Frequência Fantasma #4 – Found Footage

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Seja bem-vindo você, ser vivo…ou não… A mais um episódio do Frequência Fantasma. No episódio de hoje, e desta vez com o time completo do Frequência Fantasma, tivemos uma conversa muito bacana sobre os filmes Found Footage. Podemos considerar esse tipo de filme um gênero? Um subgênero? Um derivado? Porque esse estilo faz tanto sucesso ao redor do mundo? Além do mega bate papo onde discutimos o estilo, eu, Sergio Junior, Pamela, Lucas Levino e o Emerson Teixeira (CdA) falamos sobre alguns filmes que nos chamaram a atenção e achamos interessante assistir. Está esperando o que? Baixe agora o episódio!!!

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Arte de Capa: Raphael Cravo – Site: http://www.cravo.ink

Assista o filme: Registros secretos de Serra Madrugada

Sergio Junior

Sergio Junior

Um mero amante do cinema de terror que sonha em compartilhar e trocar experiências relacionadas a esse gênero com todos.

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Viy (1967)

Viy – A Lenda do Monstro (Viy, Rússia, 1967) Direção: Georgi Kropachyov e Konstantin Yershov

O terror no seu ápice é mesmo um gênero fascinante quanto à analise social e psicológica de um indivíduo. É muito interessante pesquisar sobre culturas diferentes e contextos históricos e perceber, com isso, como as crenças diferem de uma realidade para outra e, consecutivamente, lendas são criadas e os medos adquirem as mais diversas formas.

Em sessenta e sete era lançado o primeiro filme de terror da antiga União Soviética, “Viy”, que se baseia diretamente em um conto folclórico ucraniano e que tem como maiores características a ambientação tétrica, narrativa simultaneamente estrambólica e perversa e inteligência ao usar os efeitos especiais – principalmente se levarmos em consideração o ano que foi feito – mas nada se compara com a atmosfera que pressupõe constantemente perigo, o medo nesse clássico se aproxima bastante do homem medieval, onde o alienígena era obrigatoriamente mal e a suposição aprisionava a razão.

O longa é dirigido por Georgi Kropachyov e Konstantin Yershov, conta a história de um seminarista chamado Khoma (Kuravlyov) que, ao voltar para casa com os amigos, pede abrigo à uma velha senhora em uma fazenda. Ela se revela uma bruxa posteriormente e, quando o protagonista a mata, sua imagem se transforma, virando uma bela e jovem mulher. Ao voltar para o seminário, ele fica encarregado de orar três noites para uma moça que falecera recentemente o que, para a sua surpresa, se trata da bruxa que ele havia conhecido dias antes.

A jornada de Khoma é essa: precisa lutar contra as forças do mal e sua própria ausência de fé, visto que as perversidades da bruxa, nessas três noites, o afetam profundamente.

É importante ressaltar que um dos maiores clássicos do terror – o filme virou um cult, apesar de ser definitivamente desconhecido pelo grande público – se envolve com o humor da primeira cena à última, embora o segundo e terceiro ato sejam amedrontadores. A trilha sonora delicada e infantil do início suaviza a trama, o primeiro contato com a bruxa também, pois ela monta em Khoma e o faz de “vassoura”, tudo isso se assemelha com a proposta de um conto de fadas, onde o terror é trabalhado paulatinamente de modo que provoque bastante a concentração de quem lê para, em seguida, expor a ideia em sua totalidade. Outro ponto que ilustra essa comparação é o fato de o primeiro ato estar repleto de animais.

Algo importante, ainda sobre a apresentação, é em relação ao protagonista, por ser um integrante direto do Catolicismo seria comum que o personagem se distanciasse do espectador por conta da sua função e conhecimento, mas isso é abandonado nas primeiras cenas. Primeiro que o próprio afirma que “não sabe quem é sua mãe e pai… e nem de onde vem” e em outro momento que está mentindo fala “que um raio me atinja se estiver mentindo”. Essas duas frases ilustram a fragilidade emocional de Khoma, sua solidão familiar se estende, também, pela perdidão em meio à sua religião, visto que por diversas vezes ele demonstra ser cético, chegando ao ponto de zombar da fé. A função social que ele desemprenha é quebrado no primeiro ato, o espectador passa a compreender rapidamente que se trata de um homem, vulnerável e que teme, assim como todos. O resultado é excelente, pois em outro caso, com um personagem sólido e seguro não transpareceria tanta preocupação como acontece aqui, o pavor do protagonista passa a ser também o de quem assiste.

O quarto que abriga a jovem morta é repleto de vermelho, assim como é possível perceber que a cor acompanha os personagens que possuem ligação com a bruxa, como o pai dela. Na primeira noite de oração, Khoma já sente que sua tarefa não será fácil e que forças do mal o assolarão, mas o filme é oportuno em deixar claro que o medo desenfreado dele e a sugestão podem ser facilmente os criadores de todas situações, existe muita profundidade nesse clássico, mesmo que em alguns momentos não pareça.

