Imagine, 2012

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Imagine (Idem, Polônia, 2012) Direção: Andrzej Jakimowski

“Imagine”, de 2012, é um filme dirigido por Andrzej Jakimowski, que acompanha a história de um professor cego que é convidado para dar aula em uma escola – também para deficientes visuais – e, aos poucos, ele vai implementando uma forma ousada de trabalho, no qual se propõe a aumentar o senso de criatividade dos alunos em base ao som das coisas. Essa postura vai de desencontro com o que a escola acredita ser uma boa educação, ainda mais, o professor se arrisca andando sem ajuda de nenhuma ferramenta, o que preocupa ainda mais a escola pois temem que um aluno seja atropelado ao caminhar pelo pátio confiando unicamente na sua intuição e sensibilidade auditiva.

Começamos pelo maior ponto positivo que é, sem dúvida, a intenção de explorar a importância da imaginação enquanto somos vivos. Muito distante do fato da perca de visão, o filme sugere à todos espectadores uma experiência carinhosa: sermos cegos por uma hora e quarenta minutos. Ser cego todos àqueles que não reparam nos detalhes das coisas mais simples são, o filme trabalha essa questão de forma linda, cativante e realista, inverte os papeis e coloca a limitação visual apenas como mais uma barreira imposta pela vida. Com a ajuda do som – excelente durante todo o filme – podemos perceber quantos barulhos existem no mundo, cada passo no filme é alto, com a clara intenção de priorizar aquilo que os personagens estão em contato.

O som é tão destacado, que até mesmo reconhecemos os passos dos personagens principais, bem como o lugar que eles estão. Por diversos momentos me peguei fechando os olhos e escutando o filme com muita atenção, em seguida descrevia, ainda com os olhos fechados, o que se passava visualmente. É uma experiência arrebatadora e muito interessante.

No entanto, preciso mencionar os lados negativos também e começamos pelo roteiro. Mesmo que a ideia seja interessante e bonita, o desenvolvimento é praticamente o mesmo visto em inúmeros filmes que envolve um professor, uma ideia diferente, alunos e tudo isso se chocando com a ideologia da escola. Isso sem contar o ritmo lento que, infelizmente, fica ainda pior com algumas cenas que se repetem.

Por fim, “Imagine” é uma ideia muito boa, acompanhada de perto por uma má execução. Salvo, felizmente, por algumas cenas emocionantes como a do final, interpretação do Edward Hogg – é perceptível muita entrega do ator ao desenvolver o protagonista – e, claro, o som. Mas ainda assim é extremamente conhecido na polônia, tendo ganhados inúmeros prêmios incluindo direção, filme e som.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Tom na Fazenda, 2012

5

Essa crítica faz parte de uma maratona que eu estou fazendo do diretor Xavier Dolan. Até algum tempo, não tinha assistido nenhum dos seus filme e, para me redimir desse erro, estou fazendo sessões em ordem cronológica afim de descobrir a mente e coração desse jovem diretor. Caso queira se aventurar comigo, leia também as críticas sobreEu Matei Minha Mãe”, “Amores Imagináriose “Laurence Anyways”.

Voltamos ao Xavier Dolan, que maravilha. Mesmo que os seus dois filmes anteriores tenham sido medianos, existe um fascínio em descobrir mais o trabalho desse jovem diretor. Parece que estamos diante a alguém com milhares de coisas guardadas no coração e, a cada nova obra, diversas palavras são ditas de forma desorganizada, como se fosse um desafio, restando-nos tentar juntar as peças e criar uma só mensagem.

Antes de começar a análise, dei-me licença para um pequeno devaneio: algo que, na narrativa, me encanta no Xavier Dolan é essa atitude minimalista dele de levar o “universo gay” à qualquer tema que aborde. Antes que me julguem, acho isso lindo e importantíssimo, esse universo citado é em relação à angústias, dilemas, preocupações, enfim, mesmo que de forma implícita, sempre há temas como preconceito para com os homossexuais ou, até mesmo, a divulgação do amor. E o amor, por ser tão grandioso e inexplicável, não se resume em homem ou mulher, hétero ou homossexual, isso é perca de tempo. Então o “universo gay” é o “universo humano”, todos somos uma única coisa, iguais, e o diretor possibilita essa reflexão diversas vezes nos seus trabalhos.

“Tom na Fazenda” é o quarto filme do Xavier Dolan e acompanha a história de um jovem chamado Tom que vive o luto do seu namorado. Após perdê-lo, ele vai para uma fazenda, ao encontro da mãe do seu amor mas, ao chegar lá, percebe que a senhora não sabia sobre a opção sexual do filho. Ele ficará nessa fazenda até o funeral do namorado/amigo e viverá a prisão da perda e preconceito.

