Sobre Júlio Belisário

Quando eu cheguei já estava assim. ¯\_(ツ)_/¯

O Menino e o Mundo, 2013

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Poderoso. Acho que posso sintetizar a obra dessa forma. Obviamente a história vai muito além mas num breve exercício de expressão, Poderoso, é a síntese mais assertiva.
Mas acho melhor voltarmos um pouco, como você bem deve saber a obra em questão concorreu ao Oscar 2015 ao lado de grandes produções hollywoodianas. Não pude apreciá-la antes da premiação mas minha torcida foi para o Cuca e o desenrolar a partir daqui você já sabe, o Oscar de Melhor Longa de Animação foi para “Divertida Mente (2015)” da Pixar.
Para ser sincero com você não me sinto capaz de tecer uma crítica (seja ela positiva ou negativa) para o filme, então considere esse texto como uma resenha, impressões sobre o filme ou outra classificação que julgar mais adequada.
Com uma sequência inicial de nove minutos e meio, o filme nos pega pela jugular, é impossível não ficar com os olhos fixos na tela tamanha a delicadeza como é tratado o nosso ingresso no mundo mágico de Cuca. A alternância entre cores e grandes áreas brancas é hipnótica, impossível passar incólume diante dessa apresentação.
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Logo no início da história vemos que o pai de Cuca (um trabalhador rural) deixa a família em busca de um emprego na cidade, logo em seguida acompanhamos as lembranças do menino, os belos momentos ao lado do pai, é lindo e ao mesmo tempo incomoda, a falta de diálogos abre um amplo espaço para os nossos sentimentos. A relação com a mãe é silenciosa mas não menos emocionante porém, a saudade leva o menino a partir de casa em busca do pai. Uma forte chuva o leva de sua terra natal.
Você pode-se perguntar “Ok, a chuva o levou mas para onde?”, não vou contar, uma das grandes virtudes do filme está no roteiro e eu quero que você viva essa experiência.
Nas várias críticas que li na internet percebi que o filme marcou as pessoas com questões como pobreza, migração forçada, industrialização, desmatamento, poluição, desigualdade social entre outros assuntos extremamente complexos para a sociedade. Mas eu acho que ele vai além, obviamente os assuntos supracitados são tratados de forma brilhante mas uma camada além dessa percepção esbarramos em questões humanas.
Saudade, liberdade, amor e amizade, são temas extremamente amplos e ao mesmo tempo extremamente íntimos, essa é a grande virtude da história, tocar no cerne de nossos sentimentos, de forma sutil e sincera. Uma experiência que jamais será expressa através de palavras.
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Saudade

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Liberdade

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Amor

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Amizade

Você pode se perguntar “Aonde você quer chegar, o que você quer me dizer?” (acho válido seu questionamento) mas não vou dizer, minhas palavras não são suficientes para expressar uma das experiências visuais mais incríveis que já vivenciei.

Você pode encontrar mais informações no blog do filme (aqui) e recomendo especialmente a leitura do texto do diretor que conta o início do processo (aqui).

Júlio Belisário

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Destino, 2003

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Destino é um curta-metragem que resultou da parceria entre Walt Disney e Salvador Dalí. Foi idealizado no ano de 1945, mas o projeto ficou abandonado por problemas de verba e só foi retomado novamente em 2003 por Roy Edward Disney (sobrinho de Walt Disney).

Algumas questões se mostraram proeminentes no roteiro, seriam elas:
Quanto tempo dura um amor?
É possível resistir ao tempo?
É possível resistir a distância?
É possível resistir a dor?
Seriam essas mazelas parte do destino?

Cabe a cada um de nós buscar a resposta, mas antes de partirmos nessa jornada permita-me contar minhas impressões sobre o curta.

O mundo surrealista de Salvador Dali é uma investigação imagética da psique humana. As figuras, por vezes, disformes ou de aspecto líquido tentam traduzir sentimentos profundos, sentimentos suplantados pelo peso de existir.

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A animação trata de maneira surreal a passagem do tempo e o peso de amar. Acompanhamos a trajetória de uma mulher que busca e sente o amor de uma forma muito particular, amor este que não se realiza de uma forma física e por esse motivo deixa uma sensação de incompletude. Conforme o tempo passa o amor mantém-se vivo, e a busca continua incessante, mas será que só isso basta para enfim esse sentimento atingir sua plenitude? 

E se o acaso, ou melhor, o destino interferir no processo? 

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Vemos o homem se libertar da prisão temporal e a partir dai segue-se sua busca pela amada, nasce a expectativa do encontro, do final feliz que aprendemos com as histórias contadas pelo estúdio de Walt Disney. Dizem que a esperança é última que morre e que o amor é imortal, dentro desse padrão, essa história parece encaminhada para o final perfeito, mas não é bem assim na realidade (ou na surrealidade, se preferir). 

Há um desencontro. E é desesperador, ver aquelas duas almas lutando por um mesmo objetivo (um ao outro) sofrer nas mãos do Destino. É desesperador pensar que é tão mais simples o amor ser soterrado pela vastidão do deserto. É um sofrer pelo outro e por si próprio que cala como uma noite escura no âmago.

            destino,

            traga-a de volta para mim,

            para o meu lado,

            eu tanto chorei

            por este amor ingrato.

Esse trecho da canção ecoa após o término e nos persegue como quem persegue a pessoa amada.

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Júlio Belisário

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