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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

Tara Maldita, 1956

Tara Maldita (The Bad Seed, EUA, 1956) Direção: Mervyn LeRoy

“Tara Maldita” era uma história conhecida e aclamada do teatro quando migrou para o cinema. Isso é interessante, levando em conta que se trata de uma obra clássica de terror que, em nenhum momento deixa se levar por sustos ao invés de questionamentos e conflitos psicológicos. Certamente o sucesso prévio do roteiro no teatro gerou atenções, complicando ainda mais a vida do diretor e atores que, mesmo conhecendo a essência da obra, ainda se viam diante de um novo formato e público.

Felizmente a adaptação liderada pelo Mervyn LeRoy faz jus a grandiosidade filosófica da história que, por sua vez, traz uma garotinha de nove anos chamada Rhoda (Patty McCormack) que comete assassinatos, mente, elabora planos diabólicos, tudo isso sem levantar suspeitas, afinal, se trata de uma criança e, como tal, inocente aos olhos da sociedade. Em uma estrutura teatral, o conflito começa quando sua mãe Christine Penmark (Nancy Kelly) suspeita da própria filha, após a menina não demonstrar sentimento algum com o falecimento de um colega próximo da sua sala de aula.

O inimigo de todo o arco dramático é improvável, o conflito e questionamento sobre os limites da psicopatia, principalmente relacionado à idade, se tornam o triunfo de uma obra que é definitivamente muito maior do que “mais um filme de terror”. A força narrativa se encontra na naturalidade do desenvolvimento que, se baseando fortemente no desespero de sua protagonista – a mãe, cujas decisões são suspendidas diante a agonia provocada pela dicotomia entre o certo e a proteção materna – acontece de maneira despreocupada, como se o espectador fosse obrigado a, também, desacreditar que a angelical Rhoda tenha forças para agir de maneira tão monstruosa.

Ledo engano, o roteiro é inteligente em brincar com a relação entre a dúvida, moral e realidade quando os indícios se tornam claros, à medida que as ações da menina vão se tornando mais extremos. O texto é sustentado por uma direção maravilhosa, com ótimas decisões de enquadramentos – utilizações de espelhos são comuns e deveras importante – e atuações sensacionais. Destaque para a Eileen Heckart que aparece em cenas curtas como a mãe do falecido Claude, amigo da escola de Rhoda. A força da sua performance dá um brilhantismo para as consequências dos atos do pequeno anjo malvado, é quando as emoções das vítimas nos faz relembrar que por trás da imagem inocente existe um ser diabólico que, apesar do tamanho, tem o poder de causar sérios traumas nas vidas que estão ao redor. Eileen Heckart, inclusive, chegou a ser indicada ao Oscar.

A profundidade do tema é tão grande que essa clássica obra inspirou diversos filmes que, posteriormente, também se utilizariam de crianças como os vilões. Mas não é só pela novidade que é lembrado, mas também a boa utilização dos espaços da casa, isso é importante pois praticamente toda a história se desenvolve nela, com certeza alguns movimentos vêm das apresentações teatrais, visto que a mise en scène é sublime e existe uma sincronia que dá leveza e flexibilidade visual.

É sem dúvida um grande clássico do cinema e que, de brinde, nos apresentou a talentosa Patty McCormack, com um trabalho primoroso, pois sua personagem exige uma consciência madura escondida atrás de uma artificialidade infantil, o que na prática resulta em expressões e diálogos repletos de camadas. Simplesmente inesquecível.

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Fragmentado, 2017

Fragmentado (Split, EUA, 2017) Direção: M. Night Shyamalan

M. Night Shyamalan parece caminhar de forma diferente dos demais seres humanos, no que diz respeito aos trabalhos. Quando novo, realizou obras maravilhosas e, após a experiência, parece que se desencontrou  da sua melhor versão. Diferentemente do comum, a maturidade não fez bem ao diretor que soa constantemente forçar o tecnicismo, esquecendo drasticamente o lado audacioso de se entregar à arte sem medo de errar e, principalmente, sem querer ser aceito pela maioria. O processo criativo não visa, em um primeiro momento, o lucro e, se o faz, está completamente errado. A construção do roteiro demanda atenção unicamente à ideia, não a aplicação do conteúdo às grandes massas.

A história é sobre um rapaz chamado Kevin (James McAvoy) que possui vinte e três personalidades diferentes e que interagem entre si, servindo como um escudo para a sua consciência que, tendo presenciado situações complicadas quando criança, bloqueou a realidade através da multiplicação de facetas. Uma dessas personalidades, aparentemente a líder delas, sequestra três jovens. Elas precisam estudar o seu raptor de modo que suas ações entrem em comunhão com as suas fragilidades, o que não será nada fácil.

