Procura Insaciável, 1971

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★★★★

O filme começa com canções maravilhosas, principalmente um acústico da música “Love” (Nina Hart) que, interpretada pela própria cantora, chama a atenção tanto pela extravagância e extensão vocal de Nina, quanto pela sua letra que é o perfeito resumo da obra “Taking Off” – o primeiro filme do diretor Miloš Forman nos Estados Unidos:

Acredito, acredito, eu acredito no amor
E caminhando, caminhando pelas ruas
as pessoas que eu encontro
parecem não saber que existe uma palavra
chamada amor

Depois dessa abordagem direta que sintetiza o jovem hippie da década de 70, o espectador simplesmente aceita a sua condição de apreciar uma jornada através da procura incansável e interminável da juventude. O filme intercala a apresentação musical, com rosto de jovens, todas diferentes, mas com a mesma conexão emocional, em rumo à liberdade e desprendimento emocional. Em seguida, a cena corta e vemos um adulto passando por uma sessão de hipnose, ou seja, perdido, fraco.

A força do jovem é, inocentemente, acreditar no amor, isso é o que perdemos e, infelizmente, acaba influenciando a nossa sensação de fracasso ao longo da vida. Seria justo abandonar sempre, guiar-se sempre pelas emoções e caminhar por entre uma estrada escura, tendo como escudo um violão e um cigarro.

“Procura Insaciável” é o verdadeiro relato do homem que se encontra desesperado por ter perdido as esperanças, por ter desacreditado da sua rebeldia transformadora. A história, muito simples, acompanha alguns pais que perderam os filhos para a vida, pois eles fugiram – a maioria tentando buscar um futuro na música – e, nesse processo de procura, estabelecem uma relação saudável um com o outro, refazendo uma união que se perdeu com o tempo, culminando na necessidade de entendimento dos sentimentos dos seus filhos perdidos ( encontrados ), mesmo que para isso tenham que fumar maconha.

A obra é referência até hoje no que diz respeito à filmes que contemplam a vida hippie, usando o tema como guia para algo maior, transitando por entre o conservadorismo, falta de atenção dos pais para com seus filhos, enfim, é surpreende que um tema tão importante e sério como esse seja tratado de forma tão engraçada. O diretor Miloš Forman trouxe muito humor negro, ironia e exagero da New Wave Tcheca, dialogando com a situação dos jovens norte-americanos e propondo uma discussão inteligente.

Sem dúvida a cena mais polêmica, impactante e engraçada é quando o psicólogo de uma “associação dos pais que perderam os seus filhos” propõe para todos que experimentem maconha para entenderem os seus filhos. É a intenção de simbiose, no mesmo tempo que demonstra a ingenuidade e desespero dos adultos que, desavisados, perderam o respeito dos filhos por serem direcionados e convencionais.

Com pequenas participações especiais, como a Kathy Bates, ainda bem nova, cantando e Tina Turner em um concerto, “Procura Insaciável” certamente figura na lista dos melhores filmes hippies, mesmo que se perca em alguns momentos, retoma na direção da crítica social e, nesse aspecto, é extremamente bem-sucedido.

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emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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