É importante destacar que o Xavier Dolan abandona alguns exageros – como o slow motion constante, muita utilização da música etc – e desenvolve a sua história de forma muito mais madura. Algo comum, pois se trata de um filme de suspense e, mesmo que traga algumas das suas principais características, o abuso exagerado de outras tiraria o foco dos personagens.

A fotografia que pende para o amarelo traz consigo o desconforto, o protagonista, ao chegar na fazenda, entra na casa como se conhecesse a família do namorado há muito tempo, algo que será contrariado depois. Portanto, existe uma atmosfera deslocada, nebulosa que faz alusão ao sentimento de luto de Tom, incluindo a própria fotografia, é como se a fazenda representasse o passado e ele não consegue sair dali e, muito menos, impor os seus desejos – prova disso é que ele não faz o discurso no funeral, ou seja, se recusa a acreditar que o namorado está morto pois é confortável viver no passado.

O namorado de Tom tem um irmão que é homofóbico e machista, pressiona todos e lidera a bestialidade, é o verdadeiro contraste de Tom que, ajudado por uma atuação contida do próprio Xavier Dolan, se revela muito delicado e frágil. Podemos relacionar todos os personagens com estágios da consciência: Tom é o jovem querendo se assumir para o mundo; Francis ( irmão do namorado de Tom ) é a sociedade que repreende o jovem; a mãe é a visão arcaica sobre a sexualidade, união e amor.

“Hoje foi como se uma parte de mim tivesse morrido, pois não consigo chorar. Eu esqueci os sinônimos da palavra “tristeza”. Agora, só o que posso fazer é substituí-lo”.

A frase acima abre o filme e, ainda, é o discurso que Tom faria no funeral. Esse texto é escrito pelo protagonista em um papel higiênico e resume bastante o que virá a seguir. A “substituição” no final da frase é direta, sem rodeios e, em um primeiro momento, assusta, mas de fato todos precisamos aceitar que substituímos pessoas constantemente. Outro ponto é que o longa percorre uma verdadeira injustiça, com Francis não aceitando de nenhuma maneira as escolhas e opção sexual do irmão que falecera, fica uma sensação amarga no espectador de entender que isso é muito comum na nossa sociedade preconceituosa.

A frase acima é poesia pura, exala amor até o ponto final, mas é visto, ignorantemente, como algo abominável. No entanto, se fosse escrito em base a uma relação heterossexual seria considerado normal e maravilhoso. Que difícil viver nesse mundo onde o amor é descartado, as palavras são excluídas e só existem as interrogações “para quem foi feito?” e “quem você ama?”. Pouco importa! respondo, senão amar, conhecer e sentir, independente de “com quem”, “como” e “porque”. Dúvidas ignorantes sanadas por respostas egoístas.

“Tom na Fazenda” não é maravilhoso como o primeiro trabalho de Xavier Dolan “Eu Matei Minha Mãe”, mas ainda assim é um grande avanço na sua carreira pela construção narrativa de uma história trágica.

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Laurence Anyways, 2012

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★★★

Essa crítica faz parte de uma maratona que eu estou fazendo do diretor Xavier Dolan. Até algum tempo, não tinha assistido nenhum dos seus filme e, para me redimir desse erro, estou fazendo sessões em ordem cronológica afim de descobrir a mente e coração desse jovem diretor. Caso queira se aventurar comigo, leia também as críticas sobre “Eu Matei Minha Mãe” e “Amores Imaginários“.

“Laurence Anyways” é o terceiro filme do Xavier Dolan, o espaço de tempo entre o segundo e o terceiro foi maior, dois anos, e a primeira coisa que é possível perceber é a necessidade do diretor em contar uma história diferente, com muito mais profundidade no que diz respeito a sexualidade. Entretanto, se por um lado o jovem foi deixado um pouco de lado nesse terceiro filme, do outro ainda estão presentes certos “vícios” do diretor, como a câmera lenta, uso de boas músicas, filmagem acompanhando o personagem pelas ruas e, principalmente, o uso de cores. 

Na história acompanhamos uma década da vida de Laurence – interpretado maravilhosamente por Melvil Poupaud – que, depois do seu aniversário de 30 anos, resolve revelar para os amigos, namorada e família que deseja se tornar uma mulher, pois se sente como tal. A partir disso será desenvolvido, através de cenas bem singelas e ritmo lento, todo o processo de aceitação e coragem para enfrentar as mudanças, no mesmo tempo que o filme trabalha o lado emocional da namorada do protagonista, Fred – interpretada pela excelente Suzanne Clément – que não consegue aceitar a situação facilmente.