Anya Taylor-Joy interpreta uma das garotas, Casey. A personagem, quando analisada separadamente, é bem interessante. Dotada de uma inteligência e equilíbrio, infelizmente elementos que nunca estão lado a lado em personagens de filmes de terror, principalmente femininas, utiliza a sua postura como proteção diante à situação complicada que se encontra. Em um primeiro momento, chama a atenção e aproxima o espectador da identificação, algo muito importante para filmes que se utilizam do sequestro para causar o desespero.

Mas o principal objetivo do filme parece mesmo discutir psicologia. Utilizando a mente do Kevin como uma forma extrema de extrair a novidade e relacioná-la com o terror clichê. Nesse ponto, estamos falando de um filme medíocre, que simplesmente entrega uma série de dilemas de forma infantil e não se preocupa em sustentar isso de forma coerente, tampouco dá valor à uma personagem que poderia acrescentar nessa abordagem: a psicóloga. No primeiro diálogo dela com uma das personalidades de Kevin, ela se mostra totalmente preparada em relação à situação do seu paciente, chegando inclusive a mencionar o fato de que “conhecia as vinte três personalidades”reparando em nuances e sustentando uma postura intelectual. Em trinta minutos isso é derrubado pelo próprio roteiro, até chegar a uma conclusão infame, que não só ofusca o trabalho dos profissionais da mente como também nos faz perder qualquer senso de seriedade ao enfrentar a tortura chamada “Fragmentado”. É visível os momentos em que o roteiro perde forças, prejudicando inclusive as excelentes performances dos seus atores principais, principalmente o James McAvoy que compõe algumas das principais personalidades de forma eletrizante, chegando a assumir uma que, por motivos pessoais, quer se passar por outra, a transição é perfeitamente ilustrada através de expressões sutis e bom trabalho vocal. Esse ator é um talento, a sua entrega é tão absurda que, curiosamente, ultrapassa os limites do seu próprio texto.

Começamos com uma apresentação frágil, passamos por poucos bons momentos onde o sentimento de ansiedade se sobressai e as abordagens psicológicas soam como maravilhas para quem gosta do tema, de repente, no entanto, isso é descartado e o óbvio assume o comando. A psicóloga especialista e concentrada dá lugar a uma senhorinha insegura, desesperada e, pior, despreparada; os flashbacks, que prometem agregarem à história um valor dramático, demoram a se resolver e o espectador fica esperançoso por uma explicação e, quando a tem, é tão lamentável que seria melhor ser completamente ignorado; e, por fim, transições da consciência, ilustradas por uma performance arrebatadora, passam a ser físicas e uma obra que pretendia demonstrar as obscuridades da psicologia humana se rende ao clichê do monstrinho perseguindo uma mulher desprotegida que, aos poucos, vai perdendo pedaços da roupa. É isso, volte a ser jovem da próxima vez M. Night Shyamalan!

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O Cadáver de Anna Fritz, 2015

O Cadáver de Anna Fritz ( El Cadáver de Anna Fritz, Espanha, 2015 ) Direção: Hèctor Hernández Vicens

Cadáver, corpo sendo violado, necrotério, filme espanhol… Nacho Cerdà?

Nacho Cerdà chocou o mundo com o curta-metragem “Aftermath”, onde basicamente trabalhou temas como violação do corpo, instinto selvagem, fragilidade da carne etc, através da necrofilia. A narrativa se pauta no silêncio, não há diálogos, apenas música clássica em um som extra diegético e os gemidos do violentador, agindo como um animal irracional. A crítica e ironia é evidente desde os primeiros momentos.

Hèctor Hernández Vicens com certeza assistiu o curta e se inspirou no quesito coragem, mas sem nenhuma pretensão de criar algo com a mesma qualidade ou profundidade filosófica. A história em “El Cadáver de Anna Fritz” começa com notícias sobre a repentina morte de uma famosa atriz espanhola chamada Anna Fritz. Seu corpo, que outrora despertava desejo nos homens ao redor do mundo, é levado ao necrotério e fica sob observação do jovem Pau (Albert Carbó) que, fascinado por estar acompanhado do cadáver de uma linda e famosa atriz, tira foto do seu rosto e envia para os amigos. Posteriormente os convida para olhar o corpo de Anne, levantando o desejo em um deles e, consecutivamente, um estupro coletivo.

