Dois curtas para conhecer a diretora Caroline Fioratti

Olhando da esquerda para a direita, a diretora Caroline Fioratti é a penúltima. Está ao lado do elenco de “Meus 15 Anos”.

Roteirista e diretora, Caroline Fioratti acredita no poder de uma história bem contada. Com diversos cursos e laboratórios de dramaturgia no currículo, Caroline se especializou em criar universos e personagens. Sua matéria prima são os conflitos humanos e suas ferramentas as técnicas narrativas e cinematográficas. A cada projeto, uma nova história esculpida com som e fúria. (Site)

Tive a oportunidade de ver, no Projeta Brasil de 2017, o filme “Meus 15 Anos”, apesar de ser nítido o fato de que não pertenço ao seu público, o achei bem mediano, apesar de clichê. Tem ao menos uma mensagem (repetiviva) importante para os pré-adolescentes. Mas esse artigo não é para falar sobre esse filme, mas sim da diretora.

Evidentemente Caroline Fioratti alcançou o maior sucesso da sua carreira ao lado da estrela Larissa Manoela, no entanto poucos conhecem os seus belíssimos curtas-metragens, a maioria voltada para o humano, família, sentimento, entre outras coisas.

A diretora tem uma conta no Vimeo e hospeda alguns trabalhos lá, portanto os dois curtas que recomendarei aqui poderão ser assistido nos links, prestigie o trabalho da diretora!

Formigas, 2009

Primeiro curta da diretora, que também assume o roteiro. A história não podia ser mais delicada ao apresentar uma família de imigrantes japoneses após a Segunda Guerra Mundial que se vê em constante alerta. A metáfora mora no fato de que as duas filhas, auge da criatividade infantil e inocência, acreditam que quem está ameaçando seu pai são as formigas.

Com uma leveza sem tamanho, apesar de demonstrar uma aflição, essa quebra com a pureza transborda sentimentos de profunda empatia pelos personagens. A linguagem se aproxima bastante, inclusive, dos filmes japoneses, onde a atenção maior são nos personagens e pequenos movimentos fazem toda a diferença no trabalho de contemplação do silêncio.

Assista ao filme clicando aqui

A Grande Viagem, 2011

Também dirigido e roteirizado pela Caroline, esse sem dúvida é o seu mais famoso curta e ainda mais delicado. Ao lidar com memórias e ansiedade em busca de um tempo passado, o qual, sem dúvidas, reflete a decisão de um personagem específico.

Lançado em diversos festivais, incluindo a Mostra de São Paulo, fica nítido o talento da diretora na sensibilidade do trato das relações humanas. A magia acontece de forma contida, inerente à disposição, um embarque na loucura do faz de conta.

O avô se perde em sua própria mente, vende sonhos e lugares, transitando na ilusão do tempo e buscando no neto o conforto do momento agora. Desde as mãos que seguram um aviãozinho de brinquedo, enquanto surge o título, passando pelas transições de lugares que exalam essa super imaginação, esse filme é realmente mágico na sua simplicidade.

Assista ao filme clicando aqui

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebookGoogle PlusFlickrYouTube

CdA #73 – O feminino e a natureza de Satã

Download

Voltamos ao formato [Moscas] do podcast CdA. Dessa vez, Emerson Teixeira e Tiago Messias se reuniram para discutir o filme Anticristo (2009), dirigido pelo sempre polêmico Lars von Trier. Embarque conosco em dilemas atemporais femininos, dicotomia entre Eva e Lilith e a linha tênue que separa a psicologia humana da natureza que, como alguns dizem, “é o palco de Satã“.

