Entendendo o filme “A Bruxa” – Por entre o satanismo, ignorância e desprendimento

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Esse texto não se trata de uma análise crítica sobre “A Bruxa”, mas sim de uma investigação dos detalhes de modo a relacioná-los com a história da igreja católica, bíblia, filosofia e satanismo. Ainda por cima, visa auxiliar aqueles que tiveram e ainda têm dificuldades para compreender o filme. Afinal, o melhor da arte é estar disposto a discutir as inúmeras leituras e interpretações que podem ser feitas.
Se você, caro leitor, se sente ofendido quando o assunto é religião, talvez prefira a crítica do filme, escrita poucos minutos após a sessão. Clique aqui.

Eu ainda me espanto com a quantidade de pessoas que detestaram o filme “A Bruxa”. Na verdade, o meu espanto parte das justificativas que são dadas para a banalização da obra. Muitos afirmaram se tratar de um “filme que não quer dizer nada“, que “não chega a lugar nenhum” ou até mesmo escreveram diretamente que tinham dúvidas se era realmente um filme(?). 

Acho completamente compreensível que o filme não tenha agradado à todos, isso se deve ao fato da pretensão. Em nenhum momento o diretor pretendia ser aceito e entendido por todos, sabia exatamente a grandiosidade dessa ousadia. Sim, existe a perspectiva daqueles que acompanham exclusivamente as propagandas e, realmente, foram muito mal na venda do filme como mais um de sustos. Porém, ficou sempre muito claro aos olhos treinados que a obra em questão se utilizaria do terror mas nunca se tornaria escravo do próprio gênero.

O que realmente é estranho são grandes sites e seus respectivos “formadores de opiniões” divulgando ódio para com “A Bruxa”. Com argumentos tão infantis que beiram o inacreditável. Então esse texto é, ao mesmo tempo, um estudo particular e um convite a todos que não entenderam o filme e que estão dispostos a tentar. Abordarei alguns pontos que, pessoalmente, considero fundamentais para a compreensão de alguns dos inúmeros símbolos que o filme aborda subliminarmente, principalmente os relacionados à opressão religiosa e algumas linhas de pensamento que priorizam a liberdade do homem, como o satanismo. Mas estou, enquanto escrevo, livre de qualquer preconceito e espero ansiosamente que você, caro leitor, faça o mesmo. 

Parte 1 – Qual o motivo da incompreensão?

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É justo que eu deixe claro, antes de mais nada, que todas as informações inseridas nesse texto servirão para acrescentar na compreensão dos símbolos do filme. Mas isso não quer dizer que é preciso saber todas e mais algumas para entender. Quando eu fui assistir o filme no cinema, as pessoas vaiavam e faziam piadas, esse desrespeito só pode partir da ignorância. Não existe outra explicação.

Veja bem, ignorância não é ser burro. Parte de um não conhecimento sobre determinada área, portanto, absolutamente comum. É comum não entender, o problema é quando você age com preconceito e/ou se acomoda na posição de não saber e propaga isso como algo legal.

A expectativa é a maior vilã da experiência cinematográfica. Por isso, indico para todos parar de ver trailer, ler sinopse, enfim, qualquer coisa que faça com que você crie expectativas sobre determinada obra. Temos que aprender a encarar o cinema como arte e não como uma prostituta, onde nós pagamos e esperamos que tudo esteja dentro daquilo que acreditamos/esperamos. O nosso “acreditar” depende exclusivamente do senso de humor e o nosso senso de humor costuma mudar bastante. Então encare o cinema como uma linda e profunda oportunidade de aprender, nem que para isso precise ler mais, conversar mais ou até mesmo escrever mais.

“A Bruxa”, logo nas cenas iniciais, deixa claro que irá inverter e desconstruir o gênero terror. Geralmente temos em filmes do gênero uma fórmula pronta, principalmente – mas não somente – no que diz respeito ao vilão da história: sempre colocam o demônio como causador de todos os problemas. Se não é o demônio, é aquele que não segue as normas padrões imposta pela sociedade. Talvez um psicopata, infiel, herege, ateu, cético…

Mas “A Bruxa” no primeiro minuto se recusa a aceitar essa condição e simplesmente diz “não” ao espectador. “Não, vocês não terão essa fórmula. Vocês verão agora o que acontece quando um filme de terror tem como o seu grande vilão o Deus que muitos de vocês amam”. Pronto, foi justamente por essa inversão que o filme causou tantos espantos. Inconscientemente todos na sala perceberam que o filme estava atacando a fé, com isso, todos aqueles que acreditam em Deus se sentiram, de cerca forma, afetados. Se sentir afetado assistindo esse filme é completamente normal, o problema é quando o nível de incompreensão atinge o tamanho monstruoso e aparecem pessoas rejeitando de todos os modos o filme e, como escrevi anteriormente, agem com desrespeito, brincando nas sessões e prejudicando a experiência de pessoas que, como eu, estavam boquiabertos com a quantidade de informações que aconteciam.

Parte 2 – Idade Média e o sobrenatural

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Vamos começar com um momento crucial da história da humanidade, principalmente quando relacionado com a religião: Idade Média. A igreja católica, ao contrário do que se pensa, não se tornou extremamente poderosa e influente de uma hora para a outra. Até atingir uma base incrivelmente sólida, existiram diversos problemas e fatos que impediram o seu avanço total.

A mescla com as religiões politeístas contribuíram muito, de diversas formas, para a construção do que temos hoje nos conceitos da igreja. Principalmente na postura de atribuir tudo aquilo que é desconhecido como sendo do demônio ou satânico.

Entre a Alta e Baixa idade média aconteceram bastante mudanças. A Europa estava em pleno declínio a beira da total loucura. Existia uma urgência, a vida simplesmente era sufocada por essas mudanças e descentralização, seja política e de crenças e como esses dois fatores se relacionavam entre si.
O trabalhador, preso a sua terra – lembrando que a “escravidão” dá lugar a “servidão” que, a grosso modo, se trata do homem escravo das suas próprias terras, ele quer estar preso e isso se deve a uma série de interesses, incluindo a própria proteção – tinha a expectativa de vida muito baixa, portanto a ideia de ser feliz em uma próxima vida era muito mais real do que acreditar que poderia, algum dia, ser feliz nessa vida terrestre. Se analisarmos friamente a religião hoje em dia, inclusive, percebemos que a ideia de vida eterna vêm aos poucos mudando, há, hoje, uma supervalorização da vida aqui na terra; A ideia do famoso “carpe diem” vai de desencontro com o que prega a bíblia, que deixa muito claro que o nosso propósito real é a próxima vida.

Além da vida dos trabalhadores ser extremamente vinculada com a religiosidade, o medo movia as famílias também. Tudo aquilo que estava ao redor das suas terras era o local onde o mal existia. Não à toa a crença em seres fantásticos, bruxas, demônios, espelhos mágicos etc. Só os guerreiros e, principalmente, o clero, detinham o poder e coragem de ir além e lutar contra essas forças do mal. Percebam que, ao impor esse medo do sobrenatural, a igreja controlava tudo e todos.

Voltando as famílias dos trabalhadores, existia muita superstição, por exemplo: se um corvo pousasse na sua casa, com certeza eles atribuiriam isso a aproximação da morte. Você, caro leitor, deve se lembrar que aparece um corvo no filme “A Bruxa” em uma cena crucial, não é? Essa cena é justamente o pontapé para uma série de mortes que acontecerá na família.

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Agora que mencionei o corvo, pense nessas possíveis interpretações sobre pequenos  detalhes do cotidiano na época como um animal, floresta, enfim, e tente encontrar no filme alguns desses elementos. Em “A Bruxa” tem a floresta, corvo, coelho – que, em suma, representa vida e está atrelado também com a curiosidade principalmente após o lançamento do livro “Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll – e, por fim, e talvez mais importante, em determinado momento, na floresta, existe uma referência direta à “Chapeuzinho Vermelho“. Essa referência acontece quando a “bruxa” aparece para Caleb, extremamente sexualizada, e o beija. A resposta para essa referência pode ir de encontro com a origem do satanismo. Explico a seguir:

Parte 3 – Satanismo

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Em plena Idade Média, um grupo do Sul da França contestou corajosamente ou insanamente a igreja e vários dos seus conceitos. Inverteram alguns valores e, por isso, são considerados por alguns pensadores como os primeiros hereges da história. Esse grupo ficou conhecido como “cátaro”. Eles foram a sociedade secreta mais relevante da Idade Média e, inclusive, preste bem atenção pois vamos fazer aquele jogo de relacionar com o filme novamente, chamavam a Igreja Católica de “Igreja dos Lobos“. No filme a família acredita que o lobo pegou o bebê Samuel, portanto, diante a essa leitura, podemos trocar o lobo pela igreja/religião. A fé monstruosa e desequilibrada ataca como um câncer e vai sugando cada alma boa e pura que existe naquela família. Claro, difícil é saber o que seria uma “alma boa”.

No conto clássico de Chapeuzinho Vermelho, a menina caminha por entre a floresta e tenta, de todos os modos, escapar das garras do lobo mau. Como se quisesse fugir dessa prisão e ser livre. A aparição de uma bela mulher com capa vermelha no filme não é por acaso, há outra inversão de valores: Caleb é a menina frágil e Chapeuzinho esconde um lobo em sua veste. No mesmo tempo que essa cena deixa algo aberto: Talvez, de fato, tenha acontecido uma relação sexual entre Caleb e Thomasin e o lobo seja a representação fiel das angústias do menino em lidar com o gozo.

Continuando a história do satanismo, é preciso concluir que a inquisição foi criada justamente por causa dos Cátaros. Como uma forma de combater aqueles que pregassem contra qualquer coisa que a Igreja afirmava. Houve, inclusive, uma cruzada apenas para converter os Cátaros, o problema é que a distinção entre eles e os católicos era impossível, parte daí a frase “Matai-os todos, Deus reconhecerá os seus!”. 

Bem, na Idade Média temos a formação da contradição, mas é no Renascimento que o Satanismo ganha forças. É preciso ressaltar, inclusive, que para a Igreja absolutamente tudo que a contrariasse era considerado Satanismo, mas isso acontece até hoje em dia, imaginem na época.

O Renascimento, como o próprio nome sugere, vêm para combater a Idade Média e uma infinidade de opressões, esse desprendimento provém do conhecimento. O homem passou a direcionar a sua atenção para as filosofias e artes, o que evidentemente sempre libertou a humanidade.

Foi no Renascimento que surgiu uma importante linha da filosofia chamada “Renascimento Humanista” ou “humanismo”, que basicamente coloca o homem como centro do universo. É de se notar que nesse tempo já havia grandes questionamentos sobre Deus, principalmente relacionado a sua onipotência, onipresença e oniciência. Além do mais, era só ler a bíblia e perceber que havia uma diferença entre o Deus do Velho e Novo testamento, um se relacionava intimamente com o ódio e o outro com o amor infinito.

Todas essas questões aproximou a figura de Satã do desprendimento. Shaitan, do hebraico, significa adversário. No filme “A Bruxa” a mãe se compara com a mulher de Jó. Resumidamente, na história bíblica de Jó, ele é uma isca para uma prova de que o amor do homem é verdadeiro e infinito. Satã fala para Deus que se tirar tudo do homem, então ele perderá a sua fé. Mas Deus prova o contrário com um homem amável e dedicado chamado Jó. A mulher de Jó clama para a revolta do marido para com Deus, mas ele se mantém mais calmo.

Então sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre. Jó 2:9

A mãe, no filme “A Bruxa” também perde a sua fé, após o desaparecimento e morte de três filhos. Mas o pai se mantém distante, relacionando a sua dor constantemente com a vontade de Deus. Na época isso era algo altamente comum, porém hoje, com os nossos olhos, todos sabemos que as coisas que acontecem, incluindo a própria praga que assola a plantação, poderia ter sido resolvida de outras maneiras, principalmente se não houvesse a insistência. Mas ai entra o conhecimento, hoje a psicologia nos mostra o que é “histeria coletiva”, “epilepsia” e outras doenças que estavam extremamente vinculada com demônios. E, nesse ponto, “A Bruxa” incomoda muito, pois existe essa verdade exposta de todos os maus que a religião causou nas famílias devotas da época.

Voltemos ao Renascimento… Satã, por questionar Deus se tornou um símbolo imediato de algo que o humanismo pregava. E, a partir dessa filosofia, começaram a existir outras linhas de pensamento, incluindo o próprio satanismo que vai ser modificado no século XX com Lavey.

Parte 4 – Entendendo “A Bruxa”

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Primeiro é importante ressaltar que as bruxas, na Idade Média, eram na maioria mulheres. Essa classificação era colocada naquelas que faziam remédios caseiros, se rejeitavam a casar, eram muito bonitas e despertavam desejos em homens de famílias, enfim, tudo isso fazia uma mulher ser condenada à fogueira por ser bruxa. Elas passavam por uma série de torturas e eram obrigadas a confessar o seu amor pelo demônio.

Então a bruxaria, assim como o satanismo, está diretamente ligada com o desprendimento. E o filme de 2016 usa isso para compor a ideia principal do roteiro: Não se trata de um filme de terror e sim um drama sobre a opressão religiosa, preconceito para com a mulher e ignorância.

Percebam que as pessoas que vaiaram, brincaram e agiram com desrespeito, fizeram basicamente a mesma coisa que o filme prega como o mal. A ignorância é a ferramenta que dá espaços para a manipulação e a única coisa que pode salvar um ser desse demônio – o maior de todos – é o conhecimento. Portanto, sim, Thomasin é uma bruxa. Ela é a única, de toda a família, que está envolvida com a sexualidade e não teme isso, que está consciente dos acontecimentos e não fica atribuindo qualquer desastre a culpa e vontade de Deus. Ela está extremamente preocupada com a vida e o “agora”, mesmo com as limitações da época, ela é livre no seu interior.

O filme, só a título de curiosidade, não se passa na Idade Média, mas sim na Nova Inglaterra em plena formação dos Estados Unidos. A floresta e o medo imenso do desconhecido está presente.

Após a família ser expulsa da colônia, é perceptível que todos da família saem do julgamento rapidamente, seguindo o pai. Thomasin é a única que hesita algum tempo antes de seguir a sua família.

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Depois disso, temos uma cena que mostra a visão da garota – uma câmera subjetiva – olhando os portões sendo fechados para a sua família. Eles são expulsos pela visão religiosa extremista, que é tão grande que vai de desencontro com a própria religião.

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Momentos depois a família adentra a floresta, algo extremamente proibido e perigoso, o lar dos monstros e demônios, eles estão em busca de um pedaço de terra para sobreviver. Mas todos aqueles conceitos de proteção, relação com o sobrenatural sobrevive – Thomasin, no final do filme, fala para o seu pai que ele é um péssimo caçador, que ele só sabe cortar madeira, isso prova a mente direcionada e necessidade de proteção. É curioso notar a ironia, pois Black Phillip, no final do filme, mata o pai diante as madeiras que ele cortava constantemente, como se estivesse entregue a única coisa que sabia fazer, além de orar e entregar-se a Deus, no mesmo tempo que esquecia que tinha uma família para guiar.

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Se Jó tinha uma propriedade farta, a família em “A Bruxa” é o contrário. A provação acontece de forma distorcida, eles estão a beira da loucura, fome e desespero. Em uma terra completamente nova, o terror com o auxilio da trilha sonora acontece durante todo o tempo. Nós não sentimos medo, mas adentramos em um mundo particular de fragilidade. A natureza se torna má e poderosa demais.

Os olhares do Caleb para os seios de Thomasin é a representação fantástica do desejo incestuoso que existe entre eles. A aceitação por parte da irmã e o descontrole por parte do irmão. Mas, claro, o desejo é visto como uma maldição e Thomasin, só pelo fato de ser mulher, é considerada bruxa por estar em pleno desenvolvimento. A menina se controla de todas as maneiras possíveis, segue todas as regras, mas, no final do filme, por um breve momento, se desvia desse caminho e tudo desmorona. Sua família, incrédula, atribui a ela todos os males do mundo.

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 Cena crucial é quando Thomasin encontra o seu irmão perto de um lago. Os dois estão atarefados e Thomasin percebe os olhares maliciosos, no entanto acolhe o irmão em seus braços antes de se proclamar como sendo a bruxa para a irmã mais nova. É questão de segundo para relacionarmos isso com a autonomia e ousadia da menina em confirmar o incesto, mesmo que somente a intenção e conexão. Ela afirma com propriedade, dá os detalhes e intimida ambos irmãos, causando um desconforto. Lembrando, o fato de ser ou não bruxa é uma metáfora e qualquer cena que sugira algo mais explícito serve apenas como uma distração.

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Pouco tempo depois Caleb foge com sua irmã para a floresta, eles se perdem e acompanhamos Caleb e o seu encontro com a “bruxa”, em uma forma bem sensual, como se completasse todos os seus desejos mais íntimos. O desejo nunca foi um problema real da humanidade, mas pode se tornar quando a crença a proíbe ou cria uma série de limitações. Nesse caso, a culpa passa a ser gigante e consome o ser. Isso é o que acontece com Caleb na floresta. A capa vermelha – cor associada automaticamente ao sexo, paixão etc – traz a ideia de que, sim, houve algum tipo de relação entre os dois irmãos, mas Caleb não aguenta a culpa, é fraco demais para ser um bruxo e, consecutivamente, livre.

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Quando Caleb retorna para a sua casa, Thomasin o encontra nu. Quando ele desperta e surta, os seus movimentos e feição remetem ao gozo, ao prazer extremo, é possível perceber que em diversos momentos o menino se abraça, como se o seu corpo estivesse envolvido com as palavras sem sentido, no mesmo tempo que existe uma tentativa de redenção, como se quisesse ser aceito. O menino ficou preocupado e questionou o seu pai, logo no início do filme, sobre qual seria o critério de Deus para escolher os bons ou maus.

A mãe da família, para mim, é a personagem mais conturbada e fraca, ela praticamente não existe. Em alguns momentos fala com alegria sobre a época que tinha a idade da filha mais velha, mas sempre se mostra muito abatida e fragilizada. Como se existisse muitos arrependimentos. É a mulher que nunca teve coragem de se libertar, por isso é possível perceber uma clara inveja da sua filha Thomasin. A mãe revela que estava ciente das “insinuações para o irmão”, mas nunca tomou providência. Talvez ela tinha medo de que a menina tentasse conquistar o seu marido.