Os primeiros minutos do filme são excelente, mesmo em um formato convencional consegue provocar alguns temas extremamente reflexivos, por diversas vezes é possível imaginar o quão superficial é o desejo carnal: a fama aqui é um caminho certo para essa questão, visto que muito famosos sustentam a sua carreira em base ao desejo físico, portanto, o que acontece com o seu corpo frio, morto? Todo o fascínio se esvai ou, como visto aqui, esse impulso ainda se mantém?

Os dois amigos convidados por Pau iriam para uma balada na mesma noite que são convidados. Mesmo que um deles relute até o fim, o primeiro contato acontece e, uma das primeiras coisas que o “líder” faz é colocar as mãos nos seios de Anna Fritz. Pau dá detalhes sobre o sexo com um cadáver, deixando implícito que já abusou de outro corpo e a confissão é que poderia ser uma menor de idade.

A atriz mundialmente conhecida está ali, imóvel e sem vida, vulnerável, assim como o estupro sugere, só que sem a resistência. Portanto, o primeiro ato consegue estabelecer com primor essas questões de ética, onde os próprios jovens repensam os seus atos e enfrentam as consequências,afinal, só eles estão no local, portanto permanecem isentos de qualquer julgamento, senão, das suas próprias consciências.

A técnica, seja visual ou narrativa, é comum mas não desaponta. Há momentos de tensão que são fortemente prejudicadas por cenas repetitivas. Todos os atores estão dando o máximo nas expressões que exigem, uma relação estreita com sentimentos como medo, raiva, arrependimento e incerteza. O diretor explora bem as atuações mas peca em criar cenas claustrofóbicas, algo que seria relativamente fácil, visto que os personagens permanecem em boa parte do filme em um ambiente fechado.

 Existe uma limitação física de um dos personagens aqui que resulta em cenas realmente angustiantes, além de o espaço ser bem explorado ao longo dos setenta e seis minutos de filme.

Curioso é notar como é o tratamento dos cadáveres pelos jovens: antes de relevar o corpo de Anna para os amigos, Pau mostra um cadáver de um senhor, desfigurado, no mesmo tempo que obtém como resposta: “cubra esse lixo”. Momentos depois o mesmo personagem fala que o corpo, sem vida, da Anna é “delicioso”. Um contraste obscuro, limitado e doente.

Mesmo com as limitações – não espere uma obra extremamente diferenciada – Hèctor Hernández Vicens conduz uma história dinâmica que, mesmo com pouco tempo, consegue trazer questões éticas e chocar com imagens de necrofilia e desrespeito dos personagens para com o corpo (templo) de uma mulher que perdera a vida precocemente. Os desenvolvimento do roteiro cai e as reviravoltas são repletas de truques; ainda existe uma ideia de vingança má explorada mas que, certamente, aliviará os corações mais revoltosos.

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As Bodas de Satã, 1968

As Bodas de Satã

Seria impossível analisar “As Bodas de Satã” sem se lembrar de como o satanismo foi discutido durante os anos 60. A liberdade e o movimento hippie trouxeram, também, um outro lado obscuro que envolvia o desconhecido e, claro, o satanismo está incluso na lista.

Em 1969, um ano após o lançamento desse filme, Charles Manson assassinou a Sharon Tate que era esposa do diretor Roman Polanski e estava grávida de oito meses. Então é de se imaginar a ousadia de todos os envolvidos em lidar com esse tema de forma tão natural e impactante.

O filme é baseado em um conto do Dennis Wheatley, inclusive ele teve o Aleister Crowley como consultor para criação da sua história.

Dirigido por Terence Fisher, “As Bodas de Satã” conta a história de Duc de Richleau ( Christopher Lee ) que descobre que o seu sobrinho está envolvido com rituais satânicos e magia negra, ele passa a usar os seus conhecimentos místicos para combater o mal e os livrarem dessa situação.

A produtora Hammer é icônica na história do cinema, trabalhou exaustivamente com alguns monstros famosos como o “Drácula” e a “Múmia”, aqui trabalha com a magia negra e consegue se sair muito bem. A técnica empregada pelo Terence Fisher dá um tom elegante e o roteiro é dinâmico e aproxima o espectador do conflito principal. É uma aula de cinema para os jovens, que teimam em se utilizar dos sustos gratuitos. Aqui acontece o contrário, existe uma atenção maior para com a história, depois os personagens, o visual e só depois vem a necessidade de provocar o medo. Contudo, como o foco está totalmente na ambientação, a sensação de urgência e o trabalho inteligente com elementos diabólicos traz a sensação de medo de forma mais pura, é realmente uma experiência prazerosa.