O casal é apresentado com o ritmo acelerado, conhecemos pouco, no início, além da paixão descontrolada entre eles e a postura livre e despreocupada. O que é bem interessante e funciona para o entendimento da história, visto que no segundo e terceiro ato a história se arrasta demais, sendo um reflexo da própria maturidade.

Assim como ressaltei nas críticas anteriores sobre os filmes do Xavier Dolan, os objetos da casa são muito importantes para a compreensão simbólica da psicologia dos personagens, no entanto me aprofundar aqui seria me repetir, pois apesar de ter admirado essas mensagens subliminares em “Eu Matei Minha Mãe“, em “Laurence Anyways” se transforma em algo pouco inovador. Esse é um ponto fraco do terceiro trabalho de Dolan, o diretor, muito provável que seja pela idade, teima em repetir truques desnecessários.

No entanto, algo que volta a fazer muito bem é o uso das cores, se em “Amores Imaginários” o azul era uma cor crucial, nesse terceiro o vermelho assume tal importância, talvez maior. Desde as primeiras cenas o casal cita o vermelho e é possível perceber que a cor soa como uma entidade mística que envolve os dois. Percebam – aliás, é difícil não perceber – que durante boa parte do filme o cabelo da Fred – namorada do protagonista – é vermelho, ela só muda a cor quando vai se distanciando do seu amor ou de quem foi um dia.

A câmera subjetiva, utilizada com frequência desde o início, dá um tom interessante a trama, nos posicionando nas angústias do protagonista, admirando um mundo repleto de julgamentos. Não à toa o diretor faz questão, muitas vezes, de filmar os personagens em segundo plano, sempre escondidos atrás de uma parede, de forma que eles sejam “engolidos” pelo cenário. É visualmente estranho essa decisão – principalmente por conta do uso com frequência – mas remete diretamente aos sentimentos das personagens.

Se existe toda a capacidade e incapacidade do diretor, o outro lado e, talvez, o que mais me encanta no Xavier Dolan é sua capacidade de escrever roteiros tão sutis e, no mesmo tempo, impactantes. É de grande importância que exista um hino ou representante dos filmes LGBT, e o mais incrível é que Dolan ultrapassa essa barreira e desconstrói tudo para falar sempre de amor. Nem mesmo o ritmo fraco do filme tira a profundidade das suas personagens: Laurence é a representação do homem moderno, mergulhado em indecisões, ele passa a enxergar a vida de outra forma, sendo representado pela troca de identidade. No mesmo tempo que a sexualidade é importante, não é a maior importância, pois o diretor pretende analisar o homem sensível, independente de qualquer outra coisa. Um ponto importante do personagem é que ele, mesmo com a decisão de se assumir mulher, é hétero, o que gera ainda mais confusão na namorada e família, e que representa fielmente a ignorância da população em questões como gênero, identidade de gênero e orientação sexual.

A namorada, por sua vez, é a sem dúvida a personagem mais interessante, pois os impactos de toda a mudança do filme cai sobre ela, a ousadia e coragem de Laurence o isenta de melancolia, enquanto Fred, sua namorada, não está preparada para tal atitude. A menina agitada e rebelde dá lugar a uma perdida, Suzanne Clément cria uma personagem maravilhosa através de olhares, expressões corporais e protagoniza uma das cenas mais lindas que eu já vi no cinema: quando surta com a gerente de uma cafeteria, de modo a se proteger e proteger o namorado do preconceito que os atinge constantemente.

O filme é, sem dúvida, uma preciosidade para ser sentida com muita entrega, é uma verdadeira ferramenta de evolução pois aborda um tema pesadíssimo de forma sutil, quase imperceptível. A borboleta, que culturalmente representa a transformação, nunca aparece em momentos importunos, pois vivemos sempre atrás de uma outra vida e outras oportunidades. E, no final do filme, quando o cabelo de Fred já não é mais vermelho e fica claro que a moça se desprendeu do passado, ela pede licença para Laurence e entra em um banheiro com paredes vermelhas, como se fosse prisioneira de algo que viveu, prisioneira de um sentimento. Quem não é, afinal?

  • Isso é uma revolta?
  • Não, uma revolução.

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CdA #59 – Desconstruindo o gênero romance

romance

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No episódio #59 do podcast [Cronologia do Acaso] Emerson Teixeira convidou Tiago Messias e Tiago Lira para conversar sobre o gênero romance e, principalmente, citar alguns filmes que trabalham com o tema “amor” de forma interessante.
Como bônus ainda temos uma rápida participação do André Albertim, indicando três filmes via Whattsapp.

Obs: Por conta de um erro de captação, em alguns momentos o áudio trava, mas nada que compromete o conteúdo do episódio.

