Invocação do Mal 2, 2016

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★★★★★

Muito antes de assistir “Invocação do Mal 2” eu já conhecia a história real que o filme se baseou. Isso poderia desviar a minha atenção e me motivar a encontrar as diferenças e referências aos supostos acontecimentos reais, ou até mesmo questionar a grande participação de Ed e Lorraine Warren, quando na história real o envolvimento de ambos foi quase nulo. Mas tudo isso não aconteceu e o motivo é muito simples: James Wan.

Não preciso ressaltar novamente a qualidade do diretor pois já fiz isso na minha crítica sobre o primeiro “Invocação do Mal” ( clique aqui para ler ) mas não consigo assistir os seus filmes e ignorar a sua capacidade de criar monstros e, ainda mais, levar a tensão aos limites máximos. Tem uma série de eventos na obra que se aproximam bastante do suposto caso real, mas o excelente é os diversos contornos na narrativa que o diretor cria para a história ser o mais crível possível.

A história acontece após sete anos dos acontecimentos do primeiro filme, Lorraine (Vera Farmiga) e Ed Warren (Patrick Wilson) continuam suas investigações paranormais e são chamados para ajudar uma família na Inglaterra que estão sendo atacadas por um poltergeist.

Baseado no caso “Enfield Poltergeist”, é curioso notar que se trata do evento paranormal mais registrado da história – inclusive os mesmos registros podem sabotar a veracidade dos fatos – e isso é bem interessante pois o filme ainda faz diversas referências à captura, como um momento em que Ed Warren faz uma piada sobre o tamanho e peso de uma câmera.

Vera Farmiga e Patrick Wilson, novamente, ganham a atenção do espectador de forma crucial para o envolvimento dramático, os dois atores possuem uma sintonia maravilhosa e é perceptível o carinho que eles têm pelos seus personagens, sem contar que são grandes atores e conseguem transmitir, através de pequenas expressões, todas as angústias que os cercam apesar de serem muito queridos e vistos como super heróis por muitos.

Como um típico filme de jumpscares, “Invocação do Mal 2” não é comum na construção desses sustos, todos acontecem das formas mais criativas possíveis, isso levando em conta que a história se desenvolve em uma casa assombrada, com sobrado e todos os clichês que têm direito. A fotografia continua maravilhosa e dita o tom melancólico da obra. Essa melancolia é importante pois, talvez, a personagem Janet Hodgson seja uma das crianças que mais sofrem por uma manifestação demoníaca na história do cinema desde “O Exorcista”, de 1973. A carga emocional da menina é tão grande que a empatia pelo seu sofrimento e desespero é inerente, até o espectador mais cético consegue facilmente embarcar no medo da Janet e acreditar que tudo é real.

A maior força do filme é a garota e, sem dúvida, isso se deve a atuação esplêndida da atriz Madison Wolfe. A força e presença dela é imbatível, com um carisma e talento imenso, ela chama toda a responsabilidade do filme para si e se sai surpreendentemente bem.

A fotografia, obscuridade e trilha apavorante passeiam por toda a obra e dão espaço, uma vez ou outra, para cenas belíssimas, como por exemplo Ed Warren cantando “Can’t Help Falling In Love“, simplesmente uma das músicas mais lindas do Elvis Presley. Essa música não tem, aparentemente, nada a ver com o contexto da cena em questão, mas o diretor trabalhou tão bem os seus personagens até esse momento, que é fácil se deixar levar, quase como se fosse uma forma de descarregar toda a tensão e nos fazer sorrir. Se no primeiro “Invocação…” eu citei a quebra do roteiro para fazer piadas, no segundo ato, como um problema muito grande, aqui existe também, mas a forma que é usada é magnífica.

Aliás, as músicas utilizadas são um show à parte. Abre com “London Calling” e toca “I Started a Joke” em um momento extremamente importante, onde a música ajuda ainda mais a entender o arco dramático da protagonista.

O filme é tão sincero e trabalha tão bem tudo o que se propõe, que é impossível não se envolver. O único problema, ao meu ver, é quando, no final, os acontecimentos se resolvem bem depressa e a tensão muda de objetivo e se sustenta em uma preocupação, mas isso não importa. James Wan confia no seu trabalho e o espectador sente isso, quando, no final do filme, Janet Hodgson cita Ed e Lorraine Warren como sendo os seus anjos da guarda, nós sentimos a mesma coisa e queremos mais aventuras desses dois personagens tão interessantes.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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  • Jean Guilherme Suzena Rosa

    Assisti hj o filme, excelente filme de terror… O Melhor do Ano!

    • Emerson Teixeira Lima

      Sem dúvida, é excelente mesmo. O melhor para mim ainda é “A Bruxa” mas ambos tem objetivos diferentes e são maravilhosos em suas respectivas propostas 🙂

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