Quando a mãe morre, a única morte que Thomasin provoca, de fato, ela está em uma posição muito sugestiva, em cima da barriga da filha. Simbolizando uma troca de papeis, como se tivesse se tornado a filha ou prestes a realizar o que sempre quis, mas nunca teve coragem. Thomasin, a partir da morte de todos os membros da família, se torna todos eles, a coragem e desprendimento da família.

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Chegamos na parte final e é justamente a qual, geralmente, as pessoas mais se confundem. Bem, vale ressaltar que a primeira coisa que Thomasin faz após matar sua mãe é tirar o vestido. Esse vestido, que a cobre durante todo o filme, visivelmente a sufocava. Ela começa a sua liberdade ai.

Depois segue o Black Phillip e vai procurar, finalmente, as respostas.

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O bode no filme é a representação do demônio. Baphomet é sempre revelado com uma cabeça de bode e ele significa algumas coisas, principalmente relacionado com dualidade. Bem e mal, luz e trevas, homem e mulher, enfim, o feminino e masculino tem uma importância gigantesca para o final do filme. A mulher está diante a sua liberdade, mas não sabe o que fazer ao dar o próximo passo, portanto precisa entrar em catarse, conhecer os seus limites.

Ela seguindo o Black Phillip representa todos os espectadores que esperam ansiosos por respostas. E quando isso acontece, o filme o faz com maestria. Primeiro que focaliza apenas no rosto da Thomasin, afinal, ela é a protagonista dessa mudança. É quando começa um dos melhores diálogos da história do cinema.

Reparem que Black Phillip pergunta o que ela quer e dá algumas sugestões, principalmente relacionado a comida – pois passava fome – e liberdade. “Ver o mundo“. Thomasin deixa claro a sua posição e diz que não sabe escrever, ele responde, com sua voz arrepiante, que guirá as mãos da menina. Essa cena deixa claro que a protagonista está diante a uma mudança devastadora, fruto da sabedoria. A cena final, onde acontece um “ritual”, é outra alusão ao rito de passagem. A menina flutuando é uma vida leve, sem amarras e proibições, ainda fica diante uma árvore, fazendo referência a Lilith que, diz a teoria da conspiração, poderia ter sido a primeira mulher de Adão.

A cena final é arrepiante e, em meio a uma estranheza gigantesca, é possível sentir uma felicidade. O espectador desavisado chora e os mais atentos sorriem. “A Bruxa” é um dos melhores filmes da história e uma verdadeira junção de elementos históricos e filosóficos. Vai ao desencontro da fórmula e o padrão, assim como o tema estudado, e consegue provar que o terror mora nos lugares mais improváveis.

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Referência: http://maconariaesatanismo.com.br/satanismo/satanismo-na-idade-media/

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No fim, sou apenas um cara fantasiado de coelho que, durante o dia, coloca a máscara de homem e paga uma de intelectual com aqueles que exaltam qualquer manifesto de inteligência.

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  • Michel Malva

    Excelente texto, fiquei sem palavras.

    • Emerson Teixeira Lima

      Opa, muito obrigado Michel!

  • Inu

    WOW CARA! OBRIGADO POR ISSO! Muito legal o textão! Vou começar a frequentar o site! Parabéns!

  • Lucas Nunes

    Texto excelente, basicamente uma releitura do filme, além de observações geniais como as referências e simbologias do corvo (mau presságio), bode (Baphomet), Lilith (Primeira mulher de Adão), entre outros detalhes muito bem colocados, parabéns, 15 minutos bem gastos!

    • Emerson Teixeira Lima

      Fico feliz pelas suas palavras Lucas! Agradeço mesmo, de coração. Espero que te encontre aqui mais vezes, a ideia é realmente discutir sobre o cinema alternativo.

  • Jean Guilherme Suzena Rosa

    Excelente texto, A Bruxa é um dos meus filmes favoritos e me arrependo amargamente de ter dito que odiei o filme na primeira vez que vi no cinema (Eu não tinha entendido o fim e não fiquei perturbado como o Hype disse que todos ficariam, mas medo vai de cada um) após ler criticas e entender mesmo a essência do filme… marcou pra mim…
    Excelente roteiro, atuações, a direção e fotografia são ótimas
    Ouço a trilha sonora todo dia (e de noite rs)

    Enfim, me fez pensar mais sobre o filme e valeu, texto e critica ótima… Esse filme ta na lista dos meus melhores filmes (Não só de 2016), mas de todos os tempos.

    • Emerson Teixeira Lima

      Concordo com você Jean, um dos melhores mesmo. Se você curtiu o tema desse, recomendo alguns filmes como: Madre Teresa dos Anjos, Il Demonio, Martelo das Bruxas – inclusive existe o livro, que era usado em plena inquisição – e The Devils ( 1971 ).

      Crítica aqui do Cronologia sobre “Il Demonio”, filme italiano de 1963: http://cronologiadoacaso.com.br/2016/01/30/il-demonio-1963/

      Crítica sobre “Madre Teresa dos Anjos” 1961, filme polonês sobre madres “possuídas pelo demônio”: http://cronologiadoacaso.com.br/2015/11/02/madre-joana-dos-anjos-1961/

      Muito obrigado pelos elogios e comentário, te espero por aqui outras vezes!

  • Gustavo Franco

    Bom texto. Vc tem bons conhecimentos históricos, mas a interpretação pode nos levar para X caminhos. Dou nota 8,8 para sua crítica.

    • Emerson Teixeira Lima

      A intenção é realmente essa, viva a diferença e discussão sobre o audiovisual. Os pontos históricos e filosóficos são só detalhes. O bom mesmo é o preenchimento que os leitores estão dando sobre os signos. Muito obrigado Gustavo! Abraço!

  • Gustavo Broda Lóes

    Nossa, bom demais! Lendo sobre tudo isso, dá até vontade de rever de novo, com outro olhar. Esse final principalmente, depois da explicação, ficou melhor ainda! Parabéns !

    • Emerson Teixeira Lima

      Muito obrigado Gustavo! Espero te encontrar novamente por aqui 🙂
      Quando assistir novamente me conta as novas impressões!
      Abraço!

  • Camila Baldoni

    Muito obrigada pelas explicações. Eu terminei o filme torcendo o nariz pra ele, tinha entendido o fio da meada, mas não tinha me ligado em tantos símbolos, suas explicações foram muito certeiras e vem bem a calhar pra quem tá buscando entender a simbologia do filme.
    Ainda assim, acho que tá um pouco longe de ser um filme ótimo, mas é um filme correto, atende às expectativas.
    Um abraço!

    • Emerson Teixeira Lima

      Muito obrigado Camila, a sua postura é o que eu buscava enquanto estava escrevendo. O gosto é altamente individual, mas eu senti que deveria desabafar sobre alguns pontos filosóficos e, assim, ensinar e aprender com os leitores. De fato, com esse artigo estou conseguindo sentir as experiências de cada um, isso é lindo.
      Muito obrigado pelo comentário, volte mais vezes!

  • Deh Ribeiro

    ufa…. amei tua explicação… eu amei o filme, mas fiquei com um gosto de quero mais, e até meio perdida… mas por ser um filme bem mistérioso e místico, eu ja tinha amado, tenho atração por essas coisas..rsrsrsr… enfim, agora vendo seu texto, tudo ficou claro… espero que tenha uma parte 2.. abraços

    • Emerson Teixeira Lima

      Que legal Deh! A ideia é compartilhar apenas um ponto de vista, existem vários, o melhor do audiovisual é essa experiência compartilhada que ele nos proporciona! Volte mais vezes! Beijo!

  • Luiz Felipe de Santana

    Percebo que “hoje em dia”, principalmente os mais jovens, são tomados pela urgência e facilidade de informações, bem ao estilo “fast food” de viver.
    Tudo aquilo que se diferencia dessa conotação se torna imprestável ou no minimo indigno de qualidade. E de fato eu já vi varias vezes o que aconteceu com o filme” A bruxa” em outros filmes.
    Confesso que este filme não é o mais fácil de ser compreendido, exige muito mais do que simples conhecimentos e/ou vontade de entender.
    Digo por mim, assisti ele e na primeira vez, quando cheguei ao final, eu precisei o recomeçar, mas desta vez pausando e prestando muita atenção ao detalhes e frases perdidas. Por consequência, comecei a fazer ligações, entender motivos e a compreender essências.
    Mas mesmo assim, eu apenas compreendi o segundo nível da interpretação, como se fosse um segundo nível de proteção para aqueles que querem informação fácil.
    Porém cheguei ao final do filme ainda com a sensação de vazio, algo faltava ali. Nos meus pensamentos, repercutiam as ideias de que um filme feito com tanto cuidado, não se prenderia a começos e fins vazios ou pelo menos sem logicas.
    Nessa razão, cheguei ao seu site fiz a leitura completa do seu artigo e finalmente agora consigo repousar a logica do filme em cima de uma linha de raciocínio.
    Sei que existe a possibilidade de haver outra explicação, ou talvez nenhuma, mas confesso que a sua analise foi suficientemente fundada em diversos elementos que indicam nessa mesma direção.
    E por fim, dão ao filme a raiz da qualidade, ou seja, dão a razão ao bom trabalho gasto nesse filme.
    Parabéns e obrigado por compartilhar essa analise…
    PS: vou assistir aos filmes indicados por você

    • Emerson Teixeira Lima

      Comentário excelente Luiz! Concordo plenamente com a sua opinião e é uma pena que o cinema ainda seja visto com tanta superficialidade por inúmeras pessoas. Fico feliz de ter te ajudado um pouco com o artigo, realmente me fez bem escrever, foi um verdadeiro desabafo. Muito obrigado pelo comentário enriquecedor, volte mais vezes querido! Abraço e bom final de semana 🙂

  • Mei Trinity

    Nossa muito bom esse artigo eu tinha reconhecido a maior parte dos simbolos e a critica ao fanatismo mas não cheguei a conexões tão profundas como você.A maior parte das pessoas que eu conversei que não gostaram do filme além de não entenderem ficaram muito chocadas pois a cenas como a do corvo por exemplo são muito fortes causam um desconforto pisicologio profundo e se você não esta empolgado com as referencias que sao uma critica (praticamente uma cuspida no olho) a religião provavelmente vai ficar muito mais agoniado.
    Quanto ao seu trabakho…faça mais eu imploro xD

    • Emerson Teixeira Lima

      Muito obrigado Mei! O cinema extremo têm essa missão mesmo, chocar. Que bom que existe um público que vai além do visual, do gráfico, e se atreve a tentar entender o porquê. Parabéns para nós e obrigado, novamente, pelo comentário!

  • Guilherme Pelaez

    Excelente texto! Conseguiu captar em várias esferas a idéia central do filme. A Bruxa é um dos melhores filmes que vi nos últimos anos…na minha opinião, trata-se de um filme de terror inteligente e um tanto ousado pela forte crítica ao fanatismo religioso da época (e em alguns aspectos, também da atualidade). Ganhou um seguidor!
    Deixo algumas perguntas que se puder responder agradeco:

    Qual o significado/simbologia da cena em que Caleb cospe a fruta pouco antes de morrer?
    No início do filme (antes de qq compreensão da trama), por que a bruxa/demônio se pinta/lambuza com essas frutas vermelhas na sua “casa na floresta”? Seria um ritual de preparação para o que está a fazer com a familia que acabara de chegar na floresta?
    De que maneira você entende a relação dos gêmeos Mercy e Jonas com Black Philip? Durante todo o filme, eles aparentam ter boa relacao com o bode, mas após a bruxa feia/demônio aparecer para eles (quando o pai os prendem juntos), eles parecem assustados e desconfortáveis e logo depois simplesmente desaparecem e não sabemos o que aconteceu com eles (ponto não crucial para o propósito do filme, mas que deixa duvidas).

    Mais uma vez parabéns pela análise assertiva e inteligente de A Bruxa.

    • Emerson Teixeira Lima

      Muito obrigado Guilherme, pelo comentário, pelas informações e pelas perguntas, que me incentivaram a repensar alguns pontos.

      – A fruta que Caleb cospe, é uma maça, certo? A maça em diversas culturas representa o desejo. Escrevi algo sobre isso nessa crítica: http://cronologiadoacaso.com.br/2016/02/12/the-high-wall-1964/. Quando o menino está ali deitado, é como se ele estivesse “enfeitiçado” pelo desejo, poderia traduzir literalmente como sendo uma bruxa, ou apelas as intenções incestuosas dele para com a irmã – até é bem sugestivo que eles fizeram sexo na floresta.

      – Sim, na verdade existem algumas vertentes do satanismos que resgatam alguns rituais advindos da Idade Média, esse provavelmente é um deles. Só que se pularmos para o significado das cores, percebemos que o vermelho está atrelado a excitação/alegria/paixão/DESEJO. Então existe um quê de energia extremamente forte na “bruxa”, naquele momento, por estar prestes a testar a família e estabelecer quem é merecedor de tal alcunha que, lembrando, também é uma metáfora.

      – Então, quanto aos gêmeos é a pergunta mais interessante para a trama e esse envolvimento com o sobrenatural, no filme. Eu não acredito que o filme tenha nada de sobrenatural – que não seja o psicológico conturbado e envolto de medo dos personagens, claro; Porém os gêmeos seriam a canalização do demônio na terra. Culturas antigas sempre diziam que os demônios precisam ser exaltados para se sentirem fortes e adentrarem esse espaço, seja família ou um indivíduo. Então os gêmeos fazem isso constantemente, eles brincam com o oculto como forma de se propagarem “céticos” – não é o que acontece bastante na nossa sociedade? No entanto, quando as coisas começam a acontecer, eles se veem amedrontados, não pelo sobrenatural, mas pela verdade: sim, existe uma bruxa entre eles!

      Espero ter ajudado um pouquinho Gui! O bom desse artigo é justamente os comentários que, motivados por ele, estendem a discussão e me/nos ensinam muito. Abraço e bom final de semana!

  • Leonardo Melo De Lima Rodrigue

    É bem óbvio para quem sabe o mínimo sobre história que o filme é carregado de elementos filosóficos, traz nuances sobre crenças medievais e aspectos religiosos relacionados com princípios judaico/cristãos. O que vc “esqueceu”(ou não sabe mesmo), é que o filme caricatura a igreja da época numa visão reducionista teológica, além de colocar o satanismo em destaque como uma espécie de solucionador de problemas; Essa pseudo-liberdade que você descreve, após Thomassin retirar o vestido, é um dos grandes equívocos que nossa cultura insiste em abraçar, e é tão escravizadora quanto qualquer elemento restritivo, o que acontece na pratica é trocar um tirano por outro, por assim dizer.

    No Tocante aos elementos artísticos do filme, existe uma boa produção por detrás, mas o filme peca pela falta de honestidade em mostrar um lado ainda mais obscuro e fatal do satanismo.

    • Emerson Teixeira Lima

      Obrigado senhor! O que você “esqueceu” ( ou não sabe mesmo ) é que fiz questão de relacionar a igreja e a Idade Média, seria óbvio a partir dai que existe um contexto para o pensamento arcaico. No que tange outros detalhes, é a sua opinião e eu respeito, abraço!

      • Leonardo Melo De Lima Rodrigue

        NÃO SE OFENDA, NÃO ESTOU SENDO SARCÁSTICO OK? Seu pensamento critico acerca da igreja ficou apenas no inicio da idade média, porque o puritanismo foi caricaturado no filme e se você conhecesse do que estou falando(PURITANISMO) entenderia a razão objetiva do meu comentário. Pelo que entendi, você conhece muito pouco sobre os puritanos e a história da colonização americana. O filme se passa no interior dos EUA, num contexto puritano do século XVI e esta totalmente descaracterizado da realidade histórica; E para um roteirista que disse ter pesquisado relatos da época, faltou ouvir o outro lado ou um pouco mais de honestidade intelectual na retratação dos termos da realidade, porque o filme não passou de panfletagem religiosa acerca do satanismo. O filme nada tem a ver com bruxas, apenas trata da história do demônio agindo com objetivo de seduzir e destruir seres humanos. Abraço

        Em Tempos: Não tenho objetivo de defender o puritanismo por assim dizer, mas, me incomoda ao extremo as caricaturas acerca do movimentos que construíram e fundamentam uma nação como os EUA, ainda, nos dias de hoje.

  • Marco Faria

    Cara…seu texto foi uma das melhores coisas q ja li esses tempos. A proposito, gostaria de tirar uma duvida. Quando o bode pede para a garota assinar no livro e ela diz q nao sabe escrever, ele nao deveria ja saber disso? Afinal ele sabe tudo sobre ela nao? E o livro é uma bíblia? O que ela deveria escrever nele segundo a vontade do Black Philip? Valeu

    • Emerson Teixeira Lima

      O bode é a representação da liberdade, em forma de uma figura satânica/mal. Na verdade, essa maldade é uma forma de sintetizar a própria ignorância, portanto, o pedido para assinar o “livro” é uma metáfora para um portal, do qual o outro lado é um lugar de desprendimento e força da mulher. Ela deveria assinar o seu nome e, quando fala que não sabe escrever, a “voz” responde que guiará as suas mãos, ou seja, as suas escolhas. É uma nova vida, nova personalidade, leve e flexível; tanto que na última cena ela flutua entre as árvores ( vida ).
      Valeu Marco, espero ter ajudado =)

      • FABRICIO DUTRA CORRÊA FABRICIO

        Guiar duas escolhas… Segundo a Vontade de quem…!? Ao sugerir ser o “guia” ele não estaria se “aposssando” da vontade dela!? Isso é liberdade!? Rsrsrs…. Black Phillip Ocultou o nosso entendimento…

        • gviecelli

          vc entendeu certo. descrevi isso aqui em outros comentários. o autor desta materia nao entendeu nem o cerne do filme ou entendeu tudo errado.

          • Emerson Teixeira Lima

            Sim, é verdade gviecelli. Eu entendi tudo errado, você entendeu tudo certo. Eu sou idiota e você é inteligente em entrar no meu site e me chamar de “burro” e “idiota”.

            • Anderson Antonio

              Mas o gviecelli tem razão nesse ponto. se você é guiado, você é direcionado pra onde o seu guia bem entender. no caso do filme, o guia conduzirá a menina, segundo aos seus princípios, no caso, do satanismo. principio esse que oferece libertar a pessoa das amarras impostas pelo cristianismo, para que a pessoa se sinta livre para fazer o que bem entender, sem culpa.

