Entre o corpo, a tinta e a alma

O documentário “Pina”, dirigido pelo Wim Wenders, se encontra em um grau alto e desconhecido, onde a arte atinge o seu limite, morre e renasce. Provando mais uma vez que a expressão é a única fuga e esperança para todos os males do mundo, incluindo a perda.

pina

Desde quando o 3D virou mania nos grandes cinemas, sempre me provocou muita curiosidade. Demorei bastante para assistir um filme em 3D e, quando assisti, foi encanto imediato. Com o passar do tempo o fascínio foi diminuindo até se tornar um aborrecimento. Por ter consciência de que a maioria dos filmes hoje são convertidos para 3D, sem o mínimo de cuidado, apenas para aumentar o preço dos ingressos, a ferramenta – que pretendia levar mais pessoas ao cinema – se tornou apenas mais uma arma de manipulação do grande cinema-produto.

Contudo, assim como em todos os aspectos da arte e da vida, sempre há exceções e pude perceber isso assistindo “Pina”, o documentário onde o maravilhoso Wim Wenders faz uma carta de amor, junto com os bailarinos, à coreógrafa e dançarina alemã Pina Bausch.

Primeiro que é curioso notar a facilidade que o diretor Wim Wenders tem de se reinventar, transitando por entre linguagens diferentes, ele parece sempre manter intacta a habilidade de agredir visualmente o espectador, confrontar e abusar da capacidade de simbiose que o audiovisual pode atingir; isso fica claro desde o primeiro minuto do documentário que se baseia, basicamente, em mostrar algumas das principais coreografias da Pina enquanto os seus bailarinos falam sobre a sua mestre. É preciso ressaltar que, antes mesmo de começar a filmar a obra, Pina Bausch acabou falecendo, mas o diretor fez questão de continuar, claro, de forma diferente, para fazer uma homenagem a altura da grandiosidade de Bausch.

Pina Bausch é o maior expoente de uma expressão chamada dança-teatro. Como o próprio nome já diz, se baseia na interpretação com o auxílio de conceitos básicos da dança, movimentos e música. É de se destacar que a linha que separa a dança do teatro sempre foi muito tênue, no entanto existe alguns pontos cruciais na dança-teatro que são, por exemplo, a representação de um personagem e a linguagem sendo transmitida com uma sintonia entre o movimento e a palavra. A grosso modo, eu diria que essa expressão se aproxima muito da dança contemporânea, se revelando muito visceral e contemplando o humano na sua condição mais selvagem; afinal, todos nós nós somos cabíveis do movimento e da necessidade de expressão, portanto, um sutil balançar das mãos, se planejado e ensaiado, pode ganhar formas e contexto como dança ou teatro.

O que Pina Bausch fez, ao longo da sua história, foi reorganizar o homem diante a essa verdade absoluta e muito contestada: a arte existe para comunicar aquilo que não se mensura. A palavra, que ouvimos por diversas vezes no documentário, é transmitida através de expressões, olhares, a dança e a conexão dos corpos, no entanto, com a realização maravilhosa do filme e a utilização magistral do 3D, o espectador se sente capaz de perfurar essa separação que existe entre o real e a tela, tornamo-nos um só. O corpo é o movimento, a tinta são os bailarinos ( homens ) e a alma é a conexão que existe entre um indivíduo e aquilo que assiste ou sente.

Wim Wenders desconstrói o trabalho da Pina Bausch e se mantém coerente na contemplação da sua genialidade, pois ele mesmo é genial no seu registro. Esse é um dos casos raros que a arte atravessa o tempo e se refaz, ao chegar no fim. Que fim seria esse? Pina deixou algo tão importante para o mundo, ela demonstrou que é possível existir a linguagem em infinitas oscilações, que podemos encontrar o equilíbrio na instabilidade e que para ser livre, é preciso entregar-se ao caos e à loucura.

Uma das maiores sensações do mundo é apresentar em frente à uma platéia, os olhos atenciosos, contemplando a sua presença, percorrendo o seu corpo como se fosse uma exposição, em uma vitrine que se desloca para o coração de vários. O teatro é uma forma de nos sentirmos tocados, mesmo solitários, nos sentirmos leves, mesmo que tensos, nos sentirmos parede, porta, água ou caixão; parte de um todo e nada; a excitação é breve, no mundo real, como uma droga, mas no universo interior aquele que se apresenta se compreende por uma vida inteira.