Ainda há espaços para algumas discussões sobre o mal e o ceticismo, o que é importante, mas em nenhum momento se torna o principal na narrativa. Felizmente é tudo singelo, trabalhado de forma delicada, destoando inclusive do próprio tema, sem dúvida se trata de um dos melhores filmes da Hammer.

“-Você acredita no mal?
-Como uma ideia.
-Acredita nos poderes das trevas?
-Como uma superstição.
-Estão erradas!
O poder das trevas é muito mais que mera superstição!
É uma força viva que pode atacar a qualquer momento da noite.”

A teatralidade, com ajuda do clima gótico, faz jus a mitologia que o filme alcançou posteriormente, tendo sido inspirações dentro da música, escritores, enfim, é impossível falar de terror sem citar essa obra maravilhosa, cercada de muita dedicação e carinho e, por que não, relacionada com a curiosidade e medo da sociedade na década de sessenta.

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A imortalidade sob a perspectiva existencialista da Simone de Beauvoir

A imortalidade sob a perspectiva existencialista da Simone de Beauvoir: a obra “Todos os Homens São Mortais” como diálogo definitivo do homem e sua busca irracional pelo infinito.

Assistindo recentemente o sucesso “Logan” (2017) não pude ignorar o fato de que o tema principal discutido pelo filme é justamente a luta de um homem contra o seu tempo. Partindo desse exemplo popular, hoje trago uma resenha sobre o clássico livro de uma das minhas escritoras favoritas, a feminista  Simone de Beauvoir. A proposta não é dissecar o trabalho inteiro da escritora, irei me ater apenas em alguns dilemas do livro em questão, de forma a compor uma reflexão sobre o fim da existência – uma ideia que tem sido recusada ferozmente por diversas sociedades ao longo da história – algo que ilustra não só a ansiedade da humanidade em se dividir, seja através da arte ou não, mas também a solidão existencial motivada, principalmente, por uma sociedade que pré-determina o tempo das conquistas individuais e pressiona o indivíduo em relação ao tempo que lhe resta. Será que a nossa vida seria diferente se descobríssemos que a expectativa de vida humana passou a ser de apenas quarenta anos?

Um conhecimento básico na estrutura de roteiro é que qualquer história se divide em três atos. Entre os “pontos de viradas” – como são chamados os exatos momentos que representam a transição do primeiro para segundo ato; do segundo para o terceiro – existem diversos momentos cruciais na história, mas todos estão divididos entre as três fases primordiais.

Se viajarmos em alguns conceitos da numerologia, bem como a própria história, perceberemos que o número três é muito significativo em diversas culturas e religiões. Peguemos como exemplo a lenda de Édipo, que é interrogado pela Esfinge, muito sábia, com um questionamento oportuno sobre a essência da vida. Ela pergunta: “Qual é o animal que tem quatro patas de manhã, duas ao meio-dia e três à noite?“. O herói, após refletir um pouco, responde que é o homem. E se justifica: “O amanhecer é a criança engatinhando, entardecer é a fase adulta, que usamos ambas as pernas, e o anoitecer é a velhice quando se usa a bengala“. Três etapas sendo desmistificadas com características que resumem uma só realidade: a vida humana se modifica apenas para encontrar o seu repouso.

A existência tem como essência o movimento, a jornada da vida não é uma linha reta e limpa, é impossível reconhecer previamente os obstáculos sujos ou maravilhosos da estrada à frente. No entanto, a beleza da vida se encontra justamente na cegueira provocada pelas curvas acentuadas do caminho que tiram a nossa ciência do depois. O ser humano é o único animal capaz de imaginar o ponto final, e sempre que o faz, interpreta o fim como uma rua sem saída, cuja limitação provoca uma série de decepções. 

É corajoso da nossa parte estar aqui e continuar existindo; é ignorante da nossa parte achar que a vida existe para suprir os nossos desejos. A vida é procurada até mesmo na morte, afinal, elas partem do mesmo propósito: não existe sentido em uma estrada que não leve à lugar nenhum.

“Todos os Homens São Mortais” é um livro que investiga justamente essa questão elementar. Escrito com uma sobriedade assustadora pela sempre excelente Simone de Beauvoir, acompanharemos um personagem chamado Fosca que, em pleno século XIII, bebe uma poção que lhe prometia trazer a imortalidade. A benção da vida eterna, aos poucos, vai se transformando em maldição e esse personagem se sente incomodado com a sua presença fantasmagórica no mundo. Um ser etéreo; um homem que é enxergado pelos outros como um ser morto.

