Fotografia como arma contra o totalitarismo

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A Cidade dos FotógrafosLa Ciudad de los Fotografos, Chile,2008) Direção: Sebastián Moreno

Esse documentário Chileno reforça o poder da fotografia como registro da verdade e, mais do que isso, captura de sentimentos, arma de protesto e rebeldia, ferramenta que dá poder e voz ao povo, que imortaliza o tempo e funciona como um documento histórico.

Em 80 minutos acompanhamos relatos de destemidos fotógrafos e fotojornalistas que documentaram as greves e protestos durante a ditadura militar de Augusto Pinochet no Chile. Esses homens e mulheres impulsionaram a revolução através do registro, incentivaram a subversidade com a utilização de câmeras e captaram um período obscuro em grupo, exigindo concentração e coragem.

Documentários sobre fotografia me conquistam facilmente, ainda mais quando possui alguma relevância social ou filosófica, como é esse o caso. Surpreendente desde o primeiro momento, o documentário dirigido pelo Sebastián Moreno é justo em utilizar o período histórico como contexto para os verdadeiros protagonistas. Os fotógrafos são presença constante nos relatos e é impressionante a distribuição de pontos de vistas, além de ser uma experiência maravilhosa aprender história com imagens e com aqueles que as produziram.

Há ainda espaços para brilhantes ideias sobre a união como elemento crucial para a revolução, coragem e rebeldia, esses fotógrafos representaram muito para o povo que, alimentados pelo registro, moviam-se em direção à sua liberdade. A fotografia, em geral, se tornou a segurança dos civis pela certeza de que seriam lembrados através das imagens, que seus movimentos e as consequências seriam imortalizadas e que suas lutas seriam sentidas eternamente como um ato heroico.

Em dado momento os fotógrafos afirmam que o governo começou a se sentir ameaçado por eles, muitos intrusos tentaram entrar no grupo, mas os fotógrafos descobriam o disfarce pelo manuseio da câmera. Como consequência, as revistas foram obrigadas pela censura a retirarem todas fotos de suas páginas, como se fosse possível banir do mundo o seu reflexo. O totalitarismo atinge diversas camadas sociais, mas não consegue compreender e oprimir a arte, portanto, a própria opressão transforma a arte em arma.

O documentário possui uma força impressionante, sendo extremamente necessário tanto para quem quer estudar a história do Chile, quanto para fotógrafos. É a arte como entidade do caos, movida pela coragem de homens e revolução de um povo.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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