A Cortina Carmesim, 1953

A Cortina Carmesim ( Le rideau cramoisi, França, 1953 ) Direção: Alexandre Astruc

Um oficial (Jean-Claude Pascal) passa alguns dias na casa de uma família burguesa e se apaixona pela filha do casal (Anouk Aimée). É preciso começar as observações com a própria família que, abrigada em uma mansão luxuosa, não falam, não se olham e não demonstram nenhum tipo de sentimento, mesmo assim a atração do oficial pela jovem Albertine é cercada de dilemas, provocando medo e desejo no protagonista, que também assume a narração – inclusive ela se aproxima bastante do livro “Lolita”, escrito por Vladimir Nabokov, lançado dois anos depois, pois demonstra com perfeição o homem sendo destruído pelo conflito entre o desejo e a ética.

 Os demais personagens não falam durante os quarenta e quatro minutos do filme, são imagens representando a situação que o oficial se encontra, portanto a narração é importante pois funciona como um diário, encontrando o caminho da compreensão do personagem da forma mais rápida e envolta de muita poesia. A paixão acontece abruptamente e morre na mesma velocidade, deixando uma sensação amarga seja no protagonista ou em quem assiste – prova disso é que o diretor, na segunda metade, passa a filmar os seus protagonistas com um espaço reduzido dentro da mansão.

Mesmo com a pouca duração, é possível perceber um brilhante uso dos objetos como forma de auxiliar o roteiro, um exemplo é quando Albertine fica diante de um espelho, como se a sua imagem se desprendesse da condição de opressão; algo que será mais trabalhado com a posição da personagem na mesa de jantar que, consecutivamente, causa dúvidas no narrador sobre suas reais intenções quando, na verdade, são bem óbvias: o movimento indica uma tentativa de liberdade.

O final, apesar de ser desenvolvido rapidamente, indo ao desencontro da forma que vinha sendo exibida até então, deixa uma mensagem clara sobre o quanto o homem é cabível de esquecer um sentimento em prol da sua própria vaidade e reputação. Enfim, é uma boa história, contada com uma fotografia oportuna e direção segura, traz ainda, de brinde, uma participação da lindíssima e talentosa Anouk Aimée.

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emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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