              A personagem claramente se encheu de todas essas opressões sócias, morais e religiosas. O ultimo laço existente era o de filha, percebendo que nem isso mais existiria, pois sua mãe se levantou como sua inimiga, “chutou o balde”, a matando. nesse momento não devendo satisfação a mais ninguém, realizou que, ao matar a sua mãe, já tinha rompido a tal barreira da moral social. a partir desse momento, se sentiu livre para fazer o que quisesse, inclusive fazer o pacto e se tornar uma bruxa de fato.

              As promessas do Bode é um clichê básico no ocultismo. o fato de ter que se despir, é uma alegoria, que claramente representa uma espécie de libertação das normas e dogmas, sociais e religiosos.

              Ninguém precisa ofender o outro para debater a leitura que fez de um filme.

              Ziraldo contou uma vez ao Jô Soares que pegou uma questão de uma prova que continha um texto seu. e adivinha? segundo o elaborador da questão, o texto, definitivamente dizia algo que na verdade, ao escreve-lo, Ziraldo não quis dizer, estando o interprete equivocado. resumindo, O elaborador da questão se apropriou da mensagem original, determinando segundo a sua interpretação a mensagem que o autor quis entregar.

      • gviecelli

        a liberdade é neutra. nem boa e nem ruim, ela é só o conceito do aberto, da mente livre…e todo mestre ou oportunidade que nos abre portas tem que ser neutra pois se nao nossa busca não é real e pessoal e sim é uma mera doutrinação. não sacas esta diferença?? se baphomet no filme foi real ou era o mal mundano, fato é que nao era neutro. e isso fica claro pois ele exige coisas em troca! nao estava sendo dada a liberdade à menina e sim uma falsa liberdade. Um guia para a doutrinação. cOMO PODE SER LIVRE DE FATO SE GUIADA e como pode escolher de fato se deve dar coisas em troca?? a cena final de elevação é só falsa percepção dela com o mundo. assim como ela já era corrompida ao dar pro irmão ou até a matar a propria mae para ter mais liberdade… ela alimentou o mal dentro dela por egoismo e se perdeu no mundo. Todo conhecimento que ela vir a adquirir estará manchada para sempre pela falta de carater dela e por deixar o mal guiar ela, seja o mundano ou divino. o autor nao entendeu nada do filme. e olha que eu sou ateu!

    • Nike Armila

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  • Luckas Matheus

    Cara! Eu tô no chão. Desmoronei completamente com esse filme. Eu nunca iria imaginar que podia ser desconstruído por um filme de terror, e eu até tinha a expectativa de que A Bruxa fugiria do “padrão clichê do gênero”, mas assim, não esperava isso. O filme não deu susto, e foi perfeito. Não teve clichês, não teve falas comuns, não cria pontes de identificação com os personagens, mas faz você amar o filme.

    Eu assisti hoje com meu melhor amigo, e estamos em guerra. Eu a principio não entendi nada, mas gostei. E ele não gostou, queria as horas de vida de volta. E eu ” AFF vey, tmc”. Passou algumas horas eu refleti sobre o filme, porque sim, eu fiquei inquieto, fique incomodado com o filme, não por fazer de Deus o vilão (sim, em parte), mas porque ele falou de religião, de hipocrisia, desconfiança, e fé, e então entendi alumas coisas.

    Ler esse post só me abriu os horizontes e complementou minhas vagas reflexões de entendimento do filme.
    Excelente texto. E já favoritei o site. 🙂 E vou te seguir no disqus parceiro!

    • Emerson Teixeira Lima

      Luckas, fico feliz pela sua empolgação e obrigado por compartilhar! É obrigação da arte nos direcionar à caminho da perplexidade. Nesse caso, existe uma infinidade de temas polêmicos para refletir, com muita calma e sem preconceitos. Seja bem-vindo ao Cronologia do Acaso, escrevi sobre outros filmes, abordando as mensagens ocultas, filosofias etc, fique à vontade =)

      Obs: Se você curtiu A Bruxa, recomendo fortemente um clássico mexicano chamado “Alucarda”. Inclusive já escrevi sobre ele no site: http://cronologiadoacaso.com.br/2016/10/22/liberdade-sexual-e-subversao-sob-olhares-conservadores/

      Abraço!

  • Pingback: Halloween:filme, série, anime, livro e jogo com bruxas! – 1bomfilme()

  • Fernando LeaL

    A única coisa que eu realmente ainda não entendi é o significado do coelho. Ele aparece em umas 3 cenas, e eu não consegui captar a mensagem (ou referência).

    • Emerson Teixeira Lima

      Então, é muito comum a figura do coelho representar a vida, fertilidade ou caminho – por exemplo: em Alice no País das Maravilhas o “animal” que conduz a protagonista para o seu destino é o coelho que, por sinal, se encontra preocupado por estar atrasado. Então uso essa ideia básica e aplico no próprio A Bruxa; se pegarmos as cenas que o coelho aparece, sempre é o princípio de uma singela transformação, seja para os personagens ou narrativa.
      Abraço e deixe ai a sua opinião se descobrir algo =)

      • Fernando LeaL

        Sim, eu cheguei a ler no artigo, mas nas duas vezes em que assisti quando o coelho aparece eu tento entender qual essa transformação ou significado e me sinto cada vez mais burro xD

        • Emerson Teixeira Lima

          Vejamos, a primeira vez que o coelho aparece é na floresta. Esse momento tem a ver com o Caleb – ele nutre um fascínio pela irmã, inclusive sexual – pois, posteriormente, o próprio garoto se depara com uma “bruxa” na floresta ( também ). Ou seja, é como um mal presságio do que iria acontecer.
          A próxima vez tem relação com a própria protagonista. Perceba que o coelho, ao lado do Black Phillip, representa a última evolução da família – que foi vítima de uma seleção para saber quem é a “bruxa”.
          Mas essa é uma breve explicação, há diversas outras, inclusive fica melhor se pegarmos diversos elementos – como o que tentei fazer no artigo – e ir relacionando…
          Você não é burro amigo! se achar mais alguma coisa no filme me diga! até mais.

  • Mari

    Gostei muito muito da analise, muito explicativa, vc é um cara que visivelmente sabe muito!! Porém desculpe a critica mas acho que vc passou muito tempo reclamando por terem pessoas que nao apreciaram o filme assim como vc.. (pulei muitas partes disso até chegar a parte interessante do texto) eu gostei do filme, mas não é um filme comum então é óbvio que terão muitas pessoas que nao entenderão e consequentemente irão declarar que o filme é péssimo.. (acredito que isso fosse esperado pelo próprio diretor) independentemente de crenças.. faz parte… eu teria amado esse texto se tivesse sido mais imparcial.. Mas tirando isso vc manda muito bem! Abraços.

    • Obrigado pelo elogio e crítica Mari! Esse artigo visava essa visão mencionada, até porque escrevi poucos dias depois de ter presenciado uma das piores sessões da minha vida. Mas escrevi a crítica do filme ( evidentemente com uma proposta mais imparcial ) aqui: http://cronologiadoacaso.com.br/2016/03/11/a-bruxa-2016/

      Obrigado e abraço!

    • Emerson Teixeira Lima

      Concordo com você, usei esse momento para relatar uma das melhores e piores experiências em uma sala de cinema que presenciei. Gosto é muito relativo, concordo, também acho que o próprio diretor pretendia conquistar essas opiniões diversas, mas relato, principalmente, a falta de respeito para com a obra e as outras pessoas que assistiam na sala. Mas você tem razão, por isso me preocupei em dividir o artigo em partes.
      Escrevi sobre A Bruxa, em formato de crítica, aqui: http://cronologiadoacaso.com.br/2016/03/11/a-bruxa-2016/ – nessa crítica me atenho mais à obra em si e não nas explicações.
      Obrigado pela crítica e comentário, abraço Mari! ^__^

  • AnotherNCFormer

    Um dos melhores filmes de suspense que eu já assisti, simplesmente fantástico, a surpresa no final (não quero dar spoilers) é intrigante, gostaria muito que tivessem mais filmes assim.

    • Emerson Teixeira Lima

      Concordo, grande abraço!

  • Bia

    Assisti o filme, li alguns texto e finalizo com este. Continuo sem entender o filme! Socorro! Alguém desenha para mim?
    1. Eram várias bruxas ou a loirinha o tempo todo?
    2. Quem sumiu com o bebê?
    3. A Chapéuzinho era a Loirinha ou outra bruxa qualquer?
    4. Incesto? Não vi, perdi… só pode! Só lembro da cena do riacho…
    5. O cachorro morreu, e o cavalo?
    6. Os gêmeos pareciam possuídos no momento da morte do Caleb…
    7. E sumiram na cena q a bruxa (ou a Loirinha?) come as cabras.
    8. Achei forçada a cena da morte da mãe…
    9. Continuo me perguntando qual era desses gêmeos… e Black Phillip, era o nome do bode?
    10. Era ‘do capeta’ eles cantando com o bode no começo do filme!
    11. Kd os gêmeos?
    12. Não sei se o final me confundiu ou esclareceu… mas se tivesse começado a ver o filme à partir da morte do pai, teria certeza q a Loirinha virou bruxa qdo ‘assinou o livro’. Não me lembro de ter dormido… ele pediu para ela assinar o livro? Ok, ela SÓ disse q não sabia escrever… volto para a pergunta 1…
    13. Sobre os texto q li, inclusive este: enriquecedoras as explicações sobre religião e história, mas em nenhum momento do filme parei para lembrar de coelho, bode, corvo, maçã… e eu acho q ISSO dificulta muito o entendimento do filme, aliado o marketing de filme de terror. Eu não gosto, assisti para agradar meu marido… em dez anos juntos nunca havíamos visto um filme do gênero… o filme não prendeu a minha atenção, mas sou curiosa e gosto de histórias de bruxas… Talvez se tivesse sido comercializado como suspense e/ou drama acharia mais interessante. Mas independente disso, achei o filme tão confuso (para mim, não foi um Advogado do Diabo, q tem q assistir duas vezes para entender) q vim na internet buscar um complemento ao roteiro (super elogiado… ?) apresentado.
    14. Desculpa o brainstorming e os prováveis erros q a minha ânsia por tentar entender mais um filme de bruxas (baseados em possíveis fatos reais, não?!) podem ter causado!

    • guviana

      Eu entendi que já haviam bruxas na floresta antes da chegada da família. Essas bruxas, ou uma só(Chapéuzinho), roubaram a criança. Black Phillip é o nome do bode. Os gêmeos, para mim, nunca foram possuídos pelo demônio, só eram meio doidinhos mesma hahaha. E o que aconteceu com eles eu não lembro.

      Sobre os símbolos do filme, praticamente TODO FILME usa de artifícios como iluminação, figurino, fotografia, trilha sonora, e até mesmo a composição dos cenários e cenas(como mostrar um corvo ou maçã no filme) para passar algum aspecto que o diretor acha relevante. Muitas vezes esses artifícios passam despercebidos e isso interfere no entendimento do filme. Mas por exemplo, uma coisa que se usa muito: quando o diretor que mostrar que uma personagem tem uma personalidade mais alegre em relação aos outros personagens do filme, coloca roupas mais coloridas nessa personagem e roupas mais neutras nos outros. Isso é uma coisa que nos faz entender sobre a personagem que o nosso cérebro nos leva a entender mas a gente nem raciocina pra chegar a essa conclusão, é automático. O problema(não pra mim) é que em A Bruxa esses artifícios de direção muitas vezes são referências tão pesadas que as pessoas acham estranho um coelho aparecer do nada no filme…

    • Caique Maruê

      1 – Várias Bruxas.
      2 – O Diabo
      3 – Eu acredito que era outra bruxa, mas na análise parece que o autor acredita que era a Thomasin (não sei porquê)
      4 – Não rolou um incesto diretamente, mas o garoto olhava os peitos da irmã constantemente. Ele estava na puberdade e apresentava desejos precaminosos. O filme representou de maneira sutil, mas a irmã dele percebeu e não o repeendeu.
      5 – Morreu.
      6 – Histeria Coletiva
      7 – Desapareceram da mesma maneira que o próprio bebê no começo do filme.
      8 – Achei normal
      9 – Os irmãos não tinham nada de especial. É possível que eles ouviam a voz de Black Phillip (o bode) durante sonhos ou delírios, mas nada se confirma.
      10 ?
      11 – Sumiram
      12 – A loira só decide abandonar sua fé e realmente “se entregar ao Diabo” após toda sua família morrer. Até então, apesar das acusações da família, ela não tinha envolvimento direto com a bruxaria.

      13 – Esse é um filme metafórico. Nem tudo o que apresenta na tela é literal e “realmente aconteceu” e todas as coisas que “realmente aconteceram” tem um objetivo oculto por trás, um objetivo metafórico. No caso, a menina ter se tornado a “Bruxa” e aceitado o “satanismo” simplesmente quer dizer sua libertação. Ela desistiu de seguir a um Deus que não a protegia, que a privava de todos seus desejos, toda a experiência e a forçava a seguir no caminho da ignorância. Sua família foi punida por isso, por insistir em um mesmo erro (terras amaldiçoadas, floresta perigosa, julgamentos e preconceitos etc) e Thomasin foi a única que não seguiu o mesmo caminho. Talvez por isso ela tenha sido poupada e lhe foi entregue essa dádiva da libertação.

      Apesar da figura do Diabo estar presente no filme e mover a história, causando pragas, mortes e sofrimento, o filme pra mim é muito mais “cinza” do que preto ou branco. O mal e o bem se misturam, e muitas vezes motivações “boas” são mostradas de maneiras “errais e cruéis”, todos os seres humanos são assim, possuem tanto a essência do mal, quanto a essência do bem dentro de si, e o filme consegue retratar isso de maneira fiél.

      • Saulo Azevedo

        Quem sumiu com o bebê não foi o diabo coisa nenhuma. Foi a bruxa de capuz. A mesma que encontra Caleb na floresta. Assim que o bebê some passa ela correndo na floresta segurando alguma coisa. O bebê, que não tinha sido batizado, provavelmente foi morto para usarem sua gordura no feitiço para fazer as bruxas voarem. Acontece algo parecido em outro filme (antigo) sobre bruxaria, Warlock – O Demônio, em que um garoto pagão é morto por um bruxo pela mesma razão, e sua morte é atribuída a um coiote. Na bruxa dizem que foi um lobo.

    • Emerson Teixeira Lima

      Oi Bia, entendo a sua ânsia. No entanto, respondo a sua “pergunta” número – até como forma de resumir as anteriores:
      O marketing do filme foi péssimo, mas não podemos depositar nossas expectativas sobre uma obra apenas na forma que ele é vendido, antes da exibição. Uma prova disso são os trailers que, mais do que uma síntese, funcionam como uma junção artificial dos melhores momentos de um filme. Então, em resumo, expectativa é inimiga número um da experiência cinematográfica.
      As suas perguntas anteriores foram respondidas brilhantemente pelo Caique, que de forma prática resumiu alguns momentos, desdobramentos das personagens etc. Mas reafirmo que A Bruxa é repleto de símbolos, dialoga com o satanismo de Lavey, questões de opressão às mulheres, enfim, algo que abordei nesse artigo e na crítica. Você pode fazer a sua escolha, a linha entre o sobrenatural e a histeria coletiva é tênue, mas, pessoalmente, eu acho mais simples relacionar o filme com a Idade Média e Nova Inglaterra como uma forma de colocar uma lupa sobre a família, mulher e o que é ser “bruxa”.
      Abraço e até a próxima! ( dá mais uma chance para o seu marido e assista um terror, nunca é demais ;D )

    • Daniel Rand

      Oi, Bia, tudo bem?

      Sei que já faz dois meses que você fez suas perguntas em relação ao filme A bruxa, e talvez nem esteja mais interessada nas respostas. Mas, mesmo assim, gostaria de escrevê-las aqui para você. Tudo bem?

      Vamos lá.

      1. Existiam várias bruxas que perambulavam pela floresta. A prova maior disso é mostrada na cena final, quando as presenciamos em torno da fogueira e entoando palavras de adoração numa língua estranha. A loirinha, Thomasin, torna-se bruxa apenas no final, depois que assina o livro do Bode.

      2. Essa é uma questão que não fica clara no filme. Mas, pelo modo repentino como acontece, estando apenas ela, Thomasin, e Samuel (o bebê), brincando numa vasta planície, entendemos que foi pelo menos uma das bruxas, através de poderes paranormais. Caso contrário, como o sequestrador (ou a sequestradora) conseguiria se aproximar, pegar o bebê, e sumir sem deixar rastros em questão de segundos? O tempo em que Thomasin coloca as mãos nos e depois retira? Esse é um dos pontos mais importantes do filme para refutar as pessoas que insistem que o filme é metafórico em sua essência; que não podemos aceitar literalmente o que as cenas nos mostram. Como eles explicam o sumiço do bebê? O bebê sumiu, isso é um fato. E a prova maior disso é que vemos uma pessoa usar o sangue dele para banhar o corpo.

      3. Outra bruxa. A cena mostra isso claramente. Thomasin só vai se tornar bruxa depois de assinar o livro do Bode.

      4. Não houve a prática do incesto. Você está correta. Caleb sente desejos pela irmã. Ele passa pela fase em que os garotos não conseguem pensar noutra coisa que não seja o sexo, e, como não existem garotas disponíveis, Thomasin acaba por se tornar um dos seus alvos libidinosos. Ela percebe e resolve lutar contra isso aludindo ao amor fraternal. Creio que toda moça já deve ter percebido pelo menos alguma vez o irmão ou aquele primo abelhudo tentando curiá-la enquanto troca de roupa.

      5. Sim.

      6. Os gêmeos há muito vinham se comunicando com o bode; entoando canções a ele, e demonstrando o quanto o adoravam. No momento em que William, o pai da família, pede para que todos fiquem de joelhos e orem por Caleb, eles confessam que não conseguem mais se lembrar da oração do Pai Nosso. Aquela é uma prova de que ambos estão sob o domínio do bode.

      7. Eles são vistos deitados logo após a cena da morte de Caleb. De fato o diretor não se preocupa em dizer o que aconteceu a eles.

      8. A mãe de Thomasin, enlouquecida após o desaparecimento de Samuel e a morte de Caleb, e após confessar ao marido ter perdido a fé, recebe uma estranha visita. Justamente Caleb reaparece, como se estivesse vivo, e com o pequeno Samuel nos braços. A mãe acalenta os filhos e lê o livro que eles trouxeram. Depois, a cena mostra um corvo arrancando o mamilo da mãe. Ela está histérica. Na manhã seguinte, tenta matar Thomasin e acaba sendo morta.

      9.Os gêmeos eram dois pestinhas que viviam entoando canções ao bode. Sim, o nome do bode era Black Phillip.

