The Ardennes, 2015

The Ardennes

★★★★

Assistir “The Ardennes” – filme indicado pela Bélgica para ser o representante no Oscar 2017 – é um processo interessante, uma viagem através de dilemas sobre liberdade, família, impulsão e natureza.

O diretor Robin Pront, que também assina o roteiro ao lado de Jeroen Perceval, um dos atores principais – conduz a sua narrativa de forma inteligente, sempre apostando na fotografia e som como forma de exaltar a densidade que acompanha o desenvolvimento.

A história é sobre dois irmãos, Dave e Kenneth, que percorrem um mundo criminoso até um deles, Kenneth, ser preso. Após alguns anos na cadeia, ele sai e se depara com um mundo muito diferente, começando pelo seu irmão que, com muita disciplina, abandona o mundo do crime, a bebida e tenta restabelecer uma ordem em sua vida. Entra em cena uma terceira personagem, Sylvie, ex-namorada de Kenneth e que está grávida, isso desestabiliza a relação dos irmãos e os direciona para o caos.

The Ardennes

Dividindo-se, claramente, em duas partes, a obra de Robin Pront parece indicar ao espectador, desde os primeiros momentos, que algo catastrófico virá em seguida. A trilha sonora constante, eletrônica, algo parecido com o excelente “Drive”, eleva o grau de atenção, envolvendo não só o espectador como a grandiosidade dos pequenos movimentos do protagonista que é tomado por uma impulsividade enorme. Essa impulsividade é o ponto forte do filme, pois sugere a incoerência, é o espaço onde a imprevisibilidade assume o poder na narrativa.

Se Kenneth, interpretado brilhantemente por Kevin Janssens, atrai os olhares, o mesmo pode-se dizer Dave ( Jeroen Perceval ) e Sylvie – vivida com maestria pela excelente Veerle Baetens, que vêm mostrando ser uma das melhores atrizes da atualidade depois de “Alabama Monroe” – os três formam um triangulo amoroso silencioso, cercados pelo perigo e domados pela insegurança. Pertencentes a um mundo desequilibrado onde tudo é melancólico e destruído, prova disso é a fotografia: Com os seus tons de azul, remete a ideia de frieza e, principalmente, distancia.

O tema mais surpreendente e melhor trabalhado aqui é, sem sombra de dúvidas, a liberdade. Existe uma “corda invisível que aprisiona todos os personagens”, e ela facilmente poderia ser denominada como culpa. O protagonista se vê livre quando sai da prisão, mas acorrentado nesse mundo exterior sujo. Não a toa, por diversos momentos, o personagem está refletindo em uma janela do carro e é possível perceber claramente que a imagem sempre está borrada, ora é uma sujeira no vidro, ora sombras ou até mesmo a chuva. Sempre nas cenas em quê os personagens estão diante de um vidro ou janela que dá a impressão de mundo “interno” e “externo”, a imagem sempre está nebulosa, ressaltando mais uma vez o quanto essa suposta liberdade é ilusória.

The Ardennes The Ardennes

O filme ganha ainda mais destaque com o seu desenvolvimento realizado, oportunamente , de forma cautelosa, atingindo proporções surpreendentes quando passa a ser um thriller incrivelmente tenso, obrigando-nos a aceitar uma mudança repentina, porém, muito bem justificada, onde a violência e ações passam a ser extremamente viscerais.

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emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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