E quanto a Pina Bausch? Ela continua dançando e se esquecendo…. dançando e se esquecendo… dançando e se esquec… Quem é Pina Bausch? Uma tinta, uma alma, uma professora mas, principalmente, uma mulher.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebookGoogle PlusFlickrYouTube

CdA #59 – Desconstruindo o gênero romance

romance

Download

No episódio #59 do podcast [Cronologia do Acaso] Emerson Teixeira convidou Tiago Messias e Tiago Lira para conversar sobre o gênero romance e, principalmente, citar alguns filmes que trabalham com o tema “amor” de forma interessante.
Como bônus ainda temos uma rápida participação do André Albertim, indicando três filmes via Whattsapp.

Obs: Por conta de um erro de captação, em alguns momentos o áudio trava, mas nada que compromete o conteúdo do episódio.

Site do Tiago Messias: https://altverso.wordpress.com/

Site do Tiago Lira: http://umtigrenocinema.com/

Alguns filmes citados durante o podcast:

  •  Edward Mãos de Tesoura, 1990
  • Antes do Amanhecer, 1995
  • Antes do Pôr-do-Sol, 2004
  • Antes da Meia-noite, 2013
  • Brokeback Mountain, 2005
  • As Amizades Particulares, 1964
  • Sim ou Não, 2010
  • Chasing Amy, 1997
  • Bridegroom, 2013
  • Apenas uma Vez, 2006
  • Mundo Cão, 2014
  • O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, 2001
  • Jules e Jim, 1962
  • Sonhando Acordado, 2007
  • 500 dias com ela, 2009
  • Ruby Sparks, 2012
  • Amour, 2012
  • Farrapo Humano, 1945
  • Encontros e Desencontros, 2003
  • Wall-E, 2008
  • Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, 2004
  • Garota Ideal, 2007
  • Juno, 2007
  • Meia Noite em Paris, 2011
  • Bonequinha de Luxo, 1961
  • Se o Meu Apartamento Falasse, 1960
  • Espuma dos Dias, 2013
  • Ensina-me a Viver, 1971
  • Copenhagen, 2014
  • Helpless, 2012
  • Manhattan, 1979
  • Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, 1979
  • I’m a Cyborg, But That’s Ok, 2006
  • O Profissional
  • Bonnie and Clyde, 1967
  • Sabrina, 1995
  • E-mail: contato@cronologiadoacaso.com.br
  • Twitter: @cronodoacaso
  • Assine nosso feed: http://feeds.feedburner.com/cronoacasopod
  • Itunes: https://itunes.apple.com/br/podcast/cronologia-do-acaso/id1076216544

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebookGoogle PlusFlickrYouTube

Absentia, 2011

Absentia.2011.720p.BRrip_.x264.YIFY_.mp4_snapshot_00.15.57_[2016.05.08_15.54.42]

★★★★★

Depois de assistir “Hush- A Morte Ouve” e “O Espelho” me interessei bastante pelo trabalho do jovem diretor Mike Flanagan. Em uma gravação de podcast, a querida Angélica Hellish do Masmorracast recomendou aos participantes o longa “Absentia”, de 2011, primeiro longa do Mike. Então eu não poderia começar essa crítica de outra forma que não seja agradecendo minha amiga pela experiência cinematográfica que ela me proporcionou através da sua indicação. Muito obrigado Angel!

Se discutia bastante, há algum tempo, sobre a qualidade dos filmes de terror e a mesmice do processo criativo para criar a atmosfera do medo. No entanto, parece que alguns festivais de cinema apostaram suas fichas no terror e, alguns casos específicos, se tornaram de fácil acesso do grande público. Mesmo que muitos não tenham compreendido a proposta, como é o caso famoso de “A Bruxa“, é impossível negar que andou aparecendo coisas no cinema que ultrapassaram alguns limites impostos pelo gênero e até mesmo utilizaram o clichê ao seu favor.

