O Padre e a Moça, 1966

O Padre e a Moça (Idem, Brasil, 1966) Direção: Joaquim Pedro de Andrade

Em 1966 a ditadura caminhava em direção as proibições artísticas afim de preservar a moral e, principalmente, crenças religiosas do povo brasileiro. É nesse contexto que foi lançado O Padre e a Moça (1966), obra baseada em um famoso poema do Carlos Drummond de Andrade que possui como temas principais o aprisionamento e a possibilidade de liberdade através de uma paixão proibida entre uma jovem menina e um padre.

A história acontece em Minas Gerais, São Gonçalo do Rio das Pedras, um novo padre chega à cidade e se interessa pelo caso de uma jovem chamada Mariana. Aos dez anos ela foi dada pelo pai para um comerciante local criar, no entanto, a relação paterna deu lugar ao interesse carnal, o comerciante pretende se casar com a moça. O padre se sensibiliza pela menina, no mesmo tempo que se apaixona e entra em um conflito ético.

O padre furtou a moça, fugiu
Pedras caem no padre, deslizam
A moça grudou no padre, vira sombra,
aragem matinal soprando no padre.
Ninguém prende aqueles dois,
Aquele um

O filme é poderoso no uso da pequena cidade, existem três personagens centrais para a trama, mas o contexto é muito significativo para o desenvolvimento. Isso vai desde as casas simples, abrigando mulheres e homens extremamente religiosos e unidos, até a própria população – os figurantes são os próprios moradores, o que traz uma elegância realista à obra. Os diálogos são diretos, as mensagens literais e metafóricas são transmitidas em base à rudimentaridade.

O padre, interpretado pelo sempre magistral Paulo José, representa não só uma imagem de esperança como também serve como os olhos do espectador diante àquela realidade. Os seus passos carregam uma infinidade de questionamentos, começam com a própria função religiosa em um local de extrema carência espiritual – o padre é visto como um salvador por boa parte das pessoas, há inclusive uma cena em que várias senhoras o acompanham pelas ruas, conversando, animadas, ressaltando que sua presença é o Norte para os corações aprisionados – até chegar na ascensão dos sentimentos proibidos pela Mariana. É interessante a relação entre os dois, pois se constrói em base à dilemas pessoais, ele está refletindo a sua fé e capacidade de liderança religiosa e vê em uma moça fragilizada sexualmente, a oportunidade de se libertar. Ela parece desde as primeiras cenas se sentir enclausurada naquele lindo e exótico espaço, porém, limitado, e ainda por cima precisa lidar com o abuso e opressão, esse tormento encontra um oásis quando ela se depara com um padre jovem, repleto de luz e, principalmente, casto.

É a metáfora primordial do isolamento do homem da sua perversidade. Não à toa, em uma cena crucial, Mariana fala para o padre sobre a possibilidade de viverem juntos, visto que a única coisa que os impedia era a batina, ou seja, uma vestimenta com valor simbólico. Essa cena acontece em meio de campo deserto – como uma referência bíblica, visualmente esse momento se assemelha com as tentações que Jesus sofreu no deserto pelo Diabo, troque os valores religiosos e coloque o homem e a mulher, essa tentação termina no exato momento em que o padre encosta e sente a pele de Mariana, movimento que representa o sexo puro. A famosa cena do beijo no ombro, por fim, é o gozo. Jesus não consegue resistir à tentação de ser um homem como todos os outros.

A obra cinematográfica, que foi indicada ao Urso de Ouro em Berlim, é inteligente ao rejeitar a ordem cronológica do poema homônimo, o desejo aqui é trabalhado de forma suave, ainda que o ápice da fuga emocional seja quando as personagens chegam em uma gruta, fugindo dos moradores e o seu conservadorismo. O Padre e a Moça (1966) é extremamente importante para o cinema brasileiro pois se desprende das fórmulas convencionais quanto as histórias de amor, pois os sentimentos aqui partem de dores profundas, da melancolia; a narrativa visceral é um exercício importante, principalmente quando relacionado com as ótimas performances de Paulo José e Helena Ignez. Para finalizar, a fotografia é excelente, é notável a preocupação em estabelecer a diferença entre o padre e a moça através das luzes e sombras, – essa diferença se estende, também, para o figurino, ela está constantemente com um vestido branco, enquanto ele é absorvido pelo preto – além de que é comum enquadramentos onde eles estão na parte inferior direita ou esquerda, ressaltando a pequenice de ambos em relação ao lugar que habitam. Uma verdadeira poesia que ganha proporções maiores quando pensado o contexto histórico da sua exibição.