Site do Tiago Messias: https://altverso.wordpress.com/

Site do Tiago Lira: http://umtigrenocinema.com/

Alguns filmes citados durante o podcast:

  •  Edward Mãos de Tesoura, 1990
  • Antes do Amanhecer, 1995
  • Antes do Pôr-do-Sol, 2004
  • Antes da Meia-noite, 2013
  • Brokeback Mountain, 2005
  • As Amizades Particulares, 1964
  • Sim ou Não, 2010
  • Chasing Amy, 1997
  • Bridegroom, 2013
  • Apenas uma Vez, 2006
  • Mundo Cão, 2014
  • O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, 2001
  • Jules e Jim, 1962
  • Sonhando Acordado, 2007
  • 500 dias com ela, 2009
  • Ruby Sparks, 2012
  • Amour, 2012
  • Farrapo Humano, 1945
  • Encontros e Desencontros, 2003
  • Wall-E, 2008
  • Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, 2004
  • Garota Ideal, 2007
  • Juno, 2007
  • Meia Noite em Paris, 2011
  • Bonequinha de Luxo, 1961
  • Se o Meu Apartamento Falasse, 1960
  • Espuma dos Dias, 2013
  • Ensina-me a Viver, 1971
  • Copenhagen, 2014
  • Helpless, 2012
  • Manhattan, 1979
  • Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, 1979
  • I’m a Cyborg, But That’s Ok, 2006
  • O Profissional
  • Bonnie and Clyde, 1967
  • Sabrina, 1995
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Helpless, 2012

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★★★★

O cinema Sul-Coreano sempre surpreende e não é de hoje que afirmo, com convicção, que se trata de um dos melhores cinemas da atualidade. O motivo é muito simples: Há uma preocupação por parte dos diretores em mesclar um bom roteiro com uma direção extremamente consciente e honesta. Não existe muita preocupação em exibir todos os truques do mundo para contar uma história, apenas o essencial. Essa simplicidade técnica é crucial para o desenvolvimento das tramas que, como é o caso de “Helpless”, depende do seu mistério para prender a atenção.

Essa postura citada dos diretores coreanos parece ser parte de uma fórmula própria do cinema Sul-Coreano, isso porque até mesmo diretores novatos em longas conseguem resgatar essa necessidade e, muitos, o fazem com perfeição. Como é o caso de Young-Joo Byun, diretor de “Helpless” que segue o padrão mas nunca cai no clichê dos filmes de investigação por investir no seu protagonista e em uma série de dramas que o perseguem, principalmente vinculado ao “abandono”.

A história é super simples e direta: Um casal está prestes a se casar e, de repente, a noiva some. O que desencadeia um verdadeiro desespero no noivo e ele parte então para uma investigação junto com um policial para encontrar sua mulher. Mas durante o processo ele começa a perceber que nunca conheceu, de fato, a mulher que ele dividiu momentos felizes e sonhos.

Começo ressaltando a performance dos atores Lee Hee Joon e Kim Min Hee – o noivo e a noiva, respectivamente -, dando um maior destaque para o primeiro. A investigação existe nos filmes da Coréia do Sul, é um tema muito “investigado” por esse cinema. Contudo, o aspecto mais importante de “Helpless” é que, em nenhum momento, o filme se entrega ao suspense ou abraça a tentativa desesperada de criar tensão. Muito pelo contrário, desde o começo, através de algumas decisões técnicas, o diretor parece mais interessado em analisar o sentimento de abandono por parte do noivo, do que criar a dúvida no espectador. Aliás, essa dúvida pode surgir através da empatia pelo sofrimento de Seung-joo. Afinal, quais as consequências psicológicas de uma barreira colocada de forma brusca entre o protagonista e o amor/sonho de se casar?

O casamento na Coréia do Sul é visto de forma diferente, há uma série de pretensões diferentes do mundo ocidental. Até por esse motivo existe algumas cenas que remetem a dor e solidão de forma extremamente impactantes e, no mesmo tempo, inacreditavelmente sutis.

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O casal é apresentado logo no início do filme, em um dia chuvoso a noiva – Kyeong-seon – olha através do vidro e a sua expressão se relaciona subliminarmente com o incomodo. Contrastando com o olhar alegre do noivo – Seung-joo -; Esse olhar por sinal é intimidador, assim como as cenas das lembranças que parecem sempre querer extrair o máximo o desejo de proteção por parte do noivo.

Ainda nas primeiras cenas a noiva desaparece. E a fotografia vai ficando cada vez mais soturna, com muitas sombras e o personagem envolto de cores azuis, desde sua roupa até a própria iluminação no exterior das janelas.

