Santa Monica (Felipe André Silva, 2016)

 A estética desse filme e a ausência de diálogos escondem o baixo orçamento, no mesmo momento que ilustram que qualquer trabalho audiovisual, com o mínimo de conteúdo, encontra o seu caminho mesmo com as adversidades. Dirigido pelo Felipe André Silva de forma simples e oportuna, o filme fala sobre a sensação causada pela distância do amor, aqueles dias e todas as sensações que eles trazem. Portanto, as limitações citadas são utilizadas a favor do conceito geral, no momento que o protagonista se envolve com o mundo mas não é, por ele mesmo, sentido. O jovem procura se apoiar em conversas e sorrisos alheios, mas existe uma tristeza que o impede de ser e o espectador de conhecê-lo. Se a captação de áudio é um problema, a solução é transformar a incomunicabilidade em ferramenta que sintetiza, também, a forma que o personagem se entende no mundo após a decepção.

Vivemos em tempos onde fazer cinema com o celular é comum, mas há de se lembrar que o recurso, mesmo que mínimo, precisa estar coerente com a arte. Aqui acontece isso, mesmo que ainda não seja excelente pois evidentemente se trata de um experimentalismo, o jovem é desenvolvido de forma verdadeira, assim como a nítida entrega em fazer cinema e, mais do que isso, registrar uma história, uma dor e solidão.

É questão de tempo a identificação com o caminhar sem propósito do personagem, enquanto tudo acontece no tempo comum, analisamos sua perspectiva diferente, seus passos não assimilam o tempo e espaço, o imediatismo do jovem não traduz seus melancólicos sentimentos.

Santa Monica (2016) conversa com o público que desenvolve, fala sobre a instabilidade emocional e como as nuances dos encontros e desencontros impactam a vida e despreparam, muitas vezes, o indivíduo para continuar enfrentando sua jornada. O filme, assim como o preto e branco de sua fotografia, percorre momentos, talvez dias ou anos, uma pessoa mergulhada no processo de entender-se só, mas que de forma alguma se sente pleno nessa condição.

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emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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  • Fabiano Caldeira

    Parece bom. Onde será que encontro esse filme??

    • Emerson Teixeira Lima

      O diretor o disponibilizou no Mevio, se não estou enganado.