Stanislavski e a Preparação do Ator

A palavra teatro (théatron) deriva dos verbos gregos “ver, enxergar” e significa lugar de onde se vê. A grande afirmação para essa questão é: não existe um só lugar que não enxergamos a vida acontecer diante dos nossos olhos. Como tal, o teatro funciona como um reflexo da realidade, movimentos cautelosos ou violentos criados a partir da ânsia do homem em se imortalizar. A expressão corporal e vocal exala uma propriedade mística, por isso desde o começo do teatro – cuja origem segue sem explicação – ele está estritamente ligado com rituais para o divino.

Quem sabe a teatralidade tenha começado na pré-história, talvez com algum homem imitando os animais, brincando, não sei. A única coisa que tenho certeza é que o homem existe e, por isso, modifica o meio e sua própria vida para seguir sobrevivendo; é isso que fazemos, reinterpretamos constantemente tudo e duplicamos nossa própria vida em busca de outras experiências. Não seria exatamente essa a maior dor que existe? as infinitas possibilidades desperdiçadas, os caminhos misteriosos do “e se?”.

Nesse artigo irei analisar alguns aspectos importantes da preparação do ator em base ao livro A Preparação do Ator de Constantin Stanislavski. Clássico literário que serve como essência para a formação de atores e cuja importância histórica é gigantesca. A título de curiosidade, Charles Chaplin citou uma vez o livro e o analisou como excelente não só para os interessados em atuar, como para a vida. Em base a essa frase, pode ter certeza que o livro te ajudará a aplicar alguns conceitos teatrais nos seus projetos, seja eles no audiovisual, teatro ou em qualquer área profissional, artística ou não.

Constantin Stanislavski nasceu na cidade de Moscou em 5 de Janeiro de 1863 e desde cedo teve contato diretos com a arte. Inclusive na sua casa ajudava na manutenção de um pequeno teatro, onde haviam apresentações para algumas pessoas da sua família. O mesmo local era um abrigo eventual para grandes intelectuais da época.

Com 25 anos ele fundou junto com algumas pessoas a Sociedade Literária de Moscou visava discutir sobre a arte performática. Com o passar do tempo, mesmo com o relativo sucesso, ele não consegue mais sustentar esse grupo, pois todos os custos saiam do bolso deles e o negócio se tornou inviável.

Mas o milagre artístico aconteceria mesmo 10 anos depois, quando após diversas correspondências dele com o Vladímir Dântchenco, os dois resolveram se encontrar e desse encontro surge a ideia de criar o Teatro de arte de Moscou. E esse foi o princípio da mudança do teatro mundial, pois os dois mestres intelectuais discutiam e inventavam a cada dia métodos teatrais que resgatavam a visceralidade performática que estava sendo esquecida na época. Essa contribuição foi e é impactante, pois quebrou o conservadorismo e deu um pontapé na liberdade de expressão, cujos movimentos no palco deveriam ser pautados na realidade e não no exagero, ou como o próprio Stanislavski cita bastante… “atuação mecânica”.

Atuação mecânica, resumidamente, seria aquela postura do ator em exagerar os seus movimentos de forma a caracterizar uma interpretação, o ator se exibindo como ator. Em síntese, o teatro busca a realidade na sua mentira, por isso há pluralidade e possibilidades infinitas quando pensamos em escolha de elenco. O diretor deve escolher o ator e ele, por sua vez, deve sentir o seu personagem. Caminhar com ele e entendê-lo – sobre qualquer circunstância – até mesmo no camarim ou nos intervalos de cena.

Sobre isso, há uma passagem interessante no livro:

“Lembrem-se disso: todos os nossos atos, até mesmo os mais simples, que nos são de tal modo familiares na vida cotidiana, tornam-se forçados quando surgimos atrás da ribalta, perante um público de mil pessoas. Por isso é que temos que nos corrigir e aprender a andar novamente, a nos mover de um lugar para o outro, a sentar ou deitar. É essencial nos reeducarmos para olhar e ver no palco, para escutar e ouvir”.

Qualquer pessoa que já atuou sabe o quão impactante e verdadeiro é esse trecho. Um levantar de braços durante uma apresentação parece que dura uma eternidade, como se pequenos detalhes fossem difíceis de realizar. Claro, a insegurança é quebrada conforme as repetições e ensaios, no entanto, no sentido filosófico, nenhuma ação enquanto apresentação é simples. Quando o ser humano se torna o centro das atenções e expectativas, não existe meio termo: ou ele se sente poderoso demais ou de súbito percebe a sua pequenice. Pessoalmente, sinto que o trabalho constante do ator é encontrar o meio termo entre esses dois extremos.