Essa mesma fotografia escura, remetendo-nos a melancolia, dá lugar a luz e claridade das primeiras cenas de flashback, onde vemos o noivo e a noiva conversando sobre o casamento e os impactos dessa união em suas vidas posteriormente. Engraçado é ressaltar que, além da luz, outra coisa que agride emocionalmente o espectador é a forma que o Seung-joo abraça Kyeong-seon, como se estivesse gritando “por favor, não vá embora“.

Um pouco antes do flashback. Fotografia soturna, protagonista mergulhado na depressão.

Um pouco antes do flashback. Fotografia soturna, protagonista mergulhado na depressão e sentado em frente a um quadro do seu casamento, a sua fuga.

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Super exposição da luz, que transmite a ideia de paz, bem como transforma a noiva em uma deidade, visto que a luz está bem direcionada à ela

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Uma superproteção por parte do noivo. No mesmo tempo que a noiva se “sufoca” com esse amor, como se não fosse merecedora de tal afeto.

Young-Joo Byun não está preocupado com reviravoltas – até porque nesse quesito o filme não surpreende -, mas é possível sentir o quanto está obcecado em levar esse sentimento de perda à quem assiste. É um verdadeiro ensaio sobre o “desprender”. Tanto que durante as investigações o diretor opta por planos que deixam o protagonista sem espaço, aprisionando-o em alguns objetos de cena, o que imediatamente transmite a sensação de claustrofobia.

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Existe também um certo momento, mais ou menos na transição do primeiro para o segundo ato, onde o desespero para encontrar a noiva dá lugar a ansiedade de saber quem ela é. Justamente nesse ponto o filme se torna mais desesperador, de forma sublime vamos desvendando pequenos detalhes sobre a vida da noiva e percebemos que ambos são vítimas de suas próprias expectativas.

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Uma cena que ilustra visualmente toda a proposta do filme é um momento que vemos o protagonista sentado, em frente ao mesmo quadro do seu casamento que aparece logo nos minutos iniciais só que, desta vez, a iluminação exterior é azulada, o quadro ganha as cores azuis ao seu redor e desconstrói aquela iluminação, fruto de uma esperança em outrem que, como mostrado, não passa de uma ingenuidade, talvez todos os indícios estavam presentes desde o início, mas a paixão o tornou ignorante e cego.

Continuando as cenas impactantes é impossível não citar brevemente o final que, diferentemente do óbvio, não se utiliza de uma explosão da trilha sonora, muito menos exageros na atuação e direção, pelo contrário, tudo muito orgânico e natural, mesmo com a situação deveras estranha. É quando o ator Lee Hee Joon atinge o limite da sua performance e nos brinda com um desfecho maravilhoso, digno de uma obra extremamente preocupada com os detalhes e que sabe mesclar a direção e fotografia para criar uma obra extremamente obscura e, no mesmo tempo, melancólica.

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Eu e Você, 2012

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★★★★★

Bernardo Bertolucci dava indícios de que não voltaria a dirigir novamente, depois de um estrondoso sucesso, filmes como “O Último Imperador” e “Último Tango em Paris” parecem ser os mais aceitos pelo grande público. Por ora destaco a capacidade única do diretor em brincar com a sexualidade do homem, em prol a uma análise profunda sobre o seu desenvolvimento, enquanto inserido em uma sociedade.

Em “Os Sonhadores”, de 2003, ele provocava com o sexo, belezas puras e estonteantes de atores como Michael Pitt e Eva Green, mas usava esse delicioso artifício para compor todo um pensamento que ia de encontro com uma crítica social, unindo com diversos outros elementos, como por exemplo a metalinguagem, ao resgatar com propriedade o próprio cinema para estruturar as personalidades de suas personagens.

“Eu e Você”, que é o mais recente trabalho do diretor, baseado no romance homônimo de Niccolo Ammaniti, também é eficaz enquanto obra provocante. Bem mais singelo do que o destacado acima, ele se torna especial exatamente por esse motivo. As metáforas visuais são bem mais contidas, indo em direção ao que os personagens estão passando naquele momento. Se em “Os Sonhadores” a nudez era uma metáfora, aqui o amor e família são pontos chaves a serem desconstruídos.

Lorenzo ( Jacopo Olmi Antinori ) tem 14 anos, prestes a fazer uma viagem com a escola, ele decide no último momento em não entregar o dinheiro para a professora e fazer compras. Compra comida o suficiente para sete dias, o seu objetivo é o seguinte: se trancar no porão do seu apartamento, viver ali isoladamente, enquanto mente para sua mãe que está na viagem com a escola. Esse plano dá certo até que sua meio-irmã aparece, usuária de drogas, ela está procurando um refúgio, ou seria uma companhia?