Um nome, ainda desconhecido, que vêm demonstrando um talento extraordinário é o Mike FlanaganCom apenas 37 anos, ele parece ser uma grande aposta para o futuro, pois consegue transformar algo simples em verdadeiras preciosidades, muito por conta da sua ousadia em lidar com alguns elementos técnicos ao seu favor, como o som. Escrevi na crítica de “Hush- A Morte Ouve” sobre a importância do som no filme, então me senti bem mais familiarizado quando me deparei com o seu primeiro longa, “Absentia” que abusa das ausências e distorções para compor uma atmosfera, no mínimo, claustrofóbica.

Absentia.2011.720p.BRrip_.x264.YIFY_.mp4_snapshot_00.01.27_[2016.05.08_15.53.33]

“Absentia” começa nos apresentando uma personagem chamada Tricia, ela está colando diversos avisos nos postes do bairro e, no desenrolar, sabemos que se trata do seu marido, que está desaparecido há sete anos. Essa personagem esta vulnerável emocionalmente por causa desse desaparecimento, é visível desde os primeiros vinte minutos. Isso sem contar a gravidez, que a mantém ainda mais isolada do mundo e a centraliza nos problemas e preocupações. Mesmo o filme sendo de baixo orçamento, é possível perceber muita atenção com os detalhes e, principalmente, no uso do som para acrescentar veracidade à esses dilemas e medos que a personagem está vivendo. É tão desmesurado essa atmosfera fúnebre, que o filme poderia parar nesses problemas do desaparecimento, da vida solitária, etc, que já seria uma excelente obra; mas ele expande e caminha por outras direções.

“Absentia” atinge um nível ainda mais alto com a Callie, irmã da Tricia, que aparece na casa da irmã para ajudá-la com a gravidez e lhe fazer companhia. Essa irmã teve problemas com drogas e será a motivadora de algumas mudanças cruciais no filme.

aUTdI

O terror começa a acontecer desde os primeiros minutos. Mas não se sabe ao certo o motivo. Após algumas explicações, a Tricia começa a ter algumas visões do seu marido dentro de casa. Mas o brilhantismo é a forma visceral, natural e até mesmo sutil, que essas aparições vão acontecendo. É tão incerto, que todos os objetos da casa parecem que assume formas assombrosas e prende a atenção do espectador, como se ele soubesse que algo terrível pode acontecer, mas não tem absolutamente nada gráfico! São sensações e uma angústia desconfortável que vão exigindo de quem assiste um alto grau de atenção, como se, aos poucos, fosse se sentindo desprotegido, assim como as duas irmãs.

Depois de assistir ao famoso “Corrente do Mal“, fica bem óbvio o quanto o som e músicas são importantes para criar a tensão. Em “Absentia” acontece o mesmo – lembrando que o filme é de 2011, ou seja, quatro anos antes – e, por incrível que pareça, a experiência é muito parecida. Os sons distorcidos, a brincadeira com sons diegéticos e não diegéticos – principalmente com Callie e seu fone de ouvido – contextualiza quem assiste na realidade sombria da cidade onde há desaparecimentos misteriosos.

Outro ponto interessante é que o filme não força o susto em nenhum momento, por vezes há uma ausência total de som, mas não como um artifício de acumulo de atenção para, posteriormente, assustar com um barulho enorme como na maioria das vezes. A ausência de som existe para situar-nos, também, na mente da personagem. Por diversas vezes Tricia está meditando e não há som algum, como se a moça estivesse em um outro universo. Essa ausência de ruídos dissipa os olhares, ponderamos a aparição de qualquer coisa, pois o corpo da personagem está ali, mas sua mente não, portanto, demonstra com perfeição mais uma vez a fragilidade que existe, despertando o inerente desejo de proteção.

O jovem diretor ainda nos proporciona momentos interessantes, quando por exemplo acompanha o olhar assustado da protagonista diante a uma escuridão e, aos poucos, “adentra” ele. Como se essa sombra estivesse possuindo as pessoas e cidade, assim como o próprio túnel – lugar chave dos inúmeros desaparecimentos da cidade -, que surge e é trabalhado de forma extremamente assustadora, se tornando um elemento a parte que, só de olhar, provoca desespero.

