Siren X (2008)

 Adorável lado B do cinema, aqueles filmes que, sem dúvida nenhuma, Tarantino assistia lá na locadora. Esses filmes são os meus pipocas, a minha diversão é garantida com um bom sexploitation, trash, gore etc. Sinto-me feliz e emocionado, uma emoção tão grande que tremo e sinto vontade de tirar as calças. Extasiado com o grotesco, horror cretino e sujo, viva o cinema podre!
Trouxe um filme interessante hoje, parte de um subgênero japonês chamado “Pinku Eiga” ou traduzido “filme cor de rosa”, que é uma adoração a mulher. A mulher como personagem principal. Mas não é comédia romântica ou nada do tipo, estamos falando aqui de sexo. O sexo como o real propósito de uma histórinha bobinha. Existiam, então, assim como o sexploitation, as musas do Pinku como a lindíssima e talentosa Reiko Ike que tem em seu currículo obra como “Sex and Fury”, cujo destaque se encontra em uma cena onde ela está tomando banho em uma banheira, sua casa é invadida por capangas malvados e, sem roupa, ela sai para lutar pelo seu destino. Isso tudo na neve e, minha nossa, que coisa linda. Mais tarde Tarantino copiaria visualmente isso na luta final de Kill Bill vol. 1. Enfim, “Sex and Fury” tem a eterna ninfeta Lindberg ( já falei sobre ela lembra? Clique aqui ) e você, caro(a) amigo(a), precisa urgentemente ver essa pérola do cinema!
 Continuando, assim como tudo na vida, esses filmes influenciaram muito a indústria, mesmo com suas bizarrices, primeiro porque muitos puderam se masturbar diante aos espetáculos em forma de atrizes despidas – quer mais importância que isso? – segundo porque… mulheres!
Esse subgênero, nos anos 60, permanecia marginalizado e, com os respectivos sucessos, como filmes como “Daydream” de 1964, nos anos 70 as grandes indústrias passaram a aderir o formato para si, resultando em outros excelentes e divertidos filmes.
O que vou citar aqui é diferente, por dois motivos, ele é recente, 2008, e é um filme de terror. Geralmente esses filmes não se preocupavam tanto com a história que ligava o sexo, nesse temos, sim, uma boa história. Há exageros, filmagens grotescas, personagens estúpidos e atuações fracas, mas no todo consegue ser muito interessante e, ainda por cima, prende a atenção.

Yôjo densetsu Seirên X: Mashô no yûwaku ou, simplesmente, Siren X nos mostra um grupo de jovens realizadores que vão para uma pequena ilha afim de fazer uma paródia desses programinhas de terror, com entrevistas e caça ao monstro/mistérios, só que, claro, com o intuito de cair no sexo depois. Então temos a atriz que faz o papel da repórter, por exemplo, que está com uma mini-saia e sempre teremos, enquanto ela desbrava o local “mal assombrado”, filmagens da sua calcinha, enfim, o filme usa esse tipo de erotismo. Cai uma chuva e eles vão se abrigar aonde? Na primeira casa com aparência diabólica que eles encontram, claro.
Do nada a porta abre, são recebidos por uma mulher lindíssima e estranha. Depois de bons tratos e o oferecimento de uma estadia, eles descobrem que ela é uma devoradora de homens. Curioso é como ela faz isso, ela transa com os caras, tipo o maior sexo da vida deles, até eles gozarem – e, na minha opinião, aquele gozo não é normal, visto que em uns saem pela boca, outros cortam a garganta etc – e depois ela bebe todo o esperma, quase como sugando a alma deles por meio desse ato vampiresco até, eu diria. Temos aquela velha história, os amigos percebem a verdade, começa a fugir e, pensando estarem a salvos na cidade, a tal moça começa a aparecer em sonhos, fazendo com que eles fiquem obcecado pelo monstro no corpo de uma linda asiática e, confesso, bota linda nisso. Belos seios. O que estava falando mesmo?! Só me vem a cabeça seios agora…. espera….
As alucinações que acontecem são as melhores coisas do filme, ainda tem umas brincadeiras do que é verdade e o que não é, um dos amigos está fazendo sexo com sua namorada, imagina a tal moça e, quando percebe que não é ela, ele mata a namorada, enfim, depois os dois amigos retornam para a mansão afim de fazer o sexo de suas vidas e, consecutivamente, morrer, sufocados pelo seu próprio gozo. Realmente, um filme divertidíssimo, interessante, muito bem realizado para o que se propõe, mistura muito bem o terror e cenas de sexo, enfim, gostei bastante mesmo.
Obs: Texto originalmente publicado em 15 de fevereiro de 2015

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Os zumbis bêbados de vinhos do Jean Rollin

Nessa resenha, inicio uma coluna que há tempos tencionava fazer. O Cine Underground chega para retomar minhas pesquisas (cof, cof, cof) do mundo B do cinema, aqueles filmes perdidos, antigos, toscos, de baixo orçamento, sexploitations, eróticos, de artes marciais, com zumbis, ninjas, entre outras pérolas.

