Steel Butterfly (2012)

Steel Butterfly (Stalnaya babochka, Rússia, 2012) Direção: Renat Davletyarov

Steel Butterfly (2012) é um filme russo, dirigido pelo desconhecido Renat Davletyarov e que não sabe muito bem qual caminho quer seguir. Começa como um típico filme policial, com resquícios altos de terror, ao mostrar uma menina caminhando, sozinha, pela noite e sendo vítima de um “maníaco do parque” que está assolando uma cidade. Depois somos apresentados à uma gangue onde a líder é uma jovem chamada Vika Chumakova (Darya Melnikova) que, depois de ter problemas com a polícia, se vê ajudando-os servindo como isca para o maníaco enquanto segue sendo observada pelos tiras. Junto a isso, temos a relação dessa garota órfã com o policial Hanin, visto que ele a leva para sua casa enquanto trabalha com ela.

O filme começa com características típicas do gênero policial, passa pelo romance – pelo menos aquele que se projeta na protagonista, afinal, ela não tem lar, muito menos afeto, portanto se sente atraída pelo seu hospedeiro – e termina como um drama artificial. Desde o começo a narrativa se perde por querer introduzir o humor em uma circunstância má preparada para tal, o que acaba desviando a atenção do perigo iminente. No segundo ato se esquece completamente o propósito da inserção da garota em uma missão da polícia o que, inclusive, não faz nenhum sentido, quiça coesão ética. Afinal, utilizar uma jovem desabrigada como isca para um assassino não desperta o mínimo de empatia no espectador e, sendo assim, todas as situações derivadas dessa monstruosidade definitivamente não se encaixam.

A polícia tenciona utilizar mulheres para servirem de isca ao maníaco, a ideia é deveras machista e, se não bastasse, há duas cenas onde três policiais sentam em suas cadeiras com poses autoritárias e julgadoras, enquanto observam essas mulheres e suas vestimentas, como se estivessem imaginando o que chamaria mais atenção do psicopata das ruas. “Talvez uma saia curta?” “Peitos grandes?”… O que fica mais agravante quando eles têm a “grande” ideia de utilizar uma menor de idade (?), como se fosse um objeto insignificante apenas por ter cometido atos de vandalismo. O que contrastará seriamente com os ataques de [falsos] moralismos de Hanin em relação à idade da protagonista.

Como é possível imaginar, o tom leve que tenta ser reforçado a cada cena é uma tentativa tola. A trama é incoerente e, apesar do esforço dos atores, o texto que têm em mãos é excessivamente vazio. A atriz Darya Melnikova chama atenção, pelo talento e beleza estonteante, é mesmo uma pena que sua evidente dedicação esteja acima do material disponibilizado. A incoerência temática, indecisão da direção e soluções clichês fazem desse filme uma obra descartável.

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emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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