Eu sou uma pessoa existencialista, não entendo e nunca entendi muito bem o meu propósito. Até ai tudo bem, o problema é quando você faz dessa ausência de respostas um motivo para nunca estar completo. Nada proposital, eu garanto. Por muito tempo não sabia como lidar com a obrigação de me sentir perdido constantemente, por diversas vezes me encontrei querendo estar sozinho, seguindo caminhos diferentes daqueles que a rotina grita em nossos ouvidos, mentindo para pessoas que amo, enfim, tudo motivado exatamente pela frustração de não haver um objetivo concreto, ou pelo menos não conseguir senti-lo.

Observando sobre esse aspecto, eu senti que o filme era um retrato da minha vida. Mesmo que com algumas diferenças gritantes, a sensação de precisar estar trancado foi muito semelhante na minha vida.

Lorenzo mente para ficar só, pois sabe que se não fosse para a viagem, haveria discussões, no mesmo tempo que se decidisse ir, estaria solitário do mesmo jeito. Visto que desde o começo do filme o garoto aparenta estar extremamente desconectado com os demais colegas. Temos então um personagem aparentemente sem propósito, nem mesmo sua decisão é fruto de uma maturidade. É derivado da irresponsabilidade? Talvez. Apesar de considerar muito precitado um julgamento, pois a reação que ele teve é necessária para uma auto descoberta, onde o isolamento desabrochará como uma oportunidade para um feliz e enigmático reencontro, não com uma irmã, mas com um espelho.

Se no primeiro ato temos o personagem lidando com os seus conflitos, se ajustando a sua nova fase, mesmo que ela tenha um tempo limitado para existir, na segunda somos arrebatados para um drama ainda mais profundo, não desvalorizando a primeira, pois ambas caminham de mãos dadas, mas é inevitável a comparação. Quando a Olivia aparece, há um confronto entre a ilusão e realidade. Se o filme fala sobre a necessidade do ser de criar muros em volta de si mesmo, a partir de então temos uma personagem  voyeur, que espia com uma elegância impar em cima do muro do Lorenzo, que protege o seu coração com o máximo de dedicação possível.

Os dois estão em busca de isolamento, para disfarçar uma fuga, e no caso dela é muito mais assimilável, pois está tentando sair das drogas para, enfim, viver uma vida ainda mais distante – a mesma afirma diversas vezes que deseja morar no campo. A droga, aqui, é uma metáfora, representa a vivência, o entender do meio. Enquanto o menino recusa suas oportunidades sem nem ao menos tentar, conhecendo assim pouco do mundo, Olivia é uma diplomada do vento, já viveu o suficiente para entender como as coisas são.

Percebam como a todo momento, ela age como se tentasse definir o seu irmão, é quase uma consulta. Isso ficará ainda mais ilustrado a seguir, quando ela revela que fazia trabalhos fotográficos, explica um dos ensaios e usa a seguinte explicação:

Eu sou um muro. Basicamente sou eu que me torno um muro. Eu entro no papel de parede dentro do gesso […] Praticamente eu queria me desmaterializar, você e eu se não tivéssemos mais um ponto de vista seriamos iguais, certo? Isto é, sem um ponto de vista deixaríamos de estar um contra o outro e aceitaríamos a realidade como ela é, sem julgá-la. […] Foi a droga que me deixou negativa, antes eu conseguia estar dentro dos muros.

Percebe-se, por esse diálogo, junto com a boa interpretação da atriz – há de ser destacado o trabalho da Tea Falco, bem como ressaltar a curiosidade de que ela, na vida real, também se interessa muito por fotografia – que a personagem é uma exímia observadora da vida, uma devoradora de existências, ela parece no início do filme extremamente vazia, mas era simplesmente influência da droga, quanto mais vai ficando limpa, mais percebemos a sua capacidade intelectual e, mais do que isso, sua sensibilidade. Aliado a isso, estranhamente, temos o fato de que mesmo com toda maturidade e personalidade, a mesma esteja perdida, dependendo de um outro alguém para analisar, como se precisasse do mundo para se inspirar e, assim, respirar por mais um dia.

É de uma importância tão grande, de um carinho confortável, que independente da qualidade da fotografia, que deixa a desejar em alguns momentos, nos prendemos aos pontos positivos, como metáforas visuais, ligando o personagem Lorenzo com as formigas ou até mesmo o tatu que, dentro de sua gaiola, anda em um movimento que se assemelha ao simbolo do infinito, no mesmo tempo o garoto também, em um momento de tédio, faz a mesma coisa. Ele está em um porão fechado, com somente uma janela, sozinho e sem nada para fazer, o movimento do infinito representa a interminável sensação do garoto de estar daquela maneira, mesmo que supostamente livre. O local “porão” é só um detalhe, pois tudo é um porão para ele.