Entram curvos, como numa igreja
feita para fiéis ajoelhados.
Entram baixos
terreais
na posição dos mortos, quase.
A gruta é funda
a gruta é mais extensa do que a gruta
o padre sente a gruta e o padre invade
a moça
a gruta se esparrama
sobre o musgo, o calcário, o úmido medo
à maneira católica do sono.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Espaço Além – Marina Abramović e o Brasil, 2016

Espaço Além – Marina Abramović e o Brasil ( The Space In Between, Brasil, 2016 ) Direção: Marco Aurélio del Fiol

Marina Abramović adentra uma caverna encantada, repleta de incertezas incomunicáveis. Ela resiste à fraqueza da carne, sua mente transcende a dor, redimensionando a sua existência e, através do seu corpo, um veículo, explora a arte simples do cotidiano e motiva o público a fazer o mesmo.

Ela cria uma ponte entre o ser e o mundo espiritual e eterno, eternizando sua arte através de tatuagens feitas por todos aqueles que passaram por sua vida. Seria injusto separá-la da coragem; seria ingenuo não usar a sua imagem como uma forma segura de afirmação de que a arte é único caminho válido para se encontrar Deus.

O que nos liga é o sentimento de descoberta, descobrir-se como entregue, disposto à enfrentar os mistérios da crença, respeitando a diferença, lugar e história. Marina Abramović pratica a empatia e se suicida a cada segundo, desprendendo-se constantemente da vida e exaltando seus movimentos como uma forma divina de contemplação sobre o absurdo do acordar.

Assistir esse documentário proporciona uma experiência tão esmagadora e maravilhosa como a que Marina vivência com o chá de ayahuasca; uma verdadeira catarse, evacuação dos medos, uma jornada à cegueira total.

Há diversas cenas onde a espiritualidade atinge a imagética, o objeto se torna uma corrente que aprisiona o convencional. Acompanhamos os passos de um ser em busca de compreensão, de forma simples percebemos o quão grandioso é a liberdade total da consciência, a fé absoluta em coisas inimagináveis e perigosas – como uma imagem onde uma baiana “levita” ou o tratamento espiritual nada convencional onde é colocado uma faca nos olhos daqueles que creem, um momento altamente grotesco, se analisado exclusivamente com a razão.

A arte é entregar-se as emoções mais profundas, confiando na natureza como fonte primária de inspiração e reflexão. Marina Abramović deixa claro a sua posição sobre a  diferença entre instituição religiosa e espiritualidade, é importante para a compreensão dessa jornada onde a “andarilha moderna” encontra a si em cada personagem que sente, em cada passo lento à caminho da ciência, em cada arte e em cada cebola e alho que devora.

Na última vez que estive no Brasil, visitei uma xamã chamada Denise. Ela trabalhou com pedras de meteorito para determinar as minhas origens. Ela disse: “Sabe, você nunca se sente em casa em lugar nenhum.” Isso é verdade. “Você nunca se sente em casa em lugar nenhum. Porque você não é deste planeta. Seu DNA é galáctico, você vem de estrelas distantes. E você veio ao planeta Terra com um propósito”. Eu perguntei a ela: “Qual é o meu propósito?” “Seu propósito é ensinar os humanos a transcender a dor.”

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Extremos do Prazer, 1983

Extremos do Prazer ( idem., Brasil, 1984 ) Direção: Carlos Reichenbach 

★★★★

 Carlos Reichenbach é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores diretores e cinéfilos do nosso país, transitando por entre temas complexos, sociais, desenvolvidos sob uma perspectiva filosófica, regrado a humor, existencialismo e sexo. Em Extremos do Prazer, uma das suas histórias mais clássicas, acompanhamos a história de Luiz Antônio, um ex-professor de sociologia, que teve seus direitos de lecionar cassados durante a ditadura e, por esse motivo, teve que se exilar na Europa; se não bastasse, viu sua esposa Ruth ser morta, o que afetou drasticamente o seu psicológico, transformando-o em uma alma em busca de compreender o seu universo mental em base à ocorrências do redor.