Edição feita por: Tiago Messias

  • E-mail: contato@cronologiadoacaso.com.br
  • Twitter: @cronodoacaso
  • Assine nosso feed: http://feeds.feedburner.com/cronoacasopod
  • Itunes: https://itunes.apple.com/br/podcast/cronologia-do-acaso/id1076216544

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebookGoogle PlusFlickrYouTube

Anticristo (2009)

O homem é uma semente rebelde da natureza

O prólogo de Anticristo (2009) está repleto de informações e é a única sequência do filme que é maravilhosamente delicada – e tal afirmação pode ser entendida de forma monstruosa, dado o contexto do início. Charlotte Gainsbourg interpreta “Ela” e Willem Dafoe faz “Ele” – e é dessa maneira que irei me referir aos personagens ao longo do texto. Em pleno orgasmo não existe mãe ou pai, somente duas vidas tentando encontrar o prazer em uma energia simbiótica cujos movimentos são conhecidos popularmente como “sexo”. E é isso que o ser humano faz, ele busca prazeres, até mesmo na estagnação.

O filme para mim, é importante ressaltar desde o início, conversa com o espectador e suas dores sobre o estado puro do homem, o qual remete diretamente para a origem da vida e do pecado. O homem primata possuía o mundo como palco, mas estava repleto de limitações territoriais. A noite era representação do perigo, as caças eram sinônimo de poder e a conversação com as divindades eram feitas através da arte rupestre. De imediato percebemos a conexão infinita da humanidade com a natureza e a tentativa frustada de sobreviver nela.

Resta ao ser somente o prazer. Estar presente sem propósito é sufocante, por isso que é importante sentir a felicidade, mesmo que ela se origine de uma ilusão. E é isso que o homem sempre buscou, inclusive na modernidade. Buscamos a felicidade, mesmo as que duram apenas alguns segundos, tudo isso porque não aguentamos a realidade despida.

“Ele” e “Ela”, em Anticristo, representam toda a humanidade que luta contra a natureza no momento que padroniza a sua existência. Criando laços afetivos e se acomodando como conforto. “Ela” é a primeira a se desprender dessa realidade inevitável, ao passo que goza. O gozo traz consigo a dor da vida e morte e o ciclo se repete infinitas vezes. O prazer, que outrora era personificação do homem individual e egoísta, cria novas oportunidades e seres, todos fadados à enfrentarem a mesma maldição e benção de existir.

A cena do prólogo é envolta de uma música gregoriana chamada “Rinaldo, lascia ch’io pianga”, cuja letra é bem significativa para o entendimento do filme:

“Deixe que eu chore minha sorte cruel, que eu suspire pela liberdade. A dor quebra estas cadeias de meus martírios, só por piedade!”

O slow motion traz a beleza visual de movimentos simples e catastróficos, no mesmo tempo que diferencia aquele instante dos infinitos outros que se passarão a seguir na vida do casal. Enquanto fazem sexo, o filho cai da janela e encontra o seu fim. A apresentação do trágico não poderia ser mais claro, o vento que abre a janela (portal da morte e desesperança) é quase perceptível, a câmera focaliza três soldados em cima da mesa, todos juntos trazem a seguinte mensagem: Dor, tristeza, desespero”. E é exatamente esses três sentimentos que estarão presentes ao longo de uma hora e quarenta e oito minutos. 

A tristeza invade os protagonistas e, por consequência, o espectador. “Ela” é a que mais sente o falecimento do filho, principalmente pela culpa. Na verdade, a mulher aqui é a que não teme exibir suas dores, no mesmo tempo que “Ele”, por ser um psicanalista, se esconde atrás da sua profissão e passa a se dedicar na recuperação da esposa. O laço familiar – que é intrínseco ao homem ou é imposto pela própria sociedade? – é quebrado, a esposa passa a ser objeto de estudo, uma simples paciente, cobaia e escudo.

Um momento que comprova o início da obsessão por parte do marido, é a cena do hospital. Onde ele acompanha os mínimos avanços psicológicos da esposa e se coloca como superior ao médico e se prontifica a curá-la, com a justificativa de que “ninguém a conhece tão bem quanto ele”. Essa afirmação não só demonstra a sua arrogância, como também deixa ainda mais ambíguo o seu estado psicológico, visto que está em pleno desequilíbrio entre o profissional e pessoal.