Stanislavski dizia também que o ator deve ser um intelectual, se interessar por áreas diferentes e observar o que acontece diariamente ao seu redor. Isso porque precisa absorver os detalhes do cotidiano de forma a compor as suas personagens. Essa ideia parece óbvia hoje, mas imagina na época? os seus métodos tecnicistas envolvem uma série de conhecimentos, que vão desde a medicina, alongamentos, passando pela psicologia, meditações, enfim, os seus escritos demonstram um alto domínio de tudo que envolve a construção da arte teatral.

A sua escrita é inteligente pois mistura a ficção de modo a estruturar com mais força os seus métodos. A sua proposta é fragmentar o papel do ator e transformá-lo em um equilíbrio ambulante, para que ele consiga buscar em si exatamente os conceitos que unem a atenção, desprendimento e espiritualidade. O ator precisa ser curioso ao ponto de perceber nuances da voz e interrogar aquilo que não compreende; ter coragem para se jogar no palco e não se interessar pelas consequências mas sim pelo sentimento do momento em relação à entrega total, fisica e psicologicamente;

Em um artigo que expliquei como e por onde começar a estudar cinema, enfatizei a importância de estudar separadamente a história e métodos do teatro – inclusive um dos livros que recomendei é justamente A Preparação do Ator.

Analisar a atuação no cinema é mais complicado pois existem centenas de ferramentas artísticas que manipulam a performance, mas aos cinéfilos e estudiosos do cinema, é interessante a leitura do Stanislavski justamente para entender a dificuldade do bom ator em reunir uma série de informações e as carregar consigo enquanto tenta se manter em equilíbrio entre a sua verdade e a criação de uma nova vida que, porque não, será moldada a partir de uma mesma essência.

Stanislavski, assim como outros pensadores, contribuiu para o pensamento crítico da arte mais pura de todas. Ele elaborou uma série de sequências didáticas, popularmente conhecidos como “sistema Stanislavki”, que assumem uma importância histórica enorme pois dialoga com outras áreas do conhecimento humano. As técnicas, nas palavras dele, “não fabricam a inspiração, mas criam um terreno favorável pra ela.”

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Joaquin Phoenix e o seu duplo

Phoenix é amante do caos e, sem muita morosidade, consegue colocar em prática alguns pensamentos do Artaud ao reinventar-se de maneira insana, extraindo todas as suas forças para abraçar à transformação, envolvendo o espectador. Parece simples, mas é algo que só é possível por uma alma que aprendeu a descolorir o mundo ao seu redor, utilizando as cores roubadas para pintar um sorriso ou uma lágrima no rosto. Esse é Joaquin Phoenix; assistir o seu trabalho é morrer e encontrar esperança nas cinzas.

Antonin Artaud, um dos maiores teóricos do teatro, sempre lutou contra o formato padrão da arte que mais lhe encantava. Exigia uma subversão individual do artista e, quando relatava as suas propostas para a transformação do teatro, era muito complicado dissociar os pensamentos da própria vida. Arte e existência caminham lado a lado, mesmo que muitos teimem em esquecer isso; Artaud considerava a arte como uma última estância, como uma linha imaginária onde, por motivos óbvios relacionados ao desprendimento, poderia ser a perfeita marcação do limite e como um ato libertador, de rebeldia, deveria ser ultrapassada. A arte superando os limites que a sua exposição traz.

A performance, nesse nível de pensamento, atinge o sentido de transgressão onde o ator se dilacera afim de encontrar o caos. O ato de mentir ser outro é como se o indivíduo conversasse com as suas profundezas emocionais, estabelecendo um vínculo entre o ser e os seus conflitos. O teatro seria uma brincadeira de “pestes”, percorrendo a inconstância da naturalidade, perturbação e insânia.

O cinema também possui a força de extrair dos atores essa performance desprendida, no entanto, apesar das ferramentas técnicas para acrescentar pontos nessa ambição, – como ângulos de filmagem, montagem, efeitos especiais etc. – é muito complicado, hoje em dia, separar o ator do seu nome. O cinema popular vende os seus filmes em base aos atores que por consequência são grandes estrelas. Isso abre espaço para interpretações superficiais que, por esse e outros motivos, ganham seguidores e rios de dinheiro.