O espaço sujo e apertado é, afinal, um reflexo dos dois, que são diferentes, mas exatamente iguais, se não fosse pelo ponto de vista, ou seja, experiência. Ele bebe calmante para aliviar a sensação de aprisionamento e ela para passar a dor. Os dois, de fato, são escravos da ausência de amor, crias do abandono.

Não poderia terminar de outra forma, que não destacando a cena mais importante – pessoalmente uma das mais bonitas que eu já vi a vida – onde Olivia começa a interpretar a música Ragazzo Solo, Ragazza Sola do David Bowie, olhando profundamente para o seu irmão e esse a aplaudindo, aliás, a música é tão linda e encaixa tão bem, que parece que a história foi desenvolvida a partir dela.

Minha mente decolou,
um pensamento
apenas um
Eu caminho enquanto a cidade dorme
Os olhos dela na noite
faróis brancos na noite
uma voz que fala comigo
quem será?
Diga, garoto solitário para onde vai?
por que tanta dor?
você perdeu, sem dúvida, um grande amor
mas de amores a cidade está lotada
não, garota solitária
desta vez você está errada
não perdi apenas um grande amor
ontem à noite eu perdi tudo com ela

Reparem que no exato momento que começa o trecho “Diga, garoto solitário para onde vai?”, ela puxa o seu irmão e o abraça, logo em seguida em “você perdeu, sem dúvida, um grande amor” ele, até então contido, abraça sua irmã com toda força possível. Como se quisesse dizer “sim, você entendeu tudo, mesmo que eu mesmo não entenda”.

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Filmes alternativos sobre a relação pai e filho

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Enfim, os dias dos pais. Pessoalmente eu invejo muito aqueles que fazem um belo almoço, dão presentes, abraçam e beijam os seus pais nesse dia ou em qualquer dia do ano. Essa presença tão importante permanece, há bastante tempo, inexistente na minha vida.

Mas essa postagem não é para lamentações, até porque não fico triste, pois, a vida nos recompensa de diversas formas, pai não é aquele que nos colocou no mundo, não é somente homem. Existem mães que batalham dia a dia para dar o melhor aos filhos, existem amigos que protegem em qualquer circunstância, existem pessoas que nem sabemos o nome, mas que estão aqui ou lá, presentes nos nossos corações.

Não existe um dia específico, uma data do ano é muito pouco para tamanha importância. Mas beije, abrace, diga um lindo e feliz “eu te amo” ao seu pai. Se você está lendo isso, dê uma pausa, procure se entregar mais, não hoje, nem amanhã, mas sempre.

Se o seu caso é como o meu, não se lamente, comente o quanto a vida é legal por deixar você enxergar o outro lado. Ame, independente de classificações.

Bem, vamos lá: essa postagem é para recomendar alguns filmes que possuam alguma relação com esse tema ou simplesmente tenham um personagem pai que por algum motivo chamou a minha atenção.

A Música Nunca Parou, 2011 

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Me emociona só de lembrar. Existe uma relação, inicialmente, do filho com a música o que acaba, por consequência, criando um conflito com o pai. É uma metáfora interessante, pois um gosta de Rock, aquele que mesclava – impulsionava – o movimento hippie e o outro aprecia um bom clássico.

Quando o filho começa a lidar com o esquecimento, a única coisa que liga os dois é exatamente a música, o pai faz da arte a sua respiração, o seu recomeço.

A Lula e a Baleia, 2005

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Como a ideia é tentar resgatar da memória vários caminhos do mesmo tema, nesse longa dirigido pelo Noah Baumbach, temos o exemplo claro de um personagem ( pai ) fragilizado diante ao processo de mudança, no caso, da separação com a esposa. Interpretado maravilhosamente pelo Jeff Daniels, há ainda uma relação curiosa com o filho, que o segue e, inclusive, o imita. De forma a estabelecer algumas dicas em relação a psicologia daquele convívio familiar, onde o pai impõe os seus gostos e a sua cultura.

Sempre Estarei Contigo, 2012

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Temos aqui um pai, do tipo herói, já idoso ele pode se orgulhar de ter todos os filhos criados e, ainda mais, ter ajudado os netos a terem suas próprias terras. Um ser humano com a vida completa(?). Resta a esse senhor, perceber que precisa, finalmente, de mais tempo com a sua esposa, mas a sua vontade de sempre estar construindo algo o leva cada vez mais a pensar em outras possibilidades.