A leitura é obrigatória para os amantes do existencialismo, pois a imortalidade é trabalhada de uma forma realista, distanciando o leitor de uma visão romanceada de uma existência sem o perigo iminente da morte. A vida sem a problematização do seu fim é como uma obra de arte que fora rasgada pelo próprio artista. Os pedaços da arte, mesmo que colados, nunca mais retornaram ao mesmo princípio. Parece que o homem só anda para se reencontrar com o vazio e, se fosse possível rejeitar essa realidade, de nada adiantaria acordar.

O homem, desde o início dos tempos, encontrou na arte a forma ideal de se imortalizar. A quebra da rotina de caças e inseguranças diante os perigos de um mundo hostil, eram quebrados pela sutileza de momentos dedicados às pinturas rupestres. Atitude que nos aproximava dos deuses, trazia o conforto espiritual. É impossível um artista não ser espiritualizado, tendo como exemplo toda uma história onde os seus semelhantes sempre tentaram encontrar um lugar no mundo para espalhar as suas mensagens.

A sensação de pequenice, provocada pela finitude, é mascarada de diversos modos. Como a própria escrita que tem como função principal o domínio do escritor sobre a normalidade. O tempo limitado, como podemos sentir lendo as páginas de Simone, não se trata de uma desgraça; mas sim de uma coerência. A harmonia da vida é a delicadeza e compreensão da sua presteza.

O alento pessoal é a sincronia do coração com a natureza. Os passos são dados e a trajetória é o âmago dos desdobramentos emocionais. Afinal, ninguém se interessa por aquele que nada passou e nada passará. A história encanta, mas a conclusão é uma ilusão. Na arte não existe um fim literal, só um pequeno momento que separa o fácil do transcendental.

Na construção de um roteiro, os três atos são a essência da estrutura narrativa. Mas nós, como artistas, podemos simplesmente inverter a ordem. O fim passa a ser o começo. Não é assim que o ser humano lida com o luto? a lembrança é a maior virtude dos rebeldes.

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Strange Circus, 2005

Strange Circus ( Kimyô na Sâkasu, Japão, 2005 ) Direção: Sion Sono

★★★★

Sion Sono é um dos diretores mais corajosos da atualidade. Primeiro porque não se acostuma com o seu próprio ritmo, intercalando filmes trashs com os subversivos e profundos dramaticamente. E, segundo, pela própria ambição e inerência à fuga do óbvio: mesmo que se utilize da estranheza para compor a sua arte, sempre busca formas de surpreender, não contenta-se apenas com a ideia e faz questão de investigá-la sob diversos pontos de vista.

Filmes como “Extensões Capilares” e “Não se Esqueça de Compartilhar” podem ser utilizados para exemplificar a flexibilidade do diretor. Representam diretamente a facilidade que ele possui em conversar de diversas formas com o público, mesmo que sempre utilize um elemento incomum como essência para o desenvolvimento do roteiro.

Mais uma prova desse talento único é o “Kimyô na Sâkasu“, um dos filmes mais doentios e sublimes da sua carreira. A história é repleta de camadas, mas a principal é sobre Mitsuko, uma garotinha que vê o seus pais fazendo sexo e, depois disso, é forçada pelo pai à despertar a sua sexualidade. Ele a obriga assistir a sua relação sexual escondida e depois a abusa. A mãe, por sua vez, vê a filha e sente que ela está “tomando o seu lugar” e se sente traída, com ciúmes. Essa base será abordada de forma onírica, com uma série de referências visuais e símbolos, o trajeto perfeito de uma família corrompida pelos desejos mais obscuros da carne; monstros privando uma vida inocente de ser criança.

A atmosfera é surrealista, o brilho é ofuscado por uma sensação de sujeira e nebulosidade, as personagens são ambíguas, pronunciam cada palavra com um tom de artificialidade e arrogância. É difícil contextualizar a obra, seja em uma época ou sociedade, pois parece o inferno, uma caricatura das sombras, almas rastejando em busca da corrupção total.

O filme começa em uma boate onde uma drag queen interrompe o show para perguntar à platéia se há alguém interessado em ser decapitado em uma guilhotina. O show é a morte, a morte é presente e o sangue é comum. O quão pequeno é morrer em comparação com o sofrimento?

Como resposta a toda uma história e sentimento, alguém na platéia estende as mãos e indica que se dispõe a ter sua cabeça cortada no palco, com uma filmagem que se aproxima da subjetividade, somos transportados, a partir desse momento, para os sofrimentos de Mitsuko, a própria afirma que “sua vida é repleta de guilhotinas“.