“Les Raisins de la Mort!” ou “As Uvas da Morte”, o filme que trago para a estréia da coluna não poderia ser de outro, senão um dirigido por um dos maiores nomes do terror B da França: Jean Michel Rollin Le Gentil, mais conhecido como Jean Rollin!

Desde novo apaixonado por cinema, tem como característica o domínio grande da técnica cinematográfica, principalmente pelo fato de suas obras na maioria serem de baixo orçamento. A criatividade do argumento e genialidade em trabalhar o obscuro mesmo com tamanha simplicidade são pontos que fazem o seu trabalho ser espetacular. Tirando os conceitos profundos, é válido ainda acrescentar que seus trabalhos vivenciam suas protagonistas de uma maneira ímpar, sempre acompanhado de belas mulheres, não só a nudez está presente como também uma significante exaltação do feminino. Em “Fascinação” (1979) é possível visualizar exatamente essa afirmação, visto que um personagem masculino é tratado como ignorante perante uma imensidão de segredos de duas mulheres que moram sozinhas em uma mansão. Além do mais, ocorre um jogo psicológico, onde o intruso se transforma em um alimento e a perversão é tanta que, antes das mulheres devorá-lo, brincam com sua fraqueza e corpo.

Lançado um ano antes, “As Uvas da Morte” (1978) não pode ser considerado um dos melhores do diretor, no entanto é divertido e tem doses certas de desconforto. Graficamente o filme é interessante pois possui cenas gore – a maquiagem é muito boa por sinal – mas sua força se encontra justamente na protagonista que, se a interpretarmos com cuidado, se vê sozinha, perdida e tonta em meio a um caos que nasce do súbito.

O filme começa com Élisabeth e sua amiga viajando de trem. Ela está indo de encontro ao namorado, no interior da França, e, saberemos posteriormente, que ele está diretamente relacionado com uma epidemia zumbi que se alastrou por um pequeno povoado. Um pesticida experimental espalhado em videiras está transformando as pessoas em monstros assassinos. Sim! Todo mundo que bebe vinho, começa a apodrecer.

A protagonista é frágil e isso é perceptível desde o primeiro momento. Interpretada pela atriz Marie-Georges Pascal – extremamente bonita, inclusive – sua posição no filme é se deparar com diversos eventos horríveis e não ter tempo para pensar.

As duas imagens acima sintetizam a apresentação da protagonista: ela olha preocupada, aparentemente sem motivo, para o além e antevê o medo. O trem vazio dá ainda mais proporções para o desconforto e o trabalho com os reflexos indicam que ela precisará se fragmentar para aguentar os eventos que acontecerão.

A descida da Élisabeth do trem ilustra a perfeita divisão entre a garotinha que teme a sugestão e a mulher que, mesmo que com atitudes duvidosas, se depara com a morte. As fatalidades são muito rápidas, personagens surgem de forma abrupta e, do mesmo modo, se vão – característica que acompanha os roteiros do diretor, inclusive -, tudo isso é muito estranho mas, para a surpresa de muitos, Rollin consegue se equilibrar entre o pavor e o cômico sem se render ao trash.

O ritmo lento incomoda pois conflita com a urgência das ações, mas nada irrecuperável. Existe também uma nebulosidade quanto o comportamento dos zumbis, uns são conscientes, outros não, outros são assassinos, outros simplesmente seguem um líder zumbi. A transformação, como era de se esperar, é bem simples, umas gosmas no rosto ou corpo, muito pus e sangue também.

No segundo ato ainda tem a participação da atriz pornô, e musa do Jean Rollin, Brigitte Lahaie. Ela fez diversos trabalhos com ele, incluindo o já citado “Fascinação” (1979). Aqui sua personagem é interessante, se esconde na casa do prefeito morto da pequena cidade e se vangloria pela segurança que o conforto exala. Mas a mulher não sabe que o vinho é causador dos males e acaba mudando de lado.

“Uvas da Morte” (1978) zomba da situação com seriedade, com os seus zumbis bêbados de vinhos caminhando em direção à lugar nenhum, matando geral e uma menina apaixonada no meio de tudo isso só esperando a hora de acabar. É um dos mais divertidos do diretor e, mesmo em meio às piadas, é possível sentir a energia hipnotizante que só Jean Rollin sabe provocar.

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