens acima, por exemplo, vemos Greg caminhando pelo corredor da sua escola em um plongée e, na primeira vez que encontra Rachel, é apresentado a menina em um contra-plongée, mesmo que a moça represente uma iminente fragilidade, se revela ao espectador como uma figura bem mais segura e confiante que o protagonista e é justamente esse ponto que deverá ser trabalhado ao longo dos 105 minutos de projeção.

Uma das coisas que eu sempre perguntei era como ficariam minhas coisas se eu morresse hoje. Não que eu seja uma pessoa materialista – quem não é um pouco hoje em dia? – mas existem certos objetos que estão atrelados a nossas lembranças mais impactantes, um diário, uma caixinha de cartas, enfim, são diversos elementos materiais que ajudam na composição da nossa história. Sendo assim, me peguei fascinado com a exploração do quarto que existe em “Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer”. O relacionamento dos personagens/desenvolvimento acontece, basicamente, no quarto da menina, as pelúcias e os seus inúmeros travesseiros representam a sua personalidade, um tanto quanto atenue.

quarto

Greg definitivamente não sabe lidar com a morte, definitivamente não sabe lidar com as pessoas – inclusive chega a teorizar sobre tudo, inclusive as “gostosas”, mostrando mais uma vez a sua vulnerável personalidade – sua amizade com Earl parece ser estruturado a partir da sorte e, principalmente, do cinema. Repleto de citações cinematográficas, afinal, ambos são “cineastas” amadores, esses trabalhos ao longo chegam a acrescentar a trama e, ainda por cima, criar um alívio cômico pois, mesmo que não pareça, estamos falando de um filme profundo.

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No final temos a conclusão da subversão do clichê em relação aos filmes de jovens, com a reflexão: “ela ia dizer aquelas coisas que só aprendemos no final da vida “, no entanto, nessa obra, dentro de suas limitações, ousada, eles simplesmente sentem o silêncio juntos, como verdadeiros amigos onde, em uma simbiose, entendem que nenhuma palavra que seja pronunciada aliviará a dor de estar prestes a morrer. E, para você que pensa que esse último parágrafo contém spoiler, te provoco perguntando: será possível uma pessoa morrer enquanto vive dia após dia?

A única coisa que afirmo, para finalizar, é: na minha morte, eu adoraria estar assistindo um filme.

emersontlima

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