O palco que exibe é o mesmo que transita por entre os corredores da sua casa. Onde o pai e a mãe fazem sexo por prazer e, no mesmo tempo, sua filha caminha em um corredor vermelho. O sangue das paredes é o mesmo que simboliza a evolução de criança para jovem; é o mesmo que corre dentro dela e, por consequência, do pai; é o mesmo que sujará a guilhotina; e, nesse caso, é o mesmo que toma o lugar do leite materno.

O pai indica à sua filha o voyeurismo, a obrigando ficar quieta escondida dentro de uma capa de violoncelo – ou seria a arte? – e assistir a sua performance sexual, impondo o prazer visual, carnal e crescimento. Esse abuso acarreta não só em uma maldição enraizada no âmago da Mitsuko, como também cria infinitas relações doentias e ódio.

O complexo de Electra é analisado sobre prismas polêmicos, o pai, após o sexo com a mãe, inverte as posições e abusa da filha. Caminho e criação; prazer e medo; mãe se transformando na filha e vice-versa – algo que será demonstrado visualmente, visto que nas cenas de abuso, como uma forma de simbolismo e respeito, o diretor opta por trocar a atriz, a filha literalmente se torna a mãe.

“…a diferença entre mim e mamãe era que ela parecia feliz.”

As camadas dramáticas vão sendo trabalhadas e expostas de forma pouco gentil, agredindo visualmente e filosoficamente pela tentativa de estabelecer o mistério como protagonista de uma experiência doentia. Os primeiros quarenta minutos são aterrorizadores e, sabiamente, o diretor opta, ao ultrapassá-los, em usar uma narrativa diferente, como se tudo não passasse de um sonho ou criação. Outros personagens aparecem, em especial um assexual que, tendo como base a sua opção sexual, é possível fazer uma ligação direta com o início onde a ideia primordial que conecta o sexo com o prazer é desmoronada. Outra personagem é a escritora que, mesmo possuindo a capacidade de andar, prefere ficar na cadeiras de rodas como um protesto por todo um abuso psicológico que resultou em uma paralisia dos seus movimentos.

Sem dúvida se trata de uma obra imperdível, verdadeiramente poético dentro da sua complexidade e obscuridade. Não é fácil se entregar para uma obra com tamanha densidade, no mesmo tempo que o resultado é brilhante. Além de possuir uma história extremamente complexa e relevante, o diretor é suficientemente inteligente para contá-la de forma que não fique cansativa. Em base às interpretações e direção de arte, o passado, criação e presente se confundem, todos se tornam uma só maldição.

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Creepy, 2016

Creepy (Kurîpî: Itsuwari no rinjin, Japão, 2016) Direção: Kiyoshi Kurosawa

O cinema japonês é sempre lembrado quando falamos sobre bons filmes de suspense. Comumente lidando com personagens dimensionais, com valores ambíguos e passado sombrio. Podemos agregar ainda mais camadas quando citado o trabalho do diretor Kiyoshi Kurosawa que, trazendo todas as características típicas mencionadas acima, ainda se preocupa em trabalhar com elementos contemporâneos nos seus mistérios, algo que pode ser visto em “Kairo” (2001) – o qual explora a internet e o sentimento de novidade em relação à nova ferramenta para dar sustentação à sensação de medo.

É de se lamentar, portanto, que o último filme do diretor, “Creepy” (2016), seja um filme ruim. A novidade, outrora primordial nos filmes do realizador, dá lugar ao comum aqui, o que temos é um filme de mistério que percorre absurdamente os mesmos caminhos de muitos outros e, no que tenta se diferenciar, acaba caindo em uma armadilha, pois as decisões provocam somente um leve cansaço e constrangimento.

A história gira em torno de um jovem policial que se aposenta por causa de um grave acidente e vira professor de psicologia criminal. Ele e sua esposa vão morar em um bairro tranquilo no subúrbio mas, por desconfiança sobre algumas atitudes de um suspeito vizinho e com o convite de um amigo da policia, o protagonista ajuda a policia em mais uma investigação.

O primeiro e começo do segundo ato entregam a promessa de bons eventos e descobertas, personagens complexos vão aparecendo timidamente, momentos em sala de aula onde o protagonista fala sobre serial killers e os classifica de três formas “organizados, desorganizados e mistos” dão a sensação – e deveriam – de que assumiriam uma importância no desenvolvimento, mas isso é plenamente descartado ao longo dos minutos.