Na volta ao Brasil, Luiz Antônio – interpretado pelo Luiz Carlos Braga – fica escondido na fazenda da sua jovem sobrinha Natércia que, eventualmente, leva alguns amigos para se divertir, beber e transar. As relações desses jovens, com direito a algumas personalidades contrastantes com os preceitos de Luiz Antônio, fazem com que ele relembre o passado, o amor e esteja cada vez mais inerte no existencialismo.

A premissa exala uma ideia profundamente triste e isso de fato se mantém durante o filme, com diversas camadas sociais, políticas e filosóficas como pano de fundo. As aparições de personagens jovens, com ideais extremos e vivacidade intacta, servem como contraponto à desesperança de Luiz, outro aspecto interessante são as suas observações sobre economia e política, sempre muito oportunas e ganham outra interpretação quando relacionado com o momento vivido pelo Brasil em 1983.

O isolamento é constante: o exílio na França, por exemplo, é discutido entre os amigos como uma forma de luxo, mas o espectador entende a situação como uma dor profunda; a fazenda é espaçosa e entretêm os visitantes, no entanto Luiz caminha pelo mesmo lugar com uma expressão amarga, como se o espaço fosse menor a cada segundo, sugando sua vida; o sexo para os outros é a prova da masculinidade e busca por prazer, enquanto para o protagonista o sexo parece ser um sofrimento ou evento de total despretensiosidade.

Como o ser humano, enquanto um ser político e social, gosta de dividir a vida em dois lados, é curioso o fortalecimento de um personagem chamado Ricardo – interpretado pelo Roberto Miranda – pois ele faz questão de colocar constantemente a sua masculinidade em uma vitrine, servindo como um obstáculo ao pensamento pouco conservador do protagonista, algo que será ainda mais explorado com o aparecimento da filha de Ricardo e um amigo, dois hippies – que são chamados pelo Ricardo de comunistas, aliás, ele não acredita nas crenças da garota só por ela ser nova, no mesmo tempo que tenta uma relação sexual com ela apenas pelas suas palavras sobre amor livre, uma perfeita contradição.

Ricardo é um personagem que traz o impacto de opiniões para o longa, além de ter participações nos diálogos mais agressivos e ignorantes que, curiosamente, ajudam a trama a conquistar uma naturalidade devastadora. Ele considera a sensibilidade e devaneio do tio como algo de “viado”, depois passa a se sentir pressionado pela posição intelectual de todos na fazenda – incluindo a sua namorada que, após uma série de opressões, converte-se ao pensamento filosófico do “tio Luiz” e se sente atraída pela sua solidão e melancolia.

Em resumo, é possível destacar a força do roteiro em criar metáforas com as singelas relações que são criadas, mesmo que em base a distância e fascínio. A essência é o pensamento padronizado e conservador sendo destruído por ideais libertários, naturalistas e hippies, mas não só isso, caminha para outras direções e critica o machismo, homofobia etc.

A frase “a gente tem que tentar a utopia a partir das relações familiares e eróticas” é um alívio para a desesperança e desconfiança, a mensagem é de que grandes mudanças políticas começam pelo indivíduo, que por consequência aproxima o homem da vida utópica, criando vínculos intelectuais através das relações. Extremos do Prazer foi feito com poucos recursos técnicos, mas se sobressai com elegância através do roteiro magistral, explorando as nuances e subvertendo as regras sociais. Luiz mergulha em um mar de existencialismo e segue os passos de um passado horroroso de totalitarismo, prisão de conhecimento e morte, momentos que serão reinterpretados por ele através da sua subliminar observação dos jovens e as suas relações afetivas conturbadas.

