Invocação do Mal, 2013

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★★★★

Colocar o diretor James Wan como um dos grandes nomes do gênero terror atual é recorrente. Ele parece ter entrado para o cinema com uma fonte inesgotável de ideias, reuniu diversos clichês e seguiu uma linha de trabalho onde consegue abusar de todos os elementos já vistos no cinema, mas ainda assim consegue extrair algo novo, de fato ele é um verdadeiro oportunista, conseguiu construir uma fórmula para provocar o medo e o faz com tamanha naturalidade que nem ao menos parece um truque.

A sua maior força está na maturidade e direcionamento, Wan sabe lidar maravilhosamente bem com a sugestão. Em um das principais cenas de “Invocação do Mal”, uma das irmãs olha assustada para a porta do seu quarto, no escuro, a menina afirma que tem alguém olhando para ela, mas o espectador, assim como uma personagem que está no quarto, não vê absolutamente nada. Existe, nessa cena, o ápice da sugestão, o diretor parece sorrir e gozar do seu artifício e a forma que utiliza com maestria. Isso não é inédito no cinema, mas por incrível que pareça o gênero terror parece que se esqueceu, com o tempo, que mostrar os monstros toda hora nem sempre é a melhor maneira de provocar a tensão.

É só pensar em filmes como “O Bebê de Rosemary”, dirigido por Roman Polanski e “O Exorcista” do William Friedkin, os realizadores tem em comum a inteligência em mostrar pouco e, quando o faz, é em doses extremamente inteligentes. Existe um equilíbrio, pois o ser humano precisa disso. Em um quarto escuro pode existir qualquer coisa, até que se acenda a luz.

“Invocação do Mal” foi baseado em uma das histórias do casal Ed e Lorraine Warren que são investigadores de casos paranormais. Nessa história, em específico, um casal (Ron Livinston e Lili Taylor) se muda para uma casa antiga e grande com as suas cinco filhas. Pequenos eventos vão acontecendo, até que chega um momento onde todos definitivamente acreditam que algo sobrenatural está acontecendo, eles então recorrem à ajuda dos Warren.

Logo no início do filme somos apresentados à Ed e Lorraine Warren, eles estão dando uma palestra que inclui uma história sobre a boneca Annabelle – mais um evento verdadeiro e que, através do filme, atingiu um patamar muito grande de popularidade, tendo sido feito, inclusive, um filme somente sobre ela – e com a ajuda da trilha sonora, é um excelente convite ao espectador.

A partir daí temos a apresentação comum da casa antiga e enorme, um casal feliz com a mudança e crianças brincando e pulando sobre as mudanças. O incrível é a forma que é conduzido, os eventos acontecem rápido, mas são bem orquestrados, é mostrado o suficiente para provocar o medo mas não o bastante para enjoar. Existe um poder grande de utilizar algumas atitudes cotidianas, por exemplo as brincadeiras das meninas, como forma de demonstrar o quão fragilizados se encontram os personagens, assim como o fato de ter muitas meninas também soa interessante, pois quando começa a acontecer os eventos sobrenaturais cada uma sente de uma forma diferente, uma é sonâmbula, a outra é puxada pelo pé constantemente, a menor brinca com uma caixinha cujo espelho reflete um espírito, enfim, é uma forma eficaz de exigir uma atenção maior em quem assiste.

Fotograficamente o filme é muito poderoso, ambienta-nos no estranho e com a ajuda da trilha sonora agressiva, nos conduz ainda mais em direção ao medo. Se a sugestão até a metade do filme foi trabalhado exaustivamente, do segundo para o terceiro ato não se pode dizer o mesmo. Visivelmente a inserção de piadas e os aparelhos eletrônicos para a captação de fantasmas tiram um pouco o foco do realismo, o clima sombrio passa a ser colorido e perde temporariamente a força, – apesar que é normal, pois seria impossível sustentar uma hora e cinquenta minutos de sustos – recuperando somente nos minutos finais.

“Invocação do Mal” chegou aos cinemas para assustar e, apesar de não figurar na lista dos “melhores filmes de terror de todos os tempos” – algo que nunca pretendeu, inclusive – consegue se sair muito bem e faz jus a sua proposta. Agora é esperar pelas continuações para vermos quais outras aventuras Ed e Lorraine Warren se meteram na vida.

emersontlima

No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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