Os vizinhos do casal são estranhos, não aceitam os presentes e contrastam com a simpatia dos novos moradores. No entanto essa relação de pouca comunicação também se estende para o próprio casal principal, cuja interação é nula e alguns acontecimentos poderiam ser facilmente superados se houvessem diálogos entre os dois.

A conclusão caminha para o óbvio, o roteiro deixa claro quais serão os desdobramentos mas ainda se vê preocupado em acrescentar, no final, uma série de cenas grotescas e que se perdem em seu sentido dramático. No entanto, há de se destacar a atuação do grande Teruyuki Kagawa que emprega características assustadoras ao seu antagonista e o posicionamento de câmeras dentro das casas de todos os personagens, pois geralmente deixam o objeto na diagonal, representando brilhantemente a confusão e insegurança, sentimentos pelos quais eles estão passando.

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Meu Nome é Ray, 2015

Meu Nome é Ray (About Ray, EUA, 2015) Direção: Gaby Dellal

Apesar de algumas boas intenções do cinema em falar sobre a transexualidade – sempre apoiarei a discussão e, consecutivamente, a existência de inúmeros filmes que apresentem o tema, diretamente ou não – é de ser levado em conta que, em alguns casos, a discussão pertinente é deixada de lado para uma sequência de interesses.

A transexualidade é um tema delicado, a sociedade ainda tem sérias dificuldades em entender a diferença entre gênero e opção sexual, e enquanto pessoas que nem estão inseridas na vivência do dilema discutem e apontam o dedo para julgar os indivíduos, crianças do mundo inteiro se olham no espelho e não conseguem assimilar a imagem com a mente, com os sentimentos. Por conta disso, há de mencionado a importância da arte como elemento de difusão, auxiliando crianças e jovens de todos os lugares a, quem sabe, se identificarem, ajudando-os a encontrar o melhor caminho para uma longa jornada.

“Meu Nome é Ray” conta a história de Ray, um garoto transexual, que precisa viver entre a ansiosidade para o começo dos tratamentos com hormônios e os dramas da sua família, seja para compreendê-lo da melhor forma, ou demônios do passado. Dado a sinopse, é preciso salientar, a partir de então, que o principal problema do filme é justamente possuir um protagonista transexual, enfrentando dilemas emocionais enormes, mas nunca dar atenção dedicada a essa problematização. Enfatizando a família constantemente. O curioso é que a família é pessimamente desenvolvida, nem mesmo a vovó Dolly – vivida pela excelente Susan Sarandon – cuja personalidade poderia ser bem aproveitada, visto que sua atitude parte da espontaneidade e, nos momentos mais tensos, o seu bom humor se destacada, recebe atenção aqui. É uma mescla de conflitos, escritos de uma forma incoerente, tentando desesperadamente se tornarem melhores através dos talentos da já citada Sarandon, da Naomi Watts – que faz a mãe de Ray – e a Elle Fanning, que vem provando ser mais talentosa que a irmã, Dakota Fanning, há anos.

Mesmo que Elle Fanning prove a sua força dramática mais uma vez, há sérios problemas no que diz respeito a estruturação dramática que envolve o seu personagem. A começar pelos vídeos que Ray grava com o seu celular e edita no computador, como um registro da sua metamorfose, a ideia é interessante, apesar de não ser nada inédita, mas o que frusta realmente é que sua função na trama é descartada no segundo ato, se não bastasse isso, a qualidade visual e de edição dos seus vídeos se trata de algo profissional, o que tira drasticamente a visceralidade da proposta. Como pode um vídeo caseiro e despretensioso feito com um Iphone, de repente, se parecer com uma mega produção profissional, inclusive com ângulos precisos e impossível para um garoto fazer sozinho?

Com uma premissa poderosa, mas execução falha, o que percebemos é que se trata de uma sequência de cenas padronizadas que ganham forças esporádicas, se tratando de uma obra que apela para o seu conteúdo e é, por ele, traído. E empurra a responsabilidade de provocar a empatia para as suas atrizes. Uma decisão pouco corajosa da Gaby Dellal que, apesar das boas intenções, se deixa levar pelo caminho fácil do processo criativo.

Obs: Algo que sempre mencionarei é: dado a importância do tema e a indiferença de muitos, principalmente por se tratar de um problema de minorias, que bom seria se todo papel de transexual fosse vivido por um transexual, assim sentiríamos precisamente os seus conflitos, bem como abriria um espaço seja na grande industria ou veículo independente para os transgêneros. Por isso, recomendo fortemente o maravilhoso e recente “Tangerina”, dirigido pelo Sean Baker.