      10. Sim, mais uma vez você tem razão, a canção era do capeta mesmo.
      Eis a tradução, para não restar dúvida.

      Black Phillip , Black Phillip
      Rei de todos.
      Black Phillip , Black Phillip
      Rei do céu e da terra ,
      Black Phillip , Black Phillip
      Rei de mar e areia .
      Somos servos ,
      Estamos ó homens

      11. Como falei anteriormente, os gêmeos somem da história após a morte de Caleb.

      12. Sim. O bode assassina o pai de Thomasin e depois assume a posição de chefe da casa. Notou como ele entrou todo pomposo no interior do recinto? Thomasin, sem pai, nem mãe ou irmãos, resolve buscar ajuda com o bode. Ele pergunta se ela gostaria de viver uma vida deliciosa, de usar belos vestidos, de experimentar o sabor da manteiga… Ela responde que sim. Ele pede que ela assine o livro (o mesmo livro trazido por Caleb e apresentado à mãe deles). Ela diz que não sabe escrever. Ele diz que vai ajudá-la. Neste momento, Thomasin entrega sua alma ao demônio, e se torna uma adepta, uma bruxa.

      13. Não se preocupe, Bia, muitas pessoas também acharam o filme confuso. E, como você disse, algumas tentativas de explicá-lo só acabaram por torná-lo ainda mais complicado. Mas o filme não tem nada de metafórico. O que ele se destina a fazer, ele faz. Mostrar uma família puritana se desesperançar e ser destruída pelo mal.

      Não é apenas mais um filme de suspense como os que normalmente são exibidos nos finais de semana das salas de cinema com o intuito de angariar verbas. Este é um filme explicitamente satânico. Os adeptos do satanismo o endeusaram como a mais nova maravilha do mundo e pagaram ingressos para quem desejasse assisti-lo. O filme prega que o Deus dos cristãos é um Deus indiferente ao sofrimento humano, que a tudo assiste e nada faz, e que a solução para a humanidade é rejeitar a Deus e se entregar ao bode, exatamente como Thomasin fez. Desta forma, todos os desejos que permeiam a alma humana serão saciados: a cobiça, a luxúria, e a vaidade (vida deliciosa; usar belos vestidos; experimentar o sabor da manteiga). Pelo menos, isto é o filme tenta passar.

      Só lamento pelos que acreditam nessa mentira.

      Como o dono do post, por exemplo, que assumiu ter assinado o livro do bode faz tempo.

      • Robson Souza

        Olá Daniel Rand, sei que já tem tempo após a essa excelente argumentação e visão na qual você teve do filme, e gostaria muito de falar com vc. Eu sou Cristão, e achei neste filme á uma clara visão, de todas as pessoas que não tem um conhecimento profundo envolvendo as escrituras. Assim eles julgam por um grupo de leigos fanáticos, ladroes, por se prender a desejos acreditando em uma recompensa divina e pela fé em um Deus onipotente só porque ele não age conforme a nossa vontade.

        Eu vi este filme junto ao meu irmão agnóstico que me encheu de informações através do texto do autor sobre o filme. Achei interessante sim a crítica à igreja naquele período como o autor citou e dentre outras coisas. Mas achei o seu ponto de vista interessante Daniel porque “ao meu intender” e trazendo aquilo na qual “eu acredito”, este pra min é um filme satanista usado de uma forma genial levando a aguçar aquilo que o homen mais acredita ter a “falsa liberdade” e termino dizendo um trecho bíblico: Meu povo perece por falta de conhecimento. Aguardo sua resposta, peço desculpa a erros de concordância e pontuação. Bom dia

        • Daniel Rand

          Olá, Robson Souza, que bom falar com você.

          Sim, amigo, você está acertou quando diz que esse filme prega ideologias satanistas. Talvez alguns amigos aqui nesta discussão não tenham percebido porque ficam procurando explicações que suavizem a dureza retratada na tela. Para algumas pessoas, nem Deus e nem o diabo existem, e, portanto, ficam confusos diante da proposta do filme de Eggers. Eles querem simpatizar com a Thomasin, e por isso procuram explicações simbólicas para todas as cenas que não conseguiram digerir ao longo da projeção. É mais ou menos assim:

          O filme terminou, e agora? Você fica sentado na cadeira sem vontade de comer o resto da pipoca. “Puxa – pensa, e aí? o que foi mesmo que assisti? O filme é isso mesmo ou tem alguma coisa por trás?”

          Relaxe, colega, você não tem nenhum bloqueio cognitivo de compreensão, o filme é exatamente o que você assistiu mesmo.

          – Mas, espere aí, o bode vence!
          – Sim, ele vence.

          – Mas esse bode não pode estar representando o diabo! Tem que existir outra explicação para esse filme!
          – Eu sinto muito. O Black é o diabo sim, os gêmeos cantam louvores a ele. Dizem que ele é o senhor de todos os homens. Senhor do Céu e da Terra (só que não, sinto muito, satanistas)

          – Não, não, não! O bode está lá para representar o conhecimento! A maturidade da autoafirmação! A negação à intolerância religiosa. A libertação feminina!
          – Sério? E por que ele pede que Thomasin assine o livro dele e o adore, como serva? E mais, essa liberdade madura assassina o pai dela, enlouquece os gêmeos, arranca o mamilo da mãe dela (naquele momento representado por um corvo), coaduna com o sumiço do bebê, corrobora com o derramamento do sangue e recebe o sacrifício? Esse conhecimento, essa maturidade, essa libertação feminina não é nada boa, concorda comigo?

          O Robert Eggers concorda, e todos os satanistas de plantão. Eles sabem que existe Deus e que existe o diabo, e fizeram sua escolha, assim como nós, através da graça de Cristo, também já fizemos a nossa.

          Abraços, amigo Robson, e permaneça fiel na fé. Que nosso Senhor Jesus Cristo continue cuidando amorosamente da sua vida. e de toda sua família. Fiquemos com Deus.

          .

        • Daniel Rand

          Olá, Robson Souza. Esta é a segunda vez que tento te respostar. Não sei o que aconteceu a primeira vez que escrevi, parece que o blog não salvou. Mas dessa vez vai dar certo, se Deus quiser.

          Obrigado pelas palavras gentis. Eu também sou cristão, e lamento profundamente que muitas pessoas que assistiram ao filme estejam perdidas no tocante a um suposto simbolismo na película que não a eterna disputa entre o bem e o mal. Você está correto em perceber que esse é um filme claramente satanista e que tenta ensinar ao homem que servir a Satã é experimentar a “plena liberdade”.

          Fique com Deus, Robson Souza. E espero que desta vez o irmão possa ler a minha resposta ao seu ótimo comentário.

          Abraços

  • guviana

    Muito bom o texto. Só não vejo Black Phillip como um libertador para Thomasin, ou melhor, Thoamsin o vê como um instrumento de sua libertação, mas Black Phillip obviamente tem segundas intenções ao “guiar” a escrita da garota e apresentar a ela as vantagens que há em segui-lo.

    • Emerson Teixeira Lima

      Concordo com você que havia interesses, no entanto ainda sustento a ideia de libertação provocada pelo Black Phillip. Esse filme segue preceitos do satanismo de Lavey, portanto, traz a mensagem de desprendimento que será alcançado somente com a perversão dos próprios ideais, algo que Phillip representa – mesmo que o seu impulso seja movido por uma série de interesses, afinal, existe mesmo liberdade?

      • guviana

        Pode crer. Vou pesquisar sobre o assunto. Valeu!

  • Rafael Silva

    Olha gosto é gosto, assisti um filme ruim varias vezes para saber bem oque estou falando, e fui atrás de varia analises como a sua. O filme tem intenções boas, mas não passa disso. O filme não é complexo, você não é leigo por não entender. Como muita obras de artes abstrata o autor viajo na obra dele, para ele a obra deve ser perfeita. A unica coisa que o filme retrata bem é sua época, onde a religião predominava, e todo mau que acontece é consequência do seu pecado, e tudo que acontece de ruim o ”diabo” esta envolvido ou é culpado. O filme também manda bem na fotografia e ambientação. Virou normal ”entender” o que não tem para entender. Tenta-se elabora uma interpretação elaborada sobre tal filme jogo livro etc, que não existe. O autor tenta mexer com alguns paradigmas, que muitos podem se ofender, esse é o verdadeiro conceito do filme. Opinião é que nem braço tem gente que não tem, brigadeiras à partes a unica coisa que me incomodo é ver gente falando que era o melhor terror psicológico que ja viram. Isso sim é exagero, pra quem gosta de jogos de terror que nem eu fica ofendido. Que terror psicológico de verdade tenta jogar silent hill .

    • Emerson Teixeira Lima

      Se eu conseguisse jogar, juro que o faria. Valeu pela recomendação! Abraço 😀

  • Daniel Rand

    Robert Eggers sabia exatamente o que estava fazendo, e não concordo com a simbologia imaginária que o amigo Emerson tenta atribuir à película. Foi o próprio Eggers quem lhe passou essas informações ou você “acha” que ele quis dizer tudo isso que você escreveu?

    De fato, existem dois tipos de satanistas, os que deliberadamente dizem não crer nem em Deus e nem no diabo, e os que, sim, sabem que ambos existem e já fizeram sua escolha. Mas mesmo quem opta em divulgar que é ateísta, entrega-se à cruzada de lutar contra os decretos de Cristo. Não sei como alguém se denomina humanista e milita contra um homem que pregou o amor ao próximo acima de qualquer coisa. Mas isso é assunto para mais tarde, vamos ao filme.

    Black Phillip na obra de Eggers é o diabo. A música que os gêmeos cantam enfatiza isso claramente.

    Black Phillip , Black Phillip
    Uma coroa cresce fora de sua cabeça,
    Black Phillip , Black Phillip
    Para rainha babá é casado.
    Ir para o poste ,
    Correndo na tenda .
    Black Phillip , Black Phillip
    Rei de todos.
    Black Phillip , Black Phillip
    Rei do céu e da terra ,
    Black Phillip , Black Phillip
    Rei de mar e areia .
    Somos servos ,
    Estamos ó homens

    Se o diabo representado na película é apenas uma sugestão para que nos libertemos da opressão do cristianismo, levando-nos à liberdade e ao gozo da vida, por que as crianças entronizam Black Phillip como o novo “Rei de Todos? Rei do céu e da terra, Rei de mar e areia. Somos servos?”

    Liberdade, como o amigo Emerson sugere, implica em independência, em livrar-se das amarras da fé cristã, e não na escolha de trocar de Reis, Jesus por Black Phillip. Isto fica mais do que claro nesta cena. Não sei qual o motivo de tanto floreio acerca disso.

    O livro em que Thomasin deve se inscrever, que é o mesmo que os meninos desaparecidos pedem para que a mãe leia para eles, e que logo em seguida é bicada no seio pelo corvo negro, é uma contraposição à Bíblia. Os servos de Deus estão escritos no livro da Vida, os servos de Satanás, escritos no livro de Satã. Thomasin, que durante todo o filme luta para se manter fiel à família e às suas crenças, acaba se entregando a Black Phillip. E mesmo tendo presenciado o bode assassinar o próprio pai, ela decide aliar-se a ele, pedindo para que ele a conduza na assinatura do próprio nome.

    É engraçado como algumas pessoas associam essa cena em especial, o fato de Black Phillip ter perguntando se Thomasin gostaria de provar o sabor da manteiga ao fato da pobre garota passar fome. Alguém faminto deseja comer em quantidade; porções de arroz, milho, e etc. Quando o bode sugere o sabor da manteira ele está se referindo ao prazer de comer, não à necessidade mantenedora do organismo.

    No final do filme, Thomasin se encontra com outras bruxas e se delicia em sua nova condição de serva. Notem que, quando as bruxas começam a flutuar, a figura de um Satã imenso aparece ao fundo, recebendo a adoração. Mais claro do que isso, só se Eggers desenhasse. Não, espere aí, ele desenhou mesmo.

    Como eu disse, pode ser que o amigo Emerson esteja em busca de explicações filosóficas que justifiquem o filme, mas tanto Eggers quanto os membros do Templo Satânico nos EUA sabem muito bem o que ele significa.

    • Emerson Teixeira Lima

      Obrigado por acrescentar a sua opinião sobre o filme. Honestamente, não preciso conversar com o diretor para escrever as minhas impressões sobre um filme, muito menos o significado da obra. A arte é exibida e sobrevive da subjetividade dos espectadores que, na maioria das vezes, se baseiam em suas próprias experiências. Achei insuficiente essa sua observação, pois você não me conhece e chegou a fazer uma referência sobre o “contraste entre alguém que se prega humanista mas que milita contra Jesus” – ironicamente você também expôs a sua observação, sem ao menos tentar compreender o outro lado, pois eu sou um adepto do respeito acima de todas as coisas e milito apenas à favor da diferença e liberdade de expressão.
      Tirando esse ponto, gostei da sua observação sobre a obra, mesmo discordando. Admiro buscar reinterpretar através de novos olhares e, novamente, agradeço à mensagem. Abraço!

      • Daniel Rand

        Abraço, Emerson. E obrigado pela abertura da discussão.

        O grande problema de estarmos divagando acerca de múltiplas interpretações a respeito de uma obra é o risco de enveredarmos por uma linha completamente diferente da verdade a que ela se propõe – isso se torna particularmente preocupante quando estamos diante de uma questão do ENEM ou de algum vestibular a que nos submetemos. Se você não focar no X da questão, já era.

        Talvez o texto ficasse mais claro se você acrescentasse o termo… “Sob minha interpretação pessoal”, pois, da forma como está, sugere uma elucidação integral do filme e, como diz um velho ditado: “Estaríamos procurando perna em barriga de cobra”.

        Gostaria de ouvir sua opinião a respeito da “liberdade sexual” proposta pelo bode sob a ótica da cantiga entoada pelas crianças. O bode deseja oferecer liberdade a Thomasin, ou ele a convida a ser uma discípula?

        Segue novamente trecho da canção:

        Black Phillip , Black Phillip
        Rei de todos.
        Black Phillip , Black Phillip
        Rei do céu e da terra ,
        Black Phillip , Black Phillip
        Rei de mar e areia .
        Somos servos ,
        Estamos ó homens

        Aguardo resposta.
        Boa noite.

        • Emerson Teixeira Lima

          Não existe uma verdade na arte e, se a encontramos, então o seu objetivo não foi completado. Sou professor e, mesmo exercendo minha profissão, fujo desesperadamente desse “X” nas supostas respostas certas; eu sou adepto da jornada até a escolha, a conclusão é só uma consequência do esforço e atenção.
          Você não colocou a frase “Sob minha interpretação pessoal” antes de escrever o comentário, mas eu suponho que seja a sua interpretação pessoal, caso contrário, porque usou o seu nome para expô-lo? seria então plágio?
          O Cronologia do Acaso é administrado por pessoas que amam e estudam a arte, nossa interpretação é em base ao conhecimento teórico e há cinco anos nunca se fez necessário afirmar algo inerente à profissão da escrita, não mudaremos agora.
          No fundo estamos todos preenchendo as lacunas da arte e isso é fantástico, novamente, obrigado pela colaboração. Se analisarmos friamente, não veremos grandes discrepâncias – inclusive você apresentou os argumentos de forma muito clara, certamente será relevante para outros que tiveram a mesma impressão.

          Quanto a minha opinião: Gostei da sua ideia e colocaria que, a priori, o bode ( satã/oposição/maldade/etc ) indica o caminho e rito para a liberdade. Contudo, como já é esperado, toda liberdade traz consigo uma série de consequências e, de fato, há diversas intenções nessa indicação. O fato é que sempre seremos escravos de nossas próprias escolhas, então certamente vejo muito acerto e erro na conclusão de Thomasin.

          • Daniel Rand

            Discordo que não devamos buscar as respostas certas, e isso se aplica a todas as decisões da nossa vida. Também sou professor, e, diferente do colega, incentivo meus alunos a esmiuçarem todas as evidências em busca da verdade. Acho que o colega também deve ter se valido deste esforço quando prestou o vestibular, ou não? Deve ter lido atenciosamente o enunciado, escrutinado o máximo que pôde até marcar o X na assertiva correta. Se não, gostaria que explicitasse aqui como conseguiu a labuta do ensino.

            Existe verdade na arte. Talvez não a conheçamos na sua plenitude. Porém, muitas vezes quando o artista encerra um trabalho, ele é capaz de identificar qual mensagem tentou transmitir. Apesar de isso não impedir um apreciador alheio ao processo da criação acabar adotando para si interpretações íntimas a respeito daquela obra. Nem sempre aceitáveis. Senão, vejamos:

            Certo fã de Zé Ramalho, músico brasileiro, abordou-o na rua e perguntou qual o significado de determinada música que o artista tinha composto. Zé falou que estava tão drogado no momento da criação que não escreveu nada com nada e que aquela pergunta ficaria sem resposta. Essa verdade não impediu o fã de continuar apreciando a música e buscar aplicabilidades sentimentais para os devaneios de seu compositor favorito.

            Mas, essa verdade é vislumbrada apenas por aquele fã. Ela é pessoal, e intransferível. Jamais ele poderá categorizar que Zé Ramalho tentou passar essa ou aquela mensagem, pois o próprio compositor o disse. “Nem sei como cheguei a isso aí”. Neste caso, a obra nasceu de um devaneio, e cada alma se vê no direito de interpretá-la como quer.

            Em A Bruxa, os objetivos são claros e cristalinos. A película ataca o puritanismo, incentiva ao exacerbamento dos desejos sexuais (e aqui sim, eu concordo com o amigo no tocante à liberdade sexual ser fortemente massificada no filme), e apresenta críticas ao cristianismo. Apresentando um Deus fraco e indiferente ao seu povo. E apresenta a figura do bode (o mal, satã/oposição/maldade/etc), como o próprio colega frisou, como sendo o caminho para a “liberdade”.

            De fato, não existe liberdade. O ser humano apenas deixa de ser escravo de um para se tornar escravo do outro. Mesmo os que se consideram livres completamente para viverem a vida o mais intensamente possível, respondendo apenas aos anseios do seu “coração”, continua tão escravo dos próprios hormônios, ou dos desejos, se preferir, quanto qualquer outro que decide ser escravo de sua consciência ou preceitos que considera morais.

            Thomasin opta por um caminho.
            Ela escolhe matar a mãe (que também já havia feito a escolha dela) e se alia ao ser que assassinou seu pai. O mesmo que conversava em cochichos com seus dois irmãos e, nota-se, o principal responsável pela desestruturação de sua família. Thomasin aceita as diretrizes desse novo senhor, e se torna sua lacaia.