Os diálogos iniciais apresentam sempre “Ele” em primeiro plano e “Ela” ao fundo, com o rosto desfocado – elemento que será repetido no final do filme, onde diversas mulheres com o rosto borrado invade a floresta. Ainda mais, em vários momentos ela está posicionada abaixo do marido, como se fosse visualmente inferior a ele por conta da debilidade psicológica. Essa postura ilustra uma verdade social: a de que o ser humano, muitas vezes, recusa até o último momento expor as suas fraquezas, mesmo quando o desabafo é a única maneira de continuar caminhando.

Homem e mulher passam pela mesma dor. Mas a forma que eles lidam com ela determina exatamente as consequências que veremos a partir de então. Em singelas cenas, “Ele” é filmado entre paredes, lugares desproporcionais, ângulos diferentes, que representam os seus sentimentos silenciosos diante à fatalidade.

Quando “Ele” pede para sua esposa se imaginar no Eden – floresta que representa o maior medo dela -, ela o faz e se vê caminhando por entre a mata em câmera lenta. Assim como o prólogo, o tempo indica a fusão entre o ser humano/mulher e a natureza. A humanidade está livre e abandonada, a frase “a natureza é a igreja de Satã” ilustra exatamente isso. O conceito de Satã, nesse momento, faz referência à filosofia de Anton LaVey, que classifica satã como uma metáfora da natureza, não apenas como uma síntese do mal.

A comunicação dos protagonistas na floresta sempre é distante, ambos se apoiam um no outro e na ilusão para o equilíbrio. Ela usa da persuasão para soar como curada; ele simplesmente se apoia na intelectualidade. Ela é o cervo que carrega em sua traseira o filhote morto e ele é a raposa que come a si próprio, ambos retornam para suas versões selvagens, inclusive ele ouve a raposa dizer “O caos reina”, frase que contradiz a sua posição profissional até o momento.

A jornada de retrocesso filosófico, onde um homem e uma mulher se aceitarão como uma só dor e compreenderão que a maldição do homem civilizado é recusar a verdade de ele e a natureza são a mesma coisa, chega ao seu ápice quando a dor psicológica transborda ao ponto de ambos se agredirem fisicamente. A começar pelo sexo na floresta, onde há um corte e unido com uma ausência sonora assustadora, é possível ver diversos corpos enterrados em baixo das raízes de uma grande árvore – seria o fruto proibido? – até culminar na agressiva cena onde a mulher masturba o seu marido e ele ejacula sangue. A vida e morte se encontram nesse momento. A esperança morre e os três mendigos assumem o mandato, não só do casal, mas do mundo. Afinal, dor, desespero e luta é o que há, a realidade que teima em ser rejeitada por momentos ilusórios de felicidade.

Anticristo se trata de um monólogo de um diretor amargo e submerso na depressão que retrocede ao ponto em que todos os homens estão nus, cegos e incompreendidos pela própria natureza. Através da melancolia ele consegue desenvolver uma obra que conta uma só história repleta de referências bíblicas e filosóficas, e que, por isso, consegue se desdobrar e envolver diversas camadas, principalmente as relacionadas com a natureza humana e sua postura diante do inevitável processo de abandono e fim.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebookGoogle PlusFlickrYouTube

Do Amor e Outros Demônios, 2009

Do Amor e Outros Demônios ( Del Amor y Otros Demonios, Colômbia, 2009 ) Direção: Hilda Hidalgo

O longa é baseado em um famoso livro do escritor colombiano Gabriel García Márquez, ganhador do prêmio Nobel da literatura – o qual comprei imediatamente após assistir ao filme. Aborda a história de Sierva María, uma jovem de cabelos ruivos e longos, que é filha de aristocratas e, após ser mordida por um cachorro com raiva, é acusada pela igreja de estar possuída por um demônio. Caetano, um jovem padre, é encarregado de exorcizá-la, no mesmo tempo que se vê encantado pela beleza de María e se torna um prisioneiro do desejo.

