Scorpio Rising, 1964

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Scorpio Rising é o curta-metragem mais conhecido do excelente diretor experimentalista Kenneth Anger – isso se deve ao fato de ser o único filme, da sua filmografia, que figura entre os mil e um filmes do livro “1001 filmes para ver antes de morrer” mas, também, por sintetizar toda a sua obra.

Kenneth Anger se interessou pelo ocultismo muito cedo, bastou pouco tempo para ser seguidor de Aleister Crowley e começar amizades com nomes importantes da literatura ou música, principalmente aqueles com algum vínculo com o ocultismo ou mundo underground, como  Anton LaVey, Jimmy Page,  Keith Richards etc. Eu conheci o seu trabalho, inclusive, em pesquisas sobre ocultismo, visto que o diretor desenvolveu um trabalho chamado “The Man We Want to Hang” ( 2002 ) onde ele registra algumas pinturas do Crowley.

Kenneth Anger, geralmente, abusa da atmosfera surrealista, a maioria dos seus filmes contém cortes frenéticos, inserções de imagens que fazem referência à algo místico ou que determina a característica principal de um local ou personagem, também sempre dialoga com a polêmica, contracultura, religião, satanismo, homossexualidade, enfim, é uma daquelas experiências frenéticas acompanhar os seus trabalhos. Mas, para os corajosos, vale a pena pois sua influência no meio artístico é muito grande, mesmo nunca tendo saído do circuito independente, prova disso é que realizou inúmeros trabalhos, porém, todos curtas-metragens experimentais; é um nome desconhecido que influenciou cineastas modernos como Martin Scorsese e David Lynch.

“Scorpio Rising” acompanha um grupo de motoqueiros, de forma experimental, com uma linguagem vanguardista que, abusando da contracultura e rebeldia, relaciona temas como homossexualidade, sexo, religião, ocultismo, drogas, enfim, com paralelos iconoclastas, inserções de imagens que fazem referência à passagens bíblicas – todas envolvendo Jesus Cristo, apresentando-se de forma super sexualizada – e, como linguagem temos, principalmente, uma sequência de treze músicas de rock clássico que direciona a história para a subversão.

Como o curta-metragem não têm diálogo – se estrutura em uma série de imagens, apoiados à uma montagem hipnotizante – compreendemos a música como um guia espiritual, se não bastasse, a experiência é catártica e provém, primeiramente, da provocação e sensações. Contextualizando a liberdade sexual e liberdade de expressão, no entanto, em alguns momentos, sugere o perigo da exposição, somos convidados a uma viagem pelo submundo, onde o profano está frente a frente à condição de viver.

Uma inserção de Jesus Cristo, mais precisamente a passagem bíblica onde ele cura um cego, faz alusão à visão, resultando em uma jornada de desprendimento, livre, como se o homem pudesse, através desse milagre da cura, caminhar sem preconceitos ou insegurança. Outra inserção é quando Jesus chega à Jerusalém montado em um jumento, outra vez fazendo analogia à jornada, inclusive nessa cena há uma transição para as motos – veículo que simboliza poder, velocidade e modernidade.

É um excelente obra, recomendado para aqueles que estão dispostos a se despir de preconceitos e refletir sobre os mais diversos temas, pois sem dúvida se trata de um dos filmes mais subversivos de todos os tempos e que proporciona, com toda a sua polêmica, uma experiência singular.

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emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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