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Teus Olhos Meus, 2011

teus olhos meus

★★★★

“Respira Emerson…. respira Emerson… calma.” – Meu pensamento durante todo o filme.

Um dia cheguei em casa revoltado, no meio de uma discussão falei “eu vou embora, vou morar na rua”, minha irmã na época com uns 8 anos, começa a chorar. Algum tempo depois, conversando sobre esse dia, eu pergunto o motivo do seu desespero, ela me responde “porque eu sabia que era verdade”.

Eu tenho uma relação intima com a rua e eu tinha uma relação complicada com o lar. Talvez exista uma ânsia dentro de cada um, a minha era uma sem respostas, nada me satisfazia. Hoje me sinto mais um animal enjaulado do que uma pessoa que superou suas necessidades. Hoje, com vinte anos, aprendi que o equilíbrio é muito importante e que existem outras formas de fazer as coisas.

Tenho vinte anos. Curiosamente, Gil tem 20 anos. Curiosamente, Gil é órfão, eu não. Mas inexplicavelmente me sentia assim. Curiosamente, Gil vai para as ruas e percebe que isso não é exatamente o que esperava. Até o seu violão é roubado, o que mais podemos esperar do mundo então? Esse lugar hostil, repleto de enigmas. Espera, será possível que o mesmo mundo que me apunhalou pelas costas, pode um dia desses, eventualmente, apresentar o meu amor? Será possível que no mesmo instante que estou brigando com a minha família em casa, haja crianças sorrindo na rua? Onde mora, onde se encontra as respostas?

 Eu tive a experiência de assistir “Teus Olhos Meus” sem saber nada sobre, sem ter lido nada. Me deparei com algo muito pessoal, muito intimo da minha personalidade, coisas que vivi, sentimentos presos na garganta. Se não fosse o suficiente, o diretor Caio Sóh trabalha a música, que tanto amo e, mesmo sem ser músico, tanto me fez companhia em momentos que estava perdido, sozinho.

“Se eu pudesse fazer um aviãozinho de papel com a minha vida e tudo que vivi até aqui e jogar para longe”

“Teus Olhos Meus”, essa frase representa a mais elevada possibilidade de encontro. Há uma fusão, um mundaréu de pensamentos que nos fazem questionar a importância de procurar direito. Por quanto tempo eu andei pelas calçadas, pensando, tentando encontrar motivos nos lugares errados, agindo da forma errada? Olha onde parei. No lugar mais improvável.

Não sabia, sinceramente, que o filme se tratava de uma relação homossexual e, eu que tanto trabalho essa questão, fiquei surpreso e feliz, pois no mesmo tempo que agride os mais conservadores, leva ao extremo a ideia de que você pode e deve se encontrar e, por muitas vezes, isso só acontecerá nos lugares menos óbvios possíveis.

Talvez a vida seja feita de uma simbiose com um outro, talvez a solidão só esteja presente até o momento que o seu coração esteja confortável. Talvez o confortável não seja apenas o cômodo. Talvez seja preciso perder tudo para, enfim, aproveitar o todo.

Talvez o homem seja preconceituoso demais, talvez o homem tenha crenças demais ou, simplesmente, ele aja conforme seus impulsos mais primitivos: se proteger. Afinal, o mundo – leia-se homem – não está aberto a outras formas de amor, não recebe bem a mudança, confunde isso com desvalorização, com baixaria. Será o homem cabível de julgamento?

“Teus Olhos Meus” não é um primor técnico – nem deveria -, não é um filme muito conhecido, mas faz parte daquelas raridades que primam pelo amor. Independente da forma.

É tanta reflexão, tanta verdade, que nos confunde ao tentar mensurar a grandiosidade dos seus ensinamentos. As atuações leves, naturais e, inacreditavelmente, densas dos protagonistas Gil e Otávio – interpretados por Emilio Dantas e Remo Rocha respectivamente – dão ao longa uma propriedade tamanha no que diz respeito a palavra. As frases filosóficas, existenciais ganham uma nova forma quando dito de forma tão singular.