A primeira cena deixa claro a relação íntima que María possui com a morte o que, na juventude, voltará a rondar sua vida por conta dos julgamentos e interesses da igreja. Sua pessoa é desconstruída de modo que se relacione com as agonias do clero em relação à liberdade: a personagem, mesmo doente, aos poucos vai se relevando mais interessada na provocação, começa como uma criança inocente e, aos poucos, vai se transformando em uma jovem que usa a a sua delicadeza e inocência a favor da conquista – ou seria esse unicamente o ponto de vista do padre?

O caminho até atingir essa transformação é chamativo, porém, o desenvolvimento deixa a desejar em relação à grandiosidade da sua história, a sensação que fica – reitero que ainda não tive a oportunidade de ler o livro – é que a obra literária seria o melhor caminho para entrar no universo e compreender melhor as angústias e sentimentos dos personagens.

Contudo, é de se notar a capacidade da diretora em registrar a melancolia de modo sedutor, principalmente em base a sua personagem de longos cabelos ruivos que, vivida pela Eliza Triana, é de uma beleza singular.

Há diversos trabalhos com as sombras e, logo no começo, fica evidente a intenção de aprisionar os personagens, por isso a utilização das grades é de suma importância em cenas cruciais – principalmente aquela que antecede o acidente com o cachorro, a janela da prisão que María é obrigada a ficar enquanto se “cura”, o chão quadriculado que ela se deita e outros espaços curtos que lhe tiram os seus direitos.

A recriação de época é excelente e a inquisição é trabalhada de modo inteligente, pois é utilizado uma história de amor como essência para o desenvolvimento indireto do tema. Apesar do longa soar clichê em diversos momentos, a narrativa chama a atenção e as interpretações convencem. No entanto, é imediato a vontade de ler o livro pois é evidente as fragilidades do roteiro, e essa afirmação definitivamente não é boa quando falamos de cinema, visto que uma obra audiovisual deveria se sustentar por si só e não provocar unicamente a curiosidade de ir além – ao menos em algumas ocasiões, como os comerciais, por exemplo.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebookGoogle PlusFlickrYouTube

Atividade Paranormal – Quando uma boa ideia se transforma em fracasso

atividade-paranormal-21

Desde a estréia do primeiro “Atividade Paranormal”, em 2009, ficou claro que a excelente ideia poderia render não só elogios da crítica – como houve, apesar de bem menos do que o esperado – como também ser um excelente negócio, pois se tratava de uma filmagem caseira, feita de forma super simples. Mas, apesar de ter se tornado um dos filmes mais lucrativos da história do cinema, a série de filmes que viriam a seguir, todas pautadas na mesma ideia genial do primeiro, cansaram o público. A sensação é de que nenhum deles cumpre o que promete, por que isso acontece, afinal?

Antes de mais nada, tenho que deixar claro que se você procura uma crítica, resenha ou artigo analisando todos os filmes, procure em outro lugar. Eu não seria capaz de explorar um por um pois não assisti a todos, os que eu vi foram nos respectivos anos de estréia e, principalmente, por serem todos muito parecidos, parece que assisti a um só grande e péssimo filme.

Recentemente fui assistir o quarto filme, vulgo “Atividade Paranormal 4” e me frustei com a repetição de conceitos já vistos milhões de vezes antes. Na verdade, como tenho tendências ao masoquismo – brincadeira -, já sabia que não iria valer a pena o tempo perdido. Mas lá foi o Emerson tentar compreender qual o grande erro de todos os filmes do “Atividade…”.