Evidentemente há muitas exceções. Uma delas é o ator Joaquin Phoenix que, sem sombras de dúvida, é um dos nomes mais relevantes do cinema atual, principalmente pela sua inconformação com o padrão e violação do próprio nome. É um exemplo claro de um ator quebrando a sua própria imagem, se despindo, e se ausentando de brilho. Há um grande números de fãs e apreciadores que seguem o seu trabalho, mas sempre são jogados de um lado para o outro com o potencial de Joaquin em surpreender, na maioria das vezes, com papéis completamente tortos e obscuros.

Ele começou sua carreira cedo, ao lado do irmão River Phoenix – considerado um dos jovens mais talentosos de sua época – e sentiu de perto a tristeza em torno da sua precoce morte, o que o fez abdicar da sua carreira como ator. Joaquin percebeu a atuação como um perigo pela exposição, compreendeu na época “o perigo de se deixar levar”, isso pensando exclusivamente na arte como produto, pois esse fato lamentável o desconstruiu de tal maneira que ele passou a morrer para enfrentar cada personagem que interpreta.

Por insistência de amigos, Joaquin Phoenix voltou a atuar e sua carreira começou a ganhar formas em 2000, quando recebeu uma indicação ao Oscar por seu papel em “Gladiador”. No mesmo ano, começou uma parceria duradoura com o diretor James Gray – grande nome do cinema independente norte-americano – com o filme “Caminho Sem Volta”.

A sua proposta de atuação começa a ser desenhada de forma lenta, mas desde os primeiros filmes é possível observar uma série de características que o faziam uma promessa, principalmente quando relacionado com a naturalidade que ele emprega em seus personagens. Dono de uma beleza penetrante, ela vai muito além da pura estética, além de não se encaixar nos padrões de beleza, sua postura, olhar, gestos contidos chamam a atenção, sua presença é notada mesmo que em segundos e a sua entrega é constante. Phoenix renasce das cinzas a cada contato que faz, absorve as melhores coisas dos diretores que trabalha, sem perder a sua própria identidade de solitário e excêntrico.

A sua afeição pelo minimalista é encantadora, assim como o seu trabalho exala uma propriedade dominadora, parece muito fácil e sólido, como se tudo seguisse um plano perfeito. Um terrível plano desorganizado.

Em “Dogma do Amor” ele trabalha com o diretor Thomas Vinterberg, um grande nome do cinema dinamarquês, que ficou muito conhecido por criar, ao lado do Lars Von Trier, um manifesto chamado “Dogma 95”, cujo objetivo era quebrar algumas regras do cinema convencional. Esse filme é uma loucura total, o protagonista parece sugado pela falsidade e se vê preso em questões extremamente relevantes que se mesclam com a ficção científica e filosofia.

Os próximos filmes escolhidos são “Johnny & June” e “Os Donos da Noite”. No primeiro ele interpreta um dos maiores nomes da música mundial, Johnny Cash, explorando a sua habilidade vocal e criatividade ao criar uma versão própria de um ícone, o que certamente traz enormes responsabilidades. O personagem parece perfeito para um ator acostumado com a rebeldia; ele consegue ir do sonhador até o completamente consumido pelo sucesso e amor em questão de segundos, inclusive é uma transição que acontece de forma tênue. Outra obra relevante é “Os Donos da Noite”, mais uma parceria com o James Gray e que também traz consigo essa quebra de identidade, onde um personagem precisa decidir qual lado seguir; sua atuação é magistral, começa transmitindo uma segurança inquebrável e vai, aos poucos, se rendendo diante de uma maldição familiar.

Pronto! com os exemplos citados acima compreendemos que, além da vida pessoal, Phoenix aprendera com sua arte expressiva que a transformação é inerente ao ser e, para atingir a perfeita metamorfose, é preciso sucumbir à trajetória. Não existe segurança sem medo; esperança sem humildade; desejo sem o sucesso; infinitas versões de si, todas, sem exceção, sendo corrompidas.