“Vou fazer uma coisa que eu deveria fazer todos os dias[…] Tô com medo de voltar a ser quem eu sou”

Gil e Otávio trocam bastante, como forma de elogio, a palavra “especial”. Principalmente o Gil que faz isso na inocência, sem saber, de fato, a importância dela para uma pessoa com o emocional abalado como Otávio. No mesmo tempo que quando Otávio diz “seja genuíno”, parece prever o que está se passando com o seu mais recente amigo.

Gil é capaz de “engolir a parte mais triste da vida”, ele consome o meio, ele traduz a intensidade do jovem, ele, por fim, acaba representando a opção. Não havendo limite na sexualidade, pois ela é frágil perante o sentimento.

“- Como é que eu faço para te achar? 
– Isso é uma coisa que eu também tô querendo saber”

emersontlima

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Filmes alternativos sobre a relação pai e filho

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Enfim, os dias dos pais. Pessoalmente eu invejo muito aqueles que fazem um belo almoço, dão presentes, abraçam e beijam os seus pais nesse dia ou em qualquer dia do ano. Essa presença tão importante permanece, há bastante tempo, inexistente na minha vida.

Mas essa postagem não é para lamentações, até porque não fico triste, pois, a vida nos recompensa de diversas formas, pai não é aquele que nos colocou no mundo, não é somente homem. Existem mães que batalham dia a dia para dar o melhor aos filhos, existem amigos que protegem em qualquer circunstância, existem pessoas que nem sabemos o nome, mas que estão aqui ou lá, presentes nos nossos corações.

Não existe um dia específico, uma data do ano é muito pouco para tamanha importância. Mas beije, abrace, diga um lindo e feliz “eu te amo” ao seu pai. Se você está lendo isso, dê uma pausa, procure se entregar mais, não hoje, nem amanhã, mas sempre.

Se o seu caso é como o meu, não se lamente, comente o quanto a vida é legal por deixar você enxergar o outro lado. Ame, independente de classificações.

Bem, vamos lá: essa postagem é para recomendar alguns filmes que possuam alguma relação com esse tema ou simplesmente tenham um personagem pai que por algum motivo chamou a minha atenção.

A Música Nunca Parou, 2011 

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Me emociona só de lembrar. Existe uma relação, inicialmente, do filho com a música o que acaba, por consequência, criando um conflito com o pai. É uma metáfora interessante, pois um gosta de Rock, aquele que mesclava – impulsionava – o movimento hippie e o outro aprecia um bom clássico.

Quando o filho começa a lidar com o esquecimento, a única coisa que liga os dois é exatamente a música, o pai faz da arte a sua respiração, o seu recomeço.

A Lula e a Baleia, 2005

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Como a ideia é tentar resgatar da memória vários caminhos do mesmo tema, nesse longa dirigido pelo Noah Baumbach, temos o exemplo claro de um personagem ( pai ) fragilizado diante ao processo de mudança, no caso, da separação com a esposa. Interpretado maravilhosamente pelo Jeff Daniels, há ainda uma relação curiosa com o filho, que o segue e, inclusive, o imita. De forma a estabelecer algumas dicas em relação a psicologia daquele convívio familiar, onde o pai impõe os seus gostos e a sua cultura.

Sempre Estarei Contigo, 2012

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Temos aqui um pai, do tipo herói, já idoso ele pode se orgulhar de ter todos os filhos criados e, ainda mais, ter ajudado os netos a terem suas próprias terras. Um ser humano com a vida completa(?). Resta a esse senhor, perceber que precisa, finalmente, de mais tempo com a sua esposa, mas a sua vontade de sempre estar construindo algo o leva cada vez mais a pensar em outras possibilidades.

Tangerines, 2013

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Representante da Estônia no Oscar de melhor filme estrangeiro, acabou perdendo para “Ida”. Aqui temos a figura paterna da proteção, seja dos personagens que estão em guerra que aparece e o cuidado que existe ali ou a proteção de uma lembrança.

Crítica do filme: http://cronologiadoacaso.blogspot.com.br/2015/01/tangerines-2013.html

A Busca, 2013

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Esse filme mexeu tanto comigo que escrevi sobre ele chorando. Uma perfeita simbologia ao ato de buscar aquilo que se perdeu, seja diante as próprias atitudes ou pelo tempo. As pessoas crescem, buscam liberdade, constroem suas próprias famílias, se vão, a busca se torna, consecutivamente, ir em frente.