É preciso lembrar-me, entes, de 2009, quando recebi as primeiras notícias sobre o filme. Fiquei apaixonado pela ideia, é fascinante essa proposta de invadir a privacidade e, mais do que isso, quebrar a segurança. Quando pensamos no sobrenatural ( aqui me refiro à espíritos, aparições, demônios etc. ) é questão de tempo relacionarmos com o nosso lar. As maiorias das experiências paranormais acontecem em uma casa, não no meio da rua. Isso acontece pois somos movidos por esse instinto de proteção, o próprio medo do escuro parte de uma impulsão selvagem onde nossos ancestrais precisavam ficar extremamente atentos à noite para não serem mortos por outros predadores.

Existe também a privacidade, ela funciona como uma máscara, com ela podemos ser o que quisermos. Dentro de casa nos sentimos confortáveis, infinitos e poderosos, porém o medo, essa sensação importantíssima e complexa, teima em acreditar que existem espaços entre os mundos e que, qualquer coisa que não possa ser explicada em trinta segundos, é possivelmente uma obra do sobrenatural.

Significado de ‘sobrenatural’:

Miraculoso; só conhecido pela experiência da fé.
[Figurado] Sobre-humano; que não se consegue alcançar, atingir naturalmente: esforço sobrenatural às questões humanitárias.
[Por Extensão] Extranatural; que vai além do natural, do comum: forças sobrenaturais. [Figurado] Excessivo; exageradamente grande: trabalho sobrenatural.

Já perceberam o quanto o lençol nos protege do medo, da sensação de desprotegidos etc? Muitos irão se identificar essa pequena história: uma menina sentiu seus pés descobertos, uma sensação estranha lhe surgiu, ela rapidamente os cobriu e olhou ao redor, mas tudo estava estranhamente normal em seu quarto escuro.

Então quando eu entendi a ideia do “Atividade Paranormal” – uma pessoa sente que na sua casa está acontecendo coisas estranhas e decide se filmar durante à noite – eu me senti extremamente feliz e confiante que se trataria de um verdadeiro truque para envolver diversos dilemas e brincar com essa sensação de vulnerabilidade.

Filme-Atividade-Paranormal-4-trailer-completo-e-cartaz

Mas o diretor Oren Peli não faz nada! Claro, todos sabemos os recursos limitados pelo próprio formato, mas isso não o impedia de inovar. O que pode ser visto e vemos até hoje, nos novos infinitos filmes que saem todos os anos, é a mesma tentativa de assustar com detalhes triviais.

A boa ideia, que coloquei no início, faz alusão à imaginação do espectador, – já é sabido que antes do lançamento dos Atividades Paranormais a produtora faz sessões de teste para filmar as reações, essas reações quase sempre são tão exageradas que eu só consigo pensar que todos ali possuem uma imaginação tão grande e poderosa que faz com que embarquem nessa ideia de invasão e insegurança, que desenvolvi ao longo do artigo – pois essa mesma ideia jamais foi verdadeira, ela foi, desde o princípio, colocada atrás de uma tentativa desesperada de fazer um bom negócio. Atividade Paranormal, todos os filmes, é a prova real de como a arte pode ser sacrificada em prol aos inúmeros interesses.

Uma proposta interessante que se tornou monótona e cansativa, resta-nos tentar imaginar também. Mas, confesso, se alguém filmar a minha reação assistindo esses filmes, certamente iriam ficar muito zangados com a minha expressão de tédio.

Obs: Após assistir ao primeiro filme, no cinema em 2009, voltei para casa determinado a me filmar durante uma noite inteira. Infelizmente nada aconteceu. Quem sabe isso vire um filme um dia?

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebookGoogle PlusFlickrYouTube

CdA #59 – Desconstruindo o gênero romance

romance

Download

No episódio #59 do podcast [Cronologia do Acaso] Emerson Teixeira convidou Tiago Messias e Tiago Lira para conversar sobre o gênero romance e, principalmente, citar alguns filmes que trabalham com o tema “amor” de forma interessante.
Como bônus ainda temos uma rápida participação do André Albertim, indicando três filmes via Whattsapp.