O vermelho que está sempre próximo do pai da moça falecida

O protagonista, sempre chamado de filósofo pelos moradores da pequena cidade – o que, certamente, é uma grande ironia, pois em nenhum momento há uma reflexão racional sobre os eventos – sofre a sua tortura espiritual, motivada pela culpa. As noites de oração ficam piores, a sensação é de que a trama nos prepara para a terceira onde, definitivamente, é a melhor e inesquecível para o cinema. Os efeitos práticos e especiais, maquiagens e atuações despertam a atenção e provocam arrepio. Khoma praticamente enxerga o inferno saindo pelas paredes, vampiros, lobisomens e outros monstros, todo medo vindo das crenças caminham em direção a um homem só, que não veio de lugar nenhum, sem família e que fora abandonado pela própria igreja para enfrentar aquilo que possivelmente sabiam que não seria capaz.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Liberdade sexual e subversão sob olhares conservadores

Alucarda, 1977

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★★★★★

“Alucarda” proporciona um exercício de reflexão muito parecido com o recente “A Bruxa”, traço essa comparação por ser recente e, segundo, por ter escrito há algum tempo um artigo especial sobre, dissecando os símbolos e desmistificando – ou tentando, pois se trata de um tabu – o satanismo, de forma a misturá-lo com a liberdade. Então, antes de mais nada, indico o artigo como uma leitura prévia: clique aqui.

“Alucarda” aborda a história de uma garota chamada Justine (Susana Kamini ) que chega a um convento e, imediatamente, faz amizade com uma outra menina chamada Alucarda ( Tina Romero ). Alucarda é irreverente e subversiva, mesmo estando no convento não parece, de forma alguma, pertencer àquele lugar – isso é transmitido pelo seu figurino, um vestido totalmente preto, fúnebre, sem detalhes – e encanta a virginal Justine que representa, em seu âmago, a pureza sendo “corrompida” pelo amor.

Como comentado no artigo sobre “A Bruxa”, o satanismo representa, entre muitas outras coisas, a liberdade, é o impulso rebelde do homem em direção ao conhecimento. O conhecimento, no caso desse filme, é a paixão que cresce entre as duas garotas e, obviamente, condenado pela igreja. O culto satânico, aparições, transformações físicas, enfim, são elementos metafóricos para explicitar a problemática da crença obsessiva, construída, claro, por todo um contexto histórico. Porém, é triste notar que mesmo nos dias atuais, o relacionamento homoafetivo não é aceito pelo sistema social que, dentre outros artifícios, utiliza a religião para controlar as escolhas, de forma a categorizar as atitudes com pecados arcaicos – afinal, que se foda os pecados, a vida é um pecado e eu não fico julgando deus por isso.

Não é inteligente generalizar a religião e pregar que todas proíbem o relacionamento homoafetivo, muito pelo contrário, mas infelizmente existe e “Alucarda” trabalha muito bem o assunto. Com uma direção primorosa do grande Juan López Moctezuma – que trabalhou ao lado de grandes realizadores espanhóis como Arrabal e Jodorowsky -, o filme dialoga com uma atmosfera onírica, pautando-se em acontecimentos rápidos, sem muitas explicações, como se o tempo estivesse passando diferente para as duas personagens centrais.

A mãe de Justin é interpretada pela Tina Moreno, a mesma que faz a protagonista Alucarda. Isso deixa claro que tanto Alucarda quanto Justine são as mesmas, uma só, um só propósito, pois ambas “vieram” do mesmo lugar. Talvez o sentimento de estranheza para com mundo normal, seja o elemento comum entre as duas, por isso a cumplicidade e empatia quase imediata.

O mesmo acontece com dois dos personagens mais complexos do longa: o cigano corcunda e o Dr. Oszek. O primeiro é um mágico da floresta que impulsiona o rito satânico das duas amigas; o segundo é o médico que, no terceiro ato, aparece para contestar o exorcismo que está sendo feito dentro da igreja. Ambos personagens são interpretados por Cláudio Brook, o que é muito interessante visto que representam a dicotomia entre a ciência e o misticismo. Com a atitude de colocar um ator para fazer esses dois lados tão conflitantes entre si, é como se o diretor gritasse para o espectador que partem de uma mesma necessidade humana, uma sincronia de ideias para, enfim, alcançar a explicação.

