#02 – [ Três Quadros ] – The Eyes of My Mother ( 2016 )

Depois de um bom tempo, retorno com a coluna especial [Três Quadros] onde, basicamente, escolho três fotografias de um filme e tento entender qual a relevância desses quadros para o contexto do filme, sempre priorizando uma abordagem filosófica.

A coluna têm como intenção ressaltar o quanto uma imagem pode representar infinitas ideias e significados para um filme.

A obra escolhida dessa vez é o terror “The Eyes of My Mother”, de 2016, dirigido por Nicolas Pesce e cujo diretor de fotografia é o Zach Kuperstein. O longa é repleto de significados, principalmente na intenção de dialogar com a crueldade e apatia, teve a sua estréia em Sundance nesse ano e é, sem dúvida, um dos maiores representantes do bom terror de 2016.

Vamos então as escolhas:

1)

Essa primeira imagem é para usar como exemplo do excelente trabalho com a luz que existe no filme. Nesse momento, a luz cria a silhueta da filha e do seu pai, em uma imensidão de escuridão, reforçando inclusive a ideia de que eles são sombras, imagens borradas do que seria uma família feliz, sã e unida.

2)

Como o filme é dividido em três capítulos, nada mais justo que escolher fotografias que destaquem bem o que cada ato representa para o desenvolvimento da história. A segunda foto escolhida traz um momento de perseguição e o mais interessante nela é que por acompanharmos o movimento das personagens através da janela, é como se ela representasse a barreira entre o espectador e a vida da família, ou até mesmo a família e o mundo exterior.

Outro detalhe interessante, adentrando no espaço dos símbolos, é que a divisão da janela forma uma cruz invertida e os retângulos superiores dividem o “abusado” do “abusador” – se é que podemos classificar alguém nessa obra.

A cruz invertida traz consigo diversos significados. De imediato, é possível remeter ao satanismo que têm como estrutura de pensamento o avesso ou negação dos dogmas cristãos. Portanto, dado o contexto do filme, é de se notar que existe a pretensão de ressaltar a subversidade da vida da protagonista, bem como a sua crueldade.

3) 

Esse plano aberto acontece no último capítulo intitulado “família”. Ironicamente, a imagem demonstra a solidão e pequenice da protagonista, tornando-a invisível diante aos olhos da sociedade mas, nem por isso, menos perigosa. O perigo encontra-se justamente no seu desprendimento.

As árvores como destaque representam a natureza que, claramente, consome a protagonista. A natureza traz consigo a sensação de normalidade, enquanto a estrada, na parte inferior, simboliza o caminho que será palco de mais uma crueldade e abuso.

Enfim, esses foram os três quadros escolhidos. Em suma, o filme é maravilhoso sob a perspectiva fotográfica, preocupando-se com composições pouco comuns, de forma a demonstrar o psicológico de suas personagens.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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  • Fernando Imperator

    Cara, adorei esta coluna. Ótima ideia, e sua interpretação está muito interessante. Parabéns!

    • Emerson Teixeira Lima

      Obrigado Fernando! Abraço.