            Não entendo como um final que propõe algo dessa natureza possa agregar adeptos. É preocupante, mas previsível, o caminho a que se destina alguns exemplares da nossa espécie.

            Outra pergunta, professor, essa por curiosidade minha, o colega responde apenas se desejar.

            Você também teria assinado o livro do bode?

            • Lukz

              Prazado Daniel, saudações! Admiro seu ponto de vista. Você teve uma percepção interessante do filme, embora dissonante da minha. Gostaria de fazer uma ressalva especialmente sobre sua ideia a respeito da desestruturação da família de Thomasin. A meu ver, o principal responsável por essa desestruturação é o próprio patriarca, o William, através de seu orgulho apresentado desde os primeiros minutos do filme (sim, já no julgamento) até o momento de sua morte. Em algumas cenas, inclusive, William admite ter falhado e pede perdão, mas quando já era tarde para voltar atrás. Sendo assim, não querendo ser advogado de defesa do Black Phillip, mas devo dizer que não acredito ter sido ele o responsável pela desestruturação familiar, mesmo o bode tendo feito parte do processo. O bode pode ter sido um sintoma, mas não a causa. Abraço.

              • Daniel Rand

                Olá, Lukz. Que bom falar com você. Li também o seu outro comentário acima, antes de começar a te escrever. Achei bem interessante sua análise simbólica de vários aspectos do filme, norte este que o Emerson, responsável por este post, também prefere se guiar. Mas, semelhantemente a muitos dos participantes aqui, não creio que o Eggers tenha tentado se basear.

                A seita Templo Satânico, nos EUA (para quem o filme foi “uma experiência satânica transformada”) concorda comigo. Inclusive acho que já escrevi aqui que eles distribuíram ingressos grátis para que várias pessoas não pudessem deixar de assistir. Eles se dizem ateístas e, para registro, existem dois tipos de ateístas:

                1 – Os que não creem em Cristo e nem no Papai Noel. Para esse grupo, Jesus é tão real quanto o Superman.

                2 – Os anticristãos. Para esse grupo, Cristo e o Diabo existem, e eles já fizeram sua escolha.

                Por mais que a seita Templo Satânico confesse pertencer ao primeiro grupo, fica difícil acreditar. Pois o ateísta cético não vai ficar perdendo tempo difamando o cristianismo e valorizando o satanismo. Para esses, nenhum nem outro tem qualquer cheiro, enquanto que o filme de Robert Eggers parece ter sido feito como um prato cheio para os anticristãos de plantão.

                Caro Lukz, achei muito engraçada sua teoria de que o William, pai da Thomasin, foi quem pode ter sequestrado o próprio filho. Sério. Ri bastante. De fato não existem limitações para o imaginário humano. Não existe nenhuma fundamentação nesta argumentação. Aconselho a ver pelo menos esta cena novamente. Thomasin está sozinha, com o pequeno Sam, numa área amplamente descampada. Ela brinca com o bebê, tapando os olhos e os abrindo em questão de segundos. O pai dela teria que ter a velocidade do Flash para pegar o bebê e sumir sem deixar rastros.

                Menos estranho seria dizer que o Di Caprio colocou o iceberg no meio do oceano para o Titanic afundar e ele poder fugir do barco com a Rose.

                Mas, voltando ao mundo real…

                Quando classificamos um filme como terror psicológico, não significa dizer necessariamente que essa película não irá recorrer a subsídios sobrenaturais para causar medo. A tensão enfrentada pela personagem ou personagens, a angústia, a inquietação, o pavor que chega muitas vezes a ser claustrofóbico, é que fornece o terror psicológico. Na verdade, o tema terror vem há tempos sendo dividido em vários subgêneros: Gore, Scare, Slasher, Psicológico e etc. A maestria do diretor em externar o pavor sofrido pelo personagem é que torna o terror psicológico, é a capacidade de colocar nossos olhos por trás dos olhos do personagem.

                Mas o iluminado, por exemplo, filme de Kubrick baseado na obra de King, é um terror psicológico com elementos sobrenaturais.

                E A bruxa também.

                Portanto, sugiro que não perca noites de sono buscando explicações para o que é latente, semelhante ao marido que flagra a esposa na cama com o vizinho e ele diz que estava fazendo respiração boca a boca porque ela estava em parada cardíaca.

                a. Uma família puritana é excluída da sociedade e resolve viver na floresta.

                b. O bebê some, e depois temos a certeza de que ele foi sequestrado, e que seu sangue foi utilizado como unguento (substância normalmente feita à base de ervas para perfumar ou purificar o corpo, principalmente na visão religiosa).

                c. Caleb sente desejos sexuais pela irmã. Ela percebe, mas tenta superar isso nele através do amor fraternal, estratégia regularmente utilizada pelas primas mais velhas quando percebem os priminhos curiosos com suas formas.

                d. Caleb se perde na floresta. Encontra uma das bruxas e retorna paranoico para casa.

                e. Nesse ínterim, temos os gêmeos cantando e dando glórias ao Black Phillip. Eles dizem escutar conselhos do bode, e, no final, concluímos que tinham razão. Afinal, todos ouvimos o bode falar, ou não ouvimos? Aquilo também foi imaginação da Thomasin? Assim como a morte do pai dela? E a levitação? Então o filme inteiro é um grande sonho. Nada do que foi mostrado é real. A família inteira continua viva, sentada à mesa com xícaras de chá enquanto Thomasin vagueia em pensamentos de liberdade. Talvez ela tenha encontrado ervas alucinógenas na floresta e tenha feito um cigarro. Só que não.

                f. Caleb apresenta sinais claros de possessão. Os gêmeos admitem ter esquecido a oração do Pai Nosso; a mãe também declara ter perdido a fé, desconfia da filha e pede ao marido que se desfaça dela.

                g. Caleb morre.

                h. Caleb retorna com o bebê. Ele também traz um livro (o mesmo livro que o bode apresenta para Thomasin no final do filme) e pede para a mãe ler o livro para eles. Ela coloca o filho no peito e depois somos bombardeados com a visão de um corvo negro bicando o seio dela e arrancando sangue. Ali é consumada a negação dela ao Cristianismo, ou, na visão dos mais céticos, o começo de uma vida “liberta das amarras religiosas’. O curioso é que essa nova caminhada a leva à loucura, e ela tenta assassinar a filha.

                i. William assiste à luta entre a filha e a esposa. Thomasin, em defesa da própria vida, mata a mãe.

                j. Black Phillip mata William, o único membro da família que não perdeu a fé, e, portanto, mostrou-se incorruptível. “Não me renderei a você, danação” – acho que é mais ou menos isso que ele fala, né não?

                l. Após concluída a vitória, Black Phillip entra imperioso dentro da casa da família. Ele agora é o senhor absoluto daquele lugar.

                m. Thomasin, que até então havia se mantido fiel a seus preceitos e crenças, sofrido humildemente diante da ignorância da família e principalmente das acusações falsas da mãe. Ela que foi tão amorosa quando da descoberta dos pensamentos incestuosos do irmão e resolveu ajudá-lo, sabendo que aquilo era uma fase na vida dele e que esperava que normalmente um dia passasse. Thomasin, uma das primeiras a perceber que o lugar onde eles viviam parecia tomado pela essência do mal, diante de todos aqueles macabros eventos, resolve pegar o caminho aparentemente mais fácil. Ela vai até o bode, e timidamente, pois não tem certeza de que os gêmeos falavam mesmo a verdade acerca da capacidade comunicativa do ruminante, pergunta a ele se pode ajudá-la. Aqui, notamos novamente a maestria do diretor. Já pensou se ele filma o bode abrindo a boca e falando com ela? Seríamos violentamente arrebatados de um dos filmes mais perturbadores de todos os tempos para uma tranquila Sessão da Tarde onde a menininha de fita no cabelo falava com Baby, o porquinho. Não, e o resultado foi revelador.

                n. Black Phillip pergunta se Thomasin gostaria de experimentar o sabor da manteiga; se gostaria de usar vestidos bonitos e viver uma vida de forma deliciosa. Ela, assim como a mãe e os gêmeos, entrega-se ao bode.

                o. No finalzinho, ela flutua, juntamente com outras adeptas, num ritual satânico. Satã aparece sentado, deleitando-se com o culto.

                Pode ser que você, Lukz, assim como o Emerson, e outras pessoas que passaram por aqui, passem noites em claro à busca de uma explicação simbólica para este filme, forçando o intelecto a trabalhar sob a premissa de que Deus e o Diabo não existem, e de que toda história foi criada apenas para enaltecer a glória de se libertar das amarras primitivas das crenças religiosas.

                Eu sinto muito.

                O diretor não pensa assim, nem os membros do Templo Satânico dos EUA ou de qualquer parte do mundo (“uma gloriosa experiência satânica” – foi como definiram.)

                Mais claro que isso, só se Robert Eggers desenhasse.

                • Filipe

                  Cara, parabéns. Vc realmente assistiu e entendeu o filme.
                  Concordo contigo em gênero e grau.

                  • Daniel Rand

                    Valeu mesmo, Filipe.

                    • Walisson Rodrigues de Oliveira

                      Caro Daniel, obrigado pela sua tentativa de contribuição, mas fico com o autor do Blog. Se você pegar o que ele nos passa e assistir o filme depois de ler, tudo se encaixa. Sua religiosidade acaba te afetando e você acaba não aceitando a realidade dos fatos.

                    • Daniel Rand

                      Ola, Walisson Rodrigues de Oliveira, tudo bem?

                      Não costumo misturar religiosidade com fatos. Minha fé em Cristo é pessoal e intransferível, não tenho a pretensão e nem a capacidade de incuti-la na cabeça de ninguém. Dito isso, gostaria de pedir ao amigo que me dissesse explicitamente qual mensagem do texto que escrevi acerca do filme foi afetada pela minha fé.

                      A película não precisa de explicações rebuscadas porque ela se destina a mostrar o que de fato é: uma família puritana atacada por uma força maligna que se manifesta através de um bode chamado Black Phillip, que no filme é o diabo. Este é fato principal do filme.

                      Entretanto, creio que o amigo por ser jovem, ou pelo menos é isso que sua maneira pueril de escrever reflete, parece necessitar de outra pessoa (neste caso, o autor do blog) para entender o se passa. Conheço várias pessoas assim, necessitam de outros colocando sempre algo em suas bocas para que possam engolir sem precisar mastigar.

                      “Se você pegar o que ele nos passa e assistir o filme depois de ler, tudo se encaixa.” – Você disse.

                      Eu espero que um dia, num futuro não muito distante, o amigo cresça e acabe adquirindo maturidade suficiente para tomar suas próprias decisões sem precisar se guiar pela cabeça dos outros.

                      Abração.

                • Giovanna Freitas Perigo

                  Daniel, concordo totalmente com você!

                  • Daniel Rand

                    Obrigado, Giovanna Freitas. O filme é muito claro mesmo. Você está correta na sua visão. Abraços.

            • Emerson Teixeira Lima

              Li com atenção a sua opinião e fico feliz por essas interpretações distintas e que se complementam. Eu parto da possibilidade real de que a arte deve ser filtrada pelo olhar daquele que assiste, com todas suas experiências, emoções, razão e estudo. Você não conhece o Cronologia, mas já escrevi sobre muitos filmes com essa mesma ambição – todos, na verdade. Escrever é isso.
              Mas eu ainda gostaria de saber como a sua percepção invalida a minha. O seu primeiro comentário foi arrogante ao ponto de, indiretamente, apontar que a minha interpretação está errada – isso eu ignoro absurdamente, pois do mesmo modo que posso escrever minha opinião, li a sua com atenção.
              A minha opinião está no artigo. Desestruturação é a limitação que a família impõe na vida da heroína. No mais, novamente, a sua opinião é outra, parabéns.
              Quanto a verdade da obra: Eu escrevi em base a minha opinião. Você, por outro lado, invalida a minha para colocar a sua e deixa claro que é a ideia do diretor. Então, fácil, apresente as fontes. Duvido que o diretor tenha explicado o filme pois nenhum artista têm essa pretensão ridícula de impor uma verdade. Kubrick nunca explicou o seu maravilhoso 2001; Arrabal nunca explicou o seu “Cavalo Louco…”; Buñuel nunca explicou o seu “Anjo Exterminador” etc.

              Quanto a pergunta: Já assinei faz tempo.

              • Daniel Rand

                Prezado Emerson.

                Sinto muito se o ofendi em relação aos conceitos que você discorreu a respeito do filme, mas, como professor que somos, e sabedores do quanto devemos nos dedicar à busca pela verdade, não pude e não posso me omitir diante de circunstâncias tão claras.

                Espero que entenda a minha posição semelhante a dois colegas professores de matemática empenhados na resolução de um problema. Se o cálculo está errado, cabe ao outro professor apagar o resultado e mostrar o verdadeiro.

                2001 é um filme complexo, não linear. Kubrick de não se preocupou em criar algo fácil de ser assimilado. É um filme incrível, um dos meus preferidos. Eggers não teve a mesma pretensão. A bruxa é um filme claro e cristalino, perturbador, e sombrio. Você, assim como qualquer espectador, tem o direito de adotar a interpretação que achar conveniente, mesmo destoando complemente da história retratada.

                Abaixo, segue uma lista de eventos culminantes no filme que eu a escrevi em resposta ao Lukz, aqui mesmo no Cronologia do Acaso, espero que não se importe por tê-la reprisado aqui.

                Vamos lá:

                a. Uma família puritana é excluída da sociedade e resolve viver na floresta.

                b. O bebê some, e depois temos a certeza de que ele foi sequestrado, e que seu sangue foi utilizado como unguento (substância normalmente feita à base de ervas para perfumar ou purificar o corpo, principalmente na visão religiosa).

                c. Caleb sente desejos sexuais pela irmã. Ela percebe, mas tenta superar isso nele através do amor fraternal, estratégia regularmente utilizada pelas primas mais velhas quando percebem os priminhos curiosos com suas formas.

                d. Caleb se perde na floresta. Encontra uma das bruxas e retorna paranoico para casa.

                e. Nesse ínterim, temos os gêmeos cantando e dando glórias ao Black Phillip. Eles dizem escutar conselhos do bode, e, no final, concluímos que tinham razão. Afinal, todos ouvimos o bode falar, ou não ouvimos? Aquilo também foi imaginação da Thomasin? Assim como a morte do pai dela? E a levitação? Então o filme inteiro é um grande sonho. Nada do que foi mostrado é real. A família inteira continua viva, sentada à mesa com xícaras de chá enquanto Thomasin vagueia em pensamentos de liberdade. Talvez ela tenha encontrado ervas alucinógenas na floresta e tenha feito um cigarro. Só que não.

                f. Caleb apresenta sinais claros de possessão. Os gêmeos admitem ter esquecido a oração do Pai Nosso; a mãe também declara ter perdido a fé, desconfia da filha e pede ao marido que se desfaça dela.

                g. Caleb morre.

                h. Caleb retorna com o bebê. Ele também traz um livro (o mesmo que o bode apresenta para Thomasin no final do filme) e pede para a mãe ler o livro para eles. Ela coloca o filho no peito e depois somos bombardeados com a visão de um corvo negro bicando o seio dela e arrancando sangue. Ali é consumada a negação da mãe ao Cristianismo, ou, na visão dos mais céticos, o começo de uma vida “liberta das amarras religiosas’. O curioso é que essa nova caminhada a leva à loucura, e ela tenta assassinar a filha.

                i. William assiste à luta entre a filha e a esposa. Thomasin, em defesa da própria vida, mata a mãe.

                j. Black Phillip mata William, o único membro da família que não perdeu a fé, e, portanto, mostrou-se incorruptível. “Não me renderei a você, danação” – acho que é mais ou menos isso que ele fala, né não?

                l. Após concluída a vitória, Black Phillip entra imperioso dentro da casa da família. Ele agora é o senhor absoluto daquele lugar.

                m. Thomasin, que até então havia se mantido fiel a seus preceitos e crenças, sofrido humildemente diante da ignorância da família e principalmente das acusações falsas da mãe; ela, que foi tão amorosa quando da descoberta dos pensamentos incestuosos do
                irmão e que resolveu ajudá-lo, sabendo que aquilo era uma fase e que um dia normalmente seria superado (afinal, quem nunca sentiu desejos similares pelas primas, pelo menos);
                Thomasin, a jovem que foi uma das primeiras a perceber que o lugar onde viviam parecia tomado pela essência do mal, resolve pegar o caminho aparentemente mais fácil. O que ela faz? Vai até o bode, e timidamente, pois não tem certeza de que os gêmeos falavam mesmo a verdade acerca da capacidade comunicativa do ruminante, pergunta a ele se pode ajudá-la. Aqui, notamos novamente a maestria do diretor. Já pensou se a cena mostra o bode abrindo a boca e falando com ela? Seríamos violentamente arrebatados de um dos filmes mais perturbadores de todos os tempos para uma tranquila Sessão da Tarde onde a menininha de fita no cabelo falava com Baby, o porquinho. Não, Eggers não fez isso, e o resultado foi revelador.

                n. Black Phillip pergunta se Thomasin gostaria de experimentar o sabor da manteiga; se gostaria de usar vestidos bonitos e viver uma vida de forma deliciosa. Ela, assim como a mãe e os gêmeos, entrega-se ao bode.

                o. No finalzinho, ela flutua, juntamente com outras adeptas, num ritual satânico. Satã aparece sentado, deleitando-se com o culto.

                O colega pede que eu apresente as fontes, mas eu acho que você as têm – o próprio filme.

                Sugiro que o assista novamente. Uma, duas, dez vezes se for preciso. E não se sinta desprestigiado por causa disso, para algumas pessoas, o entendimento costuma vir atrelado a excruciantes horas de assimilação.

                Você assinou o livro faz tempo, mas, o entendimento que esperava, parece fugir de você

                Assim como o diabo foge da cruz,

                ou como o bode foge da água.

                Ei, e não é que essa observação final coube direitinho no contexto da discussão?