A primeira vez que Alucarda aparece, ela sai atrás da Justine, em um quarto, a iluminação é oportuna ao mostrar a protagonista no escuro, quase como se estivesse saindo da parede. Demonstrando, perfeitamente, o estado psicológico dela que há muito sucumbira ao local ( convento ) e, com a aparição da amiga, consegue reunir forças o suficiente para quebrar as amarras da opressão. Seremos então transportados para cenas viscerais de rituais satânicos, sangue, sexo, remetendo-nos ao vampirismo, há elementos de gore, mas nada é tão absurdo quanto o ritual da igreja para fazer o exorcismo, cujo momento mais agonizante é quando um padre perfura Justine para libertá-la do mal.

Mesmo com recursos limitados, “Alucarda” é extremamente inteligente e, mesmo que seja uma obra oculta do grande público, merece ser visto como forma de reflexão. Seja sobre a opressão da igreja ou homossexualidade, passando por questões importantes como liberdade, cumplicidade e aceitação. É, sem dúvida, um dos maiores filmes do México. Alinha a técnica para sustentar um clima obscuro e conclui hipnotizando o espectador através de uma excelente atuação da Tina Romero.

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A Bruxa, 2016

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★★★★★

No passado, Deus era creditado como o centro da vida, o teocentrismo trouxe diversas facilidades e amarras do homem com o poder. O controle das massas sempre existiu e ainda é muito presente, principalmente quando está ligado, direta ou indiretamente, com a fé. O homem se torna incrivelmente forte quando crê, mas no mesmo tempo fica muito próximo do desvio da ignorância.

O antropocentrismo preza pelo homem, o conhecimento deu à população a oportunidade de pensar criticamente sem nenhum tipo de interesse político. Saberes como a arte e filosofia ganharam força na busca por um novo destino. Se hoje temos o mínimo de liberdade e direitos, devemos a uma série de insatisfações.

A caça as bruxas foi algo muito real e representa com perfeição a manipulação do poder, bem como a sua inteligência em enxergar na fraqueza uma oportunidade para criar uma histeria coletiva. O desprendimento do conservadorismo traz consigo muitas inseguranças, boa parte dos inúmeros casos de mulheres condenadas por serem “bruxas” estão diretamente relacionadas com sua postura independente e intelectualidade. Suas posições sociais também influenciavam, jamais poderiam ser mais importantes que os homens.

Fica evidente que o tema de “A Bruxa”, dirigido de forma impecável pelo Robert Eggers, é de suma importância para a reflexão sobre um passado repleto de injustiças. Mas o medo, no mais sincero possível da palavra, se desenvolve de forma lenta, até o espectador entender que a opressão ainda existe e que a ignorância continua cegando as pessoas, mesmo com o acesso fácil à informação.

Fui assistir ao filme em uma sessão à noite, a sala estava extremamente lotada. Começa o longa e logo vem os primeiros “sustinhos”. As pessoas visivelmente esperavam outra coisa, e, finalmente, após uma cena grotesca – que funciona quase como um cartão de visita – começam as primeiras risadas, uns desconfortáveis, outros amenizando a atmosfera com piadas irrelevantes. O fato é que muitos ali são religiosos – o que não há problema algum – mas que nunca leram a bíblia. Nunca se deram o trabalho de pesquisar a sua religião e de tentar compreender os outros tantos pensamentos que existem.

O medo do filme é transmitido através da vivência do homem e a certeza, mesmo que nas entrelinhas, de que não evoluímos em nada. Apenas aprendemos a esconder melhor o nosso preconceito. O satanismo sempre esteve relacionado ao homem e sua busca por liberdade, criando uma distância com Deus, como se ele tivesse nos abandonado. Não está diretamente relacionado com morte de animais e crianças, assim como o catolicismo não é completamente relacionado com a pedofilia.

Há exceções em tudo na vida. O que falta é o senso de empatia e uma mente aberta para tentar compreender as ideias que moram do nosso lado.

O que escrevi acima é apenas um desabafo, pois a experiência com minha sessão esteve a beira de uma catástrofe – certamente teria ficado com raiva, mas como o filme é excelente, consegui isolar o mundo exterior para contemplar algo inimaginável – e certamente a citação do satanismo é muito pertinente, até porque se trata de algo extremamente polêmico.

O filme começa com uma família, no ano de 1630 na Nova Inglaterra. Eles são expulsos da cidade e o motivo, inicialmente, é muito nebuloso. Porém, com o auxílio da trilha sonora – que é ótima durante toda obra – e algumas decisões técnicas como a filmagem da cidade onde, junto com a família, vemos o lugar cada vez se tornando mais distante, o espectador consegue imaginar que existe um conflito de posições e ideais ali.

A família adentra um mundo selvagem, o desconhecido. Eles caminham por entre a insegurança e ignorância, deixando para trás o seguro e o normal. Portanto, esse mundo selvagem se torna, cada vez mais, demoníaco. Existem certas referências à algumas religiões que depositam na natureza a sua fé, mas isso acontece para preencher as lacunas da verdadeira mensagem que é a fragilidade do homem quando está exposto ao desconhecido.