“Traídos pelo Destino” é um conto de muitas vidas sendo encontradas por meio de um evento específico. Dois atores se destacam muito nessa obra: Jennifer Connelly e Joaquin Phoenix, Grace e Ethan, respectivamente. Grace, desde o começo, não consegue agir dada as circunstâncias catastróficas que acontecem em sua vida, portanto, a força de equilíbrio precisa ser do Ethan, o pai. Novamente há uma transição clara entre o controle emocional e a loucura total, a cena em que as emoções explodem é de cair o queixo e, se melhor dirigida, poderia certamente credenciar o ator para mais uma vaga entre os indicados ao Oscar, pela terceira vez.

É válido ressaltar um documentário narrado por Joaquin chamado “Terráqueos”, de 2007. Esse documentário é um alerta sobre as condições que os animais enfrentam, o consumo desenfreado, enfim, é uma ode ao vegetarianismo. O ator é vegano, participa de uma série de grupos sociais e é abertamente a favor dos animais.

Fechando a primeira parte, a terceira parceria do ator com o James Gray aconteceu em “Amantes”, de 2009. Esse filme aborda um homem que se vê preso em duas possibilidades distintas, duas mulheres e duas histórias. É uma obra nada romântica que preza pela realidade, dando mais valor às pretensões e desejos individuais do que criar uma relação bonita e perfeita, onde os interesses de todos estão em comunhão.

 Na divulgação de “Amantes” aconteceu algo que marcaria a quebra, literal, do ator: a entrevista com o David Letterman. Na verdade a entrevista é uma extensão de uma proposta artística, quase vanguardista, de criar um vínculo direto entre a arte performática e o arquétipo criado pela fama, incluindo todas as maravilhas que ela dá ao artista e todas as dores.

Joaquin ficou barbudo, engordou e anunciou a aposentadoria da carreira de ator para, em sequência, se entregar ao hip hop. Sua figura na entrevista provoca o entrevistador e a platéia, a sua postura incomoda. As poucas palavras, esquecimento das coisas mais básicas sobre o seu recente trabalho e, principalmente, indiferença para com o seu próprio nome também são pontos interessantes.

Na verdade, esse evento único e corajoso era para promover um falso documentário, cuja pretensão era usar a imagem do ator como uma ponte para o seu rompimento. I’m Still Here, dirigido pelo Casey Affleck, trazia a intimidade de Joaquin, bem como a sua loucura cotidiana. É a jornada de um homem especial, forçado a ser comum, se entregando ao âmago do ódio pela realidade. O artista quando atinge a antipatia pela realidade se vê obrigado a se refugiar na sua criação, algo que Phoenix faz com elegância. Em contraponto, sempre quando aparece “de cara limpa” em entrevistas ou raras participações em festivais e premiações, ele sempre é estranho, soa um pouco constrangido e agressivo, talvez porque a realidade é o lar que ele recusa constantemente. O único personagem que Joaquin Phoenix não sabe interpretar é ele mesmo, com todos os seus demônios.

Algo grandioso acontece em  I’m Still Here. A coragem que todos os envolvidos tiveram em enfrentar a indústria, criando suas regras e deixando-os a deriva em meio as reais intenções por traz da mentira, é monstruosa. O artista que atinge a fama, principalmente hoje em dia, deve explicações diariamente para todos, seja as produtoras ou jornalistas, portanto o documentário é apresentado como tal, mas funciona como um portal místico de purificação, onde o indivíduo é capaz de se ausentar de luzes e atenções, principalmente atitudes padronizadas para manter a ordem, e se ater ao projeto corporal e emocional de viver uma outra história, lidando com a atuação como um refúgio da normalidade, brincando com o caos como se fosse uma boneca de porcelana, sem medo de quebrar pois já conhece ou sente o seu limite.

Depois de ter engado a todos, Joaquin corria o risco de nunca mais ser chamado para nada de grande relevância, muito menos no grande cinema. Eis que surge um homem chamado Paul Thomas Anderson. PTA, como é conhecido, é um adorador de cinema e sempre se mostrou muito entregue ao independente e visceral, busca referências ocultas na história da sétima arte ou na música. Certamente assistiu e se impactou com o documentário I’m Still Here, enxergando no protagonista insano a perfeita representação de um personagem que trabalharia em “The Master”.

Em “O Mestre” não se sabe ao certo quem dá as regras. O mestre, como era de se imaginar, cria o seu seguidor mas se vê preso dentro da sua evolução, o homem racional e sua total insânia se confundem; há uma proposta primitiva, um ser rastejante sobrevivendo entre a gasolina, guerra e sexo.