Obs: Por conta de um erro de captação, em alguns momentos o áudio trava, mas nada que compromete o conteúdo do episódio.

Site do Tiago Messias: https://altverso.wordpress.com/

Site do Tiago Lira: http://umtigrenocinema.com/

Alguns filmes citados durante o podcast:

  •  Edward Mãos de Tesoura, 1990
  • Antes do Amanhecer, 1995
  • Antes do Pôr-do-Sol, 2004
  • Antes da Meia-noite, 2013
  • Brokeback Mountain, 2005
  • As Amizades Particulares, 1964
  • Sim ou Não, 2010
  • Chasing Amy, 1997
  • Bridegroom, 2013
  • Apenas uma Vez, 2006
  • Mundo Cão, 2014
  • O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, 2001
  • Jules e Jim, 1962
  • Sonhando Acordado, 2007
  • 500 dias com ela, 2009
  • Ruby Sparks, 2012
  • Amour, 2012
  • Farrapo Humano, 1945
  • Encontros e Desencontros, 2003
  • Wall-E, 2008
  • Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, 2004
  • Garota Ideal, 2007
  • Juno, 2007
  • Meia Noite em Paris, 2011
  • Bonequinha de Luxo, 1961
  • Se o Meu Apartamento Falasse, 1960
  • Espuma dos Dias, 2013
  • Ensina-me a Viver, 1971
  • Copenhagen, 2014
  • Helpless, 2012
  • Manhattan, 1979
  • Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, 1979
  • I’m a Cyborg, But That’s Ok, 2006
  • O Profissional
  • Bonnie and Clyde, 1967
  • Sabrina, 1995
  • E-mail: contato@cronologiadoacaso.com.br
  • Twitter: @cronodoacaso
  • Assine nosso feed: http://feeds.feedburner.com/cronoacasopod
  • Itunes: https://itunes.apple.com/br/podcast/cronologia-do-acaso/id1076216544

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebookGoogle PlusFlickrYouTube

Mother – A Busca pela Verdade, 2009

Mother[Madeo].2009.BluRay.720p.H264.mp4_snapshot_00.44.31_[2015.11.16_17.45.07]

★★★★

Joon-ho Bong é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores diretores sul coreano em atividade. O realismo que os seus personagens são apresentados, dialogam de forma bem direta com o onírico, repleto de absurdos e de falhas. A sua facilidade em subverter o gênero policial é outra virtude, como visto nesse seu trabalho lançado em 2009, onde uma mãe assume a função de pessoa que procura desvendar os fatos, afim de procurar o(s) culpados de um assassinato, e, consecutivamente, livrar o próprio filho – doente mental, inclusive – da cadeia.

O fato é que a personagem é uma mãe, Mother em inglês, em nenhum momento revela o seu nome; É, portanto, unicamente uma mãe, nada mais. Já nas cenas iniciais fica evidente o cuidado especial e obsessivo que ela tem pelo seu filho, em singelos momentos essa ideia vai, aos poucos, sendo passada ao espectador. Ainda mais, e talvez mais perigoso, em alguns momentos é mostrado pequenas atitudes que demonstram que a mãe possui uma ansiedade em ocultar os erros. Principalmente do filho mas, no desenvolver da trama, percebemos que o tratamento dado é apenas um reflexo dos erros pessoais desse ser humano misterioso.

O próprio nome da mãe fora tirado dela. O único direito e necessidade que ela tem é cuidar do seu filho, a preocupação é nebulosa, não se sabe muito bem se é por algum tipo de medo, diante da clara doença mental do filho – o que, por sinal, em nenhum momento o impede de viver e entender as coisas ao redor – ou algum tipo de remorso ou insegurança.