O pai da família, interpretado pelo excelente Ralph Ineson, transmite uma preocupação constante, bem como a sua expressão percorre por diversas vezes a obsessão. Com sua voz grave, parece se relacionar perfeitamente com o clima sombrio do filme, intimidando quem assiste. Mas o destaque fica por conta da protagonista Thomasin que, em meio a essa ousadia da família e opressão religiosa, está se desenvolvendo – fisicamente e emocionalmente. O diretor faz questão de, em dois momentos cruciais, ressaltar a sua sexualidade através dos olhos do irmão, onde a câmera subjetiva focaliza os seus seios. A primeira vez acontece enquanto ela está dormindo e a segunda perto do lago, ou seja, como se o irmão estivesse frágil perante esse desejo proibido.

Aliás, penso no filme e sua atmosfera como um representação metafórica de um amor incestuoso entre irmãos que, aprisionados em um tempo espinhoso, passam a se interpretar como pecadores e monstros. Eles são os “bruxos” para uma sociedade puritana.

O abuso existe por parte do pai também, que pretende vender a sua filha para conseguir sobreviver. Nesse ponto, posso afirmar que a atuação da lindíssima Anya Taylor-Joy é de suma importância para a obra, pois sua feição angelical e calma esconde uma inteligência à frente do seu tempo, e, como expliquei na introdução acima, mulheres assim eram classificadas como bruxas.

Thomasin representa o desejo proibido. Tanto das mulheres e o desejo de desprendimento, quanto do irmão que observa a sua beleza com olhares maliciosos. Por isso acontece, em um momento crucial, a referência clara da maça, e é justamente essa fruta que desperta na família a ideia de que o filho fora enfeitiçado. Poucos minutos antes, ele ainda se depara com uma figura extremamente sexualizada, fazendo uma alusão à Sucubus – demônio do sexo. A partir dessa desmistificação do desejo que exala Thomasin, ainda temos os irmãos gêmeos que a acusam de bruxaria. Curioso é notar que, quando o irmão começa suas descrições na cama – aparentemente em um ataque – elas repetem o movimento, se tratando de uma histeria coletiva.

O mais interessante é: Seria o filme sobrenatural ou psicológico? A resposta simplesmente não existe. Se a fé envolve o espectador de modo fervoroso e dita suas decisões ou olhar, certamente passa a entender o filme como um evento sobrenatural. Caso contrário, investigará todo o contexto histórico e será fácil a classificação da obra como uma discussão importantíssima do aprisionamento da mulher ao longo dos anos.

O coelho passa a indicar os caminhos e valores. Representa o olhar do espectador, ele é a isca. Assim como o misterioso e surpreendente Black Phillip. Interessante notar que, no final do filme, quando a menina consegue, finalmente, fazer contato com essa “entidade”, é colocado em jogo a liberdade e conhecimento, bem como timidamente ela diz que não sabe escrever enquanto ouve: “eu seguro a sua mão”. Essa ponte com o sobrenatural – ela mesma – dá a oportunidade de enfrentar o mundo e se rebelar contra as regras imposta pela sociedade. Essa cena é horripilante, tanto por conta da conexão com a entidade, como também por ela parecer muito – sarcasticamente – com o pai. Seria então esse demônio um desejo da garota, que almejava ter um pai que desse oportunidade para ser livre?

É estudado muitos casos nessa época de mulheres que passavam a acreditar que eram bruxas por conta da intimidação. Ou seja, essa atmosfera diabólica e assustadora que vemos em “A Bruxa” é simplesmente a cabeça da personagem principal, que se banha em proibições e está no limite da sua própria sanidade.

Com centenas de elementos metafóricos e referências satânicas, o espectador comum – leia-se aquele de mente fechada que não se dá o trabalho de procurar coisas novas – se atém apenas a primeira camada, excluindo o restante por conta do seu próprio preconceito. Sem perceber que a ignorância presente na sua atitude ao assistir uma obra de arte é muito similar do que está presente na família.

Com referências claras ao sangue e leite, transformando ambos em uma ponte entre a alimentação, sobrevivência e morte, chegamos na última cena que demonstra a ambiguidade que já estava presente desde o início. A protagonista segue o seu caminho de esperança em rumo ao ritual (ela) e se torna leve, sem amarras, finalmente livre. Ainda percebemos que o último quadro é ela na frente de uma árvore, dando lugar a um inevitável elo com Lilith e, ainda mais, o conto de Adão e Eva, fortalecendo a teoria de que ela é o fruto proibido e que o proibido foi, é e, infelizmente, sempre será: pensar diferente.

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