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Estamos te esperando no nosso grupo do Whatsapp!

Enfim, criamos um grupo no WhatsApp para aproximar os amantes do bom cinema alternativo! no grupo você encontrará a maioria dos amigos que participaram do podcast Cronologia do Acaso, bem como o criador e host Emerson Teixeira.

A utilização do WhatsApp foi pensada pela aproximação e intimidade que pode ser estabelecida entre os participantes e os leitores/ouvintes, algo que sempre foi a nossa proposta. A pretensão é discutir cinema, arte, filosofia etc.

  • Pode divulgar à vontade blogs, textos, vídeos e afins, no entanto preze pela discussão para que possamos aprender juntos.
  • Boa educação e respeito acima de qualquer coisa.

Para entrar nessa sociedade secreta de amantes da arte, clique no link do grupo aqui.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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Discurso de um Proprietário, 1947

Discurso de um Proprietário ( Nagaya shinshiroku, Japão, 1947 ) Direção: Yasujiro Ozu

Yasujiro Ozu é um dos maiores nomes do cinema japonês. Sua influência é imensa até hoje e tem como maior mérito a sensibilidade. Os temas dos seus longas geralmente incluíam a família, principalmente a figura materna, mas sempre conseguia explorar mensagens novas e igualmente fortes, principalmente dado o contexto histórico durante as realizações das suas obras. Um Japão doente, quebrado, com medo e sofrendo as consequências de uma guerra e infinitas limitações.

Nesse contexto, certamente falar sobre a guerra era algo movido por uma coragem e segurança inabalável, um dos maiores exemplos é “Discurso de um Proprietário”, onde os impactos sociais e, principalmente, emocionais, são observados a partir de um elemento estranho sendo obrigado a adentrar em um núcleo familiar e como todos reagirão a essa nova presença.

Na história Tashiro (Chishû Ryû) encontra um garoto perdido e leva para sua casa, na intenção de que algum dos seus vizinhos o adote. Com muita relutância a senhora Otane (Chôko Iida) fica com o garoto e, no começo, a relação é pouco saudável e muito arrogante. Ela lida com o garoto como se fosse um bicho, “um perdido” como é citado ao longo. Mas aos poucos a convivência vai se tornando agradável até alcançar a função de um portal de segurança e afeto ao garoto e amor incondicional por parte da Otane.

O diretor é conhecido como “o mais japonês dentre os cineastas japoneses”. O seu trabalho é permeado pela ambição de transformar quem assiste em japonês, inserindo-o na cultura de forma visceral, a execução é inteligentíssima para isso, a começar pelas histórias simples e personagens comuns, sua narrativa é tão natural que dialoga muito com os documentários.

Em “Discurso de um Proprietário”  a famosa câmera baixa do diretor, contextualizando o olhar assim como os japoneses ao fazer as refeições, também está presente desde a primeira cena. É delicado como o espectador conhece a família principal através de diálogos diretos, íntimos, como se fossemos um outro integrante da família. Não existe rodeios para a contextualização dos eventos, no primeiro minuto o garoto chega na casa, sua postura – geralmente com as mãos nos bolsos, já são assimiladas e, a partir de então, só temos tempo para apreciar o simples em forma de obra-prima.

A pobreza e a situação catastrófica social é nebulosa, sendo mantida como pano de fundo de uma família em sintonia. Uma cena onde diversos amigos cantam na mesa de refeição é a prova disso, inclusive a canção é sobre um amor em plena guerra, algo que simboliza justamente o quanto, no íntimo, pode existir esperança nas coisas mais terríveis.

Há ainda espaço para filmagens externas belíssimas, todas com a intenção de engrandece o local e aproximar a senhora Otome do garoto. A jornada de conhecimento, principalmente de assimilação das emoções e afeto entre os dois, é poderosa. O caminho até surgir a frase “pode chamar isso de amor materno” é dura e, por vezes, fria, mas a conclusão é de uma poesia encantadora.

É de se notar que o choro, no final, é pelas coisas terem dado certo. É extremamente difícil, no cinema, encontrarmos um personagem que se emociona e chora por algo que não é movido ao individualismo e interesses próprios. A senhora Otome, mesmo sendo obrigada a se distanciar, ignora a sua dor e fica feliz pelas coisas terminarem bem. Essa sensibilidade é consequência de uma dor coletiva, ausência total de esperança por dias melhores e amor incondicional que só uma mãe poderia ter. Uma verdadeira obra-prima do cinema japonês e mundial.

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