A cena inicial temos a mãe, em um campo, solitária, ela começa a dançar, um contraste curioso em relação ao comportamento que será desenvolvido a seguir. Poderia ser apenas uma apresentação, porém serve como porta de entrada e representa um claro indício de que essa mulher é uma marionete de suas escolhas, que sua função é controlar um outro pois, na sua cabeça, a fragilidade está em todos os lugares, menos nela mesma. É um trabalho muito difícil interpretar a relação da mãe e do filho, extremamente ambíguo e obscuro.

A multiplicidade dessa relação é reforçada com a técnica cinematográfica de forma muito consciente, destaque para a fotografia, com tons azulados e cinzas, demonstra com perfeição o psicológico da mãe, estabelecendo desde o começo um interesse involuntário em descobrir mais sobre esse ser humano frio, sem amor próprio. No mesmo tempo que o fato de estar sempre chovendo, ajuda a criar um ambiente perfeito para se estabelecer o mistério.

Mother[Madeo].2009.BluRay.720p.H264.mp4_snapshot_00.57.49_[2015.11.16_17.45.27]

O figurino da mãe recorrentemente traz o vermelho ou vinho, remetendo-nos a ideia da paixão, sangue – que será derramado em dado momento de forma literal, mas existe sangues derramados durante quase todo o filme nas entrelinhas – e, se aprofundarmos um pouco mais, a excitação.

Tracei uma relação óbvia entre a relação mãe e filho – que assume diversas outras funções – com o complexo de Édipo. Essa dependência inconsciente do filho, movido, inicialmente, pelas suas próprias limitações, atingem um outro patamar a partir do momento que o garoto começa a ter atitudes impulsivas e grotescas por influência de um amigo. Ele começa a sentir o que é ser independente, no mesmo tempo que não é capaz para tal desprendimento.

Ele precisa de alguém para guiar; Não à toa, mesmo diante a iminente descoberta sexual, ele permanecia “inocente” até o seu amigo preencher sua mente com desejo por mulheres, despertando a necessidade humana de se relacionar com o sexo oposto. O que seria absurdamente normal, se a vida dele não fosse tão conturbada. Em uma provocação o amigo pergunta para ele se já dormiu com uma mulher, ele responde positivamente e, depois de algum mistério, fala: “eu dormi com a minha mãe“.

A relação percorre diversos degraus, pai e filho, filho e mãe e, entre eles, ainda há espaço para o homem e mulher. Ora, ambos personagens só possuem um ao outro, é um contato doentio, baseado em uma necessidade primordial. Existe apenas um personagem: a mãe. O filho é parte dela, os dois são os mesmos, nasceram de um mesmo ponto e caminharão juntos para um mesmo fim.

Mother[Madeo].2009.BluRay.720p.H264.mp4_snapshot_00.12.20_[2015.11.16_17.44.39]

Existe uma sombra, a personagem da mãe busca o seu sepulcro. A “busca pela verdade” da tradução permanece como um questionamento durante todo o longa. Que verdade seria essa? O conflito do assassinato, a resposta sobre o que realmente aconteceu parece muito simples diante a complexidade daquela relação provocante. Aliás, quando a mãe descobre quem matou a menina – mistério que move o filme até certo ponto, pois os fatos não são tão difíceis assim de assimilar mas, repito, causar a surpresa não é a preocupação principal do filme – ela permanece com mesma intenção e atitude que tinha no início, nada mudou além de compreender a verdade.

No final, fechando o ciclo que começa na apresentação onde a personagem dança em um campo, metaforicamente temos uma mulher perdida em meio a tantas outras, ela se torna ainda mais prisioneira da culpa e, ainda por cima, começa a entender que o seu destino é cobrir erros para sempre, assim podemos interpretar que a própria é um grande erro do universo e precisa, assim, se esconder constantemente.

O choro ao final, ao ver a conclusão da sua busca, faz-nos pensar que ela não se entristece apenas pelo seu filho, mas por todos os filhos do mundo.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

More Posts - Website

Follow Me:
TwitterFacebookGoogle PlusFlickrYouTube