Imperador Ketchup, 1971

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★★★

Talvez esse seja o filme mais controverso de todos os tempos, uma polêmica crítica à liberdade sexual dos jovens nos anos 60/70, vemos um mundo tomado pelas crianças que, juntas, criam uma série de leis que proíbem os adultos de qualquer opressão e proibição. As crianças passam a ter todos os direitos, se deleitam em uma série de diversões perversas que vão desde o sexo até a tortura de adultos. Mulheres são escravizadas e servem como rede de ping pong, prostitutas guardadas no guarda roupa, enfim, se tornam objetos.

Juntos as crianças criam um governo totalitário, preenchem o mundo com a maldade e, por esse motivo, essa obra de Shuji Terayama é conhecida como um dos filmes mais malditos de todos os tempos.

Quem conhece o diretor, sabe a sua capacidade artística de explorar da polêmica temas atemporais, criando algum tipo de identificação, mesmo que a realidade mostrada seja suja e indecifrável. Aqui ele dedica-se à uma fotografia superexposta, que funciona como um alívio e, no mesmo tempo, leva terror para uma esfera onírica, como se essa guerra espiritual fosse um pesadelo.

As crianças, imagem essa de bondade e pureza, se transformaram em sádicos, talvez essa mudança seja extensão da liberdade; as narrações, durante boa parte do longa, fazem referência as novas regras desse mundo caótico, uma delas, em especial, diz que todos os professores serão presos, como um manifesto, limitando o conhecimento, algo extremo mas de suma importância para qualquer regime totalitário.

A nudez que Shuji Terayama explora sempre possui uma mensagem maior, aqui faz alusão ao desprendimento, até mesmo à pureza. “Imperador Ketchup” traz cenas onde crianças simulam sexo com adultos, porém, é perceptível que diversas vezes a simulação dá lugar ao afeto materno, é de se destacar a ousadia do diretor que transformou sua ideia em uma arte morta – hoje ela é imperdoável, no entanto a mensagem perdura, visto que estupros, mortes e torturas acontecem diariamente, mesmo com as infinitas oportunidades ao conhecimento e avanços tecnológicos, o homem parece sempre retomar à sua essência selvagem.

“Todas crianças são livres para limpar as suas bundas na bíblia”.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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