Absentia.2011.720p.BRrip_.x264.YIFY_.mp4_snapshot_00.14.27_[2016.05.08_15.54.04] Absentia.2011.720p.BRrip_.x264.YIFY_.mp4_snapshot_00.15.34_[2016.05.08_15.54.30]

Nas primeiras imagens reforça a ideia da grandiosidade do túnel. Parece que “suga” Callie e a transforma em prisioneira. No entanto a luz em sua cabeça, parece ser um indício da sua inconformidade e força. O túnel poderia representar, literalmente, o mal. E diversos males do mundo, como o próprio desaparecimento ou o vício. Mas são pontos a ser discutidos, o fato é que “Absentia” é uma obra espetacular, que investe pesadamente no clima e usa todos os artifícios técnicos a favor de uma empatia e preocupação com os personagens.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebookGoogle PlusFlickrYouTube

Filmes alternativos sobre a relação pai e filho

e582ca305be559c0e564e9e7537d39fdc8eb32a8

Enfim, os dias dos pais. Pessoalmente eu invejo muito aqueles que fazem um belo almoço, dão presentes, abraçam e beijam os seus pais nesse dia ou em qualquer dia do ano. Essa presença tão importante permanece, há bastante tempo, inexistente na minha vida.

Mas essa postagem não é para lamentações, até porque não fico triste, pois, a vida nos recompensa de diversas formas, pai não é aquele que nos colocou no mundo, não é somente homem. Existem mães que batalham dia a dia para dar o melhor aos filhos, existem amigos que protegem em qualquer circunstância, existem pessoas que nem sabemos o nome, mas que estão aqui ou lá, presentes nos nossos corações.

Não existe um dia específico, uma data do ano é muito pouco para tamanha importância. Mas beije, abrace, diga um lindo e feliz “eu te amo” ao seu pai. Se você está lendo isso, dê uma pausa, procure se entregar mais, não hoje, nem amanhã, mas sempre.

Se o seu caso é como o meu, não se lamente, comente o quanto a vida é legal por deixar você enxergar o outro lado. Ame, independente de classificações.

Bem, vamos lá: essa postagem é para recomendar alguns filmes que possuam alguma relação com esse tema ou simplesmente tenham um personagem pai que por algum motivo chamou a minha atenção.

A Música Nunca Parou, 2011 

filme-the-music-never-stopped3-credit-senator-film-verleih

Me emociona só de lembrar. Existe uma relação, inicialmente, do filho com a música o que acaba, por consequência, criando um conflito com o pai. É uma metáfora interessante, pois um gosta de Rock, aquele que mesclava – impulsionava – o movimento hippie e o outro aprecia um bom clássico.

Quando o filho começa a lidar com o esquecimento, a única coisa que liga os dois é exatamente a música, o pai faz da arte a sua respiração, o seu recomeço.

A Lula e a Baleia, 2005

tsatw

Como a ideia é tentar resgatar da memória vários caminhos do mesmo tema, nesse longa dirigido pelo Noah Baumbach, temos o exemplo claro de um personagem ( pai ) fragilizado diante ao processo de mudança, no caso, da separação com a esposa. Interpretado maravilhosamente pelo Jeff Daniels, há ainda uma relação curiosa com o filho, que o segue e, inclusive, o imita. De forma a estabelecer algumas dicas em relação a psicologia daquele convívio familiar, onde o pai impõe os seus gostos e a sua cultura.

Sempre Estarei Contigo, 2012

028680

Temos aqui um pai, do tipo herói, já idoso ele pode se orgulhar de ter todos os filhos criados e, ainda mais, ter ajudado os netos a terem suas próprias terras. Um ser humano com a vida completa(?). Resta a esse senhor, perceber que precisa, finalmente, de mais tempo com a sua esposa, mas a sua vontade de sempre estar construindo algo o leva cada vez mais a pensar em outras possibilidades.

Tangerines, 2013

DLNOW_Tangerine_020915

Representante da Estônia no Oscar de melhor filme estrangeiro, acabou perdendo para “Ida”. Aqui temos a figura paterna da proteção, seja dos personagens que estão em guerra que aparece e o cuidado que existe ali ou a proteção de uma lembrança.

Crítica do filme: http://cronologiadoacaso.blogspot.com.br/2015/01/tangerines-2013.html

A Busca, 2013

wagner-moura-2-600x406

Esse filme mexeu tanto comigo que escrevi sobre ele chorando. Uma perfeita simbologia ao ato de buscar aquilo que se perdeu, seja diante as próprias atitudes ou pelo tempo. As pessoas crescem, buscam liberdade, constroem suas próprias famílias, se vão, a busca se torna, consecutivamente, ir em frente.