                • tainara tai

                  Todas as verdades são meias verdades, logo, a busca pela verdade é pessoal, cada um encontrará a sua. Mas ficar martelando sobre o que considera ”a verdade”, é a mesma coisa que personificar O Louco, o arcano que vaga sem rumo e direção.O filme proporcionou uma gama de interpretações, é dessa maneira que a arte é feita, ela não se autodeclara, apenas apresenta-se e deixa ser interpretada pelo olhar do telespectador. Mesmo que Eggers tenha tido a pretensão de passar uma mensagem satanista, o que não há problema algum, visto que vivemos a plena liberdade religiosa, não deve ser deixado de lado a visão do telespectador. Embora o inconsciente humano tenha uma habilidade incrível de captar mensagens que para o consciente pode não apresentar-se da mesma forma, muito depende do individuo de forma individual captar e ativá-las, isso também baseasse de forma direta ao treinamento mental, assunto já debatido nos livros de psicologia oculta escritos por Dion Fortune.

                  • Daniel Rand

                    Olá, Tainara.

                    “Todas as verdades são meias verdades, logo, a busca pela verdade é pessoal, cada um encontrará a sua.”

                    O que não significa dizer que encontraremos a verdade certa, correto? Você já prestou algum concurso onde precisou fazer interpretação de texto? Como se saiu? Será que se tivesse colocado a SUA verdade como resposta final teria acertado a questão? E, por favor, não diga que o texto que você interpretou não era arte, pois era arte sim, literatura.

                    Alguns psicopatas revelam encontrar a verdade assassinando pessoas, sodomizando crianças e torturando animais. Devemos considerar essa verdade e aceitarmos tais declarações ou partirmos para um debate claro acerca do pensamento confuso e sociopata de determinada pessoa?

                    A visão do espectador é algo interessante sim, e deve ser levada em consideração, e até bastante engraçada quando destoa exorbitantemente do real mostrado na tela. Outro dia, eu e meu filho de oito anos estávamos tomando café e assistindo a um programa onde se ensinava como ordenhar vacas. “Eca” – disse ele – “Leite é xixi de vaca!!!”. Era a interpretação dele, uma vez que viu o homem extrair o leite de algum lugar ali debaixo da vaca. E não quis mais tomar o resto do leite que estava na xícara.

                    E aí? Como você aceitaria uma interpretação dessas?

                    Outro colega aqui do Blog disse que quem sequestrou o bebê na verdade não foi nenhuma bruxa, mas o próprio William, o pai da criança. Eu precisei pedir a ele que voltasse à cena do filme e revisse esse momento pelo menos outra vez, pois se William conseguiu aproximar-se de Thomasin e sumir com a criança sem deixar nenhum rastro durante os poucos segundos em que ela ficou com as mãos sobre os olhos, naquela planície descampada, o cara no mínimo era o Barry Allen disfarçado.

                    Nós precisamos ser sinceros no que tange a algumas interpretações, Tainara. Elas precisam ser questionadas com imparcialidade, refletidas e analisadas sob a ótica da verdade, e quando ouvirmos alguém falar que leite é xixi de vaca, não podemos nos eximir de fazer a devida correção.

                    Gosto demais de conversar com você.

                    Venha para o lado branco da força.

                    • Fique à vontade ai no seu lado “branco da força” e ficamos aqui no lado colorido da força. E pare de tentar impor a sua suposta verdade, eu não fiz isso no artigo, não fiz em nenhum comentário e você não vai continuar fazendo.

        • tainara tai

          Daniel, até concordo com algumas das suas observações acerca dos eventos ocorridos no filme. Mas eu sinto que nos seus comentários tem um certo desconforto com o satanismo. O cristianismo jamais vai ser uma verdade absoluta, todas as crenças são iguais, afinal, depende unicamente do olhar de quem o segue. Da mesma forma que existe filme cristão, também existem filmes com mensagens satânicas, qual o problema? Se Egguers tinha esse objetivo, isso não desclassifica a grandiosidade da sua obra, como também não desclassificaria a grandiosidade da Paixão de Cristo. Você citou o Templo Satânico em um dos seus comentários, esse templo possui ideias totalmente equivocadas, tanto que construíram uma estátua de Baphomet, uma figura que nada assemelhasse a Satã, na verdade, Baphomet é só um símbolo, não é um ser, não se deve basear nesse templo para falar de satanismo. Como o Emerson falou, não existe uma verdade na arte. Deveríamos nos fixar no filme, não levar essa discussão para o campo das crenças e inclinações, afinal, não classificaria ”a verdade”, mas sim, a sua verdade..

          • Daniel Rand

            Olá, Tainara Tai, tudo bem?

            Obrigado por ter colocado seu ponto de vista de forma tão clara. Esse filme realmente tem dado muito o que falar, não é? Mas eu sempre soube que seria assim, e acho muito válido o debate principalmente para quem assistiu ao filme e veio aqui tirar algumas dúvidas.

            Concordo com você, A Bruxa é um filme satânico, e você também não tem dúvida disso. O problema é que algumas pessoas que viram o filme ficaram procurando explicações para interpretar o filme, e você foi enfática no que disse: “Assim como existem filmes cristãos, também existem filmes satânicos, e qual o problema?” O problema é não tratar isso de forma clara e direta como você expôs em seu comentário.

            Você diz que o Templo Satânico possui ideias equivocadas, e que Baphomet não é uma figura que se assemelha a Satã. Estranho essa afirmativa, pois o próprio Eggers acaba recorrendo à imagem de Baphomet no final do seu filme, demonstrando que, pelo menos na concepção dele, aquela representação personifica Satã, sim Logo, o diretor concorda com os adeptos do Templo Satânico, e se você discorda, deveria se questionar quem realmente está equivocado, você ou eles.

            Existe uma verdade na arte sim, e essa verdade é exatamente aquela empregada pelo autor. E só ele pode decifrá-la completamente.

            Por exemplo, se eu escrevo uma canção para um amigo ou minha amada, nada impede que você ou outra pessoa adote a minha canção para momentos particulares da sua vida. Mas a forma como você, ou outra pessoa interpreta a minha canção, pode se distanciar completamente da verdade que me levou a compor a canção.

            Na música Daniel na Cova dos Leões, ouvimos: “Aquele gosto amargo do teu corpo ficou na minha boca por mais tempo. De amargo então, salgado ficou doce” fala claramente de uma relação homossexual entre dois homens. Você e eu até podemos interpretar essa canção da maneira que acharmos mais conveniente levando-se em conta nossas particularidades, e eu faço muito isso, mas, apesar do que Oscar Wilde disse a respeito da arte refletir o telespectador, não podemos negligenciar absolutamente o pensamento do artista quando escreveu a letra, pois, se a sua interpretação e a minha são válidas para elucidar determinada estrofe, o que não dizer da opinião direta daquele que a escreveu.

            Você tem a sua verdade.
            Eu tenho a minha verdade.
            Mas a verdade absoluta é a do artista.

            Se a solução para elucidar um assassinato estivesse implícita na letra de uma canção ou na cena de abertura de um filme ou na sutileza de uma rosa pintada num quadro, a minha opinião e a sua seriam meras sombras se comparadas com a declaração explícita do autor da canção, ou do diretor do filme, ou do pintor do quadro.

            A verdade absoluta é a do artista, eu e você apenas emprestamos nossos pontos de vista. E a verdade nessa questão é que Robert Eggers fez um filme satânico, e até você concorda com isso, assim como A Paixão de Cristo é um filme cristão.

            O problema é não falar sobre isso abertamente.

            Escreva mais, fico no aguardo.

            .

      • gviecelli

        subjetividade é uma coisa. O filme deixa elementos abertos e outros fechados. O problema é que vc não entendeu algumas partes que foram o cerne básico ao achar que ela só se ele vou e se libertou…

    • Filipe

      Daniel, concordo plenamente com vc.

      • Daniel Rand

        Obrigado, Filipe. O filme está muito claro, não é? Abraços, amigo.

    • gviecelli

      o black phillip representava sim um mal real. Talvez divino ou mundano, aquele que escolhemos alimentar e no qual por egoismo quebramos todas as regras até as que não devem ser cruzadas, como no caso dela, dar até pro irmão!! mas era sim o mal e a representação dele. Nunca foi um mero guia neutro até pq PEDIU COISAS EM TROCA para guiar! Não era neutro e a menina nunca iria trilhar deste modo um mero caminho da libertação e do conhecimento. Até pq se é guiada pelo mal que ela alimentou ou o mal divino, se ela se corrompeu em ética divina ou humana e se ela tem um mestre ( interno ou externo) que ela precisa dar coisas em troca, na verdade ela não está sendo guiada e sim DOUTRINADA o que é uma enorme diferença…

      • Daniel Rand

        Bom dia, Gviecelli.

        No dicionário;

        Guiar: Orientar, aconselhar, ensinar: guiar uma criança.

        Doutrinar: Ensinar, pregar, instruir em uma doutrina.

        O bode estava disposto a pregar uma nova doutrina a Thomasin, ele estava disposto a orientá-la, ensiná-la novas práticas, segurar a mão dela e guiá-la por esse novo caminho. Logo, guiar e doutrinar acabam tendo o mesmo significado neste contexto.

  • Marcus Loreto

    Achei ótima a sua análise da simbologia presente filme, porém na minha visão cética a história não passa de uma reconstituição de um relato de bruxaria na idade média. Assim como um filme de exorcismo relata algum suposto caso sobrenatural.
    Qualquer coisa poderia ter acontecido, como por exemplo um membro da familia ter um tipo de surto e assassinar seu parentes , e o que sobrou de tudo isso foi uma historia de bruxa.
    Não estou analisando o filme em si, e sim o acontecimento que gerou esta história, lembrando ao fim do filme é dito que o diretor inspirou-se em relatos da idade média

    • Emerson Teixeira Lima

      Muito válido, obrigado pelo comentário 😀

  • Marlon Ralph

    Desculpa, mas sua análise histórica está cheia de conceitos a muito superados pelos historiadores. Satã nunca foi um simbolo do Renascimento, na verdade o Renascimento foi uma alternativa de uma arte (a principio e posteriormente filosófico), cujo objeto é a maior de todas as criações de Deus, ou seja, o Homem. E que através do Antropocentrismo haveria uma (e não a), alternativa ao culto que não somente pela fé (que era domínio da igreja), mas TAMBÉM, pela razão. Recomendo a leitura do Martelo das Feiticeiras especialmente a terceira parte que fala do processo das bruxas donde perceberá que o processo é longo e raramente acaba na fogueira. Em relação ao filme acredito que você o supervalorizou, acredito que a intenção do diretor era tão somente o de explorar o gênero do terror por outro viés, colocando num contexto típico dos terrores da época, mas transformando o mito no palpável.

    • Emerson Teixeira Lima

      Obrigado Marlon. Segui mais na linha da filosofia, tanto que li Martelo das Feiticeiras, mas, principalmente, “A Bíblia Satânica” para ajustar alguns pensamentos sobre a obra. Obrigado pelas considerações. Abraço.

  • Lukz

    Caro Emerson, que prazer encontrar suas palavras neste post! Sua percepção sobre o filme “A Bruxa” parece ter acalmado um pouco a inquietação que me acometeu após ter assistido ao filme. Logo após a cena final do longa, peguei-me envolto por interrogações e, ansioso pelas respostas, sem demora joguei-me a garimpar a internet em busca de algo que satisfizesse a minha sede. Não foi fácil achar o escasso trigo em meio ao mar de joio.

    Conforme você mesmo pontuou na introdução do artigo, é espantosa a quantidade de pessoas que detestaram o filme, algumas chegando ao extremo de declarar ter sido o pior já assistido em suas vidas ou a externalizar suas insatisfações em local inapropriado e de forma indevida, prejudicando a experiência de outros à sua volta (refiro-me à falta de respeito nas sessões cinematográficas). Para muitas pessoas, infelizmente, não entender ou simplesmente ver um roteiro diferente daquele arquitetado em suas próprias imaginações são motivos suficientes para a demonização de um filme (ou de outro objeto – livro, música, ou pessoa…). “A expectativa é a maior vilã da experiência cinematográfica” – muito bem colocado, mas, vale acrescentar, não apenas dela.

    Gostaria de abrir uns parênteses antes de falar propriamente sobre o filme e pontuar a sua interessante sugestão, quando indica a todos parar de ver trailer, ler sinopse, enfim, qualquer coisa que faça nascer expectativa sobre determinada obra. O desenvolvimento que se segue a esta ideia nuclear você traça com bastante propriedade e pertinência, embora a sugestão de fato não se aplique a todos.

    Eu, por exemplo, costumo assistir aos trailers, ler diversas sinopses e algumas críticas antes de assistir aos filmes. E com a Bruxa de Robert Eggers não foi diferente. O “x” da questão está entre aceitar piamente a ideia dos outros, alienando-se de sua própria ideia, ou reformular a sua ideia inicial a partir das novas informações apreendidas e devidamente ANALISADAS.

    Ressalte-se a palavra em DESTAQUE pelo fato de que analisar as novas informações significa processar as ideias de terceiros. Esse processamento, não vejo outra forma de explicar senão recorrendo ao pensamento dialético, seria percorrer os três estágios da dialética: tese, antítese e síntese. Alcançar a síntese só é possível através da relação que existe entre a tese e a antítese, relação esta bastante inconveniente para a maioria das pessoas, pois requer um pensamento fora da caixa. É conveniente polarizar o mundo, as ideias, as pessoas. É fácil enxergar apenas duas opções, quando, no fundo, existe uma infinidade delas. As pessoas, por exemplo, ao assistirem a algo que não esperavam ou que não conseguiram entender, em geral se veem diante de uma polaridade: ou o filme foi muito ruim – a ponto de não ter sentido algum – ou sua inteligência não foi suficiente para decifrar algo inesperado naquele momento. Não precisa ser psicólogo para saber qual das duas opções os mecanismos de defesa de nossa psique escolherá. Daí a vasta quantidade de desrespeito com o longa por não-entendedores ou decepcionados.

    É nesse sentido que, acredito, muitos foram pegos desprevenidos. Aceitaram, sem questionar, uma determinada ideia acerca do filme – a tese. Muitos foram aos cinemas apenas para constatar que estavam certos: para assistir àquilo que já sabiam que iriam ver. E quebraram a cara. O ego que foram alimentar saiu machucado. Não foram capazes de enxergar além de uma produção de marketing, de um ou dois trailers, da crítica dali ou d’acolá. Entretanto, quem, como eu, você e – graças! – diversos outros leitores de seu blog como pude observar nos comentários, municiou-se de várias ideias, inclusive as opostas – antíteses -, pôde chegar à síntese: sua própria ideia muito além da superficialidade das ideias inicialmente concebidas. E a síntese, dado o movimento dialético, torna-se uma nova tese, ensejando a repetição incansável de todo o processo. Quem pensa dessa forma inevitavelmente passa a enxergar as coisas mais abertamente – desprendidamente.

    Portanto, embora bastante pertinente e eficaz para – acredito – a maioria dos casos, sendo interessante para quem consegue ver apenas um lado da moeda, ou seja, a abraçar uma tese e ser incapaz de afrontá-la com uma antítese – o outro lado da moeda -, consequentemente sendo incapaz de formular uma síntese e perceber, no final, que tanto “cara” quanto “coroa” são faces de uma mesma moeda (o que eu chamaria de pensar fora da caixa), para os que não se acomodam com algumas poucas ideias e sabem que o filme começa antes do acender das luzes no cinema e acaba não ao apagar delas, aquela sua sugestão, porém, não teria a eficácia a que se propõe.

    Bom… como eu disse inicialmente, Emerson, sua percepção acalmou um pouco minha inquietação. Não a tirou por completo, devo dizer. Essa pretensão, no entanto, deixei de lado. Até porque quando consigo tirar uma, geralmente aparece outra. Irei tentar falar um pouco sobre alguns fatores (ou problemas) de minha inquietude.

    O primeiro fator seria o sumiço do bebê. Fui pego de surpresa naquele momento. Não esperava algo tão explícito e surreal em um momento em que eu ainda não me via “aquecido”. Fui pego desarmado… e para esse problema até agora não encontrei uma resposta satisfatória. Muitos se contentam com a explicação de que o “diabo” sumiu com o bebê, ou, melhor, a bruxa. Mas, se essa for uma explicação verdadeira, então o filme deixaria de ser um terror psicológico original para se vestir de um chavão próprio do gênero do terror abordado – a sobrenaturalidade. Neste caso, o que eu poderia imaginar para manter o foco no terror psicológico seria que o pai foi o responsável pelo sumiço da criança (coisa que só agora com “sangue frio” eu poderia pensar, talvez sendo impossível no momento crítico e com aquela fotografia da bruxa correndo por entre as árvores da floresta – realidade ou devaneio de um ou mais membros da família?… naquele momento não dispunha de tempo para raciocinar sobre isso, não da forma intensa como se podia ver na tela). Além disso, naquele momento não havia a informação de que o pai chegou a cogitar vender a própria filha para que pudesse manter o sustento da família, nem que foi também ele o responsável por vender um item de valor emocional de sua esposa, quase deixando a culpa recair sobre a filha posteriormente. Com esse “currículo”, consigo, agora, pensar o pai como sendo a “bruxa” que se banhou com as entranhas do bebê naquela cena horrorosa (em sentido positivo, claro, já que falamos de filme de horror…). O pai teria “matado” o próprio filho para garantir sua sobrevivência (se desfeito dele como uma moeda de troca)? Não sei…

    O segundo fator seria a morte do cachorro da família. Não encontrei ninguém falando do pobre cachorrinho, mas ele me chamou a atenção. E, por acaso (ou não), foi após o trágico acontecimento com o canino que houve um “encontro” lascivo na floresta, não? O cão, sem sucesso, perseguiu o coelho – o mesmo que, anteriormente, o patriarca da história havia tentado matar e acabou apenas se machucando. Dando uma breve pesquisada acerca da simbologia do cachorro, é possível encontrar algumas referências interessantes, como, por exemplo, de que na antiguidade era tido como guardião da vida eterna, sendo também signo da proteção do homem e de sua morada contra os inimigos. Com a morte do cão, Caleb tornou-se suscetível a se perder e foi isso que ele fez, indefeso. Mas quem ou o que, de fato, tirou a vida do animal? Thomasin, Caleb ou ambos? Onde – ou em quem – estava a bruxa?