Tangerines, 2013

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Representante da Estônia no Oscar de melhor filme estrangeiro, acabou perdendo para “Ida”. Aqui temos a figura paterna da proteção, seja dos personagens que estão em guerra que aparece e o cuidado que existe ali ou a proteção de uma lembrança.

Crítica do filme: http://cronologiadoacaso.blogspot.com.br/2015/01/tangerines-2013.html

A Busca, 2013

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Esse filme mexeu tanto comigo que escrevi sobre ele chorando. Uma perfeita simbologia ao ato de buscar aquilo que se perdeu, seja diante as próprias atitudes ou pelo tempo. As pessoas crescem, buscam liberdade, constroem suas próprias famílias, se vão, a busca se torna, consecutivamente, ir em frente.

Cítica do filme: http://cronologiadoacaso.blogspot.com.br/2014/07/a-busca.html

É Tudo Tão Calmo, 2013

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Esse filme da Holanda, silencioso e contemplativo ao nível máximo, é bem particular. Bem como é restrito, é complicado digerir perfeitamente, é preciso calma, assim como a própria tradução sugere. Aqui temos o exemplo do “cuidado”, um filho cuidando do seu pai e lidando com a verdade de que a morte se aproxima, no mesmo tempo que ele é triste por isso, existe ainda o cansaço.

Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada, 2007

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Esse é talvez o filme mais conhecido da lista. Ele mora no meu coração pois me encantou em diversos pontos, desde ser uma comédia romântica perfeita, passando pelas atuações gostosas do querido Steve Carell e a diva Juliette Binoche até chegar a profundidade.

Temos um viúvo, que tem problemas para reconstruir a sua vida, até por ser um pai muito dedicado. E, em uma confraternização em família, ele se apaixona pela namorada do irmão, mas, mais do que isso, aprende a valorizar os seus próprios interesses e percebe com perfeição que, para ser um bom pai, é preciso, também, estar completo e, para isso, precisa ter uma vida.

A Outra Família, 2011

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Esse filme mexicano me agradou bastante. Uma criança foi abandonada por uma usuária de crack e foi adotada temporariamente por um casal gay. Existe uma polêmica presa somente nessa sinopse, mas o filme não é um melodrama, pelo contrário, muito consciente e respeitoso. O que é, de fato, uma família?

Alamar, 2010

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Outro representante do México, esse beira um documentário. Uma criança é dividida entre dois mundo após a separação dos seus pais. A mãe é uma Italiana, vive no mundo da cidade grande, prédios e modernidade, enquanto o seu pai é de origem Maia, leva uma vida que beira a primitividade, cercado pela natureza, vive de pesca, mergulhos, liberdade.

Acompanhamos o filho na natureza, a admiração está o rodeando o tempo todo, mesmo que nenhuma palavra seja dita. O filho admira o seu pai, por esse saber conviver com naturalidade tamanha com a sua própria simplicidade.

A Criança, 2005

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O que mais me agrada na filmografia dos irmãos Dardenne é a capacidade que eles tem em retratar essa relação de pais e filhos de uma forma inexplicavelmente incomunicável. Existe uma parede entre o espectador e a realidade apresentada, uma distância cruel, um desejo de tentar compreender os personagens, por vezes, vazios.

 “A Criança” tem como protagonistas dois jovens delinquentes, que acabaram de ter um bebê. Eles não sabem o que vão fazer da vida e a criança sofre com essa imaturidade ou falta de objetivo. Uma existência sem significado, uma nova vida fadada ao abandono.

Jérémie Renier e Déborah François estão surpreendentes.

Tudo que Quiseres, 2010

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Filme Espanhol, que navega por entre uma relação de pai e filha, onde ambos acabam de perder a mãe/esposa. O pai então, para acalmar o coração da menina, começa a se vestir como a mulher.

Crítica do filme: http://cronologiadoacaso.blogspot.com.br/2014/03/todo-lo-que-tu-quieras-2010.html

Caos Calmo, 2008

Está confirmado! Se eu tenho um pai no cinema, ele se chama: Nanni Moretti. Esse ator/diretor, esse filme, foi muito impactante para mim, em um momento que estava muito carente. Aliás, um outro filme do Moretti – que ele atua e dirige – chamado “O Quarto do Filho” de 2001 também poderia estar facilmente nessa lista.

A mãe/mulher também morre e o pai, vendo que sua filha está diferente, resolve sentar em uma praça, de frente a escola, todos os dias. Ou seja, ele leva a sua filha na escola e, depois, ao invés de ir trabalhar/viver, fica lá sentado até a menina sair.

É de um amor, é de uma sensibilidade que só assistindo. Para morrer de chorar e se encantar com tamanha beleza.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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