Se sabe que Paul Thomas Anderson pediu para Joaquin Phoenix assistir ao documentário-ficçãoOn The Bowery, então restou ao ator criar um universo caótico dentro de si, sua figura está torta, desenfreada, animalesca e irracional, um selvagem vítima das torturas da guerra – literal ou espiritual? – que se entrega ao álcool e transa até com uma representação da mulher… Feita com as areias da praia. É um personagem complexo, que só poderia ser interpretado por alguém capaz de atingir um nível épico de entrega, sem se limitar as inseguranças que a exposição traz, principalmente em um tema como em “The Master”.

“Ela”, de Spike Jonze, também poderia ser usado como representação perfeita da versatilidade do ator em compor expressões que afastam qualquer possibilidade de crítica, nesse belíssimo filme sobre isolamento emocional e físico, ele se entrega à sensibilidade: seus movimentos são suaves, delicados e sua voz é doce. Um personagem que se apaixona por uma voz, um celular, uma maravilha que não existe em canto algum, senão, no coração, seja do protagonista ou daqueles que assistem. “Ela” representa um sentimento de carinho mútuo, também conhecido como amor.

Em “Vício Inerente”, novamente parceria com Paul Thomas Anderson, Joaquin se entrega ao divertimento, um personagem sujo, transitando por entre personagens e calçadas estranhas, vazias e acolhedoras. É uma grande brincadeira inteligente com o gênero noir e os anos 70, auge do movimento hippie – há quem diga que Phoenix começou a andar descalço após gravar esse filme, cuja experiência de filmagens foi maravilhosa, segundo ele.

Em “Homem Irracional” ele faz uma parceria com Woody Allen que já afirmou em diversas entrevistas que escolhe minuciosamente os atores com quem irá trabalhar – o que me faz imaginar como o vovô Allen reagiu assistindo “The Master” e o que o fez ter escolhido Joaquin para interpretar o seu famoso personagem alter ego professor de filosofia-existencialista-pessimista. Inclusive, algo interessante de se notar, é que a maioria dos filmes de Woody Allen, os atores que interpretam seus personagens sempre aderem características típicas do diretor, mas Joaquin se preocupa em se distanciar desse esteriótipo e cria um personagem sedutor, com uns quilinhos a mais e expressões de derrota emocional, provocadas pelo conhecimento.

É um filme que, pessoalmente, não chamou a minha atenção – principalmente por causa do terceiro ato – mas ainda assim marcou minha vida pela parceria entre um dos meus ídolos ( Woody Allen ) com o meu ator ( do grande cinema americano ) atual favorito.

Em conclusão, Joaquin Phoenix sempre se explorou de forma muito orgânica, extremamente natural e simples nas composições, sem perder a força e o impacto, o que certamente é muito complicado. Apesar de ter um nome e rosto conhecido, consegue, por meio do excelente trabalho, fazer-nos esquecer quem é, há uma relação íntima de despimento onde o salto de um personagem para o outro acontece sem artifícios ou caminhos fáceis de atuação, como uma mudança física muito grande – que não seja em base à própria expressão facial ou corporal – tudo acontece de forma mais realista possível.

Phoenix é amante do caos e, sem muita morosidade, consegue colocar em prática alguns pensamentos do Artaud ao reinventar-se de maneira insana, extraindo todas as suas forças para abraçar à transformação, envolvendo o espectador. Parece simples, mas é algo que só é possível por uma alma que aprendeu a descolorir o mundo ao seu redor, utilizando as cores roubadas para pintar um sorriso ou uma lágrima no rosto. Esse é Joaquin Phoenix; assistir o seu trabalho é morrer e encontrar esperança nas cinzas.

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CdA #41 – Drama, 2010

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“Onde os outros propõe obras, eu não pretendo mais do que mostrar a minha alma”– Antonin Artaud

É com essa frase, no mínimo, curiosa, que a obra metalinguística de Matias Lira abre as cortinas. A metalinguagem está no próprio título: “Drama”. O tema explorado é o teatro, na sua versão mais verdadeira, portanto, essa palavra nos transporta ao princípio, a tragédia, a Grécia.

No episódio 41 do podcast [Cronologia do Acaso] Emerson Teixeira e o novo integrante da equipe André Albertim  (http://www.assoprandocartuchos.com.br/) falam sobre o filme Chileno chamado “Drama” de 2010. Conheça um pouco mais sobre o teatro da crueldade, investigue conosco o que é ser um ator e muito mais.

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