Cítica do filme: http://cronologiadoacaso.blogspot.com.br/2014/07/a-busca.html

É Tudo Tão Calmo, 2013

E-TUDO-TAO-CALMO03

Esse filme da Holanda, silencioso e contemplativo ao nível máximo, é bem particular. Bem como é restrito, é complicado digerir perfeitamente, é preciso calma, assim como a própria tradução sugere. Aqui temos o exemplo do “cuidado”, um filho cuidando do seu pai e lidando com a verdade de que a morte se aproxima, no mesmo tempo que ele é triste por isso, existe ainda o cansaço.

Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada, 2007

dan-real-life

Esse é talvez o filme mais conhecido da lista. Ele mora no meu coração pois me encantou em diversos pontos, desde ser uma comédia romântica perfeita, passando pelas atuações gostosas do querido Steve Carell e a diva Juliette Binoche até chegar a profundidade.

Temos um viúvo, que tem problemas para reconstruir a sua vida, até por ser um pai muito dedicado. E, em uma confraternização em família, ele se apaixona pela namorada do irmão, mas, mais do que isso, aprende a valorizar os seus próprios interesses e percebe com perfeição que, para ser um bom pai, é preciso, também, estar completo e, para isso, precisa ter uma vida.

A Outra Família, 2011

news_thumb_23232_630

Esse filme mexicano me agradou bastante. Uma criança foi abandonada por uma usuária de crack e foi adotada temporariamente por um casal gay. Existe uma polêmica presa somente nessa sinopse, mas o filme não é um melodrama, pelo contrário, muito consciente e respeitoso. O que é, de fato, uma família?

Alamar, 2010

Editors-Pick-Alamar

Outro representante do México, esse beira um documentário. Uma criança é dividida entre dois mundo após a separação dos seus pais. A mãe é uma Italiana, vive no mundo da cidade grande, prédios e modernidade, enquanto o seu pai é de origem Maia, leva uma vida que beira a primitividade, cercado pela natureza, vive de pesca, mergulhos, liberdade.

Acompanhamos o filho na natureza, a admiração está o rodeando o tempo todo, mesmo que nenhuma palavra seja dita. O filho admira o seu pai, por esse saber conviver com naturalidade tamanha com a sua própria simplicidade.

A Criança, 2005

lenfant_01cor.superbanner

O que mais me agrada na filmografia dos irmãos Dardenne é a capacidade que eles tem em retratar essa relação de pais e filhos de uma forma inexplicavelmente incomunicável. Existe uma parede entre o espectador e a realidade apresentada, uma distância cruel, um desejo de tentar compreender os personagens, por vezes, vazios.

 “A Criança” tem como protagonistas dois jovens delinquentes, que acabaram de ter um bebê. Eles não sabem o que vão fazer da vida e a criança sofre com essa imaturidade ou falta de objetivo. Uma existência sem significado, uma nova vida fadada ao abandono.

Jérémie Renier e Déborah François estão surpreendentes.

Tudo que Quiseres, 2010

18fac-elalimpandomaquiagem

Filme Espanhol, que navega por entre uma relação de pai e filha, onde ambos acabam de perder a mãe/esposa. O pai então, para acalmar o coração da menina, começa a se vestir como a mulher.

Crítica do filme: http://cronologiadoacaso.blogspot.com.br/2014/03/todo-lo-que-tu-quieras-2010.html

Caos Calmo, 2008

Está confirmado! Se eu tenho um pai no cinema, ele se chama: Nanni Moretti. Esse ator/diretor, esse filme, foi muito impactante para mim, em um momento que estava muito carente. Aliás, um outro filme do Moretti – que ele atua e dirige – chamado “O Quarto do Filho” de 2001 também poderia estar facilmente nessa lista.

A mãe/mulher também morre e o pai, vendo que sua filha está diferente, resolve sentar em uma praça, de frente a escola, todos os dias. Ou seja, ele leva a sua filha na escola e, depois, ao invés de ir trabalhar/viver, fica lá sentado até a menina sair.

É de um amor, é de uma sensibilidade que só assistindo. Para morrer de chorar e se encantar com tamanha beleza.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebookGoogle PlusFlickrYouTube