Sr. Kaplan, 2013

Sr. Kaplan 2013

★★★★

A fotografia clara, limpa e delicada, confunde-se com um senhor, vestido de azul. A cor reflete a sua suposta serenidade, transmitindo tranquilidade e paz. Por fora Jacobo é um senhor, por dentro é um jovem à procura de aventuras. O azul de sua roupa, logo nas cenas iniciais, é a mesma da piscina, sua mulher corre para salvá-lo e, coincidentemente ou não, ela também está vestida de azul. Em uma festa elegante, eles são um ponto fora da curva.

Jacobo prestes a pular na piscina é a simbolização de um homem prestes a se reinventar. E, assim, com tamanha sutileza, o filme começa a se desenvolver. Não que seja brilhante e inesquecível, mas sem dúvida “Sr. Kaplan” representa muito para os diversos idosos ao redor do mundo, que refletem constantemente sobre o processo de aceitar a passagem do tempo. Obrigando à todos, principalmente aqueles que viveram muito, compreender que as coisas mudam, as pessoas mudam e que o azul e claridade, tanto da fotografia como do figurino, pode muito bem ser mera ilusão e que, na verdade, Jacobo é um senhor que está morrendo.

Sim, morrendo por não encontrar em si um motivo, mas basta uma “missão” para a vida o reposicionar de frente à vontade de viver.

Dirigido pelo Álvaro Brechner, “Sr. Kaplan” é um filme Uruguaio que fala sobre a idade; através dos olhos de um senhor, judeu, rabugento e insatisfeito, que se recusa a se imaginar como velho. Ele está cansado da sua vida e amigos, mas acaba mudando de vida quando passa a acreditar que um homem, dono de restaurante, é um nazista fugitivo. Com o propósito de observá-lo e sequestrá-lo, o senhor encontra um motivo para seguir vivendo, de forma humorística, essa intenção representa até mesmo uma “vingança” em nome de um povo, mas até que ponto a vingança alivia?

O filme apresenta uma dúvida: “O mundo é melhor por minha causa?”. E a resposta durante o filme é que não. O mundo não é melhor pela existência de ninguém, mas certamente é diferente e isso deveria bastar. Em um determinado momento, ainda na festa, Jacobo e sua mulher chegam atrasados e sentam em uma mesa, repleta de pessoas diferentes, além de permanecerem em um lugar desconhecido, como se eles fossem os intrusos, ainda existe o sarcasmo por conta da cadeira que eles sentam, que é definitivamente menor do que a dos demais.

Há algumas outras relações com o questionamento, é citado Abraão, por exemplo – que, sabemos, representa a liderança – e depois o próprio protagonista conversa com Deus. Mesmo com algumas cenas profundas e impactantes, é de se destacar o poder cômico do filme que se desenvolve de maneira pontual mas, no mesmo tempo, diz todas as palavras exageradas através de um humor tímido, sempre aparecendo de forma natural.

O maior motivo dessa qualidade despretensiosa é, sem dúvida, a dinâmica dos atores Héctor Noguera e Néstor Guzzini. Algo como o aprendiz e o sábio, mesmo que por diversas vezes essa classificação seja infantil, ainda assim existe muito drama nesses dois personagens criados para fazer sorrir.

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emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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