    O terceiro fator apareceria na cena da morte de Caleb, em que os gêmeos pareciam possuídos. Seria por que eles sabiam de alguma coisa? Eram mesmo inocentes? No momento cheguei a pensar que os pestinhas estavam mancomunados com a tal entidade maligna. E, mesmo assim, a culpa sempre parecia correr em direção à Thomasin (inclusive quando os gêmeos esqueceram-se da reza!), única que se mostrou firme e talvez íntegra durante toda a história (exceto pelas cenas de insinuação incestuosa… mas a intenção proibida era dela? Do irmão? De ambos? Ou de ninguém, sendo malícia nossa, dos espectadores?…). Finalmente, passei a entender a morte de Caleb como sendo seu sucumbimento às diretrizes puritanas de sua família. Ao cuspir a maçã, desengasgando-se, ele poderia sobreviver caso aceitasse a mudança pela qual passou (talvez principalmente de ideias). Mas estando atrelado à sua fé – e asfixiado por ela -, para a qual ele, após comer a maçã, estaria condenado ao inferno, a saída para amenizar a sua dor seria não outra que a morte. Ele morre em frente a toda sua família sorrindo, talvez representando o conflito extremo pelo qual passava: desobedeceu aos preceitos de sua fé, mas permaneceu apegado a eles até o fim, tendo uma morte “digna”. Afinal, talvez inconscientemente Caleb soubesse que seria mais aceitável para sua família (exceto para Thomasin) que ele morresse como um santo do que vivesse como um herege.

    O quarto e último fator foi o desaparecimento dos gêmeos. O que teria acontecido com eles? Além dessa pergunta crucial, poderiam, ainda, ser feitas outras: como o Black Phillip “entrou para a família”? Teria sido por ocasião de alguma hipocrisia de William (podendo, inclusive, ter alguma relação com o sumiço do Samuel?). Algumas observações poderiam ser tecidas sobre o fato de que os gêmeos sempre estavam brincando com o bode, bem na cara de todos, apesar disso não ter parecido nem um pouco relevante para os pais. Ademais, quem, além de trazer o bode macabro à sua casa, o alimentava e negligenciava seus perigos? No final das contas, William pagou muito caro, tendo trazido para seu ambiente aquilo que o mataria repentinamente, sem que ele ligasse para ameaças anteriores (quando o bode começou a ficar mais agitado). No mais, caso William (ah! e sua mulher invisível) conversasse e desse mais atenção às crianças, não pondo todo o trabalho sobre as costas de Thomasin que estava sobrecarregada, elas talvez não sentissem a necessidade de brincar e conversar com o bode.

    Acabei escrevendo muito mais do que eu gostaria ter escrito, mas sobre esse filme tem tanta coisa sobre a qual é possível escrever… é uma viagem. Essa falta de respostas objetivas (apesar das cenas mais explícitas) é talvez o maior terror do filme, afinal, o longa já acabou e as inquietações continuam… eu preferiria acreditar que se tratasse de um terror sobrenatural, que no final ela ganhou o poder da levitação e se juntou ao clube das bruxas (mesmo que ganhasse uma pitada cômica). Mas o terror psicológico se sobressai, sendo, acredito, o maior trunfo do filme – pegou.

    P.S.: Li diversos comentários, em vários sites, sobre diversas pessoas reclamando que o filme não dá medo nenhum, que esperavam sustos, etc, etc, etc… rapaz… sou acostumado com filmes de terror e tenho estômago forte para assistir a cenas fortes. Mas, admito, o tal do Black Phillip, especialmente nas cenas finais… aiai. Ainda bem que não assisti à 00:00h e nem estava sozinho kkkkkkkkkkk… Valeu! E, ah!… Favoritei.

    • Emerson Teixeira Lima

      Esse filme é a prova de que o cinema é visto, hoje, como uma “prostituta”. As pessoas entram na sala esperando exatamente aquilo que acreditam. O seu comentário foi um grande alívio, recentemente só esse pessoal tem comentado por aqui. Julgando a minha opinião, acrescentando que essa não era a “verdade” que o diretor queria e, muitos, nem ao menos deixam as suas opiniões. Só apontam o erro.
      O filme pode ter sido vendido errado, porém é evidente que cinema é feito para pensar e não somente para levar sustinhos e comer pipoca.
      A sua reflexão – e dúvidas – foi excelente. Certamente deu nova vida ao artigo, acrescentou muito a discussão. Muito obrigado, por mim e pelos leitores que, sem dúvida, enriqueceram muito com a sua percepção e boa educação. Abraço! Volte sempre 😀

      Sinta-se à vontade nesse espaço que, como sempre falo, é uma sociedade secreta afim unicamente de dialogar sobre a arte cinematográfica independente.

  • BritneySpears Fan

    Parabéns excelente texto , acabei de ver o filme e fiquei simplesmente encantada , apesar de ficar um pouco confusa em determinadas partes , por que vamos combinar , não é um filme padrão , o que é ótimo diga-se de passagem , eu achei esse filme simplesmente incrível , é uma pena que muita gente não tenha apreciado essa obra prima , espero que um dia esse filme tenha o reconhecimento que merece !

    • Emerson Teixeira Lima

      Obrigado, pode ter certeza que público ele têm. Os restantes estão interessados em outros conteúdos, o que também é normal. Só depende da sensibilidade e desprendimento. Com o tempo vira um cult, pode apostar! 😀

      • BritneySpears Fan

        Tomara !!!

    • gviecelli

      o filme será esquecido em 10 dias, raso e banal. se quer ver filmes que falem da dualidade humana e do conhecimento muito mais além, veja outro filme de 2016, “arrival”

      • Emerson Teixeira Lima

        O filme foi lançado em Março de 2016 e você ainda está falando sobre ele ( que bom! ). Logo, não foi esquecido em 10 dias. Concordo, “A Chegada” é uma grande recomendação, mas são duas linhas distintas da arte.

  • Filipe

    Nunca li tanta merda igual essas escritas acima. Um cara que fala de suas opiniões pessoais como se fosse a verdade e o ignorantes o admiram.
    Parabéns, vc escreve bem, só isso.

    • Emerson Teixeira Lima

      – Referências indiretas:

      . Martelo das Bruxas
      . A Bíblia Satânica
      . Hereges de Deus – A Cruzada dos Cátaros e Albigenses
      . Deus Reconhecerá os Seus
      . Il Demonio
      . Bíblia

      Conteúdo do texto: Minha opinião, afinal, é meu texto. Obrigado pelo comentário.

      • Filipe

        Obrigado pela atenção, mas continuo achando que Vc assistiu outro filme. Acho que o amigo Daniel Rand disse tudo. Com relação ao seu texto, sua opinião, não achei que vc deixou isso claro, apesar de ser “seu texto sua opinião” está parecendo que vc escreveu como sendo a verdade absoluta. Rsrsrs
        Valeu.

  • Demetri Delarge

    Sinceramente.. a sua “explicação” consegue ser ainda mais perturbadora que o próprio filme. Lá pelo menos o mal é retratado de forma nua e crua (e nisto a obra possui um mérito excelente). Você por outro lado distorceu completamente o sentido da história, e colocou o mal como uma coisa boa e bela. Perturbador. É a única palavra que consigo pensar..

    Você provavelmente não acredita no Diabo, e não tenho qualquer intenção de fazê-lo acreditar. Do jeito que fala, desconfio que você segue a típica cartilha ateísta pré-concebida, onde o cristianismo e a Igreja são os grandes vilões malvados da humanidade. Não pretendo discutir essa visão míope e preconceituosa. Mas pra alguém que preza tanto o conhecimento e se gaba de sua superioridade intelectual, você cometeu uma série de erros. Permita-me esclarecer alguns:

    O primeiro e mais evidente de todos é a sua interpretação da história. Você a enxerga como uma crítica à religiosidade, e como um ode ao humanismo e à “libertação” do individuo. Fez até uma breve dissertação histórica da origem desse pensamento, remontando à época renascentista. Muito legal. Só se esqueceu de um pequeno detalhe: a história do filme não tem origem nesse contexto. Muito pelo contrário: o meio histórico-cultural em que ela se originou era completamente oposto a esse: foi em pleno puritanismo americano do século XVII. Toda a história se baseia em lendas, relatos e registros daquele local e tempo. Isso foi mais do que repetido pelo diretor e até mesmo explicitamente declarado no filme. Me espanta que ainda assim você tenha deixado isso passar completamente batido.. Me diga, como uma lenda surgida da mentalidade cristã-puritana pode conter uma mensagem alusiva ao humanismo renascentista?? Não tem a menor lógica isso. Você como espectador pode interpretar uma obra do jeito que quiser. Você é livre pra isso: não há limite para devaneios pessoais. O que você não pode é pegar essa sua interpretação pessoal e afirmar que ela é intrínseca ao filme. Não é. Atribuir a um conto antigo um olhar moderno é um total anacronismo. Se existe uma “moral da história”, ela deve ser entendida do ponto de vista de quem a criou (ou seja, o povo protestante da Nova Inglaterra). Logo, sinto muito lhe dizer – mas o verdadeiro mal aqui é realmente o demônio, e não Deus.

    Isso não significa que os protagonistas eram os “heróis” divinos. Eles eram simplesmente humanos: repletos de falhas, e ignorância também. Mas ao contrário do que você pensa, a religião não é a “culpada” por isso. É justamente a MÁ COMPREENSÃO da fé que ocasiona a cegueira e o fanatismo. Quem realmente conhece o cristianismo sabe que muita coisa do que aquela família pensava e dizia era errada (como por exemplo acreditar que um bebê não batizado iria pro inferno, quando Jesus mesmo disse que das crianças é o Reino dos Céus). Eles viviam uma religiosidade deturpada, longe de ser saudável. E é justamente aí que o mal se aproveita para atacar e desmoralizar a fé de forma generalizada (como você está bem fazendo, aliás). É uma estratégia inteligente e sutil. Se aproveitar das fraquezas humanas. Satanás sempre agiu assim de acordo com a Bíblia, e você não está fazendo nada muito diferente aqui. Você também está usando falhas de religiosos para disseminar o desprezo pelo cristianismo – e como se isso não bastasse, ainda está fazendo apologia ao satanismo (ao menos como filosofia). Isso é bizarro, de verdade. Chega a ser até preocupante. Você defendeu o “desprendimento” e a libertação dos desejos a tal ponto que chegou a justificar até mesmo uma suposta relação de incesto entre irmãos. Digo “suposta” porque eu não acredito que ela tenha ocorrido (por mais que o menino tivesse um desejo reprimido, que se devia muito mais ao impulso da puberdade e ao fato de inexistir outras garotas em torno dele). Mas Calebe em nenhum momento se permitiu mais que um olhar, nem Thomasin em nenhum momento demonstrou corresponder ao desejo. A única coisa que ela fez foi dar um abraço inofensivo de irmã nele. Pra mim você realmente se superou nessa interpretação, que não foi apenas forçada como repugnante e maliciosa ao extremo. E outra: ela não poderia ter praticado tamanha obcenidade antes, se o ponto de ruptura e corrupção dela foi apenas no final. Mas enfim.. isso já é uma outra discussão. A questão é que você acredita que houve um incesto, e você fala disso como se fosse algo positivo e libertador. Afinal de contas, tudo é um resultado da analogia humanista/satanista que você entende do filme, e que tanto está elogiando aqui. É isso mesmo, autor? Se render a um desejo incestuoso é algo digno de se encorajar?

    Acredito que você não faça ideia da gravidade do que está dizendo. Não acho que tenha má intenção – você está apenas reproduzindo algo que acredita ser melhor, e mais inteligente. Lamento muito pela sua opinião. Mas não posso me calar diante de certas inverdades que você escreveu.

    Uma delas é afirmar que “o Deus do Antigo Testamento é intimamente ligado ao ódio, e o do Novo Testamento ao amor”. Eu já me cansei de ouvir isso. É uma das maiores mentiras repetidas por ateus. Somente quem não conhece a fundo as Escrituras acredita em tamanha bobagem. Não há absolutamente nenhuma diferença entre o Deus do Antigo e do Novo Testamento.. pode ter certeza. O que você chama de “ódio” é nada mais que a ira divina diante das injustiças, as quais Ele pune (como nós mesmos fazemos por meio das leis, diga-se de passagem). E é justamente no Novo Testamento que vemos a maior demonstração dessa ira santa: o Juízo Final em Apocalipse. É também nos Evangelhos que Jesus fala sobre o Inferno (ele é a pessoa que mais fala disso em toda a Bíblia). Por outro lado, também temos inúmeras passagens no Antigo Testamento falando da bondade de Deus (se duvida é só ler os Salmos – em nenhum outro livro temos tantos poemas e louvores dedicados ao amor divino). Não existe essa assimetria que você alega. É um contraste falso. Se quiser, eu posso te mostrar dezenas de passagens bíblicas provando isto. Isto porque Deus carrega perfeitamente ambos os atributos: justiça e misericórdia, que Ele distribui de acordo com os atos humanos.

    E pra finalizar, sugiro que tome mais cuidado ao tratar sobre satanismo e bruxaria para um público leigo. É evidente que você jamais se aprofundou no assunto. Apenas leu o que satanistas modernos como LaVey e hippies esotéricos da Nova Era alegam: um lindo “desprendimento” de ideias e de prazer. Procure pesquisar melhor o que frequentemente está escondido por trás disso. Da mesma forma que é absurdo demonizar tudo fora do cristianismo, é igualmente estúpido e ingênuo acreditar que o ocultismo é apenas essa filosofia moderna que você pensa. Experimente ler alguns grimórios antigos. Vá atrás de vídeos com relatos e testemunhas de ex-praticantes. Vasculhe os anais de polícia dos noticiários – você encontrará centenas de casos de desaparecimento de pessoas (muitas vezes crianças) que depois são encontradas mortas e com indícios de tortura, devido a rituais de magia negra. Isso tudo é provado e documentado. Você pode não acreditar no Diabo, mas isso não muda o fato de que muitas pessoas acreditam e o veneram (não como um símbolo, mas como uma entidade real). E essas pessoas são capazes de praticar verdadeiras abomimações, muito mais do que simples gestos macabros como beber sangue ou sacrificar bodes num pentagrama. E se isso é praticado ainda hoje, na era da tecnologia e da informação, quem dirá na era do misticismo de séculos atrás.

    Pense nisso da próxima vez que achar que as bruxas eram “apenas” curandeiras que conheciam ervas.

    • Robson Souza

      Dmitri excelente colocação. Não julgando mas o autor na minha opinião tenta trazer de forma aceitável a filosofia satanica mostrada durante todo o filme. Pois aquele final como Daniel disse acima, mostrando o bode recebendo a cultuacao das bruxas é sinal claro, de que não tem nada de metafórico no filme.

      • Walisson Rodrigues de Oliveira

        Só não tente ganhar Ibope sobre a visão realista que o autor desse blog teve. É claro no filme tudo que ele disse. Completamente verdade.

    • tainara tai

      Deixa de ser fanático, cara. Nenhuma verdade é absoluta, todas as verdades são meia verdades. Sou praticante de magia, você está falando de algo que desconhece. Na própria bíblia tem passagens de sacrifícios, inclusive, o próprio Abraão iria sacrificar seu filho. No satanismo não existe sacrifício humano, claro que existem práticas de magia negra onde utilizam humanos, mas é uma porcentagem tão pequena de adeptos, a maioria dos casos noticiados, são mais pessoas com transtornos mentais do que realmente bruxos. A magia tem diversos sistemas, ele não é homogêneo, assim como o cristianismo também não é. Casos aleatórios não representam e muito menos conceituam a magia. E outra coisa, você falou de ”hippies esotéricos”, o esoterismo é diferente de ocultismo, e mais, Lavey representa uma das várias correntes satânicas, não representa seu todo. E o que você entende mesmo sobre esses grimórios? Nada ali deve ser levado ao pé da letra, até porque os magos se utilizavam de muitas ferramentas para o conhecimento permanecer oculto, então, muita coisa ali na prática era totalmente diferente.

    • Vitor Lima

      Percebe-se que nosso querido Dimitri é um fanático religioso!

  • luiz carlos

    Faltou falar sobre a macieira comentada por caleb, a mentira para enganar e o cálice vendido para comprar uma arma. A Irmã mais velha nunca se insinuou para Caleb. Quantos aos olhares dele para os seios dela, vejo como um despertar da adolescência, onde a malícia começa a surgir. E depois saiu ma maça podre de sua boca.

  • Mara Ribeiro

    Ontem vi o filme e a primeira impressão é de que não gostei, mas ele não me sai da cabeça, então vim em busca de explicações e tentar entender melhor as entrelinhas, achei seu texto e fiquei maravilhada com o que li, e a cada parágrafo fui tendo a certeza de que sim, é um ótimo filme. Através do seu texto, é como se eu assistisse novamente ao filme, e tendo outra opinião sobre o mesmo, eu fazia parte dos ignorantes, que não conseguia ver a real proposta do enredo, obrigado pelo excelente texto.

    • Emerson Teixeira Lima

      Obrigado pelo comentário. Fico feliz em entender um pouquinho a experiência de todos ao assistir esse belíssimo filme. O que aconteceu com você é um processo lindo, que vai da estranheza à curiosidade; é a jornada do sábio, principalmente o respeito que demonstrou com o que sentiu ao ler meu escrito. Mas, acrescento, de forma alguma essa experiência pode ser classificada como ignorância, pelo contrário, procurar outros pontos de vistas é uma virtude intelectual. Tenho certeza que, quando assistir novamente, você dará outros significados tão importantes quanto os descritos aqui. Isso, afinal, é a intenção da arte, não é mesmo?
      Obrigado Mara! seu comentário foi uma maravilha. Volte sempre e abraço!

  • dany

    cara disse tudo!

  • dany

    Alguem me diz! a Thomasin teve mesmo um incesto com o irmão? Ela já era uma bruxa antes de assinar o livro?

    • Daniel Rand

      Oi, Dany.

      Não, ela não teve nenhum envolvimento com o irmão. O que o filme mostra é que ele sentia uma atração pelas curvas da irmã. Coisa de adolescente com os hormônios a mil e sem outra válvula de escape.

      Ela não era uma bruxa, até assinar o livro do Black Phillip. O que acontece com muitas mulheres é que, pelo fato de serem sensitivas e intuitivas, acabam sendo discriminadas como bruxas.

  • David de Almeida

    Acabei de ver o filme amigo. Fui pesquisar sobre a atriz e detalhes. Gostei muito de sua análise e concordo. Creio que o correto é ver mais uma vez o filme e entender melhor. Única duvida que tive foi o que ocorreu com as crianças pequenas. Pelo visto foram mortas por sua irmã ok? agradeço

  • leumasoa1987 Soa

    Em nenhum momento Deus é criticado no filme, como vc diz com tanta veemencia que acaba deixando escapar uma “raivinha” do Criador. Apenas mostra-se como eram fanaticos e ignorantes os cristãos no seculo 17. Ja vimos isso em muitas obras. Não há novidades ali. O Satanismo mostrado no filme é o de servidao a satanás. Não vi liberdade nenhuma nele. O diabo e o Satanismo são os viloes do filme, assim como em todas as obras de terror.

