Terror nos Bastidores, 2015

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★★★

Eu poderia analisar friamente “The Final Girls”, dirigido por Todd Strauss-Schulson, e classifica-lo como mais um filme bobo, que se propõe unicamente em fazer piadas utilizando o gênero terror como referência. Mas existe todo um saudosismo e, com certeza, a coerência deve ser levado em conta. A pretensão do filme é bem simples, mas dentro dessa simplicidade consegue ser brilhante.

A história é sobre uma garota que estuda no ensino médio chamada Max, – interpretada pela Taissa Farmiga que, assim como a sua irmã Vera Farmiga, vem demonstrando que tem um grande apreço por filmes de terror, visto que depois da primeira temporada de “American Horror Story” fez diversos filmes do gêneros, alguns bem interessantes como “Regressão” de 2013 – ela tem uma mãe que foi atriz em um clássico filme de slasher, esse papel a deixou bem famosa e, no mesmo tempo, sua carreira se tornou bem limitada. Contudo sua mãe Amanda Cartwright não parece se importar com isso, a própria afirma logo no início que: “não é uma atriz e sim uma estrela de cinema“. Amanda sofre um acidente de carro e, três anos depois, Max é convidada para uma sessão especial desse famoso filme. Acontece um acidente na sala de cinema e, misteriosamente, Max e alguns amigos são transportados para dentro do filme que assistiam, literalmente.

O filme se desenvolve em alguns dilemas centrais, todos eles reúnem o grupo de amigos que passam por grandes aventuras, primeiro, para se salvarem e depois para tentar sair do filme. O fato de eles terem assistido inúmeras vezes, faz com que “The Final Girls” ou “Terror nos Bastidores” brinque com diversos clichês que envolvem o subgênero slasher, fatos como os jovens que fazem sexo sempre morrema primeira personagem que morre é sempre a mais liberal e a última que morre é sempre a virgem são explorados com perfeição, esse filme faz algo parecido com o “Pânico”, cujo primeiro filme foi lançado em 1997 e tinha como proposta homenagear e discutir o gênero terror, aqui o diretor e roteiristas optaram por se distanciarem do gênero terror e dialogam muito mais com a comédia, o que é excelente.

Como escrevi na introdução, apesar de poder ser classificado como bobo, existe diversos outros lados que o filme trabalha com inteligência. Primeiro é o clima proporcionado que nos remete diretamente aos anos 80, onde a maioria dos filmes eram pautados em acompanhar as aventuras de um grupo de amigos, ainda há o brinde, para os amantes do terror, de verdadeiras referências, principalmente aos slasher movies que ficaram muito famosos nos anos 70 por conta de uma série de fatores sociais, principalmente as mudanças dos jovens e a liberdade sexual.

Em parte o filme funciona pelo carisma da Taissa Farmiga, sua personagem e o relacionamento com a mãe que, por diversas vezes, se confunde com a personagem do filme, até atingir de algum modo a união entre realidade e ficção. Mesmo que o final do filme destoe bastante do seu desenvolvimento e a protagonista evolua de modo insano, saltando de boa e inocente moça para quase uma lutadora de Kung-Fu, o filme desde o início tem a pretensão de ser simples e, dentro dos seus limites, se desenvolve de maneira bem agradável.

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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