Cítica do filme: http://cronologiadoacaso.blogspot.com.br/2014/07/a-busca.html

É Tudo Tão Calmo, 2013

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Esse filme da Holanda, silencioso e contemplativo ao nível máximo, é bem particular. Bem como é restrito, é complicado digerir perfeitamente, é preciso calma, assim como a própria tradução sugere. Aqui temos o exemplo do “cuidado”, um filho cuidando do seu pai e lidando com a verdade de que a morte se aproxima, no mesmo tempo que ele é triste por isso, existe ainda o cansaço.

Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada, 2007

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Esse é talvez o filme mais conhecido da lista. Ele mora no meu coração pois me encantou em diversos pontos, desde ser uma comédia romântica perfeita, passando pelas atuações gostosas do querido Steve Carell e a diva Juliette Binoche até chegar a profundidade.

Temos um viúvo, que tem problemas para reconstruir a sua vida, até por ser um pai muito dedicado. E, em uma confraternização em família, ele se apaixona pela namorada do irmão, mas, mais do que isso, aprende a valorizar os seus próprios interesses e percebe com perfeição que, para ser um bom pai, é preciso, também, estar completo e, para isso, precisa ter uma vida.

A Outra Família, 2011

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Esse filme mexicano me agradou bastante. Uma criança foi abandonada por uma usuária de crack e foi adotada temporariamente por um casal gay. Existe uma polêmica presa somente nessa sinopse, mas o filme não é um melodrama, pelo contrário, muito consciente e respeitoso. O que é, de fato, uma família?

Alamar, 2010

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Outro representante do México, esse beira um documentário. Uma criança é dividida entre dois mundo após a separação dos seus pais. A mãe é uma Italiana, vive no mundo da cidade grande, prédios e modernidade, enquanto o seu pai é de origem Maia, leva uma vida que beira a primitividade, cercado pela natureza, vive de pesca, mergulhos, liberdade.

Acompanhamos o filho na natureza, a admiração está o rodeando o tempo todo, mesmo que nenhuma palavra seja dita. O filho admira o seu pai, por esse saber conviver com naturalidade tamanha com a sua própria simplicidade.

A Criança, 2005

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O que mais me agrada na filmografia dos irmãos Dardenne é a capacidade que eles tem em retratar essa relação de pais e filhos de uma forma inexplicavelmente incomunicável. Existe uma parede entre o espectador e a realidade apresentada, uma distância cruel, um desejo de tentar compreender os personagens, por vezes, vazios.

 “A Criança” tem como protagonistas dois jovens delinquentes, que acabaram de ter um bebê. Eles não sabem o que vão fazer da vida e a criança sofre com essa imaturidade ou falta de objetivo. Uma existência sem significado, uma nova vida fadada ao abandono.

Jérémie Renier e Déborah François estão surpreendentes.

Tudo que Quiseres, 2010

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Filme Espanhol, que navega por entre uma relação de pai e filha, onde ambos acabam de perder a mãe/esposa. O pai então, para acalmar o coração da menina, começa a se vestir como a mulher.

Crítica do filme: http://cronologiadoacaso.blogspot.com.br/2014/03/todo-lo-que-tu-quieras-2010.html

Caos Calmo, 2008

Está confirmado! Se eu tenho um pai no cinema, ele se chama: Nanni Moretti. Esse ator/diretor, esse filme, foi muito impactante para mim, em um momento que estava muito carente. Aliás, um outro filme do Moretti – que ele atua e dirige – chamado “O Quarto do Filho” de 2001 também poderia estar facilmente nessa lista.

A mãe/mulher também morre e o pai, vendo que sua filha está diferente, resolve sentar em uma praça, de frente a escola, todos os dias. Ou seja, ele leva a sua filha na escola e, depois, ao invés de ir trabalhar/viver, fica lá sentado até a menina sair.

É de um amor, é de uma sensibilidade que só assistindo. Para morrer de chorar e se encantar com tamanha beleza.

emersontlima

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