A Felicidade não se Compra (1946)

Há milhões de pessoas que amam esse filme, essa história, o natal etc. Eu queria, muito mais do que estar escrevendo, poder ouvir um pouco da história que cada pessoa tem para contar sobre a sua vida, cheia de aventuras e medos, que fatalmente caiu(irão) na temida rotina. Considero a rotina um grande problema para a vida, mas não espero que alguém consiga viver sem ela. Pelo contrário, se sua vida tem aventuras todos os dias, então a aventura se tornará uma rotina. Outra coisa é o seguinte, o ser humano nunca está satisfeito com as coisas, sempre poderia estar melhor, desde a aparência, passando pelo presente que ganha até chegar no maior presente de deus, a vida.
Não é para menos, nos colocaram nesse lugar de malucos e nem nos disseram qual era a nossa missão. Nem sabemos ao certo se existe alguma. Seria mais fácil se tivéssemos todas as respostas para nossa existência, assim os grandes homens poderiam parar com tantas guerras e se preocupar com eles mesmos. Engraçado, olhando dessa forma eu acredito que a própria guerra é uma forma de suavizar uma grande e interminável busca por respostas.
Agora vou olhar para algo bem menos universal mas de suma importância chamado Emerson Teixeira Lima, ou melhor, eu. Passei muitos anos da minha vida tentando entender qual era o meu objetivo, muito por que meu presente me dizia sempre que não sabia fazer nada. O vazio, muitas vezes, é a pior dor que existe e “sofrer por nada” é sofrer duas vezes pois, se não bastasse o sofrimento por nada, você ainda sofre por se achar injusto por o fazer por algo tão banal, como se o mundo fosse te julgar por isso. Como se fosse proibido ser triste só por ser. Mas vamos combinar que sempre existe um motivo, não é mesmo?
Já pensei diversas vezes em me matar, ou até mesmo imaginar se as pessoas sentiriam a minha falta se eu partisse. Quase parti, confesso. Mas parece que tudo o que queria estava sendo preparado para mim, e eu só estava muito ansioso para o grande momento. Talvez um anjo tenha me dito isso e eu, cético que sou, não acreditei. O que quero dizer é que anjos existem, eles estão em toda parte. Sem poderes mágicos, somente o poder de estar perto. Muitas vezes isso é mais que o suficiente.
Assisti “A Felicidade não se Compra” com uns 15 anos. Sem nenhum motivo aparente, mas, como já disse, sempre existe um motivo. Acompanhar aquele homem de coração tão grande que mal cabe no próprio corpo foi simplesmente o que eu precisava. Sua ansiedade em conhecer o mundo, sair do lugar que estava me causou um sentimento de identificação tão grande que no meu peito faltava ar, de tanta emoção. Sabe quando você sente uma dor enorme mas em nenhum momento grita um palavrão para aliviar? Então, mais ou menos isso. Já nas primeiras cenas foi-me entregue um presente. O filme poderia acabar com 30 minutos, a sua mensagem já estava entregue.
Quando George Bailey conversa na mesa com o seu pai, explicando que o seu sonho é fazer muito mais do que ficar em um escritório é de um carinho tamanho que faz me sentir inútil em tentar explicar. O seu pai, sábio, responde dizendo que faz grandes coisas, pois é inerente ao ser querer um lugarzinho para viver, uma proteção para a família. Na verdade, eles fazem muito mais, pois fazem com amor e entrega. Tudo fica maravilhoso quando há verdade, sinceridade e humildade.
É claro que o George entendeu o recado do pai que, por sinal, resume o filme todo. “faça o melhor com o que tem, independente de onde esteja”. O filme coincidentemente aborda o natal, mas não faz dele uma necessidade para a trama. Pouco importa a data, a única coisa que importa é a verdade do fazer o bem. Mas me soa muito bonito remeter essa obra abençoada ao natal, pois é realmente um momento onde as pessoas estão abertas, onde o carinho se faz presente, pena que muito dele é falso e/ou momentâneo mas… enfim, eu ainda tento acreditar que há famílias que se renovam a cada ano, nessa exata data e isso me faz feliz de alguma forma.
Quando disse que existe muitos anjos por ai, isso pode ser ilustrado com o filme, onde George Bailey se apresenta como tal durante todo o momento que o acompanhamos. Ora, ele só não tem asas ainda, mas ajudou várias pessoas, diretamente ou não, ele representa todos nós e nossas respectivas importâncias para com o meio. E como fica feliz esse meio com a nossa ajuda. Deixando sua vida de lado para se preocupar com problemas alheios, George nos mostra que os problemas alheios podem, muito bem, ser nossos também. Forte e destemido quando jovem, ele dá lugar a um pai. Se outrora trazia a lua para sua amada, ele passa a questionar sua sanidade por ter escolhido ele.
As pessoas nos escolhe o tempo todo, nós escolhemos as pessoas e, muitas vezes, a melhor escolha está do nosso lado. Só estamos preocupados demais para entender isso. É difícil encontrar alguém que te entenda, que as horas passem devagar, que pisar na grama não seja um problema assim tão grande. A beleza sempre está nos olhos de quem vê/sente.
Finalizando, eu digo que dei espaço para uma nova versão de mim, hoje eu tenho certeza que tento fazer o bem de todas maneiras. Fazer com que o choro dê lugar ao sorriso, e ser agradecido por isso realmente não tem preço. Faço de todos os dias um natal especial, onde tento preencher de todas as maneiras os vazios, com muito carinho e respeito. Talvez eu pensa que estou fazendo isso para mim mesmo, constantemente. Pois entender do vazio faz com que você lide bem com ele, e isso é realmente significativo nos últimos tempos.
Enfim, ao assistir “A Felicidade não se Compra” no cinema, eu parei, me olhei, assim como os anjos do filme, e pude perceber que aquele jovem com medo de se assumir um apaixonado pela vida não existe mais. No fim, as histórias são tudo o que temos, e merecem ser compartilhadas.
Obs: Texto originalmente publicado em 14 de setembro de 2014
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emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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