O Sonho de Greta, 2015

O Sonho de Greta ( Girl Asleep, Austrália, 2016 ) Direção: Rosemary Myers

Inadequação social é quase o representante máximo de qualquer jovem. Mundo distorcido, pessoas desinteressantes, nada parece pertencer ao universo próprio do indivíduo jovem, nem mesmo a sua mania em sentir-se único.

Amarelo e vermelho no uniforme e parede azul, contrate de cores extravagantes, tornando-se chamativo, irônico e um pouco esquisito, assim como o filme O Sonho de Greta”. Bebendo de outras fontes conhecidas, o longa acompanha a garota do título prestes a fazer quinze anos tendo que lidar com a pressão causada pela idade e desconexão do mundo e da família.

O visual do filme e as cores representam o olhar da protagonista, interpretada com uma certa desconfortabilidade pela atriz Bethany Whitmore, mas tento acreditar que essa falta de expressão condiz com o próprio papel. Tudo é caricato e extremamente dinâmico, escola nova e ambições pequenas fazem de Greta uma ambulante em pleno hospício. Jovens saltando na frente dela e pouco interesse se sente por parte de todos, tudo é cheio de cores mas elas não exalam alegria, como estamos acostumados.

A sua família é bizarra: a mãe é horripilantemente e artificialmente atenciosa; o pai, com um visual hippie dos anos setenta, é um homem distante e incomunicável; e a irmã, por fim, está aproveitando um outro tempo e outras necessidades que não as da Greta. A vida particular da heroína não acolhe e se torna tão perigosa quanto as “amigas” manipuladoras na escola.

A única pessoa que a acompanha é Elliott (Harrison Feldman) mas ainda assim a amizade surge inesperadamente e se mantém por ser exclusiva. Inclusive o trabalho do jovem ator começa agradável e vai se tornando enjoativo, como tudo no filme, inclusive.

O terceiro ato, durante a festa de quinze anos, é repleto de cenas que fazem alusão ao crescimento – contando, inclusive, com um momento onde a protagonista se depara com ela mesma na versão criança que, particularmente, salva os últimos vinte minutos – e se tornam cansativas pois a mensagem é simples, direta, mas feita com inúmeros simbolismos surreais mal realizados.

Doses de onirismo, humor expositivo e levemente insano, assim como um adolescente que se sente solitário – basicamente todos, mesmo que todos não assumam. Brinca com a linguagem de Wes Anderson, sem esquecer Alice no País das Maravilhas e com resquícios de terror – brincadeira, mas as gêmeas que aparecem aqui dão medo. O filme perde força no terceiro ato mas, ainda assim, é divertido e explora bem a inadequação de uma jovem querendo se desvincular de si mesma como “monstro”, como todos já fomos(seremos, somos…).

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emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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