    • Emerson Teixeira Lima

      Obrigado pelo comentário. Ok, é a sua visão. A minha está no artigo. Mas juro que não tenho “raivinha” de deus, afinal, sou ateu. Mas, em uma obra que fala do conservadorismo, de um pai extremamente religioso e, pela fé, limitado, certamente há crítica a crença exagerada. Deus é usado muitas vezes como veículo para exploração. Mas, ok, como disse, todos temos direito de pensar. Novamente, obrigado por deixar registrado a sua opinião! Abraço!

      • Walisson Rodrigues de Oliveira

        Me considerava ateu até um certo momento, adorei seu texto e peço que tente buscar mais sobre a formação do universo e sobre Deus. Uma força criadora de tudo com certeza existe, o que pode ser chamado de Deus. O cristianismo é errado é uma besteira.

        • Emerson Teixeira Lima

          Sim Walisson Rodrigues, estudo há anos religiões, inclusive tenho amigos íntimos budistas e espíritas que me ensinam muito. Eu sou extremamente espiritualista, sou amante e respiro arte, portanto, não haveria possibilidades de descartar a metafísica. Não acredito em apenas em um Deus, luto para ter respeito a todos. Obrigado pelas palavras em todos os comentários, as mensagens do filme são claras, no mesmo tempo muito complexas, minha interpretação é apenas uma, o especial da arte é isso: compartilhar visões e aprender com o outro. Abraço!

  • gviecelli

    Texto burro. E sou ateu então nada tenho a ver com defesas de deus e da fé mas sim da verdade e o autor foi bem burro. Óbvio que há toda uma critica bem feita à religiosidade e à fraqueza humana, à caça as bruxas, ao falso moralismo e hipocrisia e à uma época em que a igreja, religião e valores morais eram hipócritas e prejudicavam sim às familias que viviam em mentiras até para si mesmos. óbvio que o filme fala em dualidades e conflitos e é obvio a intenção dos irmãos em se amar e do quanto a menina era desprendida da religião e mais ligada à verdade mundana. Só um cego não veria isso.. Porém só um idiota liga a figura de bhafomet com somente a neutralidade e a mera busca pelo conhecimento. Lucifer foi um anjo tomado pelo mau e pela inveja, tomado pelo egoísmo e por causa de tudo isso contestou deus ou segundo a gnose contestou o universo e por isso caiu, traiu deus e foi jogado à terra. E desde então ele e seus semelhantes ou aliados como baphomet e tantos outros testam as fraquezas humanas. OU, para céticos e ateus, este mal está dentro de todos nós, só esperando ser alimentado. E é isto que a menina bruxa faz: além de contestar os valores religiosos e familiares da época, o que bem o faz….. ela se perde no meio do caminho. começa a alimentar exageradamente seu mal interno e em seu egoísmo transa até com seu irmão e corrompe a familia toda e aí já não é busca por conhecimento e sim corrompimento total, falta de valores seja em qquer cultura ou quer seja entre ateus ou religiosos. ou vai dizer que dar até pro mano pode ser considerado algo válido na libertação e busca pelo conhecimento??…Depois, a menina já corrompida pelo mau divino ou quem sabe meramente mal mundano pela sua falta de pudor, passa de todos os limites e chega ao seu estado de perdição total. e chega a matar não só moralmente como fez com seu irmão mas carnalmente como fez até com sua mãe…… E baphomet, se realmente existiu no filme e nao foi mera imaginação dela, a induz não a buscar conhecimento, mas se perder de vez e largar todos os seus valores de vez em busca do egoismo mundano sem medir nenhuma consequencia mais…. isto está longe de só romper valores de época ou atuais e longe de se elevar em busca de conhecimento. ela se perdeu na busca. assim como seus pais se perderam na ignorância. Aí todo mundo se fu…e o autor segue um idiota por a achar elevada e não uma egoista perdida sem limites….ou, segundo a visão religiosa, uma bruxa monstra…então do ponto de vista religioso ou ateu, ela se perdeu igual…

    • Emerson Teixeira Lima

      Li com atenção o seu comentário. Discordo de algumas coisas (como você viu no meu texto, ali está a minha opinião) mas acho as discordâncias muito válidas. Só fico triste que para dar credibilidade ao seu argumento, você precise me ofender com palavras como “burro” e “idiota”. É a minha leitura, você fez a sua e possui todo o direito e respeito da minha parte e dos meus leitores. Sem ofensa, por favor.

      Obrigado por acrescentar na interpretação do filme, essa era a intenção primordial, pode apostar! Abraço!

      • Claudius Ramos

        Sou teísta e concordo com a análise supra-citada, também discordo de ofensas rancorosas.
        O relativismo que se coloca no filme se contrapõe a realidade objetiva que é passada na tela, há uma presença definitivamente maligna em todo o filme que deseja se afirmar e seduzir , é um erro fantasiar e colocar apenas metaforicamente o que é mostrado na tela. O filme está claramente apresentando a figura do demônio e suas ações.

  • Felipe Ravelly

    Não poderia ler esse texto e deixar de parabenizar o autor. “Foi melhor do que assistir ao filme”.

    • Emerson Teixeira Lima

      Valeu Felipe! Volte mais vezes!
      Abraço.

  • Naara Paixão

    Que texto maravilhoso, agora sim estou aliviada, pois realmente achei ser um filme sem sentido algum, agora tudo faz sentido.
    Porém, sobre os gêmeos qual o papel deles na história?
    E o que significa o bebê sido levado?
    Havia mesmo uma bruxa ou era apenas uma metáforaou representação do pecado da família?

    • Emerson Teixeira Lima

      Obrigado Naara!
      Todas suas perguntas são em base a elementos que sugerem uma metáfora – a qual dissequei no artigo. Mas os gêmeos, como mais uma parte da família, têm personalidade nebulosas, são os primeiros que veem o “mal”, pois foram alertados dele desde o nascimento. O bebê levado, assim como todos os membros que foram “removidos” através de uma seleção mística, faz parte de uma espécie de jogo mental, para ser definido – junto ao espectador – quem é, naquela família, a bruxa de fato. Mas no artigo eu cito o desaparecimento do bebê e conecto com a questão do lobo.
      A bruxa é uma metáfora. Se você ler sobre a idade média, a igreja queimou mulheres as acusando de bruxaria. Elas eram bruxas literalmente? evidentemente não. Mas o medo era real e, principalmente, a punição.

    • Daniel Rand

      Oi, Naara.

      Não precisa ficar decepcionada por achar que não conseguiu entender o filme. Ele é exatamente o que você viu. Algumas pessoas ficam oferecendo interpretações pessoais sobre determinada obra e batem o martelo como se “aquela interpretação” fosse a definitiva para determinada manifestação artística. Então, quando alguém tentar desvendar para você uma música, uma poesia, ou um filme, não se esqueça que esse alguém está dando “a própria interpretação”.

      Sem fugir dessa verdade irrefutável, o filme mostra exatamente o que você assistiu.

      Um bebê foi levado por uma bruxa (pois você viu ela se banhar com o sangue dele) e depois disso coisas estranhas começam a acontecer.

      Você viu uma família cristã, de hábitos extremistas, ser acossada pelo mal que vive na floresta. Logo depois, um por um, os membros dessa família foram ficando pelo caminho.

      Você viu os gêmeos conversando e cantando hinos de louvor ao bode Black Phillip, que é o próprio diabo;

      Você viu a mãe de Thomasin, que depois de ler o livro negro trazido pelo espírito de seu filho, ser morta em duelo contra a filha;

      Você viu o pai de Thomasin ser assassinado pelo bode; depois de negar entregar-se a ele: “Não me renderei a você, danação”

      E você viu Thomasin, tristemente, entregar-se ao bode, negar a Deus no momento em que assinou o livro de Black Phillip, e juntar-se às outras bruxas no centro da floresta para cultuá-lo.

      “A maior astúcia do diabo foi convencer o mundo de que ele não existe.” – Charles Pierre Baudelaire.

      Não se deixe enganar por ateus que dizem que Deus não existe, mas que dedicam suas vidas ao diabo. Se Deus não existe, o diabo logo também não devia existir, concorda? Mas no filme, tanto um quanto o outro existe.

      • Claudius Ramos

        Ótima resposta, concordo plenamente. As pessoas estão se enganando muito, um filme recheado de tragédia culminando com um matricídio e um pseudo-êxtase demoníaco.

        • Daniel Rand

          Obrigado, Claudius Ramos. E você também conseguiu sintetizar maravilhosamente bem o final do filme: matricídio e um pseudo-êxtase demoníaco.

      • Walisson Rodrigues de Oliveira

        Para um professor você se mostra bastante limitado. Cada cena do filme tem um motivo, talvez você não entenda, dizer basicamente que não faz sentido? Hahaha Várias mensagens são transmitidas a cada cena e o autor do blog nos fez o favor de explicar.

        • Daniel Rand

          Olá, Walisson Rodrigues de Oliveira

          Todos temos limitações, a começar pelo fato de sermos mortais.

          Acho que deve ter lido minhas postagens aqui no blog e te agradeço sinceramente por isso. É muito bom quando alguém abre espaço para o debate e se mostra disposto a ouvir nossas proposições.

          “Cada cena do filme tem um motivo, talvez você não entenda, dizer basicamente que não faz sentido? Hahaha Várias mensagens são transmitidas a cada cena e o autor do blog nos fez o favor de explicar.”

          Que bom que você tem o autor para te explicar.

          Imagina a seguinte situação. Você (não sei se o amigo é casado, perdoe se o ofendo de alguma maneira) chega em casa e encontra sua esposa (namorada) na cama com outro homem. Eles estão despidos e o sujeito está com a cabeça enfurnada entre as pernas dela.

          Fui traído – você pensa instantaneamente. Afinal, é o que você está vendo que conta.

          Mas o cara desce da cama com um travesseiro escondendo a vergonha e diz:

          – Muita calma nessa hora amigo. A VERDADE verdadeira está longe do que você acha que viu. Eu só passei aqui para consertar a lâmpada do seu quarto que precisava ser trocada.
          Quando entrei no quarto, vi que sua santa esposa estava dormindo, e achei por bem fazer o serviço sem precisar acordá-la. Notei que a mesma estava despida, mas sou um homem honesto e longe de mim aproveitar-me de qualquer mulher em tal situação.

          Pois bem, no finalzinho do meu serviço, a minha aliança acabou caindo do dedo e você não faz a mínima ideia de onde ela foi parar. Vou ajudá-lo. A aliança despencou do meu dedo, rolou pelo braço, deu duas voltas no ar e caiu entre as pernas da sua santa mulher.

          Como minhas mãos estavam sujas pelo serviço que tive que fazer, achei mais higiênico tentar pegar minha aliança com a boca, e para isso precisei usar a língua.

          Você olha aquela situação toda e diz, meio desconfiado:

          – Mas você precisou tirar a roupa toda para fazer isso?

          Ele esbugalha os dois olhos e responde:

          – E o que o senhor esperava que eu fizesse num calor infernal desses? E por falar nisso, acho que chegou a hora de limpar os filtros do seu ar-condicionado. Posso voltar amanhã se quiser.

          Fim.

          Bom, pela forma entusiasmada como você se expressou a respeito do autor do blog ter desvendando todos seus mistérios, eu começo a achar que você acreditaria nessa história do trocador de lâmpadas.

          A Bruxa é um filme cristalino como água, Wallison, não fique procurando perna em barriga de cobra e abra os olhos para a verdade que é esfregada em sua cara.

          Abração.

  • Renan Régis

    Achei sua interpretação muito interessante apesar de não concordar com alguns pontos, amei seu texto,mas achei triste a arrogância de uma parte dos comentários te acusando de interpretar “errado”. Que bom seria se todo mundo desse uma olhada em “interpretação” no dicionário antes de vir bostejar né?

    • Emerson Teixeira Lima

      Hahahaha verdade! algo tão simples. Tenho sofrido uns ataques há tempos mesmo, mas tranquilo, a gente aguenta por causa de comentários legais como o seu. Valeu Renan!

  • Fernanda Godinho Di Marco

    Excelente análise! Percebi também que o próprio nome de Thomasin já remete a essa liberdade, já que “sin”, em inglês, é pecado. Parabéns pelo texto!

    • Emerson Teixeira Lima

      Ótima lembrança! Obrigado!

  • Daniel Rand

    Olá, Emerson, já faz algum tempo que não nos falamos.

    Deixa eu te fazer uma pergunta diretamente: Você é satanista?

    • Walisson Rodrigues de Oliveira

      Daniel, larga o Narcisismo. Desculpe chegar aqui e atrapalhar e até me meter na discussão de vocês, mas o autor está completamente correto. Queria que o diretor confirmasse, mas ele não vai. Rsrsrs

      • Daniel Rand

        Oi, Walisson Rodrigues de Oliveira.

        Fique tranquilo, amigo, você não está atrapalhando nada. Como se diz no interior, fique à vontade, a casa é sua.

        Só não entendi o que você quis dizer em me chamar de narcisista. Você disse isso por que gosta de usar essa palavra ou por que não sabe o que ela significa?

  • Júlio César Montenegro

    Texto maravilhoso. Realmente muitas pessoas que não entenderam o filme, ao invés de fazer críticas construtivas, ou procurar entender, simplesmente o crucificaram. Eu gostei muito do filme, assisti duas vezes. Eu também tive essa visão, em partes, da liberdade; realmente o filme trata sobre isso, da liberdade da opressão religiosa, familiar, preconceito contra a mulher etc. Posso dizer até que me identifico com o filme, pois minha família inteira é composta de evangélicos, e eu “me libertei” de uma doutrina, que para mim, não tinha lógica, e me converti ao Espiritismo Kardecita, foi uma libertação, em todo o aspecto da palavra. Seu texto me ajudou a entender mais o filme. Obrigado.

    • Emerson Teixeira Lima

      Obrigado Júlio César! Você sem duvida mostrou, em seu comentário, o que é a cordialidade e respeito. Sim, as críticas construtivas nos ensinam, o julgamento é só arma para os cegos. Com todo respeito do mundo apenas tentei observar o quanto o extremismo religioso é sufocante. O filme fala sobre isso. Eu também me libertei, hoje sou apenas espiritualista. Obrigado pelas palavras! Abraço e volte mais vezes!

  • tainara tai

    Quero parabenizar o autor do texto pela ousadia e pelas observações feitas acerca do filme. Concordo em partes com o que foi escrito, mas claro, respeito e jamais entraria no seu site para chama-lo de burro, isso é totalmente desrespeitoso e desnecessário. Olha, como eu disse, concordo com muitas questões aos quais foram abordadas no texto, principalmente quando o foco é a Thomasin. Contudo, não vejo o filme apenas como uma linguagem metafórica, realmente existia uma força oculta influenciando aquela família.

    Sobre os gêmeos, é interessante que no fim do filme as bruxas atingem um estágio de gnose tão elevado que flutuam, quem é praticante de magia sabe que existem n formas de alcançar a gnose, creio que naquele momento os corpos das crianças foram usados naquela fogueira, causando uma enorme excitação nelas, ao passo que passaram a flutuar. Concordo sobre o que foi dito sobre os desejos do irmão, mas eu também senti uma enorme referência a Branca de Neve, ele realmente foi envenenado pela bruxa. Acredito que todas aquelas bruxas tinham aquela floresta como refúgio, são outras Thomasin da vida que abdicaram a fé católica e entregaram-se a bruxaria, onde conseguiram uma vida de liberdade e gloria, porém, aquilo só era proporcionado graças ao bode, a adoração ao mesmo exigia sacrifícios, e aquela família foi o alvo perfeito. O bode sondava a garota, ele sabia que aquela vida não á agradava, sabia como trazê-la para seu lado.

    Mas um fato é certo, a mãe sentia inveja da juventude da filha, a garota ela era o bode expiatório da família. Quando os desatres foram associados a ela, mesmo sendo inocente, foi o mesmo que a jovem aceitar as acusações falsas e dizer: ”já que fui culpada por tudo, odiada pela minha família e não tenho mais ninguém, vou me entregar ao bode”. Nos tribunais da inquisição as mulheres eram torturadas até confessarem o que não tinha feito, a jovem fez o mesmo, após passar por tanta tortura psicológica feita pela família. E ela só tinha realmente a opção de procurar o Black Philip, naquele lugar inóspito, certamente morreria de fome ou voltaria a cidade e seria caçada pela inquisição, o bode já a aguardava, porque sabia da sua falta de opções.

    Só mais uma coisa, Baphomet não é um demônio, ele foi representado por Eliphas Levi em sua obra, nele está contido todos conceitos hermêticos, é a tradução da dualidade, o satanismo incorporou essa filosofia em seus ensinamentos. Lembrando que, existem várias correntes satanistas, a de Lavey prega o satanismo ateísta, onde o homem despreza a figura de um ser divino e superior, buscando torna-se o seu próprio Deus, prega o hedonismo, a liberdade do ser. Aquele bode é a porta de entrada de Thomasin nos caminhos de mão esquerda.

    No mais, adorei os comentários que o autor do texto fez sobre a igreja, muito bem explicado, isso mostra o quanto ele dedicou-se para escrever o artigo. Gostaria de falar mais a respeito, mas meu comentário ficaria ainda mais extenso. Eu tenho um blog, nele já escrevi sobre a bruxaria e a liberdade feminina séculos passados, principalmente no Brasil colonial, em uma das pesquisas que realizei para escrever o artigo encontrei esse texto, achei fantástico.

    • Obrigado infinitamente pelos comentários Tainara. Sei que muitos leitores estão de olho nas discussões aqui e o seus comentários acrescentam muito para com a análise conjunta da arte. Honestamente senti cada palavra sua ao assistir o filme, escolhi uma vertente de análise que mais se adequava com as minhas sensações pós-exibição. A energia da sessão foi maravilhosamente espantadora, todo mundo saindo da sala e tal, esse artigo foi muito emoção também, aliado com alguns devaneios históricos. No entanto acho super válido a sua reflexão, e fico imensamente feliz que tenha entendido a proposta e, mesmo discordado, ter sido tão cordial. Agora, por favor, se puder me passe o seu blog/artigo, fiquei com muita curiosidade! Abraço!

  • Christovão Billy

    A interpretação foi boa, mas o contexto da colonização dos EUA foge do alcance da igreja católica, o contexto é de puritanos e Quakes .. o que torna todo drama de contexto religioso cristão e satanico mais coerente com os fatos mostrados no filme