Doentes de Amor (Michael Showalter, 2017)

Zoe Kazan estabelece, a cada trabalho, seu nome no topo dos indies agridoces e românticos. Com isso, sua atuação cai na mesmice e até mesmo o esteriótipo de suas personagens são os mesmos. Isso é legal na reunião de inúmeros fãs pelo mundo, no entanto chega um momento – principalmente se a obra for de qualidade duvidosa em relação ao roteiro, principalmente – que cansa o público. Escrevo sobre a atriz, antes de mais nada, pois assistindo seus novos filmes percebo algo parecido com o que acontece com a Zooey Deschanel.

The Big Sick (2017) tem muito de In Your Eyes (2014) e Será Que? (2013), porém sem a mesma qualidade em estabelecer um elo emocional entre o casal como forma de aproximar o espectador ao drama que os envolvem. A partir disso, aqui se repete diversas coisas que de tão utilizadas se tornaram medíocres, como doenças, amor proibido, não aceitação da família etc. O envolvimento do casal acontece de forma tão abrupta, que tudo o que se desenvolve a partir de então se torna, no mínimo, risível. No primeiro ato há a tentativa desesperada de estabelecer o protagonista, o paquistanês Kumail (Kumail Nanjiani), como um moço incrivelmente bem-humorado, no entanto suas colocações levianas simplesmente o torna infantil, o que certamente não condiz com a reação das pessoas que o envolvem, ainda mais em uma situação tão séria.

Se um romance em uma comédia romântica não causa nenhum tipo de empatia já é algo estranho, acrescente uma comédia que não funciona na maioria dos casos e, pior, só direciona o espectador para outro caminho, que não o mostrado. Os diálogos não possuem harmonia, as situações são impostas em base ao absurdo e precisamos aceitar, caso contrário não haveria filme e as tentativas de dar profundidade aos dilemas como preconceito e limitação cultural perdem todo o sentido no momento que não são construídos com inteligência.

Cinco meses de namoro aqui parecem somente três dias. É de se notar, ainda, que nesse tempo o casal nunca tenha conversado sobre as diferenças de tradições entre eles, pois quando Emily (Zoe Kazan) descobre que o seu namorado não pode assumi-la para a família porque seria expulso, sua reação é realizado de maneira tão incoerente com a jovialidade e desprendimento até então demonstrado, que a cena e principal motivação se torna uma verdadeira comédia – algo terrível, visto que o tema é muito sério.

Ainda que poucas coisas boas possam ser tiradas desse filme, destaco a família da Emily, principalmente sua mãe interpretada pela Holly Hunter, que realmente rouba a cena todas as vezes que aparece e, impressionantemente, é a única que faz jus à situação que se encontra e segue o mesmo perfil até o final. Sendo uma figura forte, cômica, no mesmo tempo que passa por um conflito pessoal no relacionamento e, evidentemente, com a filha. O humor falho que tentam empurrar para o Kumail, é muito melhor realizado com a despretensão e naturalidade dela.

O diretor Michael Showalter parece despontar como um grande nome das comédias indies, depois de dirigir a série Love, fez Doris, Redescobrindo o Amor (2015) e, até agora, vem experimentando através dos trabalhos populares. Aqui faz parceria com o ator e roteirista Kumail Nanjiani – que imprime boa parte de suas experiências, pois nasceu no Paquistão e trabalha há anos fazendo comédia nos Estados Unidos. Pena que a imaturidade como roteirista se sobressaia e que bons momentos referentes à sua cultura sejam desperdiçadas em uma tentativa frustada de se esconder em um romance clichê, repleto dos esteriótipos criados pela meiga – e sempre com carinha de menina de treze anos – Zoe Kazan.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Copenhagen, 2014

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★★★★

Se existe um formato de filme que me conquista facilmente é, sem dúvida, os indies, principalmente se abordarem um relacionamento – seja de um casal, amigos ou uma catarse individual -, é a oportunidade ideal para se emocionar, sorrir e, claro, se divertir.

É o caso de “Copenhagen”, filme dirigido pelo Mark Raso de 2014, que consegue sustentar uma profundidade dramática mas, no mesmo tempo, está muito mais interessado nos seus personagens e na relação que se estabelece entre eles.

A história é centrada no William, de 28 anos, que viaja até Copenhagen com uns amigos e, dentre atividades como: baladas, mulheres e bebidas, ele ainda tem um desejo de encontrar o seu avô ou descobrir um pouco mais sobre ele. No meio do caminho ele encontra a adorável Effy, uma menina com personalidade forte e independente que, apesar de demonstrar muita maturidade e consciência sobre as suas atitudes, só tem 14 anos. Então o filme passa a se desenvolver nesse limite entre amizade, paixão e limitação por conta da diferença da idade, tudo isso enquanto ambos personagens andam de bicicleta pelas ruas maravilhosas e alegres de Copenhagen.

 A história é pautada em diversos clichês que vão desde a surpresa da paixão – afinal, William é do tipo que sai com várias mulheres mas começa a se encantar por apenas uma -, passando pelo problema da diferença de idade entre os dois até chegar no processo de evolução dos personagens através da caminhada pelas ruas afim de chegar ao objetivo, nesse caso, podemos resumir que é um típico road movie.

Mas o que difere esse filme de outros com a mesma temática é, sem dúvida, a super atenção que o diretor dá aos seus personagens, transformando-os em verdadeiros monumentos que, só de aparecer juntos em tela, cria uma sensação de bem estar no espectador- aquele súbito sorrisinho de canto. O relacionamento é desenvolvido com tanta sinceridade e ternura que, por algum momento, esquecemos que se trata de uma diferença de idade de 14 anos, esquecemos também de uma possível polêmica sobre pedofilia que poderia ser ainda mais trabalhada, mas, no final, é fácil perceber que William não vai fazer nada além de se apaixonar platonicamente, com muito respeito e carinho pela menina de 14 anos que o ajudou a crescer.

A fotografia de “Copenhagen” é muito oportuna, envolve os personagens em paisagens românticas, cheio de cores e alegria. Como o trajeto deles é quase sempre feito com bicicleta, conseguimos, ao assistir o filme, nos sentir imersos naquela cidade, como se fossemos os turistas. Aliás, o fato do protagonista ser um turista já é muito identificável, pois contextualiza-o no encantamento pela novidade, desprendendo-o da rotina e demais amarras da sociedade.

Os pontos mais importantes para a estrutura do filme são as atuações da Frederikke Dahl Hansen e do Gethin Anthony. Ambos possuem uma beleza singular, e o carisma deles se transforma em algo crucial para a aceitação da obra que, mesmo com toda a sua simplicidade, consegue encantar até os mais exigentes.

Obs: O filme se encontra atualmente em catálogo na Netflix

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